{"id":486,"date":"2025-10-01T20:42:06","date_gmt":"2025-10-01T23:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/?p=486"},"modified":"2025-10-01T21:16:04","modified_gmt":"2025-10-02T00:16:04","slug":"escutar-o-pensamento-de-morte-david-hume-e-a-desconstrucao-do-preconceito-sobre-o-suicidio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/2025\/10\/01\/escutar-o-pensamento-de-morte-david-hume-e-a-desconstrucao-do-preconceito-sobre-o-suicidio\/","title":{"rendered":"Escutar o Pensamento de Morte: David Hume e a Desconstru\u00e7\u00e3o do Preconceito sobre o Suic\u00eddio"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex grow flex-col gap-0.5 overflow-hidden pe-2\">\n<div><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-488\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2025\/10\/Domenico_Fetti_or_Feti_-_Melancolie_Painting_Vanite_by_Domenico_Fetti_1589-1624_1621-1623_Sun_168x128_-_MeisterDrucke-1002586.jpg?resize=616%2C829&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"616\" height=\"829\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2025\/10\/Domenico_Fetti_or_Feti_-_Melancolie_Painting_Vanite_by_Domenico_Fetti_1589-1624_1621-1623_Sun_168x128_-_MeisterDrucke-1002586.jpg?w=936&amp;ssl=1 936w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2025\/10\/Domenico_Fetti_or_Feti_-_Melancolie_Painting_Vanite_by_Domenico_Fetti_1589-1624_1621-1623_Sun_168x128_-_MeisterDrucke-1002586.jpg?resize=768%2C1034&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/files\/2025\/10\/Domenico_Fetti_or_Feti_-_Melancolie_Painting_Vanite_by_Domenico_Fetti_1589-1624_1621-1623_Sun_168x128_-_MeisterDrucke-1002586.jpg?resize=816%2C1098&amp;ssl=1 816w\" sizes=\"auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px\" \/><\/div>\n<div class=\"truncate font-semibold text-white\">Melancol\u00eda. Pintura (Vanitas) de Domenico Fetti (1589-1624).<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">David Hume escreveu, em meados do s\u00e9culo XVIII, um breve mas inquietante e pol\u00eamico ensaio:<em> On Suicide<\/em> (<em>Do Suic\u00eddio<\/em>). Redigido no calor das discuss\u00f5es iluministas sobre raz\u00e3o, provid\u00eancia e liberdade humana, o ensaio foi mantido fora de circula\u00e7\u00e3o pela primeira edi\u00e7\u00e3o de Hume e s\u00f3 circulou abertamente ap\u00f3s sua morte. Essa hist\u00f3ria editorial j\u00e1 \u00e9 um ind\u00edcio da pot\u00eancia perturbadora do texto: Hume n\u00e3o prop\u00f5e aqui um microrretrato da alma, nem uma defesa apaixonada do ato em si; prop\u00f5e, com a clareza cortante que lhe \u00e9 pr\u00f3pria, desarmar as raz\u00f5es que historicamente transformaram o morrer volunt\u00e1rio numa acusa\u00e7\u00e3o moral insofism\u00e1vel. O que ele faz \u00e9 um trabalho de desconstru\u00e7\u00e3o das legitima\u00e7\u00f5es religiosas e sociais que cerceiam o ju\u00edzo humano sobre a morte volunt\u00e1ria. Certamente o ensaio, este breve ensaio, o leitor haver\u00e1 de concordar, tem um alcance filos\u00f3fico, hist\u00f3rico e psicol\u00f3gico, e est\u00e1 precisamente muito bem fundamentado nessas tr\u00eas \u00e1reas do conhecimento. Passados quase trezentos anos, Do Suic\u00eddio mostra ao leitor do s\u00e9culo XXI tanto o lugar que Hume ocupa na genealogia do pensamento secular moderno quanto a urg\u00eancia de suas provoca\u00e7\u00f5es para uma \u00e9tica p\u00fablica e cr\u00edtica que saiba ouvir o pensamento de morte sem conden\u00e1-lo por reflexo. Penso, particularmente, que este texto ainda tem a capacidade de nos mobilizar, de nos afetar, embora nossos tempos sejam, ao menos quando olhamos do alto e ao longe, mais abertos do que aquele s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O contexto no qual esse fil\u00f3sofo admir\u00e1vel viveu, pensou e escreveu, certamente revela um tempo e uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima da ideia de encruzilhada: David Hume foi formado na tradi\u00e7\u00e3o da filosofia brit\u00e2nica moderna, imerso na leitura dos antigos, permeado pelo esp\u00edrito experimental e pelo ceticismo met\u00f3dico. N\u00e3o \u00e9 gratuito que, entre as vozes invocadas no ensaio, apare\u00e7a explicitamente \u201cT\u00falio\u201d (o Tullius do latim, ou seja, C\u00edcero) e que Hume dialogue incessantemente com a mem\u00f3ria da antiga filosofia romana e grega. Isso diz algo duplo: por um lado, Hume reclama a autoridade da hist\u00f3ria intelectual (os antigos discutiram e n\u00e3o unicamente proibiram); por outro, ele demonstra que suas conclus\u00f5es nascem de uma pr\u00e1tica filos\u00f3fica que opera por analogia, exame de costumes e exame emp\u00edrico, n\u00e3o por apelos a verdades reveladas. Na sua forma\u00e7\u00e3o intelectual tamb\u00e9m se reconhece o contato com Montaigne, com a tradi\u00e7\u00e3o c\u00e9tica e com a nova ci\u00eancia natural: Hume pensa com o cosmopolitismo erudito de quem leu os cl\u00e1ssicos, conhece as disputas teol\u00f3gicas e foi educado pela imagem desta provid\u00eancia natural que a f\u00edsica newtoniana tornara familiar, um quadro de leis gerais, regularidade e naturais conex\u00f5es de causa e efeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura argumentativa do ensaio \u00e9, at\u00e9 onde a compreendo em seus contornos essenciais, simples e ao mesmo tempo radical: Hume re\u00fane as obje\u00e7\u00f5es tradicionais (o suic\u00eddio seria uma inj\u00faria a Deus; seria uma ofensa \u00e0 sociedade; seria uma injusti\u00e7a para consigo mesmo, que remonta a uma longa tradi\u00e7\u00e3o, de Arist\u00f3teles, passando por Agostinho, at\u00e9 a autoridade de Tom\u00e1s de Aquino) e mostra, uma a uma, que nenhuma delas resiste a um exame consistente. O que caracteriza o movimento do seu racioc\u00ednio \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de naturalismo e h\u00e1bito empirista: Hume come\u00e7a sempre por recordar como as coisas realmente se processam, quais s\u00e3o as paix\u00f5es e os usos humanos, e s\u00f3 ent\u00e3o problematiza as normas que pretendem ser absolutas. N\u00e3o se trata de racionalizar o ato por via de princ\u00edpios abstratos, mas de colocar em evid\u00eancia que a pr\u00e1tica moral humana \u00e9 sempre embebida em sentimentos, conven\u00e7\u00f5es e finalidades, e que o juiz supremo das normas deve ser, em \u00faltima inst\u00e2ncia, a raz\u00e3o pr\u00e1tica acompanhada do senso comum.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contra a primeira obje\u00e7\u00e3o (o car\u00e1ter sacr\u00edlego do suic\u00eddio) Hume desloca o debate. Ele relativiza o papel da provid\u00eancia, argumentando que, se tudo no mundo material obedece a leis gerais e imut\u00e1veis, e se a provid\u00eancia divina governa por esses mesmos princ\u00edpios, ent\u00e3o a interven\u00e7\u00e3o humana que altera o curso dos eventos (construir casas, cultivar campos, introduzir rem\u00e9dios) n\u00e3o pode ser logicamente distinguida de um ato que antecipa a morte. A analogia \u00e9 estrat\u00e9gica: a queda de uma casa ou a infus\u00e3o de um veneno mata do mesmo modo que uma doen\u00e7a; negar ao indiv\u00edduo a faculdade de p\u00f4r termo \u00e0 vida seria, por essa linha, uma inconsistente hierarquiza\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es humanas. Hume n\u00e3o nega a provid\u00eancia; ele a reconstr\u00f3i como um pano de fundo que admite a liberdade pr\u00e1tica humana e que, se tudo comp\u00f5e um universo ordenado, ent\u00e3o as a\u00e7\u00f5es humanas tamb\u00e9m s\u00e3o partes da ordem. Assim, o que costuma ser apresentado como usurpa\u00e7\u00e3o da soberania divina \u00e9, na vis\u00e3o humeana, uma leitura supersticiosa da provid\u00eancia, uma leitura que confunde o respeito com a servid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo fio do argumento (o dever para com a sociedade) Hume \u00e9 ainda mais inquietante: reivindica que a obriga\u00e7\u00e3o social \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, instrumental e ligada \u00e0 utilidade. A vida imp\u00f5e deveres enquanto somos cooperadores \u00fateis; quando a exist\u00eancia se converte em fardo permanente, prolong\u00e1-la apenas para atender a uma norma abstrata \u00e9 empobrecer tanto o indiv\u00edduo quanto a coletividade. Aqui Hume descansa numa economia moral: se a a\u00e7\u00e3o humana pode ser julgada por suas consequ\u00eancias para a felicidade geral, ent\u00e3o a abdica\u00e7\u00e3o do viver, em casos extremos de mis\u00e9ria e dor insuport\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9 necessariamente um mal p\u00fablico. Ao contr\u00e1rio, Hume sugere, com um gesto provocador, que um exemplo corajoso e pensado de liberta\u00e7\u00e3o pode, se imitado com prud\u00eancia, aumentar a chance de felicidade para muitos. Essa frase final (que desconcertou seus primeiros leitores) n\u00e3o \u00e9 um convite \u00e0 contagioso romantismo suicida, mas uma interroga\u00e7\u00e3o sobre a coer\u00eancia das nossas normas morais: por que glorificamos o soldado que se arrisca num campo de batalha e vilipendiamos quem p\u00f5e termo \u00e0 vida por motivos an\u00e1logos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No terceiro eixo (o dever para consigo mesmo) Hume veste sua cr\u00edtica de uma tonalidade psicol\u00f3gica: o que importa para julgar um suic\u00eddio n\u00e3o \u00e9 uma f\u00f3rmula abstrata de propriedade divina, mas a qualidade concret\u00edssima da vida da pessoa. Afirmar que a vida deve ser mantida \u201ca todo custo\u201d \u00e9, para ele, uma hipocrisia que ignora que a prote\u00e7\u00e3o da vida \u00e9 j\u00e1 uma pr\u00e1tica humana repleta de interven\u00e7\u00f5es que alteram a sequ\u00eancia natural. Hume usa imagens prosaicas e por vezes cortantes (desviamos pedras que caem, dirigimos rios para mover m\u00e1quinas) para mostrar que a rela\u00e7\u00e3o do homem com a pr\u00f3pria vida \u00e9 pr\u00e1tica, e que, se j\u00e1 admitimos manipular as causas naturais para preservar a vida, somos incoerentes ao proibir a manipula\u00e7\u00e3o para abrev\u00e1-la quando esta se converte em mal inevit\u00e1vel. Nesse ponto, volta a emergir o n\u00facleo sentimentalista da sua filosofia moral: ju\u00edzos de censura ou de aprova\u00e7\u00e3o nascem em \u00faltima inst\u00e2ncia de sentimentos; reclamar um dever absoluto contra si pr\u00f3prio \u00e9 cair na abstra\u00e7\u00e3o que Hume combate.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ret\u00f3rica de Hume, portanto, n\u00e3o \u00e9 nem um panfleto utilitarista nem uma apologia hedonista do morrer precoce. Ela se sustenta num duplo movimento: denunciar a supersti\u00e7\u00e3o, e com ela a hipocrisia institucional que confunde medo com moralidade, e restaurar um espa\u00e7o de julgamento pr\u00e1tico onde a singularidade da vida e do sofrimento humano sejam considerados. \u00c9 por isso que, ao ler Hume hoje, n\u00e3o devemos reduzi-lo a um precedente de legisla\u00e7\u00f5es permissivas; devemos antes situ\u00e1-lo como um chamado \u00e0 escuta e ao exame. Ele nos lembra que a linguagem de pecado e crime que cerca a morte volunt\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um fundamento l\u00f3gico, mas uma constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que pode ser questionada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed a atualidade do ensaio, segundo penso e defendo, para a constru\u00e7\u00e3o de uma nova \u00e9tica da escuta. Em sociedades que ainda estigmatizam o pensamento de morte, o ensaio de Hume tem ao menos duas grandes li\u00e7\u00f5es: primeiro, \u00e9 preciso retirar o julgamento autom\u00e1tico como primeiro movimento, isto \u00e9, substituir o fechar-se da moral condenat\u00f3ria pela abertura de uma atitude interrogativa; segundo, combinar essa abertura com uma pr\u00e1tica de cuidado. Ouvir um pensamento de morte n\u00e3o exige concord\u00e2ncia nem est\u00edmulo: exige compreens\u00e3o da hist\u00f3ria de dor que o alimenta, reconhecimento das conting\u00eancias sociais, pobreza, retraimento, sofrimento f\u00edsico e ps\u00edquico, e a oferta de respostas que combinem apoio emocional, tratamento cl\u00ednico e, quando for o caso, discuss\u00f5es s\u00e9rias e respeitosas sobre autonomia e fim de vida. Hume d\u00e1 ao leitor moderno um mapa conceitual: abalar o pilar do preconceito religioso n\u00e3o basta; \u00e9 preciso construir institui\u00e7\u00f5es que ou\u00e7am sem condenar, que proponham assist\u00eancia sem paternalismo e que reconhe\u00e7am a ag\u00eancia sem desconsiderar a vulnerabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto, por\u00e9m, pede cautela. Os cr\u00edticos de Hume apontaram, e com raz\u00e3o, segundo entendo, que seu ensaio pode ser apropriado descuidadamente para legitimar abandono social ou para banalizar a dor que pede resposta. Hume, com sua \u00eanfase na liberdade individual, n\u00e3o se det\u00e9m extensivamente na sociologia (ci\u00eancia ainda inexistente em seu tempo) do sofrimento nem nas condi\u00e7\u00f5es materiais que tornam a \u201cescolha\u201d de morrer uma op\u00e7\u00e3o profundamente coercitiva. A leitura contempor\u00e2nea respons\u00e1vel do ensaio deve, portanto, combinar a sua radicalidade anti-punitiva com uma teoria robusta do cuidado, da ocupa\u00e7\u00e3o com o outro, que reconhe\u00e7a fatores de influ\u00eancia, a import\u00e2ncia de interven\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental em um modelo apropriado \u00e0 cr\u00edtica anti-manicomial e a dimens\u00e3o estrutural do sofrimento. A \u00e9tica da escuta, sobre a qual sou disposto a pensar e a contribuir para sua constru\u00e7\u00e3o, pode aprender com Hume a n\u00e3o ser um permissivismo libert\u00e1rio \u00e0 margem das redes de cuidado; antes, um princ\u00edpio que orienta que essas redes existam, que sejam acolhedoras, n\u00e3o estigmatizantes, e que ponderem, com rigor cl\u00ednico e sensibilidade moral, entre prote\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0 autonomia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, Do Suic\u00eddio de Hume permanece um convite: ao pensamento, a n\u00e3o sucumbir \u00e0 supersti\u00e7\u00e3o; \u00e0 pol\u00edtica, a n\u00e3o confundir proibi\u00e7\u00e3o com cuidado; \u00e0 cl\u00ednica, a escutar sem precipitar condena\u00e7\u00f5es; \u00e0 filosofia, a n\u00e3o se isentar do labor moral com as dores extremas. Ler Hume \u00e9 lembrar que as grandes quest\u00f5es do humano, sobre o valor da vida, sobre a dor, sobre a obriga\u00e7\u00e3o, resistem a f\u00f3rmulas prontas, sobretudo resistem aquelas repedidas nos Setembros Amarelos e que adv\u00e9m uma psiquiatria acr\u00edtica. O seu ensaio nos empurra para um lugar desconfort\u00e1vel, mas fecundo: o lugar onde a raz\u00e3o se alia com a compaix\u00e3o e onde o ju\u00edzo moral s\u00f3 encontra legitimidade se for capaz de suportar o peso dos fatos e das vidas que o testam. \u00c9 a\u00ed, precisamente a\u00ed, que se situa a urg\u00eancia deste texto para os nossos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Alexandre H. Reis<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Pelotas, 30\/09-01\/10 de 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">(O texto de Hume est\u00e1 dispon\u00edvel em nosso site, na aba Pr\u00f3ximo Encontro).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ensaio analisa o breve e pol\u00eamico texto de David Hume, On Suicide, situando-o no contexto iluminista e no di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica antiga. Hume busca desconstruir as justificativas religiosas e sociais que condenam o suic\u00eddio, examinando-o sob tr\u00eas \u00e2ngulos: a ofensa a Deus, o dever para com a sociedade e o dever para consigo mesmo. Por meio de analogias com a vida pr\u00e1tica e do uso da raz\u00e3o e da experi\u00eancia, Hume demonstra que essas obje\u00e7\u00f5es n\u00e3o se sustentam e prop\u00f5e uma leitura que combina liberdade individual, sensibilidade moral e pragmatismo.<\/p>\n<p>O ensaio enfatiza que ouvir o pensamento de morte n\u00e3o implica incentivo, mas compreens\u00e3o das dores humanas, do sofrimento estrutural e da vulnerabilidade individual. Para o autor do texto, Hume permanece relevante ao nos desafiar a adotar uma \u00e9tica da escuta, cr\u00edtica \u00e0 supersti\u00e7\u00e3o e \u00e0 condena\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica, mas comprometida com cuidado, apoio emocional e reflex\u00e3o \u00e9tica sobre a autonomia no fim de vida. A obra evidencia, assim, a urg\u00eancia de repensar normas morais e sociais que circunscrevem a vida e a morte, destacando a import\u00e2ncia de uma abordagem racional, emp\u00e1tica e historicamente informada.<\/p>\n","protected":false},"author":1325,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[29],"class_list":["post-486","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-hume-on-suicide"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Escutar o Pensamento de Morte: David Hume e a Desconstru\u00e7\u00e3o do Preconceito sobre o Suic\u00eddio - LYSIS - N\u00facleo de Estudos sobre Suic\u00eddio e Modos de Vida Hume sobre o Suic\u00eddio<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/lysis\/2025\/10\/01\/escutar-o-pensamento-de-morte-david-hume-e-a-desconstrucao-do-preconceito-sobre-o-suicidio\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Escutar o Pensamento de Morte: David Hume e a Desconstru\u00e7\u00e3o do Preconceito sobre o Suic\u00eddio - LYSIS - N\u00facleo de Estudos sobre Suic\u00eddio e Modos de Vida Hume sobre o Suic\u00eddio\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"ensaio analisa o breve e pol\u00eamico texto de David Hume, On Suicide, situando-o no contexto iluminista e no di\u00e1logo com a tradi\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica antiga. 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