{"id":1080,"date":"2022-07-05T15:34:09","date_gmt":"2022-07-05T18:34:09","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/?page_id=1080"},"modified":"2022-07-05T15:36:07","modified_gmt":"2022-07-05T18:36:07","slug":"transformacoes-no-comercio-de-pelotas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/atlas-do-comercio-de-pelotas\/transformacoes-no-comercio-de-pelotas\/","title":{"rendered":"Transforma\u00e7\u00f5es no Com\u00e9rcio de Pelotas"},"content":{"rendered":"<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Localiza\u00e7\u00e3o comercial no tempo e no espa\u00e7o:<br \/>\ndin\u00e2mica na cidade de Pelotas, RS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>DIONE DUTRA LIHTNOV<\/strong><\/p>\n<p><strong>Laborat\u00f3rio de Estudos Urbanos e Regionais<\/strong><\/p>\n<p><strong>dione.lihtnov@hotmail.com<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>SIDNEY GON\u00c7ALVES VIEIRA<\/strong><\/p>\n<p><strong>Universidade Federal de Pelotas<\/strong><\/p>\n<p><strong>sid_geo@hotmail.com<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>RESUMO<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O com\u00e9rcio da cidade de Pelotas se caracteriza por apresentar uma grande complexidade e fragmenta\u00e7\u00e3o, entretanto esta realidade nem sempre representou \u00e0 t\u00f4nica comercial da cidade. Neste sentido, o trabalho analisa as temporalidades e din\u00e2micas de localiza\u00e7\u00e3o comercial, a partir das concentra\u00e7\u00f5es comerciais na cidade de Pelotas, RS. Entende-se que a cidade p\u00f3s-moderna esta diretamente condicionada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es do com\u00e9rcio e do consumo. Estas transforma\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas \u00e0s mudan\u00e7as de natureza estrutural, sobretudo no transporte e armazenagem de bens, pessoas e informa\u00e7\u00f5es. Parte-se do pressuposto de que a expans\u00e3o espacial e populacional multiplica a centralidade por outros espa\u00e7os da malha urbana, expressando-se al\u00e9m do centro tradicional. As estrat\u00e9gias e din\u00e2micas locacionais do com\u00e9rcio e consumo interferem diretamente na morfologia urbana, modificando as rela\u00e7\u00f5es do centro com o seu entorno e \u00e1reas perif\u00e9ricas. Desta forma, entendemos que o estudo das concentra\u00e7\u00f5es comerciais compreende o desenvolvimento e conhecimento da realidade urbana atual.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>PALAVRAS-CHAVE: <\/strong>Cidade, Com\u00e9rcio, Espa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho se prop\u00f5e a fazer uma an\u00e1lise da din\u00e2mica comercial da cidade de Pelotas, localizada no estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Vislumbra-se a produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano com base nas formas de com\u00e9rcio. Esta l\u00f3gica revela que a produ\u00e7\u00e3o urbana est\u00e1 intrinsecamente orientada \u00e0s pr\u00e1ticas de consumo. Bernstein (2009, p.15) relata que o com\u00e9rcio impulsionou de maneira direta a prosperidade global, permitindo que as na\u00e7\u00f5es se concentrassem em produzir o que seus dons geogr\u00e1ficos, clim\u00e1ticos e intelectuais melhor permitissem. Certamente nenhuma outra \u00e9poca presenciou tamanha intensidade e visibilidade destes temas atrelados ao contexto urbano quanto a atual. A cultura do consumo invadiu a vida cotidiana de maneira t\u00e3o contundente que o homem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais visto como cidad\u00e3o social, e sim como consumidor. Baudrillard (2007) denomina a atual sociedade como a \u201cSociedade do Consumo\u201d, ideia tamb\u00e9m exposta por Lipovetsky (2007), e j\u00e1 por Debord (1997). Em linhas gerais, esses autores retratam como a circula\u00e7\u00e3o de bens e a apropria\u00e7\u00e3o de simbologias constituem a linguagem da sociedade contempor\u00e2nea. A satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades pessoais, a cria\u00e7\u00e3o de estilos de vida baseado no gosto pelo novo constituem elementos que caracterizam o atual momento da sociedade. A face desta sociedade \u00e9 o hiperconsumo, representado pelo fim das resist\u00eancias culturais locais frente aos limites globais. Fala-se aqui de flexibilidade, movimento, fluidez dentro do espa\u00e7o urbano. A mobilidade possibilita aos indiv\u00edduos ampliar sua \u00e1rea de consumo. Novos espa\u00e7os s\u00e3o criados constantemente e tendem cada vez mais a serem virtuais. A este respeito, Ascher (2010, p. 122) aponta:<\/p>\n<p>O multipertencimento simult\u00e2neo de cada individuo a v\u00e1rios grupos sob refer\u00eancias diversas, vari\u00e1vel, al\u00e9m disso, ao longo dos ciclos de vida, d\u00e1 assim, uma apar\u00eancia ca\u00f3tica aos espa\u00e7os, dos modos de vida. (&#8230;) Os indiv\u00edduos cada vez mais emprestam suas refer\u00eancias ora \u00e0 fam\u00edlia, ora a grupo s\u00f3cio-profissionais, ora a uma origem geogr\u00e1fica, cultural, ou a qualquer outra afinidade particular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este multipertencimento conectar\u00e1 os indiv\u00edduos a m\u00faltiplas formas de intera\u00e7\u00f5es socioespaciais, (re)produzidas no espa\u00e7o urbano a partir da intensidade da circula\u00e7\u00e3o e do consumo no espa\u00e7o. A configura\u00e7\u00e3o espacial resultante desta nova realidade reflete as condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo sociais. Esta pluralidade urbana estar\u00e1 diretamente condicionada \u00e0s din\u00e2micas comerciais e centros de consumo, espa\u00e7os de intensa circula\u00e7\u00e3o e de grande apelo para o segmento de marketing, disputado corpo a corpo, metro a metro dentro da malha urbana. Lefebvre (1991, p.100), disserta acerca desta a\u00e7\u00e3o da publicidade como elemento atuante no sistema consumidor:<\/p>\n<p>A publicidade n\u00e3o fornece apenas uma ideologia do consumo; uma representa\u00e7\u00e3o do &#8216;eu&#8217; consumidor, que se satisfaz como consumidor, que se realiza em ato e coincide com sua imagem (ou seu ideal). Ela se baseia tamb\u00e9m na exist\u00eancia imagin\u00e1ria das coisas, da qual ela \u00e9 a inst\u00e2ncia. Ela implica a ret\u00f3rica, a poesia, sobrepostas ao ato de consumir, inerentes \u00e0s representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este processo se intensifica a cada dia com a origem de novas formas comerciais, que englobam desde os tradicionais centros de consumo, empreendimentos de grande superf\u00edcie como os hipermercados e shoppings centers, chegando ao com\u00e9rcio digital. Esta ampla gama de servi\u00e7os e op\u00e7\u00f5es oferecidas a satisfazer a massa de consumo constituir\u00e1 um centro de converg\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 destas formas comerciais e de servi\u00e7os mas tamb\u00e9m de investimentos, infraestrutura e planejamento. Lefebvre (1972, p. 206) afirma que n\u00e3o existe realidade urbana sem um centro, seja ele comercial, simb\u00f3lico, de informa\u00e7\u00f5es, de decis\u00e3o ou com outro sentido. Logo, o centro pode ser considerado fruto do processo de crescimento das cidades. Quanto maior a circula\u00e7\u00e3o e diversifica\u00e7\u00e3o destes espa\u00e7os, maior ser\u00e1 a estabilidade e potencialidade na atra\u00e7\u00e3o de consumidores, e consequentemente, seu poder de aglomera\u00e7\u00e3o. No entender de Villa\u00e7a (1998, p. 239)<\/p>\n<p>O centro surge ent\u00e3o a partir da necessidade de afastamentos indesejados, mas obrigat\u00f3rios. Ele, como todas as \u201clocaliza\u00e7\u00f5es\u201d da aglomera\u00e7\u00e3o surge em fun\u00e7\u00e3o de uma disputa: A disputa pelo controle (n\u00e3o necessariamente minimiza\u00e7\u00e3o) do tempo e energia gastos no deslocamento humano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das mudan\u00e7as mais importantes no processo de estrutura\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano \u00e9 a redefini\u00e7\u00e3o do papel do centro, destacado aqui na forma de centralidades urbanas. Pintaudi (2009) destaca que o centro urbano, aquele que guarda a mem\u00f3ria da cidade, hist\u00f3rico, \u00e9 permanente. J\u00e1 a centralidade \u00e9 mut\u00e1vel no tempo e espa\u00e7o. No momento que um centro perde sua atratividade, sua capacidade de aglomerar pessoas e servi\u00e7os perde tamb\u00e9m sua condi\u00e7\u00e3o de centro em sentido lato, logo o centro n\u00e3o \u00e9 centro, ele se torna centro. Assim, aquilo a que se chama ideologicamente de decad\u00eancia do centro \u00e9 t\u00e3o somente sua tomada pelas classes populares, justamente a maioria da popula\u00e7\u00e3o. Nessas condi\u00e7\u00f5es, sendo o centro realmente da maioria, ele \u00e9 o centro da cidade. (VILLA\u00c7A, 1998, p. 283).<\/p>\n<p>O reflexo deste decl\u00ednio das \u00e1reas centrais nas cidades pode ser observado a partir da ascens\u00e3o de \u00e1reas perif\u00e9ricas, funcionalmente equivalentes ao centro tradicional. A resposta espacial da dicotomia centro-periferia ser\u00e1 percebida atrav\u00e9s da estrutura urbana polinucleada, na din\u00e2mica contradit\u00f3ria de concentra\u00e7\u00e3o e descentraliza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os urbanos e principalmente na disputa pela atra\u00e7\u00e3o social, pol\u00edtica e econ\u00f4mica nestes espa\u00e7os. Salgueiro (1991) destaca que a partir desta realidade se constituir\u00e1 por um lado \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o do tipo centro\/periferia nas concentra\u00e7\u00f5es comerciais, e de outro, a sele\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica destes centros. Sposito (2001, p\u00e1g. 89) caracteriza este processo com grande consist\u00eancia te\u00f3rica.<\/p>\n<p>\u00c9 a natureza desta trama urbana distendida de densidades m\u00faltiplas \u2013 que combina concentra\u00e7\u00e3o, com descentraliza\u00e7\u00e3o, localiza\u00e7\u00f5es com fluxos, im\u00f3veis com acelerados, e diversos ritmos de mobilidade no interior dos espa\u00e7os urbanos \u2013 que redefine o par centro-periferia a partir da constata\u00e7\u00e3o de que h\u00e1 varias centralidades em defini\u00e7\u00e3o e diferentes periferias em constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste sentido, entendemos que a melhor defini\u00e7\u00e3o de centralidade urbana que podemos trazer a esta pesquisa \u00e9 a exposta por Sp\u00f3sito (2013, p\u00e1g. 73):<\/p>\n<p>A centralidade, para mim, n\u00e3o \u00e9 um lugar ou uma \u00e1rea da cidade, mas, sim, a condi\u00e7\u00e3o e express\u00e3o de central que uma \u00e1rea pode exercer e representar. Segundo essa perspectiva, ent\u00e3o, a centralidade n\u00e3o \u00e9, propriamente, concreta; n\u00e3o pode ser vista numa imagem de sat\u00e9lite; \u00e9 dif\u00edcil de ser representada cartograficamente, por meio de delimita\u00e7\u00e3o de um setor da cidade; n\u00e3o aparece desenhada no cadastro municipal ou no plano diretor das cidades; n\u00e3o se pode percorr\u00ea-la ou mesmo v\u00ea-la, embora possa ser sentida, percebida, representada socialmente, componha nossa mem\u00f3ria urbana e seja parte de nosso imagin\u00e1rio social sobre a via urbana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta concep\u00e7\u00e3o demonstra que a centralidade urbana \u00e9 um conceito extremamente flex\u00edvel e n\u00e3o envolve necessariamente uma localiza\u00e7\u00e3o central em termos geogr\u00e1ficos, e sim acessibilidade e fluxos de bens, pessoas e informa\u00e7\u00f5es. Neste contexto, como definir o que \u00e9 periferia e o que \u00e9 centro? A periferia esta subordinada ao centro ou vice-versa? A resposta a estes questionamentos est\u00e1 no pensamento dial\u00e9tico da concentra\u00e7\u00e3o e descentraliza\u00e7\u00e3o urbana. A leitura das din\u00e2micas e da fragmenta\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano revelar\u00e1 a constitui\u00e7\u00e3o de fluxos e coexist\u00eancias urbanas ao longo do tempo no espa\u00e7o. Neste sentido, o principal desafio \u00e9 entender as coexist\u00eancias mais apropriadas para que se possa realizar a leitura destas din\u00e2micas espaciais, e sobretudo, entender como as pr\u00e1ticas sociais redefinem a cidade. Deste modo, consideraremos o com\u00e9rcio como o principal vetor de analise deste estudo, mais especificamente as concentra\u00e7\u00f5es comerciais. Busca-se analisar as din\u00e2micas locacionais pontuando os elementos e momentos hist\u00f3ricos importantes \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o do presente, e assim compreender as coexist\u00eancias e din\u00e2micas comerciais contempor\u00e2neas na cidade de Pelotas.\u00a0 Entendemos assim que o estudo das concentra\u00e7\u00f5es comerciais compreende o desenvolvimento e conhecimento da realidade urbana, como destaca Castelo (2011, p\u00e1g.3),<\/p>\n<p>atrav\u00e9s da presen\u00e7a de equipamentos terci\u00e1rios, avaliados tanto em termos de sua quantidade, como em termos de sua diversifica\u00e7\u00e3o funcional, \u00e9 poss\u00edvel medir o grau de centralidade de um determinado local \u2013 um lugar central, portanto \u2013 e estimar a \u00e1rea atendida por esse lugar central (&#8230;) e assim definir uma rede de lugares centrais com seus respectivos graus de centralidade e suas \u00e1reas de atendimento, configurando-se ent\u00e3o uma hierarquia de centros de atividades terci\u00e1rias distribu\u00eddos espacialmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desta forma, parte-se da hip\u00f3tese de que o com\u00e9rcio na cidade de Pelotas j\u00e1 n\u00e3o se exerce apenas no centro tradicional. Observa-se uma diversifica\u00e7\u00e3o espacial combinada a espa\u00e7os de coexist\u00eancias comerciais, paralelas ao surgimento de novas \u00e1reas de concentra\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o comercial, capazes de subsidiar ou oferecer uma op\u00e7\u00e3o de autonomia ao consumidor. Esta hip\u00f3tese norteou o desenvolvimento da pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>DESENVOLVIMENTO<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O referencial metodol\u00f3gico adotado na pesquisa utiliza o estudo de Carrerras et. al. (1990), no qual o autor prop\u00f5e analisar a evolu\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio urbano a partir de diagn\u00f3sticos da realidade socioecon\u00f4mica e urbana atuais, baseado em quatro princ\u00edpios: i) o desenvolvimento do conceito de com\u00e9rcio e consumo dentro dos estudos da geografia urbana; ii) a qualifica\u00e7\u00e3o do estudo; iii) a utiliza\u00e7\u00e3o da vari\u00e1vel tempo e iv) a an\u00e1lise das concentra\u00e7\u00f5es comerciais. Desta maneira, adotamos os seguintes procedimentos no decorrer do estudo: Primeiramente desenvolvemos os conceitos de com\u00e9rcio e consumo pertinentes \u00e0 pesquisa, tendo por base a fundamenta\u00e7\u00e3o at\u00e9 aqui exposta. Posteriormente, tendo em vista a qualifica\u00e7\u00e3o do estudo, utilizamos ferramentas de geotecnologias para espacializa\u00e7\u00e3o dos dados referentes ao com\u00e9rcio varejista e atacadista da cidade de Pelotas, transformando-os em perspectivas espaciais da realidade urbana. Adiante, na utiliza\u00e7\u00e3o da vari\u00e1vel tempo no estudo, vislumbrou-se o processo de expans\u00e3o dos setores comerciais atacadistas e varejistas no tempo e no espa\u00e7o tendo em vista retornar ao momento em que estes com\u00e9rcios se institu\u00edram, remontando sua trajet\u00f3ria ao tempo presente. Por fim, procede-se a an\u00e1lise das concentra\u00e7\u00f5es de estabelecimentos comerciais varejistas e atacadistas, tendo em vista a leitura das temporalidades e din\u00e2micas comerciais no munic\u00edpio de Pelotas.<\/p>\n<p>Ainda, no que tange aos procedimentos metodol\u00f3gicos e espec\u00edficos do estudo, o primeiro passo adotado foi \u00e0 constitui\u00e7\u00e3o de um banco de dados capaz de fornecer informa\u00e7\u00f5es consistentes sobre a realidade do aparato comercial da cidade Pelotas. Neste sentido, buscamos subs\u00eddio na prefeitura local. O banco de dados principal foi organizado com base nos Alvar\u00e1s Comerciais<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup>[1]<\/sup><\/a>, tendo como conte\u00fado as atividades comerciais dos setores atacadista e varejista. Estes dados originalmente eram compostos de n\u00famero de inscri\u00e7\u00e3o, nome do contribuinte, endere\u00e7o e data de inscri\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o competente, neste caso, a Secretaria de Urbanismo de Pelotas. A periodicidade dos dados refere-se ao per\u00edodo entres os anos de 1960 a 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o desenvolvimento da classifica\u00e7\u00e3o, buscamos inspira\u00e7\u00e3o e aporte te\u00f3rico metodol\u00f3gico na classifica\u00e7\u00e3o proposta por Salgueiro (1996, p\u00e1g. 13), onde a partir de seu estudo subdividimos e classificamos tipologicamente as atividades varejista e atacadista em nove grupos, a saber: Produtos Alimentares; Artigos Pessoais; Equipamentos para o Lar; Higiene; Sa\u00fade e Beleza; Lazer e Cultura; Constru\u00e7\u00e3o; Servi\u00e7os e aparatos Profissionais; Transportes; Com\u00e9rcio n\u00e3o Especificado.<\/p>\n<p>Prosseguindo, a etapa seguinte consistiu em geocodificar o banco de dados. O processo de geocodificar consiste em vincular um endere\u00e7o a um local geogr\u00e1fico. Desta forma, foi necess\u00e1rio atribuir a cada endere\u00e7o do cadastro de alvar\u00e1s uma coordenada X\/Y, latitude e longitude. Este processo foi feito a partir da plataforma <em>on-line<\/em> do programa ArcGis, vers\u00e3o 10.2, tendo aporte do aplicativo Esri Maps <em>for Office<\/em>, o qual integra a plataforma Google Maps ao programa Office Excel. Transcritos os procedimentos operacionais e metodol\u00f3gicos do estudo, a pr\u00f3xima etapa evidenciar\u00e1 uma breve caracteriza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de estudos, an\u00e1lise de dados e posterior produ\u00e7\u00e3o de mapas tem\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Historicamente o com\u00e9rcio tem sido o principal vetor de desenvolvimento do espa\u00e7o urbano na cidade de Pelotas. De acordo com os dados utilizados, existem 28.901 alvar\u00e1s comerciais cadastrados na \u00e1rea de estudo. Destes, 1.285 estabelecimentos correspondem ao com\u00e9rcio atacadista, e 27.616 estabelecimentos ao com\u00e9rcio varejista<strong><em>.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Figura 1: Com\u00e9rcio Atacadista na Cidade de Pelotas, RS.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 2: Com\u00e9rcio Varejista na Cidade de Pelotas, RS.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A analise dos dados demonstra que as formas comerciais predominantes na cidade s\u00e3o do g\u00eanero aliment\u00edcio em ambos os setores. No que tange a diversidade tipol\u00f3gica, destaca-se o setor de constru\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio atacadista e de lazer e cultura no varejista. Nos n\u00edveis posteriores, ambas as atividades apresentam os setores de artigos pessoais e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como os mais numerosos e diversificados. Adiante, discutiremos a espacializa\u00e7\u00e3o destas formas comercias no espa\u00e7o urbano pelotense.<\/p>\n<p>Pelotas \u00e9 o terceiro maior munic\u00edpio do estado do Rio Grande do Sul. Em termos de extens\u00e3o territorial, possui uma \u00e1rea de 1.609 km\u00b2. Localiza-se na encosta sudeste do estado do Rio Grande Sul, Brasil, \u00e0s margens do arroio Pelotas e do canal S\u00e3o Gon\u00e7alo. Situa-se \u00e0 31\u00ba 46\u2019 19\u201d S de latitude e 52\u00ba 20&#8242; 33&#8221; W, de longitude. Em termos territoriais, divide-se em nove distritos: Z3, Monte Bonito, Cascata, Cerrito, Quilombo, Rinc\u00e3o da Cruz, Triunfo, Santa Silvana e Distrito Sede, correspondente \u00e1 \u00e1rea urbana do munic\u00edpio. A \u00e1rea urbana \u00e9 dividida em sete regi\u00f5es administrativas: Barragem, Areal, S\u00e3o Gon\u00e7alo, Fragata, Centro, Tr\u00eas Vendas, Laranjal.<\/p>\n<p>O ambiente de estudo desta pesquisa compreende o distrito sede, que corresponde \u00e0 cidade de Pelotas. Para fins anal\u00edticos, subdividimos o per\u00edodo de analise de 1960 a 2014 em d\u00e9cadas, a fim de reconstruirmos a evolu\u00e7\u00e3o destes estabelecimentos no tempo e espa\u00e7o, compreendendo assim, sua evolu\u00e7\u00e3o e resili\u00eancia na malha urbana da cidade. Desta maneira, adotamos como ponto de partida a analise das din\u00e2micas comerciais varejistas e sua evolu\u00e7\u00e3o entre os anos de 1960 a 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 3: Unidades Pol\u00edtico Administrativas da Cidade de Pelotas, RS.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro ponto a ser destacado durante a d\u00e9cada de 1960 \u00e9 o fato de o com\u00e9rcio varejista exercer-se preponderantemente no centro tradicional. Destaque para as ruas General Os\u00f3rio e a Av. Bento Gon\u00e7alves. Com o avan\u00e7ar do tempo, na d\u00e9cada de 1970, observa-se a consolida\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o da \u00e1rea central, delimitada ao norte pela Av. Bento Gon\u00e7alves, estendendo-se em dire\u00e7\u00e3o sul. Destaca-se tamb\u00e9m o deslocamento de atividades comerciais ao norte (Rua Marcilio Dias), e a leste no bairro Fragata (Avenida Duque de Caxias), assim como o surgimento de n\u00facleos de aglomera\u00e7\u00f5es comerciais de pequena escala.<\/p>\n<p>J\u00e1 durante a d\u00e9cada de 1980, se evidencia a expans\u00e3o da \u00e1rea central al\u00e9m da Av. Bento Gon\u00e7alves, dire\u00e7\u00e3o noroeste, e desdobramentos da \u00e1rea central ao sul, em dire\u00e7\u00e3o ao bairro Porto. Constata-se ainda um forte deslocamento de atividades ao norte (Rua Marcilio Dias), multiplicando-se ao longo da Avenida Fernando Os\u00f3rio, ao leste no bairro Fragata (Avenida Duque de Caxias) e norte em dire\u00e7\u00e3o ao bairro Areal.<\/p>\n<p>Por fim, durante a d\u00e9cada de 1990, ressalta-se a expans\u00e3o da \u00e1rea central na dire\u00e7\u00e3o norte, e os desdobramentos ao sul (Porto). Paralelamente, nota-se o deslocamento de atividades nos bairros Fragata e Porto assim como o refor\u00e7o do deslocamento nos bairros tr\u00eas Vendas e Areal. Tais constata\u00e7\u00f5es podem ser observadas cartograficamente representadas nas figuras 4 e 5 respectivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 4: Evolu\u00e7\u00e3o das Atividades Comerciais Varejistas da Cidade de Pelotas, RS entre os anos de 1960 &#8211; 1999.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 5: Transforma\u00e7\u00f5es das Atividades Comerciais Varejistas da Cidade de Pelotas, RS entre os anos de 1960 &#8211; 1999.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prosseguindo, na d\u00e9cada de 2000, o principal fator a ser destacado \u00e9 a estagna\u00e7\u00e3o no processo de expans\u00e3o da \u00e1rea central, fato observado pela primeira vez desde a d\u00e9cada de 1960. Ressalta-se ainda o refor\u00e7o do desdobramento da \u00e1rea central ao norte (Rua Marc\u00edlio Dias e Avenida Fernando Os\u00f3rio) e ao longo da Avenida Adolfo Fetter, em dire\u00e7\u00e3o ao Laranjal, e ao sul (Porto). Por fim, entre os anos de 2010 e 2014, ratifica-se a estagna\u00e7\u00e3o do vetor de crescimento da \u00e1rea central e se constata a consolida\u00e7\u00e3o dos desdobramentos da \u00e1rea central nos bairros Tr\u00eas Vendas, Fragata, Areal e Laranjal, os quais evolu\u00edram progressivamente acompanhando o movimento de expans\u00e3o urbano na cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 6: Transforma\u00e7\u00f5es das Atividades Comerciais Varejistas da Cidade de Pelotas, RS entre os anos de 2000 &#8211; 2014.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentre os fatos expostos at\u00e9 ent\u00e3o, a rela\u00e7\u00e3o do centro com o espa\u00e7o urbano merece destaque. Observa-se que o centro tradicional progrediu ao longo dos anos de 1960 a 2000, tendo como base o n\u00facleo central (1960), evoluindo espacialmente ao longo do tempo em tr\u00eas ciclos distintos. Nos mapas da Figura X, \u00e0 direita podemos observar pela diferencia\u00e7\u00e3o de cores estes tr\u00eas ciclos (1970,1980,1990). J\u00e1 \u00e0 esquerda, a compara\u00e7\u00e3o do n\u00facleo inicial (1960) em vermelho, e sua expans\u00e3o m\u00e1xima (1990), em azul.<\/p>\n<p>Figura 7: Expans\u00e3o da \u00c1rea Central na Cidade de Pelotas, RS entre os anos de 1960 &#8211; 2014.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o ao com\u00e9rcio atacadista, sua configura\u00e7\u00e3o se apresenta numericamente muito inferior ao com\u00e9rcio varejista. Entretanto, seu poder de atra\u00e7\u00e3o e estrutura\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores importantes ao processo de (re)produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o. No que diz respeito a suas aglomera\u00e7\u00f5es, verifica-se a soberania do centro em todas as tipologias atacadistas, exceto no com\u00e9rcio atacadista de ve\u00edculos e transportes, o qual apresenta forte tend\u00eancia de deslocamento ao vetor norte, constituindo um desdobramento especializado da \u00e1rea central nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 8: Com\u00e9rcio Atacadista na Cidade de Pelotas, RS.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>Finalizando, podemos dizer que na cidade de Pelotas o com\u00e9rcio ainda se exerce enquanto centro de consumo baseada em seu centro tradicional. Tamb\u00e9m podemos afirmar que o crescimento da cidade impulsionou o surgimento de novas \u00e1reas carregadas de centralidade no espa\u00e7o urbano da cidade de Pelotas. \u00c9 poss\u00edvel reconhecer concentra\u00e7\u00f5es comerciais significativas em \u00e1reas perif\u00e9ricas da cidade como os bairros Fragata, Tr\u00eas Vendas e Laranjal. Do ponto de vista tipol\u00f3gico, os bairros Tr\u00eas Vendas e Fragata apresentam um desdobramento especializado no ramo de transportes (revenda de autom\u00f3veis e autope\u00e7as).<\/p>\n<p>Figura 9: Desdobramento Especializado da \u00c1rea Central na Av. Fernando Os\u00f3rio.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores, 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No bairro Tr\u00eas Vendas se observa tamb\u00e9m uma maior concentra\u00e7\u00e3o de estabelecimentos do ramo aliment\u00edcio, em especial do setor atacadista, enquanto que o bairro Fragata concentra um n\u00famero consider\u00e1vel de lojas no ramo de artigos para uso pessoal. O bairro Laranjal, apesar de n\u00e3o apresentar uma significativa concentra\u00e7\u00e3o comercial, \u00e9 detentor de um poder de centralidade atrelado ao seu apelo tur\u00edstico, haja vista sua localiza\u00e7\u00e3o \u00e0 orla da Lagos dos Patos. J\u00e1 os bairros S\u00e3o Gon\u00e7alo e Areal, apresentam um n\u00edvel de concentra\u00e7\u00e3o semelhante e relativamente baixo, em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s outras \u00e1reas do espa\u00e7o urbano da cidade de Pelotas. Esse fato se deve principalmente ao fato das atividades comerciais se encontrarem de forma extremamente dispersa em ambos os bairros. Entretanto, este quadro deve sofrer uma altera\u00e7\u00e3o significativa nos pr\u00f3ximos anos a partir da instala\u00e7\u00e3o de um Shopping Center, na Avenida Ferreira Viana, bairro Areal, no ano de 2013. Como descrito anteriormente, a forma comercial Shopping Center exerce um poder de estrutura\u00e7\u00e3o muito grande no espa\u00e7o urbano n\u00e3o s\u00f3 por sua simbologia, mas tamb\u00e9m por possuir o poder de atrair ao seu redor outras formas e tipologias de com\u00e9rcio e servi\u00e7os. Esta realidade demonstra a complexibilidade e heterogeneidade do mosaico urbano da cidade, que apesar de ainda ter no seu centro tradicional sua principal din\u00e2mica comercial, evolui e se (re)produz em m\u00faltiplas formas e espa\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CONCLUS\u00c3O<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da din\u00e2mica comercial da cidade de Pelotas revelou que a centralidade urbana esta diretamente relacionada \u00e0s temporalidades comerciais da cidade. O com\u00e9rcio na cidade se caracteriza por apresentar uma grande complexidade e fragmenta\u00e7\u00e3o, entretanto esta realidade nem sempre representou a t\u00f4nica comercial da cidade. Podem ser constatadas caracter\u00edsticas contempor\u00e2neas e marcas de uma hist\u00f3ria constru\u00edda com base em outros princ\u00edpios.\u00a0 A identifica\u00e7\u00e3o desses marcos, decompondo a contemporaneidade, foi o prop\u00f3sito deste estudo.<\/p>\n<p>Figura 11: Temporalidades e Coexist\u00eancias no Com\u00e9rcio de Pelotas.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores , 2014.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio sempre foi e sempre ser\u00e1 um espa\u00e7o capaz de concentrar a din\u00e2mica social em suas diferentes perspectivas econ\u00f4micas e culturais vivenciadas em uma determinada \u00e9poca e lugar. Com base neste conjunto de constata\u00e7\u00f5es, entendemos que as express\u00f5es da centralidade urbana na cidade de Pelotas foram constitu\u00eddas ao longo do tempo atrav\u00e9s de suas temporalidades e coexist\u00eancias, agregando momentos hist\u00f3ricos e espa\u00e7os contempor\u00e2neos, os quais atuam constantemente na manuten\u00e7\u00e3o e constitui\u00e7\u00e3o de fluxos de bens, pessoas e informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o das atividades comerciais representa muito bem a din\u00e2mica das pr\u00f3prias atividades das rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano, de modo geral. Trata-se de uma realidade extremamente din\u00e2mica, sobretudo sob a l\u00f3gica do modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista. O princ\u00edpio da concentra\u00e7\u00e3o que produz o centro, em fun\u00e7\u00e3o da economia de escala, logo \u00e9 rompido pelos in\u00fameros contratempos gerados pela concentra\u00e7\u00e3o excessiva em um determinado local: tr\u00e1fego intenso de autom\u00f3veis, circula\u00e7\u00e3o exagerada de pessoas, heterogeneidade dos consumidores, obsolesc\u00eancia da infraestrutura. Tais fatos provocam os deslocamentos das atividades que, via de regra, seguem os deslocamentos dos classes de mais alta renda. Em um dado momento, a concentra\u00e7\u00e3o gera uma \u201cdeseconomia de escala\u201d e provoca mudan\u00e7as. As novas tecnologias, dispostas a cada nova fase de desenvolvimento tecnol\u00f3gico, tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis pela migra\u00e7\u00e3o em busca de \u00e1reas melhor adaptadas. O centro, em um dado momento, deixa de ter capacidade para atender a todas as demandas exigidas pelos novos padr\u00f5es de oferta e consumo. \u00c9 preciso buscar novas \u00e1reas ondes estas tecnologias estejam dispon\u00edveis ou possam ser instaladas.<\/p>\n<p>Toda esta l\u00f3gica motiva a din\u00e2mica comercial. O caso de Pelotas retrata muito bem esta ocorr\u00eancia. A cidade tradicional concentrou suas classes de altos rendimentos no entorno da pra\u00e7a central, acompanhada pelo melhor com\u00e9rcio da cidade. Com o passar do tempo esta \u00e1rea passou a concentrar os elementos que levaram \u00e0 populariza\u00e7\u00e3o do centro, n\u00e3o sua decad\u00eancia em termos de vitalidade e concentra\u00e7\u00e3o de estabelecimentos, mas o desinteresse dos mais ricos em face do aumento da procura, da heterogeneidade, do pr\u00f3prio movimento. Mudam-se os ricos do centro para outras \u00e1reas e o com\u00e9rcio os persegue. Este \u00e9 um movimento que justifica a expans\u00e3o do centro de Pelotas em dire\u00e7\u00e3o ao norte da Avenida Bento Gon\u00e7alves.<\/p>\n<p>Por outro lado, o pr\u00f3prio crescimento demogr\u00e1fico da cidade faz com que o centro n\u00e3o comporte o n\u00famero de atividades suficientes para atender a toda a popula\u00e7\u00e3o. Isso provoca a localiza\u00e7\u00e3o de estabelecimentos fora da \u00e1rea central. A concentra\u00e7\u00e3o no interior do bairro Fragata pode ser explicada por esta l\u00f3gica, gerando um centro pr\u00f3prio ainda que incompleto. Por outro lado, a concentra\u00e7\u00e3o atacadista ao longo da Avenida Fernando Os\u00f3rio no bairro Tr\u00eas Vendas pode ser explicada pela liga\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o norte do estado, o caminho para a capital Porto Alegre. \u00c1rea prop\u00edcia para a concentra\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio atacadista, que demanda por terrenos maiores e mais baratos dos que os encontrados na \u00e1rea central e facilidade para o escoamento dos produtos.<\/p>\n<p>Enfim, a din\u00e2mica locacional, que define o centro e as centralidades na cidade, \u00e9 diretamente relativa \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o ao longo do tempo e do espa\u00e7o. O estudo de caso revelou esta din\u00e2mica e serviu para explicar os movimentos que ocorrem e possivelmente os que ocorrer\u00e3o no espa\u00e7o ao longo do tempo em busca de localiza\u00e7\u00f5es mais adequadas para cada tipologia comercial. Entender esta din\u00e2mica \u00e9 fundamental para pensar o futuro da organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano.<\/p>\n<p>Neste sentido, destacamos abaixo a leitura urbana do que acreditamos ser a melhor defini\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea dos espa\u00e7os de coexist\u00eancias e temporalidades em suas express\u00f5es centrais no espa\u00e7o urbano da cidade de Pelotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 13: Temporalidades e Coexist\u00eancias no Com\u00e9rcio de Pelotas.<\/p>\n<p>Fonte: Elaborado pelos autores , 2014.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ASCHER, Fran\u00e7ois. <strong>Los Nuevos Princ\u00edpios Del Urbanismo<\/strong>. Madri: Alianza, 2010<\/p>\n<p>BAUDRILLARD, Jean. <strong>A sociedade de consumo.<\/strong> Lisboa: 70, 2007.<\/p>\n<p>BERNSTEIN, William J. <strong>Uma mudan\u00e7a extraordin\u00e1ria: como o com\u00e9rcio revolucionou o mundo.<\/strong> S\u00e3o Paulo: Elsevier, 2009.<\/p>\n<p>BAUMAN, Zigmunt<strong>. Modernidade l\u00edquida<\/strong>. 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