{"id":557,"date":"2024-05-13T11:41:21","date_gmt":"2024-05-13T14:41:21","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/?p=557"},"modified":"2024-05-13T11:41:37","modified_gmt":"2024-05-13T14:41:37","slug":"descuido-ambiental-e-desinformacao-ceifam-vidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/2024\/05\/13\/descuido-ambiental-e-desinformacao-ceifam-vidas\/","title":{"rendered":"Descuido ambiental e  desinforma\u00e7\u00e3o ceifam vidas"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Dione O. Moura\u00a0<\/em><\/strong><br \/>\nUnB\/ABEJ\/Rede Biota Cerrado<br \/>\n<strong><em>Marlise Brenol<\/em><\/strong><br \/>\nUnB\/SBPJor\/Rede Biota Cerrado<br \/>\n<strong><em>Liziane Guazina<\/em><\/strong><br \/>\nUnB\/Compol\u00edtica<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-559 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-400x371.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"371\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-400x371.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-1024x949.jpeg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-768x712.jpeg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-1536x1424.jpeg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02-750x695.jpeg 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2024\/05\/WhatsApp-Image-2024-05-12-at-16.28.02.jpeg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><em>Imagem: Maure\/Correio Braziliense<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o fosse suficiente a enchente que assola o Rio Grande do Sul (RS),\u00a0 tamb\u00e9m surge outra enxurrada: oceanos de desinforma\u00e7\u00f5es que visam desestabilizar for\u00e7as pol\u00edticas e institucionais, provocar\u00a0 caos desmesurado e aumentar a dor. Contudo, nada surge da noite para o dia. H\u00e1 fatores historicamente constru\u00eddos para que a desinforma\u00e7\u00e3o trafegue em indevida liberdade.<\/p>\n<p>Vamos l\u00e1, no caso da inunda\u00e7\u00e3o no RS, partimos de uma agenda hist\u00f3rica de descuido ambiental. Para o Brasil\u00a0 tornar-se o \u201cceleiro do mundo\u201d devastou biomas, ao custo de uma estrutura de vigil\u00e2ncia e controle ambiental crescentemente desmantelada por\u00a0 atores sociais que consideram que ecologia \u00e9 balela, e de uma economia que gera\u00a0 h\u00e1bitos de consumismo desenfreado, degrada\u00e7\u00e3o ambiental, enorme gera\u00e7\u00e3o de lixo, assoreamento de rios,\u00a0 polui\u00e7\u00e3o e devasta\u00e7\u00e3o de biomas.<\/p>\n<p>E tem mais: em nosso pa\u00eds, h\u00e1 anos, inexiste solidez das normas de comunica\u00e7\u00e3o de risco que deveriam ser aplicadas do micro (bairro, munic\u00edpio) ao macro (\u00e1reas metropolitanas, estado, regi\u00f5es). Quais as \u00e1reas de risco? Quais popula\u00e7\u00f5es podem ser atingidas? Quando e por quais mecanismos ser\u00e3o alertadas? Quais as rotas de evacua\u00e7\u00e3o? Escolas, Igrejas, Coletivos, Defesa Civil, quem atuar\u00e1 nos abrigos? Como proteger os mais vulner\u00e1veis? S\u00e3o perguntas que planos de comunica\u00e7\u00e3o de risco e de evacua\u00e7\u00e3o preventiva conseguem responder, desde que fa\u00e7amos as perguntas certas, na hora certa &#8211;\u00a0 antes que o risco (possibilidade) se materialize em dano (o risco j\u00e1 concretizado).<\/p>\n<p>Esse processo \u00e9 fortalecido diante da desregulamenta\u00e7\u00e3o das redes sociais e resulta em um pacote letal. Acreditamos, como sociedade, que vai ficar tudo bem enquanto destru\u00edmos o planeta. Achamos fofos os document\u00e1rios de crian\u00e7as de outros pa\u00edses sendo preparadas para poss\u00edveis terremotos, mas aqui no Brasil n\u00e3o precisamos disso\u2026 N\u00e3o? E as crian\u00e7as desaparecidas na atual inunda\u00e7\u00e3o no RS?\u00a0 E os idosos, os hospitais, as creches, faculdades, empresas, comunidades inteiras submersas na \u00e1gua lamacenta?<\/p>\n<p>N\u00e3o somente a inunda\u00e7\u00e3o, mas todo esse conjunto ceifa vidas.\u00a0 Em s\u00edntese, falta preven\u00e7\u00e3o h\u00e1 d\u00e9cadas, e tamb\u00e9m nos dias anteriores \u00e0s inunda\u00e7\u00f5es. Se conseguimos fechar o com\u00e9rcio e escolas quando \u00e9 <em>feriado<\/em>, por que n\u00e3o conseguimos faz\u00ea-lo antes de uma inunda\u00e7\u00e3o dessas? \u00d3bvio que conseguimos, desde que haja decis\u00e3o pol\u00edtica. Desde que n\u00e3o deixemos multiplicar o n\u00famero de desabrigados at\u00e9 que a \u00fanica sa\u00edda esteja em or\u00e7amentos astron\u00f4micos emergenciais.\u00a0 Esse cen\u00e1rio hist\u00f3rico \u00e9 perfeito para pavimentar a estrada da indevida liberdade de desinformar e proliferar o\u00a0 negacionismo clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica das plataformas de m\u00eddias sociais segue e amplifica o modelo da comunica\u00e7\u00e3o do grotesco de que nos falou Muniz Sodr\u00e9.<\/p>\n<p>O grotesco, agora ampliado na internet,\u00a0 estimula os relatos mentirosos e sensacionalistas. Influenciadores digitais e as <em>Big Techs <\/em>nadam de bra\u00e7ada em plataformas de m\u00eddias sociais sem regula\u00e7\u00e3o. Desinformam em troca de alcance e engajamento, a atual moeda digital.\u00a0 Como consequ\u00eancia, levam ve\u00edculos de imprensa &#8211; que de forma irrespons\u00e1vel publicam sem a devida verifica\u00e7\u00e3o &#8211; e muitos pol\u00edticos &#8211; que assumem mentiras \u00a0 em discursos e postagens amplificadoras do c\u00edrculo vicioso. \u00c9 preciso prud\u00eancia, em especial, na cobertura de cat\u00e1strofes.\u00a0 Antes de pegar uma rodovia, voc\u00ea n\u00e3o passa no posto para\u00a0 calibragem, \u00e1gua e \u00f3leo para viajar com seguran\u00e7a? Pois ent\u00e3o, antes de acelerar fundo e repassar uma desinforma\u00e7\u00e3o, cheque nas ag\u00eancias de verifica\u00e7\u00e3o e sites jornal\u00edsticos\u00a0 como a <em>Ag\u00eancia Lupa<\/em>, a <em>Aos Fatos<\/em> e o <em>Estad\u00e3o Verifica.<\/em><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia clim\u00e1tica no RS ceifou vidas, gerou mais de 200 mil refugiados clim\u00e1ticos e apontou o dedo para a falta de planejamento no combate a trag\u00e9dias clim\u00e1ticas previstas pela ci\u00eancia. Enquanto as figuras p\u00fablicas, em especial, deputados e senadores brasileiros, deputados estaduais\/distritais, vereadores, prefeitos e governadores estiverem mais preocupados em criar narrativas para suas bases eleitorais nas redes sociais do que em\u00a0 gerenciar as crises, ser\u00e3o correspons\u00e1veis por essa e por outras trag\u00e9dias que possam vir. E se a pauta da biodiversidade, conserva\u00e7\u00e3o e economia sustent\u00e1vel n\u00e3o se tornar prioridade, cat\u00e1strofes se multiplicar\u00e3o. Se a dor das v\u00edtimas das enchentes no RS n\u00e3o doer nos tr\u00eas poderes (no n\u00edvel Municipal, Estadual e Federal), a desesperan\u00e7a reinar\u00e1 em um pa\u00eds em cujas faces n\u00e3o mais distinguiremos lama de l\u00e1grimas. Ainda podemos fazer algo. Fa\u00e7amos.<\/p>\n<p><em>** Publicado originalmente no Correio Braziliense, Caderno Opini\u00e3o, p. 11, em 12 de maio de 2024. Autorizada a reprodu\u00e7\u00e3o do artigo e da imagem ilustrativa do artigo, desde que citada a fonte, local e data de publica\u00e7\u00e3o do original. Publicado com autoriza\u00e7\u00e3o das autoras.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dione O. 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