{"id":596,"date":"2026-06-02T09:32:34","date_gmt":"2026-06-02T12:32:34","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/?p=596"},"modified":"2026-06-02T09:39:36","modified_gmt":"2026-06-02T12:39:36","slug":"os-cadaveres-e-a-ciencia-parte-1-o-diario-de-um-ladrao-de-sepulturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/2026\/06\/02\/os-cadaveres-e-a-ciencia-parte-1-o-diario-de-um-ladrao-de-sepulturas\/","title":{"rendered":"Os Cad\u00e1veres e a Ci\u00eancia. Parte 1: O di\u00e1rio de um ladr\u00e3o de sepulturas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em maio de 2025, o Royal College of Surgeons of England disponibilizou integralmente a digitaliza\u00e7\u00e3o de um dos documentos mais singulares da hist\u00f3ria da medicina moderna: o chamado <em>Diary of a Resurrectionist<\/em>, manuscrito redigido entre 1811 e 1812 por Joseph Naples, membro de uma quadrilha especializada na exuma\u00e7\u00e3o clandestina de cad\u00e1veres destinados ao mercado anat\u00f4mico londrino. \u00c0 primeira vista, o interesse do documento parece residir no car\u00e1ter pitoresco ou mesmo macabro das atividades que descreve. Afinal, trata-se do registro cotidiano de homens que passavam as noites violando sepulturas recentes para fornecer corpos \u00e0s escolas de medicina. Contudo, limitar-se a esse aspecto equivaleria a perder de vista aquilo que torna o manuscrito historicamente precioso. Seu verdadeiro interesse, que merece um cap\u00edtulo no volume 2 da minha Hist\u00f3ria do Suic\u00eddio (ainda em reda\u00e7\u00e3o), consiste, em permitir observar, numa escala microsc\u00f3pica, um dos processos mais decisivos da modernidade ocidental: a transforma\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver em objeto privilegiado de conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-592\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres2.jpeg?resize=616%2C368&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"368\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres2.jpeg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres2.jpeg?resize=768%2C459&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres2.jpeg?resize=816%2C488&amp;ssl=1 816w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/p>\n<h6 style=\"text-align: justify;\">(GRAVURA de cemit\u00e9rio londrino do s\u00e9culo XIX. Reprodu\u00e7\u00e3o digital utilizada em: <em>The Body Snatcher, Part 3<\/em>. Medium, [s.d.]. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/medium.com\/best-short-stories\/the-body-snatcher-by-robert-louis-stevenson-part-3-2632a807d423\">https:\/\/medium.com\/best-short-stories\/the-body-snatcher-by-robert-louis-stevenson-part-3-2632a807d423<\/a>. Acesso em: 1 jun. 2026.)<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da medicina moderna \u00e9 insepar\u00e1vel da hist\u00f3ria dos corpos mortos. Desde o Renascimento, a anatomia havia adquirido um lugar cada vez mais central na forma\u00e7\u00e3o m\u00e9dica europeia, mas foi sobretudo entre o final do s\u00e9culo XVIII e as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX que a disseca\u00e7\u00e3o se consolidou como fundamento indispens\u00e1vel da educa\u00e7\u00e3o cir\u00fargica. Se conhecer o corpo significava abri-lo, compreender suas estruturas significava expor aquilo que durante s\u00e9culos permanecera oculto sob o respeito religioso devido aos mortos. A partir desse momento, a aquisi\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres deixou de ser uma quest\u00e3o marginal para tornar-se um problema estrutural das institui\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paradoxo era evidente. Quanto mais a anatomia se afirmava como condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria do progresso m\u00e9dico, mais insuficiente se tornava o n\u00famero de corpos legalmente dispon\u00edveis para disseca\u00e7\u00e3o. Na Inglaterra do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a principal fonte autorizada de cad\u00e1veres continuava a ser constitu\u00edda pelos corpos de criminosos executados. Contudo, a expans\u00e3o das escolas m\u00e9dicas e o crescimento do ensino anat\u00f4mico haviam criado uma demanda incomparavelmente superior \u00e0 oferta. Formava-se, assim, uma contradi\u00e7\u00e3o caracter\u00edstica da modernidade: a ci\u00eancia necessitava de corpos; a ordem jur\u00eddica e os costumes funer\u00e1rios impediam seu acesso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi precisamente nesse espa\u00e7o que floresceu a atividade dos chamados <em>resurrectionists<\/em>. O nome possu\u00eda uma ironia involunt\u00e1ria. N\u00e3o se tratava de homens que ressuscitavam os mortos, mas de indiv\u00edduos que os retiravam dos cemit\u00e9rios para reinseri-los numa nova economia do saber. O cad\u00e1ver deixava de pertencer \u00e0 fam\u00edlia, \u00e0 comunidade religiosa ou \u00e0 mem\u00f3ria do falecido para ingressar numa cadeia de circula\u00e7\u00e3o que envolvia ladr\u00f5es de sepulturas, intermedi\u00e1rios, professores de anatomia, estudantes de medicina e institui\u00e7\u00f5es hospitalares. O corpo humano adquiria, pela primeira vez em larga escala, um valor cient\u00edfico e econ\u00f4mico independente da pessoa que havia sido em vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1rio de Joseph Naples permite observar concretamente essa economia dos mortos. Suas p\u00e1ginas registram corpos exumados, pre\u00e7os negociados, despesas operacionais, subornos pagos a vigias e coveiros, pris\u00f5es de membros da quadrilha e os riscos constantes envolvidos na atividade. O documento revela uma organiza\u00e7\u00e3o notavelmente racional. N\u00e3o se trata de a\u00e7\u00f5es espor\u00e1dicas praticadas por indiv\u00edduos isolados, mas de uma verdadeira rede de abastecimento destinada a responder \u00e0s necessidades permanentes do ensino m\u00e9dico. A anatomia moderna, frequentemente apresentada como triunfo da raz\u00e3o cient\u00edfica, dependia materialmente de um mercado clandestino sustentado pela viola\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das sepulturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O car\u00e1ter rotineiro dessa atividade aparece de forma particularmente eloquente nas pr\u00f3prias anota\u00e7\u00f5es de Naples. Em uma das entradas do di\u00e1rio, l\u00ea-se simplesmente: \u201cWent to Bunhill Row. Took up one. Received \u00a34 4s.\u201d (\u201cFomos a Bunhill Row. Exumamos um corpo. Recebemos 4 libras e 4 xelins\u201d). Em outra ocasi\u00e3o: \u201cWent to St. Pancras. Took up two adults. Received \u00a38 8s.\u201d (\u201cFomos a St. Pancras. Exumamos dois adultos. Recebemos 8 libras e 8 xelins\u201d). A secura administrativa dessas notas impressiona precisamente porque elimina qualquer coment\u00e1rio moral ou emocional. O cad\u00e1ver surge apenas como unidade de trabalho, objeto de transporte, mercadoria negoci\u00e1vel e elemento indispens\u00e1vel ao funcionamento cotidiano das escolas anat\u00f4micas.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-598\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres-1.jpeg?resize=616%2C776&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"776\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres-1.jpeg?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres-1.jpeg?resize=768%2C968&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2026\/06\/ladroes-de-cadaveres-1.jpeg?resize=816%2C1028&amp;ssl=1 816w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/p>\n<h6>BROWNE, Hablot Knight. <strong class=\"Yjhzub\" data-sfc-root=\"c\" data-sfc-cb=\"\" data-complete=\"true\" data-copy-service-computed-style=\"font-family: &quot;Google Sans&quot;, Arial, sans-serif; font-size: 16px; font-weight: 700; margin: 0px; text-decoration: none; border-bottom: 0px rgb(10, 10, 10);\">Resurrectionists<!--TgQPHd|[]--><\/strong>. [S. l.], 1847. 1 gravura, xilografia. Original em cole\u00e7\u00e3o particular.<\/h6>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 precisamente nesse ponto que o manuscrito ultrapassa a hist\u00f3ria da medicina e se torna relevante para a hist\u00f3ria do suic\u00eddio. Ao longo do s\u00e9culo XIX, observa-se uma transforma\u00e7\u00e3o progressiva do estatuto do cad\u00e1ver. Durante s\u00e9culos, os corpos dos suicidas haviam sido objeto de san\u00e7\u00f5es religiosas e jur\u00eddicas destinadas a prolongar a condena\u00e7\u00e3o para al\u00e9m da morte. Negava-se sepultura crist\u00e3 ao suicida; mutilava-se seu cad\u00e1ver; confiscavam-se seus bens; expunha-se publicamente sua mem\u00f3ria \u00e0 inf\u00e2mia. Entretanto, \u00e0 medida que a medicina mental, a psiquiatria e a medicina legal se consolidavam, o cad\u00e1ver passou a ser investido de uma nova fun\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o era apenas objeto de puni\u00e7\u00e3o; tornava-se objeto de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 por acaso que, algumas d\u00e9cadas depois do per\u00edodo descrito por Naples, alienistas como \u00c9tienne Esquirol passariam a realizar aut\u00f3psias sistem\u00e1ticas de suicidas na esperan\u00e7a de descobrir as les\u00f5es org\u00e2nicas respons\u00e1veis pela morte volunt\u00e1ria (objeto da minha disciplina &#8220;Prele\u00e7\u00f5es sobre suic\u00eddio&#8221;). O cad\u00e1ver do suicida deixava de ser apenas o suporte de uma condena\u00e7\u00e3o moral para converter-se em documento m\u00e9dico. Procuravam-se altera\u00e7\u00f5es cerebrais, les\u00f5es digestivas, deforma\u00e7\u00f5es cranianas e quaisquer ind\u00edcios anat\u00f4micos capazes de explicar cientificamente aquilo que durante s\u00e9culos havia sido interpretado como pecado, crime ou v\u00edcio moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sob esse aspecto, o di\u00e1rio dos <em>resurrectionists<\/em> permite observar o momento anterior \u00e0 plena medicaliza\u00e7\u00e3o da morte volunt\u00e1ria. Ele registra uma \u00e9poca em que os corpos ainda eram disputados entre diferentes regimes de verdade: a religi\u00e3o que os sacralizava, a fam\u00edlia que os reivindicava, a justi\u00e7a que eventualmente os punia e a medicina que come\u00e7ava a transform\u00e1-los em fonte de conhecimento. A hist\u00f3ria narrada por Joseph Naples n\u00e3o \u00e9 apenas a hist\u00f3ria de ladr\u00f5es de cad\u00e1veres. \u00c9 a hist\u00f3ria da constitui\u00e7\u00e3o de um novo olhar sobre o corpo humano, um olhar que encontraria nos anfiteatros anat\u00f4micos, nos hospitais, nos hosp\u00edcios e nos necrot\u00e9rios alguns de seus principais laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, em 1878, Jean-Baptiste Jeannel prop\u00f4s que os corpos dos suicidas considerados respons\u00e1veis por seus atos fossem obrigatoriamente destinados \u00e0s escolas de anatomia, a ideia pareceu extrema a muitos contempor\u00e2neos. Contudo, ela s\u00f3 se tornou pens\u00e1vel porque o processo descrito pelo di\u00e1rio j\u00e1 havia avan\u00e7ado enormemente. O cad\u00e1ver havia deixado de ser apenas o vest\u00edgio de uma vida para tornar-se mat\u00e9ria-prima do saber. Entre as sepulturas violadas pelos <em>resurrectionists<\/em> londrinos e as aut\u00f3psias psiqui\u00e1tricas realizadas sobre os corpos dos suicidas existe uma continuidade hist\u00f3rica profunda: em ambos os casos, observa-se a progressiva incorpora\u00e7\u00e3o dos mortos aos dispositivos modernos de produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a hist\u00f3ria n\u00e3o termina na Inglaterra nem no s\u00e9culo XIX. Se os cemit\u00e9rios londrinos alimentaram os anfiteatros anat\u00f4micos da medicina europeia, a experi\u00eancia brasileira sugere que mecanismos semelhantes continuaram a operar sob outras formas e em outros contextos institucionais. As recentes discuss\u00f5es sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres provenientes do Hospital Col\u00f4nia de Barbacena por escolas m\u00e9dicas mineiras mostram que a rela\u00e7\u00e3o entre medicina, cad\u00e1veres an\u00f4nimos e popula\u00e7\u00f5es socialmente vulner\u00e1veis permanece um tema aberto \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica. Na segunda parte deste ensaio, examinaremos justamente um caso brasileiro, procurando compreender como a produ\u00e7\u00e3o do saber anat\u00f4mico e psiqui\u00e1trico entre n\u00f3s tamb\u00e9m se articulou \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de corpos provenientes de institui\u00e7\u00f5es de exclus\u00e3o e confinamento.<\/p>\n<p>Prof. Alexandre H. Reis<\/p>\n<p>Fontes:<\/p>\n<p data-start=\"109\" data-end=\"285\">HOGAN, Corinne. <em data-start=\"125\" data-end=\"217\">Diary of a resurrectionist: The unique record of a frightening trade born out of necessity<\/em>. Royal College of Surgeons of England, 27 maio 2025. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.rcseng.ac.uk\/library-and-publications\/library\/blog\/diary-of-a-resurrectionist\/\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"287\" data-end=\"377\">https:\/\/www.rcseng.ac.uk\/library-and-publications\/library\/blog\/diary-of-a-resurrectionist\/\u00a0 <\/a>Acesso em: 29 mai. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"404\" data-end=\"518\">BAILEY, James Blake (ed.). <em data-start=\"431\" data-end=\"463\">The Diary of a Resurrectionist<\/em>. London: Swan Sonnenschein &amp; Co., 1896. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a class=\"decorated-link cursor-pointer\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"520\" data-end=\"570\">https:\/\/archive.org\/details\/diaryofresurrect00napl\u00a0<\/a>Acesso em: 29 mai. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"597\" data-end=\"803\">HOGAN, Corinne. <em data-start=\"613\" data-end=\"705\">Diary of a resurrectionist: The unique record of a frightening trade born out of necessity<\/em>. Royal College of Surgeons of England. O manuscrito original digitalizado pode ser consultado em:\u00a0<a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/www.rcseng.ac.uk\/library-and-publications\/library\/blog\/diary-of-a-resurrectionist\/\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"805\" data-end=\"895\">https:\/\/www.rcseng.ac.uk\/library-and-publications\/library\/blog\/diary-of-a-resurrectionist\/\u00a0 <\/a>Acesso em: 29 mai 2026.<\/p>\n<p data-start=\"922\" data-end=\"1076\">ESQUIROL, \u00c9tienne. <em data-start=\"941\" data-end=\"1030\">Des maladies mentales consid\u00e9r\u00e9es sous les rapports m\u00e9dical, hygi\u00e9nique et m\u00e9dico-l\u00e9gal<\/em>. Paris: J.-B. Bailli\u00e8re, 1838. Dispon\u00edvel em:<\/p>\n<p data-start=\"1078\" data-end=\"1101\"><a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/openlibrary.org\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1078\" data-end=\"1101\">https:\/\/openlibrary.org <\/a>Acesso em: 30 mai. 2026.<\/p>\n<p data-start=\"1128\" data-end=\"1237\">BELL, Clark. <em data-start=\"1141\" data-end=\"1163\">Medico-Legal Studies<\/em>. Vol. I. New York: Medico-Legal Journal Association, 1889. Dispon\u00edvel em:\u00a0<a class=\"decorated-link\" href=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/8\/8f\/Medico-legal_studies_%28Volume_1%29_%28IA_28320490RX1.nlm.nih.gov%29.pdf\" target=\"_new\" rel=\"noopener\" data-start=\"1239\" data-end=\"1363\">https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/8\/8f\/Medico-legal_studies_%28Volume_1%29_%28IA_28320490RX1.nlm.nih.gov%29.pdf<\/a>\u00a0Acesso em: 30 mai. 2026.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1811, Joseph Naples registrava em seu di\u00e1rio a rotina de uma das atividades mais obscuras da Londres moderna: o roubo de cad\u00e1veres destinados \u00e0s escolas de anatomia. Publicado recentemente em vers\u00e3o digital pelo Royal College of Surgeons of England, o Diary of a Resurrectionist permite observar de perto a forma\u00e7\u00e3o de um mercado clandestino de corpos humanos que sustentou o desenvolvimento da medicina anat\u00f4mica no s\u00e9culo XIX. Mais do que uma curiosidade macabra, o manuscrito revela um momento decisivo da hist\u00f3ria ocidental, quando o cad\u00e1ver come\u00e7ou a ser progressivamente transformado em objeto de conhecimento cient\u00edfico. Este ensaio examina a atividade dos chamados resurrectionists, relacionando-a \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o da anatomia moderna, \u00e0 emerg\u00eancia da medicina legal e \u00e0 futura medicaliza\u00e7\u00e3o do suic\u00eddio. Ao final, sugere que a hist\u00f3ria dos ladr\u00f5es de cad\u00e1veres ingleses pode lan\u00e7ar nova luz sobre quest\u00f5es ainda pouco investigadas da hist\u00f3ria da medicina brasileira.<\/p>\n","protected":false},"author":1325,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-596","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Os Cad\u00e1veres e a Ci\u00eancia. 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