{"id":289,"date":"2020-10-15T09:07:12","date_gmt":"2020-10-15T12:07:12","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/?p=289"},"modified":"2020-10-15T09:18:49","modified_gmt":"2020-10-15T12:18:49","slug":"preprint-desinformacao-sobre-o-covid-19-no-whatsapp-a-pandemia-enquadrada-como-debate-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/2020\/10\/15\/preprint-desinformacao-sobre-o-covid-19-no-whatsapp-a-pandemia-enquadrada-como-debate-politico\/","title":{"rendered":"Preprint: Desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 no WhatsApp: a pandemia enquadrada como debate pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p>(por Felipe Soares e Raquel Recuero)<\/p>\n<p><strong>Principais pontos<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Analisamos mais de 800 mensagens desinformativas que circularam em grupos p\u00fablicos do WhatsApp em mar\u00e7o e abril de 2020 e descobrimos que a <strong>desinforma\u00e7\u00e3o enquadrou a pandemia como debate pol\u00edtico.<\/strong><\/li>\n<li>Particularmente, descobrimos que a desinforma\u00e7\u00e3o nesses grupos foi utilizada para <strong>fortalecer uma narrativa pr\u00f3-Bolsonaro em meio a crises que o governo enfrentava.<\/strong><\/li>\n<li><strong>A principal estrat\u00e9gia para isso foi o uso de teorias da conspira\u00e7\u00e3o,\u00a0 o tipo de desinforma\u00e7\u00e3o mais comum<\/strong> nas mensagens que analisamos, o que indica que as caracter\u00edsticas da plataforma (no caso do WhatsApp, o fechamento da mesma, o que torna mais dif\u00edcil contrapor a desinforma\u00e7\u00e3o) podem influenciar o conte\u00fado desta desinforma\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Overview<\/strong><\/p>\n<p>O nosso o artigo \u201cDesinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 no WhatsApp: a pandemia enquadrada como debate pol\u00edtico\u201d est\u00e1 dispon\u00edvel em<a href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/1334\"> formato preprint na SciELO<\/a>. Neste estudo, discutimos como \u00e9 <strong>enquadrada a desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 no WhatsApp no Brasil<\/strong>. Para isso, analisamos 802 mensagens que circularam em grupos p\u00fablicos da plataforma nos meses de mar\u00e7o e abril de 2020. Para coletar estas mensagens, utilizamos o <a href=\"http:\/\/www.monitor-de-whatsapp.dcc.ufmg.br\/\">Monitor do WhatsApp<\/a>. As <strong>mensagens que analisamos foram compartilhadas quase 35 mil vezes<\/strong> somente nos grupos monitorados pelo Monitor do WhatsApp, o que indica o impacto social que tiveram. Os nossos resultados mostram que (1) <strong>a pandemia foi enquadrada como debate pol\u00edtico<\/strong> e a desinforma\u00e7\u00e3o foi utilizada para fortalecer uma narrativa pr\u00f3-Bolsonaro em momento de crise do governo; e (2) <strong>as caracter\u00edsticas do WhatsApp parecem afetar o conte\u00fado das mensagens<\/strong>, j\u00e1 que houve grande circula\u00e7\u00e3o de teorias da conspira\u00e7\u00e3o \u2013 que s\u00e3o menos frequentes em plataformas mais p\u00fablicas, como Twitter, Facebook e YouTube.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nossa pesquisa mostra que a <strong>desinforma\u00e7\u00e3o utiliza o discurso pol\u00edtico<\/strong>, particularmente declara\u00e7\u00f5es de Bolsonaro, para enquadrar o Covid-19 como um tema pol\u00edtico. Isto pode ter como consequ\u00eancias o <strong>aumento da polariza\u00e7\u00e3o nos discursos sobre a pandemia e a falta de coordena\u00e7\u00e3o social<\/strong> nas medidas de combate ao v\u00edrus. Al\u00e9m disso, destacamos a necessidade de considerar as caracter\u00edsticas das plataformas no estudo da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todo<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados que apresentamos neste artigo s\u00e3o baseados na an\u00e1lise de 802 mensagens que coletamos utilizando o Monitor do WhatsApp. Para a an\u00e1lise destes dados, utilizamos a<strong> An\u00e1lise de Conte\u00fado <\/strong>como m\u00e9todo. Observamos (1) qual o <strong>tipo de desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong> presente nas mensagens e (2) quais os <strong>temas mencionados<\/strong> nas mensagens. Dividimos os tipos de desinforma\u00e7\u00e3o em tr\u00eas:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(1)\u00a0\u00a0 <strong>Distor\u00e7\u00e3o<\/strong>: conte\u00fado baseado em informa\u00e7\u00f5es parcialmente verdadeiras, que s\u00e3o distorcidas para gerar conclus\u00f5es equivocadas. Inclui conex\u00f5es falsas, informa\u00e7\u00f5es fora de contexto, enquadramentos enganosos e informa\u00e7\u00f5es reconfiguradas de alguma forma para enganar.<\/p>\n<p>(2)\u00a0\u00a0 <strong>Informa\u00e7\u00e3o fabricada<\/strong>: informa\u00e7\u00f5es completamente falsas, criadas para enganar. Incluem, por exemplo, \u00e1udios falsos, dados criados sem base em evid\u00eancias, entre outras estrat\u00e9gias.<\/p>\n<p>(3)\u00a0\u00a0 <strong>Teorias da conspira\u00e7\u00e3o<\/strong>: narrativas sem qualquer evid\u00eancia comprovada que falam sobre alguma forma de conspira\u00e7\u00e3o ou plano obscuramente orquestrado por indiv\u00edduos ou grupos com objetivos de manipula\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As categorias de desinforma\u00e7\u00e3o eram mutuamente exclusivas, enquanto as categorias de t\u00f3picos das mensagens n\u00e3o eram exclusivas (mais de um tema poderia ser identificado em uma mesma mensagem). Foram definidos <strong>quinze temas<\/strong> a partir de uma pr\u00e9-an\u00e1lise dos dados: Bolsonaro, China, congresso, cura, distanciamento social, economia, esquerda, governadores e prefeitos, Henrique Mandetta, hospitais, m\u00eddia, ministros (exceto Mandetta), Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, pa\u00edses do exterior (exceto China), Supremo Tribunal Federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Resultados<\/strong><\/p>\n<p>Nossos resultados mostram que a desinforma\u00e7\u00e3o enquadrou o Covid-19 como debate pol\u00edtico. A partir do meio do m\u00eas de mar\u00e7o, <strong>o governo de Bolsonaro enfrentou crises em fun\u00e7\u00e3o da como tratava a pandemia<\/strong>. Brasileiros bateram panelas em suas janelas e pediram o <em>impeachment <\/em>do presidente. No mesmo per\u00edodo, Henrique Mandetta, ent\u00e3o Ministro da Sa\u00fade, e governadores apoiavam as medidas de distanciamento social sugeridas pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade como forma de controlar o espalhamento do v\u00edrus. Enquanto a popularidade de Bolsonaro diminu\u00eda, Mandetta e governadores eram mais bem avaliados pelos brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como resposta a esta crise, Bolsonaro realizou um pronunciamento na televis\u00e3o aberta no dia 24 de mar\u00e7o<\/strong>. No pronunciamento, Bolsonaro criticou as medidas adotadas por governadores, minimizou a amea\u00e7a do Covid-19, culpou a m\u00eddia por \u201chisteria\u201d e defendeu a \u201cvolta a normalidade\u201d com reabertura de escolas e o fim do isolamento social. Em novo pronunciamento, no dia 31 de mar\u00e7o, Bolsonaro defendeu que era necess\u00e1rio garantir a estabilidade da economia e que as pessoas necessitavam voltar a trabalhar para evitar o aumento do desemprego e dificuldades econ\u00f4micas individuais. Quando observamos a distribui\u00e7\u00e3o do compartilhamento das mensagens que analisamos, <strong>identificamos o pico de compartilhamentos logo ap\u00f3s o pronunciamento do dia 24<\/strong>. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m o pronunciamento do dia 31 coincide com novo aumento no compartilhamento de desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 nos grupos monitorados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-292\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1.png\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"324\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1.png 850w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1-400x152.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1-768x293.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture1-1-750x286.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 1<\/strong>. Distribui\u00e7\u00e3o do compartilhamento de mensagens ao longo do tempo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m observamos o impacto dos pronunciamentos de Bolsonaro nas tem\u00e1ticas mais centrais nas mensagens. Dentre os t\u00f3picos mais mencionados, por exemplo, <strong>temos economia (42%), governadores e prefeitos (36%), distanciamento social (27%) e m\u00eddia (21%), todos mencionados por Bolsonaro em seu pronunciamento<\/strong>. Tamb\u00e9m analisamos as correla\u00e7\u00f5es entre os temas, isto \u00e9, quais os t\u00f3picos eram mais frequentemente mencionados nos mesmos contextos. Identificamos que o tema mais central foi \u201cesquerdistas\u201d, que era a forma de categorizar os opositores de Bolsonaro nas mensagens com desinforma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, \u201cBolsonaro\u201d tamb\u00e9m aparece como tema central, associado a autoridades pol\u00edticas e medidas como distanciamento social (as quais o pol\u00edtico criticava). Estes resultados mostram como a <strong>desinforma\u00e7\u00e3o enquadra a pandemia como debate pol\u00edtico<\/strong> e utiliza uma estrat\u00e9gia de opor \u201cn\u00f3s\u201d (o lado \u201cbom\u201d, que apoia a atua\u00e7\u00e3o de Bolsonaro) a \u201celes\u201d (o lado \u201cmau\u201d, que busca conspirar contra o presidente e contra o pa\u00eds), <strong>refor\u00e7ando um contexto de polariza\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-293\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2.png\" alt=\"\" width=\"850\" height=\"436\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2.png 850w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2-400x205.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2-768x394.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture2-750x385.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 2<\/strong>. Frequ\u00eancia dos t\u00f3picos nas mensagens<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-294\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3.png\" alt=\"\" width=\"852\" height=\"708\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3.png 852w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3-400x332.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3-768x638.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture3-750x623.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 3<\/strong>. Rede de correla\u00e7\u00f5es entre os temas<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por fim, descobrimos que as <strong>teorias da conspira\u00e7\u00e3o foram o tipo de desinforma\u00e7\u00e3o mais comum<\/strong> nas mensagens que analisamos (41%). Outros estudos que classificaram os tipos de desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 em outras plataformas identificaram a distor\u00e7\u00e3o como o tipo de desinforma\u00e7\u00e3o mais comum. O nosso resultado aponta para a import\u00e2ncia de considerar as caracter\u00edsticas das plataformas na an\u00e1lise da desinforma\u00e7\u00e3o. Entendemos que <strong>as teorias da conspira\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais comuns no WhatsApp em fun\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter mais privado<\/strong> das conversa\u00e7\u00f5es na plataforma. Vimos, ainda, que as teorias da conspira\u00e7\u00e3o foram utilizadas principalmente para culpar a China (comunista) pela cria\u00e7\u00e3o do v\u00edrus e para criar narrativas de conspira\u00e7\u00f5es contra Bolsonaro \u2013 novamente, refor\u00e7ando o enquadramento pol\u00edtico da desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-295\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture4.png\" alt=\"\" width=\"766\" height=\"366\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture4.png 766w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture4-400x191.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture4-750x358.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 4<\/strong>. Exemplo de teoria da conspira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture5.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-296\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture5.png\" alt=\"\" width=\"768\" height=\"566\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture5.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture5-400x295.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture5-750x553.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 5<\/strong>. Exemplo de teoria da conspira\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As mensagens com <strong>distor\u00e7\u00e3o (39%) frequentemente eram utilizadas para criticar as medidas de distanciamento social<\/strong>, ecoando as manifesta\u00e7\u00f5es de Bolsonaro contr\u00e1rias a medidas adotadas por governadores e prefeitos. J\u00e1 as mensagens com <strong>informa\u00e7\u00f5es fabricadas (20%) foram utilizadas para apontar curas para a doen\u00e7a<\/strong> e mencionavam, por exemplo, o uso da hidroxicloroquina. Estudos cient\u00edficos j\u00e1 comprovaram que o medicamento \u00e9 ineficaz no tratamento da doen\u00e7a, mas Bolsonaro in\u00fameras vezes mencionou a hidroxicloroquina como \u201ccura\u201d para o v\u00edrus.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture6.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-297\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture6.png\" alt=\"\" width=\"766\" height=\"452\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture6.png 766w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture6-400x236.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture6-750x443.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 766px) 100vw, 766px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 6<\/strong>. Exemplo de distor\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture7.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-298\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture7.png\" alt=\"\" width=\"764\" height=\"116\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture7.png 764w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture7-400x61.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/midiars\/files\/2020\/10\/Picture7-750x114.png 750w\" sizes=\"auto, (max-width: 764px) 100vw, 764px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Figura 7<\/strong>. Exemplo de informa\u00e7\u00e3o fabricada<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Relev\u00e2ncia<\/strong><\/p>\n<p>O combate ao Covid-19 depende da a\u00e7\u00e3o coordenada entre os cidad\u00e3os. O espalhamento de desinforma\u00e7\u00e3o e o acirramento da polariza\u00e7\u00e3o nos discursos sobre a pandemia s\u00e3o problem\u00e1ticos porque geram percep\u00e7\u00f5es equivocadas sobre a pandemia e dificultam a a\u00e7\u00e3o coletiva de combate ao v\u00edrus. Assim, <strong>o nosso estudo contribui no entendimento de como foi enquadrada a desinforma\u00e7\u00e3o sobre o Covid-19 no WhatsApp<\/strong>.<\/p>\n<p>Os nossos resultados refor\u00e7am resultados anteriores, onde mostramos que <strong>a pandemia foi tratada como debate pol\u00edtico, <\/strong>por\u00e9m desta vez, mostramos o mesmo nas mensagens desinformativas no WhatsApp. Particularmente, vimos que este <strong>enquadramento foi utilizado para favorecer uma narrativa pr\u00f3-Bolsonaro e combater crises pol\u00edticas<\/strong> sofridas pelo governo. Al\u00e9m do reflexo do discurso de Bolsonaro nos t\u00f3picos mais mencionados nas mensagens com desinforma\u00e7\u00e3o no WhatsApp, tamb\u00e9m identificamos que o pico no compartilhamento de mensagens desinformativas se d\u00e1 logo ap\u00f3s o pronunciamento de Bolsonaro na televis\u00e3o aberta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Autores e financiamento<\/strong><\/p>\n<p>Os autores deste artigo s\u00e3o<strong> Felipe Soares<\/strong>\u00a0(UFRGS), <strong>Raquel Recuero<\/strong>\u00a0(UFPEL\/UFRGS),\u00a0<strong>Taiane Volcan<\/strong> (UFPEL), <strong>Giane Fagundes<\/strong> (UFPEL) e <strong>Gi\u00e9le Sodr\u00e9<\/strong> (UFPEL). O estudo contou com o apoio do CNPq e da FAPERGS.<\/p>\n<p><strong>Agradecimentos:<\/strong><\/p>\n<p>Agradecimentos especiais ao <strong>Fabricio Benevenuto<\/strong> e \u00e0 equipe do <a href=\"https:\/\/www.monitor-de-whatsapp.dcc.ufmg.br\/\">Monitor de WhatsApp<\/a> que muito gentilmente permitiram o acesso aos dados. Agradecimentos tamb\u00e9m \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\">CAPES<\/a>, <a href=\"http:\/\/cnpq.br\/\">CNPq<\/a> e <a href=\"https:\/\/fapergs.rs.gov.br\/inicial\">FAPERGS<\/a> que de alguma forma apoiaram essa pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(por Felipe Soares e Raquel Recuero) Principais pontos Analisamos mais de 800 mensagens desinformativas que circularam em grupos p\u00fablicos do WhatsApp em mar\u00e7o e abril de 2020 e descobrimos que a desinforma\u00e7\u00e3o enquadrou a pandemia como debate pol\u00edtico. 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