{"id":322,"date":"2020-11-20T08:54:50","date_gmt":"2020-11-20T11:54:50","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/?p=322"},"modified":"2020-11-20T08:55:19","modified_gmt":"2020-11-20T11:55:19","slug":"alguns-resultados-pesquisa-desinformacao-e-covid-19-na-midia-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/2020\/11\/20\/alguns-resultados-pesquisa-desinformacao-e-covid-19-na-midia-social\/","title":{"rendered":"Alguns Resultados- Pesquisa Desinforma\u00e7\u00e3o e COVID-19 na M\u00eddia Social"},"content":{"rendered":"<p>(por Raquel Recuero)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-324\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-1024x601.png\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-1024x601.png 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-400x235.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-768x450.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-1536x901.png 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25-750x440.png 750w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/11\/Screen-Shot-2020-11-20-at-08.53.25.png 1712w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O MIDIARS j\u00e1 tem tr\u00eas preprints (um deles j\u00e1 publicado), e mais uma sequencia de artigos que est\u00e3o submetidos focando a pesquisa sobre desinforma\u00e7\u00e3o e covid-19 na m\u00eddia social. Alguns dos principais resultados:<\/p>\n<ul>\n<li>A desinforma\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 pandemia \u00e9 <strong>quase na sua totalidade enquadrada como uma quest\u00e3o pol\u00edtica.<\/strong> <strong>Trata-se de ter um &#8220;lado&#8221; pol\u00edtico e, por isso, adotar determinadas a\u00e7\u00f5es que interferem na sa\u00fade p\u00fablica.<\/strong> Exemplo: Usar ou n\u00e3o usar m\u00e1scara \u00e9 relacionado a adotar ou n\u00e3o a uma filia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Se voc\u00ea defende A, n\u00e3o pode usar, se defende B, usa. (<a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/84\">Recuero &amp; Soares, 2020<\/a>)\u00a0 Do mesmo modo, <strong>grupos pol\u00edticos e autoridade pol\u00edticas t\u00eam um papel important\u00edssimo na legitima\u00e7\u00e3o e na circula\u00e7\u00e3o<\/strong> desse tipo de conte\u00fado. Tamb\u00e9m encontramos desinforma\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 pandemia <strong>alinhada com crises pol\u00edticas no Brasil,<\/strong> oferecendo &#8220;<strong>hist\u00f3rias alternativas<\/strong>&#8221; sobre a crise ou atingindo diretamente advers\u00e1rios pol\u00edticos (Resultados obtidos no Twitter, Facebook e WhatsApp em outros artigos ainda na espera para publica\u00e7\u00e3o.)<\/li>\n<li>A desinforma\u00e7\u00e3o circula de <strong>forma mais forte nos grupos de extrema direita<\/strong>. Esses grupos tamb\u00e9m terminam <strong>&#8220;filtrando&#8221; a circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado que possa desmentir a desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong>. Portanto, <strong>onde circula a desinforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o circula o fact-checking e a m\u00eddia tradicional<\/strong> (<a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/1154\">Recuero, Soares &amp; Zago, 2020<\/a> e\u00a0 <a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/1476\">Soares, Viegas, Bonoto e Recuero, 2020<\/a>). <strong>H\u00e1 uma forte rela\u00e7\u00e3o entre polariza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e circula\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong>, portanto.<\/li>\n<li>Quanto mais fechada a rede, mais dif\u00edcil \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado que possa combater a desinforma\u00e7\u00e3o. Particularmente, em canais <strong>onde h\u00e1 mais privacidade na circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado<\/strong> (WhatsApp e grupos no Facebook, por exemplo), circula mais <strong>conte\u00fado inteiramente fabricado, extremizado e teorias da conspira\u00e7\u00e3o<\/strong>. (<a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/1476\">Soares, Viegas, Bonoto e Recuero, 2020<\/a>) Em <strong>lugares mais p\u00fablicos<\/strong>, como o Twitter e as p\u00e1ginas do Facebook, <strong>circula menos conte\u00fado completamente falso e mais conte\u00fado enganoso<\/strong> (que tem verdades parciais).<\/li>\n<li>Notamos a presen\u00e7a de <strong>campanhas desinformativas<\/strong>, que ocorrem em determinados momentos, de <strong>forma coordenada<\/strong>, em v\u00e1rios canais, de modo a atingir algum ponto considerado relevante. Por exemplo, campanhas contra a vacina\u00e7\u00e3o, campanhas contra advers\u00e1rios pol\u00edticos e institui\u00e7\u00f5es (particularmente STF e OMS), e etc. Essas campanhas s\u00e3o acionadas sempre que h\u00e1 uma crise pol\u00edtica. N\u00e3o s\u00e3o baseadas apenas n<strong>o espalhamento de links \u00fanicos desinformativos, mas, igualmente, em outras estrat\u00e9gias, como &#8220;opini\u00f5es&#8221; de autoridades que legitimam aquela ideia, links variados (como se v\u00e1rios &#8220;meios&#8221; estivessem dando a mesma informa\u00e7\u00e3o ao mesmo tempo), imagens<\/strong> e etc.<\/li>\n<li>H\u00e1 campanhas para <strong>desacreditar a m\u00eddia tradicional e fortalecer ve\u00edculos hiperpartid\u00e1rios<\/strong> (geralmente an\u00f4nimos) como as<strong> &#8220;\u00fanicas fontes de informa\u00e7\u00e3o&#8221; confi\u00e1veis.<\/strong> A campanha desinformativa pol\u00edtica tamb\u00e9m &#8220;adota&#8221; pautas que s\u00e3o associadas a um mesmo sistema ideol\u00f3gico. Nesse sentido, o assunto da pandemia \u00e9 sempre tratado como uma quest\u00e3o pol\u00edtica e n\u00e3o como uma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. A pauta da sa\u00fade \u00e9 esvaziada e substitu\u00edda por teorias da conspira\u00e7\u00e3o a respeito do v\u00edrus, questionamento de sua exist\u00eancia, discuss\u00e3o do v\u00edrus como um elemento de &#8220;controle&#8221; do estado, pautas antivacinas,\u00a0 pautas antimedicamentos, pautas que focam a auto medica\u00e7\u00e3o como uma a\u00e7\u00e3o de liberdade individual, etc.<\/li>\n<li>S\u00e3o usadas variadas <strong>estrat\u00e9gias de legitima\u00e7\u00e3o discursivas<\/strong>, notadamente <strong>autoriza\u00e7\u00e3o<\/strong> (pelos especialistas &#8211; &#8220;sou m\u00e9dico&#8221;, pol\u00edticos &#8211; &#8220;autorizo&#8221;) e <strong>narrativiza\u00e7\u00e3o da pauta<\/strong> (como a cria\u00e7\u00e3o de historietas que acompanham a desinforma\u00e7\u00e3o, por exemplo: &#8220;Nos anos X e Y tivemos outras pandemias e as mesmas desapareceram naturalmente, como comprova a Hist\u00f3ria,\u00a0 sem a necessidade de vacinas&#8221;, particularmente enquadrando quest\u00f5es morais como o bem x o mal, n\u00f3s x o inimigo), bem como<strong> avalia\u00e7\u00e3o moral<\/strong> (pessoas &#8220;do bem&#8221; agem do modo Y). <strong>Estrat\u00e9gias espec\u00edficas para a circula\u00e7\u00e3o<\/strong> tamb\u00e9m s\u00e3o adotadas (como a cria\u00e7\u00e3o de um senso de urg\u00eancia no conte\u00fado &#8211; &#8220;urgente&#8221;, &#8220;espalhe o m\u00e1ximo poss\u00edvel&#8221;, mobiliza\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de call to actions e hashtags, etc.).<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por conta desses resultados, vemos que \u00e9 preciso <strong>uma a\u00e7\u00e3o muito maior por parte de governos, institui\u00e7\u00f5es e outros especialistas contra a desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o basta apenas fact- checking ou material publicado na m\u00eddia tradicional (embora essas a\u00e7\u00f5es sejam importantes para evitar novas radicaliza\u00e7\u00f5es) . H\u00e1 uma audi\u00eancia crescente para as teorias conspirat\u00f3rias e uma radicaliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em torno dessas pautas. \u00c9 preciso agir de <strong>modo coordenado, com um discurso \u00fanico<\/strong>, utilizando <strong>estrat\u00e9gias semelhantes \u00e0quelas usadas pela campanhas desinformativas<\/strong>, sob pena de n\u00e3o atingir aqueles mais radicalizados. <strong>A\u00e7\u00f5es das pr\u00f3prias plataformas de m\u00eddia social no sentido de evitar a circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fado desinformativo e apresentar a checagem junto com a desinforma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais<\/strong>.<\/p>\n<p>Partes desses resultados est\u00e3o submetidos e\/ou publicados. Estamos concluindo um estudo sobre Instagram e um primeiro estudo sobre vacinas. Em breve vamos publicar mais conte\u00fado espec\u00edfico dos artigos que est\u00e3o publicados ou em pre-prints.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(por Raquel Recuero) O MIDIARS j\u00e1 tem tr\u00eas preprints (um deles j\u00e1 publicado), e mais uma sequencia de artigos que est\u00e3o submetidos focando a pesquisa sobre desinforma\u00e7\u00e3o e covid-19 na m\u00eddia social. Alguns dos principais resultados: A desinforma\u00e7\u00e3o relacionada \u00e0 pandemia \u00e9 quase na sua totalidade enquadrada como uma quest\u00e3o pol\u00edtica. 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