{"id":947,"date":"2021-09-29T23:16:50","date_gmt":"2021-09-30T02:16:50","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/memoriaslgbti\/?p=947"},"modified":"2021-09-29T23:17:53","modified_gmt":"2021-09-30T02:17:53","slug":"centro-de-memoria-do-ativismo-lgbti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/memoriaslgbti\/2021\/09\/29\/centro-de-memoria-do-ativismo-lgbti\/","title":{"rendered":"O\u00a0Centro de Mem\u00f3ria Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Mascarenhas"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A mem\u00f3ria \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 significada apenas com a imagina\u00e7\u00e3o \u2014 no sentido fict\u00edcio, fantasioso, irreal \u2014 mas com a sua capacidade de ser remetida ou \u201cfazer-se remeter\u201d ao passado. A mem\u00f3ria pode ser entendida como uma capacidade de (re)significa\u00e7\u00e3o de coisas e de si mesmo\/a. Ela \u00e9 o espa\u00e7o-tempo segundo o qual figuramos os limites de nossa exist\u00eancia. Quando queremos nos apropriar de nossa vida, n\u00f3s a narramos. Com estas palavras, ao propormos um espa\u00e7o institucional\u00a0de mem\u00f3ria\u00a0do ativismo LGBTI, buscamos a socializa\u00e7\u00e3o de narrativas memor\u00edsticas e o direito de contar suas a\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia\/resist\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O direito \u00e0 mem\u00f3ria \u00e9 sin\u00f4nimo de garantia de exist\u00eancia, resist\u00eancia e conquista da cidadania para os movimentos sociais implicados na defesa da democracia em nosso pa\u00eds, a exemplo do LGBTI. A proposi\u00e7\u00e3o parte do entendimento de que \u00e9 em torno tamb\u00e9m do lembrar-se, (re)conhecer-se e recriar-se que \u00e9 promovida a melhoria da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o e os la\u00e7os de pertencimento. Acreditamos que estas possibilidades de constru\u00e7\u00e3o e apropria\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria por parte da popula\u00e7\u00e3o LGBTI s\u00e3o eixos de extrema relev\u00e2ncia ao enfrentamento das situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia f\u00edsica, moral e psicol\u00f3gica advindas da LGBTfobia que amea\u00e7am aquilo que concebemos enquanto cidadania e democracia. S\u00e3o nos termos descritos que justificamos a cria\u00e7\u00e3o do\u00a0Centro Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Mascarenhas de Mem\u00f3ria do Ativismo LGBTI.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao criarmos o Centro de Mem\u00f3ria do Ativismo LGBTI homenageamos Jo\u00e3o Ant\u00f4nio de Sousa Mascarenhas. Ga\u00facho de Pelotas, Jo\u00e3o nasceu em 24 de outubro de 1927 e foi um dos mais importantes ativistas do movimento, at\u00e9 ent\u00e3o, homossexual entre as d\u00e9cadas de 1970 e 80. Formado em Direito, ele radicou-se na cidade do Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte de sua vida. Falecendo em 1998. Al\u00e9m de ser um dos fundadores do jornal\u00a0O Lampi\u00e3o da Esquina (1978), Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Mascarenhas colaborou com o antrop\u00f3logo na despatologiza\u00e7\u00e3o da homossexualidade na decis\u00e3o do\u00a0Conselho Federal de Medicina\u00a0(CFM) em 1985. Como advogado e ativista, participou do debate da elabora\u00e7\u00e3o da\u00a0Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, sendo o primeiro homossexual brasileiro a ser convidado para falar \u00e0\u00a0Assembleia Nacional Constituinte. O convite foi motivado pela poss\u00edvel inclus\u00e3o do termo \u201corienta\u00e7\u00e3o sexual\u201d no artigo 3\u00ba, Inciso IV, que estabelecia \u201co bem de todos, sem preconceitos contra quaisquer formas de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d. No dia 28 de janeiro de 1988, no entanto, o termo acabou rejeitado pela maioria dos representantes da Constituinte. Dos 559 pol\u00edticos que exerciam mandato no\u00a0Congresso Nacional do Brasil, 429 (ou seja, mais de tr\u00eas quartos) se opuseram \u00e0 proposta de inclus\u00e3o. Mas, a trajet\u00f3ria de Jo\u00e3o Mascarenhas foi decis\u00f3ria para aquilo que se constituiu o Movimento LGBTI brasileiro.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O\u00a0Centro de Mem\u00f3ria Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Mascarenhas tem como intens\u00e3o ser um espa\u00e7o de identifica\u00e7\u00e3o, sistematiza\u00e7\u00e3o, guarda, an\u00e1lise e difus\u00e3o da hist\u00f3ria oral do ativismo LGBTI brasileiro.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mem\u00f3ria \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 significada apenas com a imagina\u00e7\u00e3o \u2014 no sentido fict\u00edcio, fantasioso, irreal \u2014 mas com a sua capacidade de ser remetida ou \u201cfazer-se remeter\u201d ao passado. 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