{"id":602,"date":"2026-06-17T22:05:39","date_gmt":"2026-06-18T01:05:39","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/?p=602"},"modified":"2026-06-17T22:06:38","modified_gmt":"2026-06-18T01:06:38","slug":"o-pacto-da-dignidade-a-morte-de-freud-entre-a-pratica-medica-a-soberania-do-sujeito-e-a-economia-da-pulsao-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/2026\/06\/17\/o-pacto-da-dignidade-a-morte-de-freud-entre-a-pratica-medica-a-soberania-do-sujeito-e-a-economia-da-pulsao-de-morte\/","title":{"rendered":"O Pacto da Dignidade: a morte de Freud entre a pr\u00e1tica m\u00e9dica, a soberania do sujeito e a economia da puls\u00e3o de morte"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0Prof. Alexandre H. Reis (Lysis\/UFpel)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo dia 21 de setembro, enquanto eu estava sentado \u00e0 sua cabeceira, Freud pegou minha m\u00e3o e me disse: \u2018Meu querido Schur, voc\u00ea certamente se lembra de nossa primeira conversa. Voc\u00ea me prometeu, ent\u00e3o, n\u00e3o me abandonar quando chegasse a minha hora. Agora isso n\u00e3o passa de tortura e j\u00e1 n\u00e3o faz mais sentido.\u2019\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O testemunho de Max Schur acerca dos momentos finais de Sigmund Freud, tal como registrado em <em>Freud: Living and Dying<\/em>, ultrapassa em muito o estatuto de uma simples anota\u00e7\u00e3o cl\u00ednica ou de um relato biogr\u00e1fico circunstancial, constituindo-se, antes, como um documento privilegiado no qual convergem, de maneira exemplar e quase paradigm\u00e1tica, tr\u00eas ordens distintas, por\u00e9m profundamente imbricadas: a \u00e9tica m\u00e9dica moderna em seu confronto com os limites do paternalismo terap\u00eautico, a afirma\u00e7\u00e3o radical da autonomia do sujeito diante de sua pr\u00f3pria finitude e, por fim, a inscri\u00e7\u00e3o, no plano da experi\u00eancia vivida, de uma das hip\u00f3teses mais perturbadoras da metapsicologia freudiana: a saber, a no\u00e7\u00e3o de puls\u00e3o de morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se nossa pretens\u00e3o \u00e9 ao menos esbo\u00e7ar um entendimento pr\u00e9vio da densidade desse epis\u00f3dio em toda a sua complexidade, \u00e9 necess\u00e1rio retroceder \u00e0 configura\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre Freud e Schur, estabelecida no final da d\u00e9cada de 1920, quando o primeiro j\u00e1 se encontrava profundamente marcado por um carcinoma invasivo da regi\u00e3o maxilofacial, cuja progress\u00e3o implicaria, ao longo dos anos subsequentes, uma sucess\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es cir\u00fargicas mutiladoras, a instala\u00e7\u00e3o de pr\u00f3teses dolorosas e uma deteriora\u00e7\u00e3o progressiva das fun\u00e7\u00f5es mais elementares da vida cotidiana, como a fala e a alimenta\u00e7\u00e3o. \u00c9 nesse contexto de sofrimento prolongado (sofrimento que n\u00e3o se reduz ao registro da dor f\u00edsica, mas que incide diretamente sobre a dignidade do sujeito enquanto ser falante e pensante) que Freud imp\u00f5e a Schur uma condi\u00e7\u00e3o que, \u00e0 \u00e9poca, subvertia frontalmente a l\u00f3gica dominante da pr\u00e1tica m\u00e9dica: a recusa expl\u00edcita de qualquer forma de oculta\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica e a exig\u00eancia incondicional de que sua vida n\u00e3o fosse artificialmente prolongada para al\u00e9m do ponto em que deixasse de ser viv\u00edvel sob crit\u00e9rios que ele pr\u00f3prio julgava aceit\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal exig\u00eancia n\u00e3o deve ser compreendida como uma simples manifesta\u00e7\u00e3o de vontade individual, mas como a formaliza\u00e7\u00e3o de uma posi\u00e7\u00e3o \u00e9tica rigorosa, na qual o saber m\u00e9dico deixa de ocupar o lugar de inst\u00e2ncia soberana e passa a ser reinscrito como instrumento a servi\u00e7o de uma decis\u00e3o que permanece, em \u00faltima inst\u00e2ncia, intransfer\u00edvel. Ao aceitar tais termos, Schur n\u00e3o apenas se compromete com um paciente, mas se vincula a um pacto cuja for\u00e7a normativa atravessar\u00e1 toda a d\u00e9cada seguinte, convertendo a rela\u00e7\u00e3o cl\u00ednica em uma esp\u00e9cie de alian\u00e7a fundada sobre a verdade, a lucidez e a recusa de qualquer forma de tutela.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-604\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/quarto-de-freud.jpeg?resize=616%2C449&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"449\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/quarto-de-freud.jpeg?w=1472&amp;ssl=1 1472w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/quarto-de-freud.jpeg?resize=768%2C559&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/quarto-de-freud.jpeg?resize=816%2C594&amp;ssl=1 816w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/quarto-de-freud.jpeg?w=1232&amp;ssl=1 1232w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/p>\n<pre class=\"isSelectedEnd\">O consult\u00f3rio de Sigmund Freud em sua resid\u00eancia londrina, atual Freud Museum, preservado com seus objetos originais. Foi nesse espa\u00e7o, durante o ex\u00edlio e j\u00e1 em est\u00e1gio avan\u00e7ado de carcinoma, que Freud viveu seus \u00faltimos meses e reafirmou, junto a seu m\u00e9dico Max Schur, o pacto \u00e9tico que orientaria a condu\u00e7\u00e3o de sua morte.\r\n\r\nFonte: FREUD MUSEUM LONDON. <em>Freud\u2019s Study<\/em>. Londres, <span class=\"text-token-text-primary cursor-text rounded-sm\" data-placeholder-token=\"true\">[s.d.]<\/span>. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.freud.org.uk\">https:\/\/www.freud.org.uk<\/a>. Acesso em: 17 jun. 2026.<\/pre>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante esse per\u00edodo, o comportamento de Freud revela uma coer\u00eancia not\u00e1vel com os princ\u00edpios que ele mesmo estabelecera: a recusa sistem\u00e1tica de analg\u00e9sicos que pudessem comprometer sua atividade intelectual, a insist\u00eancia em manter-se produtivo apesar das limita\u00e7\u00f5es crescentes e a preserva\u00e7\u00e3o, at\u00e9 onde fosse poss\u00edvel, de sua autonomia ps\u00edquica, mesmo em condi\u00e7\u00f5es que, para a maioria dos sujeitos, justificariam plenamente o abandono de tais exig\u00eancias. O ex\u00edlio em Londres, imposto pela ascens\u00e3o do regime nazista, n\u00e3o altera substancialmente essa orienta\u00e7\u00e3o; ao contr\u00e1rio, refor\u00e7a a centralidade da atividade intelectual como eixo organizador de sua exist\u00eancia. Contudo, quando a progress\u00e3o da necrose atinge um grau tal que o sofrimento deixa de ser apenas intenso para tornar-se estruturalmente insuport\u00e1vel (comprometendo n\u00e3o apenas o corpo, mas a pr\u00f3pria possibilidade de estar no mundo), o pedido formulado a Schur em setembro de 1939 emerge n\u00e3o como um gesto impulsivo ou desesperado, mas como a atualiza\u00e7\u00e3o de um compromisso previamente estabelecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente nesse ponto que a figura de Anna Freud adquire relev\u00e2ncia decisiva, na medida em que sua inclus\u00e3o expl\u00edcita no processo decis\u00f3rio \u2014 \u201cfale com Anna sobre isso, e se ela achar que est\u00e1 correto, ponha um fim nisso\u201d \u2014 introduz uma dimens\u00e3o relacional que impede qualquer leitura simplificadora da autonomia como isolamento absoluto. Ao contr\u00e1rio, o que se observa \u00e9 uma articula\u00e7\u00e3o complexa entre soberania individual e reconhecimento da alteridade, na qual a decis\u00e3o sobre a pr\u00f3pria morte, embora ancorada na vontade do sujeito, se inscreve em uma rede de v\u00ednculos afetivos e responsabilidades compartilhadas. O consentimento de Anna, obtido n\u00e3o sem hesita\u00e7\u00e3o, confere \u00e0 decis\u00e3o uma legitimidade adicional, deslocando-a do registro de um ato estritamente individual para o campo de uma \u00e9tica do cuidado na qual m\u00e9dico, paciente e familiar participam de uma mesma economia de responsabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, a singularidade desse epis\u00f3dio n\u00e3o se esgota em sua dimens\u00e3o \u00e9tica ou cl\u00ednica; ela se intensifica quando considerada \u00e0 luz da teoria freudiana da puls\u00e3o de morte, tal como formulada em <em>Al\u00e9m do Princ\u00edpio do Prazer<\/em>. Nesse texto, Freud prop\u00f5e, contra a primazia at\u00e9 ent\u00e3o atribu\u00edda \u00e0s puls\u00f5es de vida, a exist\u00eancia de uma tend\u00eancia fundamental do organismo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o absoluta das tens\u00f5es, tend\u00eancia essa que encontraria sua express\u00e3o limite no retorno ao estado inorg\u00e2nico. Longe de constituir uma simples especula\u00e7\u00e3o abstrata, essa hip\u00f3tese encontra, nos momentos finais da vida de Freud, uma esp\u00e9cie de encena\u00e7\u00e3o concreta, segundo minha leitura, na qual a experi\u00eancia subjetiva do sofrimento extremo se articula com a l\u00f3gica econ\u00f4mica descrita pela metapsicologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando Freud afirma que sua condi\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u201cn\u00e3o faz mais sentido\u201d e que se reduz a uma \u201ctortura\u201d, o que se evidencia \u00e9 o colapso da capacidade do aparelho ps\u00edquico de manter, por meio das opera\u00e7\u00f5es de liga\u00e7\u00e3o caracter\u00edsticas de Eros, um n\u00edvel de tens\u00e3o compat\u00edvel com a vida. Nesse cen\u00e1rio, a interven\u00e7\u00e3o de Schur (a administra\u00e7\u00e3o de doses sucessivas de morfina que conduzem ao sono, ao coma e, finalmente, \u00e0 morte) pode ser interpretada n\u00e3o como a imposi\u00e7\u00e3o externa de um t\u00e9rmino, mas como o acompanhamento m\u00e9dico de um processo j\u00e1 em curso, no qual o organismo tende, por sua pr\u00f3pria din\u00e2mica, \u00e0 cessa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Importa sublinhar, contudo, que essa leitura n\u00e3o autoriza a assimila\u00e7\u00e3o imediata do movimento de Freud a uma manifesta\u00e7\u00e3o patol\u00f3gica da puls\u00e3o de morte. Penso que esse ponto \u00e9 particularmente caro para as reflex\u00f5es que temos desenvolvido no interior de nosso grupo Lysis. Ao contr\u00e1rio: o que distingue esse caso \u00e9 precisamente o fato de que o movimento em dire\u00e7\u00e3o ao fim n\u00e3o se d\u00e1 sob a forma de um <em>acting-out<\/em> destrutivo ou de uma capitula\u00e7\u00e3o melanc\u00f3lica, mas \u00e9 mediado por uma inst\u00e2ncia eg\u00f3ica que se mant\u00e9m operante at\u00e9 o limite. Freud n\u00e3o apenas antecipa sua morte; ele a organiza, a negocia e a inscreve em um quadro \u00e9tico e relacional cuidadosamente delineado. Nesse sentido, pode-se afirmar que, em seu gesto final, ele realiza de maneira exemplar a m\u00e1xima que atravessa sua obra: a expans\u00e3o do dom\u00ednio do <em>eu <\/em>(<em>Ich<\/em>) sobre os processos que, de outro modo, permaneceriam submetidos \u00e0 opacidade do <em>isso <\/em>(<em>es<\/em>).<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\">[i]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A descri\u00e7\u00e3o final de Schur, o desaparecimento da express\u00e3o de dor, a instala\u00e7\u00e3o de um sono tranquilo, a progressiva transi\u00e7\u00e3o para o coma, convoca, inevitavelmente, a antiga associa\u00e7\u00e3o m\u00edtica entre morte e sono, personificada nas figuras de Thanatos e Hypnos. Longe de qualquer dramatiza\u00e7\u00e3o, a morte de Freud se apresenta, assim, como uma passagem silenciosa, desprovida de viol\u00eancia espetacular, na qual a medicina, ao inv\u00e9s de se opor ao fim, atua como mediadora de sua suaviza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se h\u00e1, portanto, um ensinamento a extrair desse epis\u00f3dio, ele talvez resida na possibilidade de pensar a morte n\u00e3o como um evento meramente biol\u00f3gico ou como um esc\u00e2ndalo a ser evitado a todo custo, mas como um momento que pode, em determinadas condi\u00e7\u00f5es, ser integrado \u00e0 pr\u00f3pria economia da vida ps\u00edquica e \u00e0 \u00e9tica do sujeito. Freud, ao enfrentar sua morte sem recorrer a ilus\u00f5es transcendentes e sem ceder \u00e0 autocompaix\u00e3o, inscreve seu fim na continuidade de sua obra, fazendo de seu \u00faltimo movimento n\u00e3o uma nega\u00e7\u00e3o, mas uma esp\u00e9cie de confirma\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de seu pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\">[i]<\/a> A consagrada tradu\u00e7\u00e3o dos termos freudianos <em>Ich<\/em> e <em>Es<\/em> por \u201cEgo\u201d e \u201cId\u201d, consolidada sobretudo pela tradi\u00e7\u00e3o anglo-sax\u00e3 e reiterada nas vers\u00f5es brasileiras mediadas pelo ingl\u00eas, introduz uma camada de latiniza\u00e7\u00e3o que tende a reificar inst\u00e2ncias que, no original alem\u00e3o, permanecem deliberadamente pr\u00f3ximas da linguagem ordin\u00e1ria. Enquanto <em>Ich<\/em> designa simplesmente o \u201ceu\u201d e <em>Es<\/em> o \u201cisso\u201d, Freud preserva uma ambiguidade fundamental entre experi\u00eancia subjetiva e estrutura ps\u00edquica. A op\u00e7\u00e3o por \u201cEgo\u201d e \u201cId\u201d, ao conferir-lhes uma apar\u00eancia t\u00e9cnico-substancial, pode obscurecer essa indetermina\u00e7\u00e3o constitutiva, favorecendo uma leitura mais topogr\u00e1fica do aparelho ps\u00edquico em detrimento de sua dimens\u00e3o din\u00e2mica e enunciativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>BIBLIOGRAFIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FREUD, Sigmund. Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer. In: FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 14: Hist\u00f3ria de uma neurose infantil (\u201cO homem dos lobos\u201d), Al\u00e9m do princ\u00edpio do prazer e outros textos (1917-1920). Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FREUD, Sigmund. O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o. In: FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 18: O mal-estar na civiliza\u00e7\u00e3o, Novas confer\u00eancias introdut\u00f3rias \u00e0 psican\u00e1lise e outros textos (1930-1936). Tradu\u00e7\u00e3o de Paulo C\u00e9sar de Souza. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">JONES, Ernest. Vida e obra de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. 3 v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">SCHUR, Max. Freud: living and dying. New York: International Universities Press, 1972.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">STRACHEY, James (ed.). The standard edition of the complete psychological works of Sigmund Freud. London: Hogarth Press, 1953-1974. 24 v.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0Prof. Alexandre H. 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