{"id":1074,"date":"2022-07-05T15:30:26","date_gmt":"2022-07-05T18:30:26","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/?page_id=1074"},"modified":"2022-07-05T15:32:20","modified_gmt":"2022-07-05T18:32:20","slug":"o-comercio-em-pelotas-em-1922","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/atlas-do-comercio-de-pelotas\/o-comercio-em-pelotas-em-1922\/","title":{"rendered":"O Com\u00e9rcio em Pelotas em 1922"},"content":{"rendered":"<p><strong>AS ATIVIDADES COMERCIAIS NO \u00c1LBUM DE PELOTAS DE 1922<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sidney Gon\u00e7alves Vieira<a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n<p>Dione Dutra Lihtnov<a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a><\/p>\n<p><strong>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O presente texto faz uma an\u00e1lise dos an\u00fancios contidos no \u00c1lbum de Pelotas de 1922, referentes \u00e0s atividades de com\u00e9rcio, de servi\u00e7os e outras de natureza semelhante ali anunciadas, bem como acerca da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas e do Clube Comercial de Pelotas, tamb\u00e9m exibidos naquela edi\u00e7\u00e3o. O tema ensejou uma an\u00e1lise, a partir da realidade atual, do setor terci\u00e1rio na cidade e sua import\u00e2ncia para a forma\u00e7\u00e3o do centro e de outras centralidades urbanas. Ficou evidente que a pujan\u00e7a das atividades comerciais observadas hoje no centro, possuem uma vincula\u00e7\u00e3o muito estreita com o desenvolvimento do setor j\u00e1 nos anos 1920. Fortemente impulsionado pela riqueza acumulada pelos grandes produtores de charque, a cidade assistiu, naquele tempo, \u00e0 instala\u00e7\u00e3o de um grande aparato comercial, que lhe garantia o desenvolvimento cultural e o acompanhamento das grandes novidades apresentadas ao mundo.\u00a0 Em que pese os estabelecimentos j\u00e1 n\u00e3o serem mais os mesmos, a localiza\u00e7\u00e3o naquela \u00e9poca e a atual refor\u00e7am a import\u00e2ncia do setor comercial na forma\u00e7\u00e3o do centro da cidade. As mudan\u00e7as nas tipologias, nas formas e nas pr\u00f3prias atividades denotam as transforma\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas ocorridas na sociedade. Hoje, a populariza\u00e7\u00e3o do centro e a forma\u00e7\u00e3o de novas centralidades s\u00e3o consequ\u00eancias inevit\u00e1veis do crescimento populacional e f\u00edsico da cidade, mas que, apesar de tudo, mant\u00e9m o setor terci\u00e1rio com grande destaque para a economia local. Desse modo, foi poss\u00edvel uma an\u00e1lise dial\u00e9tica da realidade, fundamentada nas perman\u00eancias e rupturas observadas no tempo e no espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Do ponto de vista te\u00f3rico e metodol\u00f3gico, a Geografia Hist\u00f3rica nos permitiu fazer uma an\u00e1lise do espa\u00e7o com a finalidade de entender a l\u00f3gica da organiza\u00e7\u00e3o espacial presidida por rela\u00e7\u00f5es sociais de produ\u00e7\u00e3o pr\u00f3prias daquele momento espec\u00edfico. A partir dos fundamentos da Geografia do Com\u00e9rcio e do Consumo se tornou poss\u00edvel analisar a evolu\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos comerciais a partir de v\u00e1rias teorias explicativas. Assim, com o uso desses referenciais, foi poss\u00edvel compreender melhor a realidade do passado, tornando poss\u00edvel entender a perman\u00eancia de determinadas atividades e formas, bem como as rupturas que provocaram altera\u00e7\u00f5es substanciais nos usos, costumes e fun\u00e7\u00f5es urbanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O com\u00e9rcio e a mem\u00f3ria da cidade<\/strong><\/p>\n<p>A cidade e o com\u00e9rcio s\u00e3o, por excel\u00eancia, extremamente mutantes. As formas comerciais na cidade ao longo do processo de produ\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do espa\u00e7o mudam, seus usos se alteram e a estrutura se modifica a cada novo per\u00edodo em que seja poss\u00edvel observar altera\u00e7\u00f5es nas qualidades da sociedade, sejam econ\u00f4micas, sociais ou de outra ordem. E o com\u00e9rcio, como uma atividade extremamente vinculada ao espa\u00e7o urbano, acompanha esse movimento, quando n\u00e3o se adianta a ele. As formas do com\u00e9rcio, sua localiza\u00e7\u00e3o na estrutura urbana e, sobretudo, o arranjo dos elementos da oferta dos produtos comercializados \u00e9 muito sens\u00edvel a esta temporalidade t\u00edpica dos movimentos de moda, de esta\u00e7\u00e3o, de temporalidades fugazes. Nesse sentido, \u00e9 de se esperar que as lojas n\u00e3o sejam elementos duradouros na paisagem, pelo menos na sua apresenta\u00e7\u00e3o enquanto forma. Al\u00e9m disso, a din\u00e2mica urbana, propicia tamb\u00e9m uma din\u00e2mica muito forte de localiza\u00e7\u00e3o, ensejando que os neg\u00f3cios se movam no interior do espa\u00e7o urbano, ao sabor do acompanhamento dos lucros.<\/p>\n<p>Via de regra, as \u00e1reas centrais se formam nas proximidades das \u00e1reas residenciais das pessoas de mais alta renda, fato que se justifica em fun\u00e7\u00e3o de que esses s\u00e3o os principais consumidores do centro (VILA\u00c7A, 2000, p. 270 e segs.). Com o passar do tempo o espa\u00e7o tende a se tornar deficit\u00e1rio em fun\u00e7\u00e3o das novas tecnologias e das mudan\u00e7as ocorridas tamb\u00e9m na cultura da sociedade. A obsolesc\u00eancia do espa\u00e7o provoca a busca por novas \u00e1reas no interior da cidade, ensejando a cria\u00e7\u00e3o de outras centralidades e, em muitos casos, o abandono do centro por muitas atividades. Esse abandono ocorre, quase sempre, na sequ\u00eancia da mudan\u00e7a das classes mais ricas, que buscam locais onde seus valores de classe possam ser melhor usufru\u00eddos do que na \u00e1rea central que se transformou.<\/p>\n<p>Mesmo que n\u00e3o tenhamos a perman\u00eancia de estabelecimentos espec\u00edficos ao longo desses cem anos que transcorreram desde o lan\u00e7amento do \u00c1lbum, \u00e9 significativo para a mem\u00f3ria social o fato de que o principal com\u00e9rcio da cidade ainda esteja instalado na mesma \u00e1rea. Mesmo que se reconhe\u00e7a o surgimento de novas centralidades, o centro permanece como refer\u00eancia de localiza\u00e7\u00e3o para lojas e servi\u00e7os principais. Mudaram os formatos das lojas, mudaram os h\u00e1bitos das compras, mas permanece o lugar como refer\u00eancia geral. O centro, historicamente formado nessa \u00e1rea da cidade, continua vivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O aparato comercial na atualidade<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o III Plano Diretor de Pelotas (PELOTAS, 2008) a \u00e1rea urbana do munic\u00edpio est\u00e1 dividida em sete regi\u00f5es administrativas, para fins de planejamento, englobando os bairros: Centro, Fragata, Barragem, Tr\u00eas Vendas, Areal, S\u00e3o Gon\u00e7alo e Laranjal. A Regi\u00e3o Administrativa do Centro, por sua vez, comporta uma divis\u00e3o em quatro mesorregi\u00f5es, sendo que a mesorregi\u00e3o identificada como CE 3 \u00e9 a mais importante \u00e1rea de com\u00e9rcio na cidade de Pelotas, e, dentro dela, a microrregi\u00e3o CE 3.3 apresenta a maior concentra\u00e7\u00e3o desta atividade. A \u00e1rea de com\u00e9rcio mais intensiva (CE 3.3) est\u00e1 abrangida pelas ruas Major C\u00edcero de G\u00f3es Monteiro, ao norte, e Gomes Carneiro, ao sul, e pelas ruas Marechal Deodoro, \u00e0 oeste, e Almirante Barroso, \u00e0 leste. Ao todo, s\u00e3o 88 quarteir\u00f5es que perfazem um total de 979.432,58 m<sup>2<\/sup>. A\u00ed est\u00e1 o centro de Pelotas.<\/p>\n<p>A principal \u00e1rea de com\u00e9rcio da cidade, na atualidade, est\u00e1 inserida na chamada Zona de Preserva\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Cultural de Pelotas, o que confere uma importante particularidade ao com\u00e9rcio local, que compartilha de interessante arquitetura composta por constru\u00e7\u00f5es de diferentes \u00e9pocas, mas cuja fisionomia \u00e9 garantida por casar\u00f5es de destacada arquitetura ecl\u00e9tica datados do s\u00e9culo XIX e princ\u00edpios do s\u00e9culo XX. Por outro lado, da\u00ed decorre tamb\u00e9m um conflito de interesse que contrap\u00f5em os desejos midi\u00e1ticos do aparato publicit\u00e1rio com regras de valoriza\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural (RIBEIRO; VIEIRA; 2014). A \u00e1rea, ademais, se caracteriza pelo tra\u00e7ado reticular das ruas.<\/p>\n<p>Hoje, a principal rua de com\u00e9rcio no centro da cidade \u00e9 a Rua Andrade Neves, no trecho situado entre as ruas General Telles, ao sul, e Major C\u00edcero, ao norte. Parte da rua \u00e9 exclusiva para pedestres, com alargamento de cal\u00e7ada e um trecho de cal\u00e7ad\u00e3o, que se conecta, tamb\u00e9m na forma de cal\u00e7ad\u00e3o, pela rua Sete de Setembro, com o cal\u00e7ad\u00e3o da rua 15 de Novembro, formando uma \u00e1rea de intenso movimento de pessoas. Nesta parte da cidade est\u00e3o instaladas as principais lojas, que se distribuem de acordo com uma l\u00f3gica que vai das boutiques mais sofisticadas na rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, at\u00e9 \u00e0s lojas mais populares na rua Tiradentes. O Cal\u00e7ad\u00e3o \u00e9 o espa\u00e7o de com\u00e9rcio mais democr\u00e1tico e din\u00e2mico que, al\u00e9m do com\u00e9rcio tradicional, comporta conflituoso relacionamento com a informalidade. A localiza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, apresentava uma concentra\u00e7\u00e3o n\u00e3o muito diversa da atual, em termos gerais, cuja ocorr\u00eancia se verificava principalmente na rua F\u00e9lix da Cunha, primeiramente chamada de \u201cRua do Com\u00e9rcio\u201d, depois na 15 de Novembro. A rua Andrade Neves s\u00f3 ganhar\u00e1 destaque a partir dos anos 1950.<\/p>\n<p>Historicamente, o com\u00e9rcio tem sido o principal vetor de desenvolvimento do espa\u00e7o urbano na cidade de Pelotas. No per\u00edodo compreendido entre os anos de 1960 e 2014, existiram 28.901 alvar\u00e1s comerciais (documento legal que habilita a pessoa singular ou coletiva com capacidade financeira e civil ao exerc\u00edcio da atividade comercial e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os mercantis) cadastrados na \u00e1rea urbana. Destes, 1.285 estabelecimentos correspondiam ao com\u00e9rcio atacadista e 27.616 estabelecimentos ao com\u00e9rcio varejista. Os equipamentos comerciais predominantes nesse per\u00edodo, foram do g\u00eanero aliment\u00edcio em ambos os setores. No que tange \u00e0 diversidade tipol\u00f3gica, destaca-se o setor de constru\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio atacadista, e de lazer e cultura no varejista. Nos n\u00edveis posteriores, ambas as atividades apresentam os setores de artigos pessoais e de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os como os mais numerosos e diversificados (LIHTNOV; VIEIRA; 2016).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio e servi\u00e7os no \u00c1lbum de Pelotas de 1922<\/strong><\/p>\n<p>Quando o \u00c1lbum de Pelotas foi publicado, em 1922, a cidade contava com pouco mais do que os 45.000 habitantes contabilizados no censo de 1920 na \u00e1rea urbana, al\u00e9m dos cerca de 37.000 que habitavam a zona rural, totalizando uma popula\u00e7\u00e3o para o munic\u00edpio com cerca de 82.000 habitantes (DE BEM, <em>In<\/em>: LONER; GILL; MAGALH\u00c3ES; 2012, p. 218 e segs.). Era uma cidade em pleno crescimento n\u00e3o apenas populacional, mas tamb\u00e9m social e econ\u00f4mico. Desfrutava ainda dos \u00faltimos benef\u00edcios trazidos pela riqueza acumulada pela ind\u00fastria saladeril, grande motor do desenvolvimento urbano desde o final do s\u00e9culo XIX e ainda no primeiro quartel do s\u00e9culo XX (VIEIRA, 2005). A cidade vivia o alvoro\u00e7o da moderniza\u00e7\u00e3o, que chegava pela instala\u00e7\u00e3o da energia el\u00e9trica, pelo funcionamento dos bondes el\u00e9tricos, pela pavimenta\u00e7\u00e3o das ruas e, sem d\u00favidas, pela excel\u00eancia de sua pra\u00e7a comercial. Mas era uma moderniza\u00e7\u00e3o de limites precisos, pois as ruas centrais, verdadeiras definidoras da cidade, eram poucas, no total das 59 ruas existentes, das quais menos da metade era dotada de cal\u00e7amento (GON\u00c7ALVES, 2018). O projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o de Cypriano Corr\u00eaa Barcellos, de 1912, ainda estava promovendo a experi\u00eancia desses benef\u00edcios trazidos pelas novas tecnologias.<\/p>\n<p>Uma vista a\u00e9rea da cidade mostraria os claros limites entre o espa\u00e7o urbano e a periferia ainda a ser explorada. Os arrabaldes eram mais efetivos no Porto, Fragata, Tr\u00eas Vendas e Areal, mas como n\u00facleos em forma\u00e7\u00e3o, sem qualquer das caracter\u00edsticas experimentadas pelo centro. Assim, o centro seguiu a tend\u00eancia de se concentrar no entorno da elite dominante que habitava a cidade, constituindo, em algumas de suas ruas, a maior densidade de estabelecimentos comerciais, de servi\u00e7os e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas que atendiam \u00e0s demandas da sociedade, sobretudo dos h\u00e1bitos compartilhados pela elite dominante. Afirmava-se, assim, a l\u00f3gica da \u201ceconomia de escala\u201d, quando atividades semelhantes buscam a proximidade, com o intuito de se aproveitarem dos benef\u00edcios de uma pequena escala espacial, onde um maior n\u00famero de ofertas est\u00e1 dispon\u00edvel para todos. Essa l\u00f3gica permanece at\u00e9 que os efeitos ben\u00e9ficos dessa localiza\u00e7\u00e3o privilegiada se tornem negativos, pelo excesso de pessoas, movimento e as dificuldades que isso traz. A l\u00f3gica se transforma em uma \u201cdeseconomia de escala\u201d, promovendo, ent\u00e3o, o afastamento dessas mesmas pessoas e a tend\u00eancia de que as atividades se dispersem. Mas aqui ainda estamos na g\u00eanese da forma\u00e7\u00e3o do centro da cidade de Pelotas, que se d\u00e1 n\u00e3o apenas pela concentra\u00e7\u00e3o de atividades, que se traduzem pelos fixos no espa\u00e7o, representados pelas lojas, caf\u00e9s e espa\u00e7os de sociabilidade, mas, e principalmente, pela capacidade dessas atividades gerarem fluxos em dire\u00e7\u00e3o a essa \u00e1rea, fazendo com que esse seja o lugar onde todos queiram estar e para onde todos queiram se dirigir, quando se trata de suprir necessidades de com\u00e9rcio, de servi\u00e7os e de consumo.<\/p>\n<p>Desse modo, n\u00e3o surpreende que a localiza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos comerciais, naquela \u00e9poca, se desse preferencialmente em torno dos mesmos endere\u00e7os. Algumas ruas ser\u00e3o privilegiadas em fun\u00e7\u00e3o de conterem atrativos que se multiplicam uns ap\u00f3s os outros, como os j\u00e1 citados referentes ao cal\u00e7amento, ilumina\u00e7\u00e3o, transporte e facilidade de acesso. Sobretudo, tamb\u00e9m estava garantido outro fator essencial na forma\u00e7\u00e3o do centro, a proximidade das camadas de alta renda, que representam os principais consumidores desse mercado (VIEIRA, 2020).<\/p>\n<p>O \u00c1lbum de Pelotas conta com 252 p\u00e1ginas, para fins desta an\u00e1lise, foram considerados 61 an\u00fancios, sendo 47 referentes \u00e0s atividades do com\u00e9rcio varejista de modo geral e 14 relativos a outras atividades, principalmente de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os. Alguns estabelecimentos possu\u00edam atividades que muitas vezes abarcavam o com\u00e9rcio varejista e o atacadista ao mesmo tempo, bem como realizavam tamb\u00e9m servi\u00e7os (principalmente conserto, repara\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o) e atividades de confec\u00e7\u00e3o de roupas, abrangendo outras classifica\u00e7\u00f5es, al\u00e9m da comercial. Como se observou, por exemplo, no ramo da venda de confec\u00e7\u00f5es, que em muitos casos tamb\u00e9m oferecia o servi\u00e7o de alfaiataria. Do mesmo modo, as livrarias, al\u00e9m do com\u00e9rcio tradicional de livros e artigos de papel em geral, em alguns casos, ofereciam servi\u00e7os de impress\u00e3o, t\u00edpicos da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o e tipografia, classificada como uma atividade t\u00e9cnica, entre outras atividades.<\/p>\n<p>Como metodologia de classifica\u00e7\u00e3o das atividades anunciadas no \u00c1lbum, se utilizou a CNAE 2.0 (Classifica\u00e7\u00e3o Nacional das Atividades Econ\u00f4micas, Vers\u00e3o 2.0), elaborada pela CONCLA (Comiss\u00e3o Nacional de Classifica\u00e7\u00e3o), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica) (IBGE, 2021b). Para este fim, foram consideradas as classifica\u00e7\u00f5es da Se\u00e7\u00e3o G (Com\u00e9rcio, Repara\u00e7\u00e3o de Ve\u00edculos Automotores e Motocicletas), Divis\u00e3o 47 (Com\u00e9rcio Varejista) e os respectivos Grupos, Classes e Subclasses, sempre que as informa\u00e7\u00f5es permitiram o maior detalhamento da atividade. As atividades n\u00e3o correspondentes ao com\u00e9rcio varejista foram classificadas em suas respectivas Se\u00e7\u00f5es, que corresponderam aos seguintes resultados: C (Ind\u00fastria de Transforma\u00e7\u00e3o); H (Transporte, armazenagem e correio); M (Atividades profissionais, cient\u00edficas e t\u00e9cnicas); e, S (Outras atividades de servi\u00e7os).<\/p>\n<p>As 47 atividades classificadas na Se\u00e7\u00e3o G, Divis\u00e3o 47, referente ao com\u00e9rcio varejista, est\u00e3o distribu\u00eddas da seguinte maneira: 19 atividades se referem ao com\u00e9rcio varejista especializado de tecidos e artigos de cama, mesa e banho; 5 de com\u00e9rcio varejista de ferragens e ferramentas; 3 de com\u00e9rcio varejista de livros, jornais, revistas e papelaria; 2 destinadas ao com\u00e9rcio varejista de cosm\u00e9ticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal e as demais divididas entre diversos ramos com uma atividade em cada.<\/p>\n<p>Portanto, a maior parte dos estabelecimentos anunciantes se referia \u00e0s atividades de roupas, confec\u00e7\u00f5es, pe\u00e7as do vestu\u00e1rio e acess\u00f3rios ligados \u00e0 moda de vestimenta pessoal.\u00a0 S\u00e3o comuns os destaques nos an\u00fancios referentes \u00e0 atualidade dos produtos comercializados e seu alinhamento ao que era ofertado na Europa, sobretudo em Paris. Tratava-se, como se v\u00ea, de um com\u00e9rcio fino e refinado destinado \u00e0queles que podiam ostentar a riqueza de suas origens sociais. Mais do que atender necessidades essenciais, o que se observa aqui \u00e9 um com\u00e9rcio que atende ao consumo da moda para a elite.<\/p>\n<p>O an\u00fancio \u201c<em>Aos Grandes Armazens Herminios<\/em>\u201d, localizado na rua 15 de Novembro, deixa evidente, j\u00e1 pelo nome, o v\u00ednculo com a origem portuguesa de seu propriet\u00e1rio, Sr. J. A. Carvalho, e o estabelecimento presta uma homenagem a um dos mais destacados estabelecimentos de com\u00e9rcio da cidade do Porto, em Portugal, os <em>Armazens Herm\u00ednios<\/em>, que seguia a forma comercial dos <em>grand magasins<\/em> de Paris, ao melhor estilo do <em>Bon March\u00e9<\/em>, cuja fama chega at\u00e9 n\u00f3s. O an\u00fancio da casa, fundada em 1902 em Pelotas, destaca que \u00e9 a \u201cque primeiro recebe as grandes variedades e modas de Paris\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 1 \u2013 An\u00fancio \u201c<em>Aos Grandes Armazens Herminios\u201d<\/em><\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"8\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: \u00c1lbum de Pelotas, 1922.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c<em>A Moda Elegante<\/em>\u201d \u00e9 outro an\u00fancio que destaca a variedade e luxo das casas de modas da cidade, destacando que \u201ccuja vitrine bem iluminada nada fica a dever <em>\u00e0s<\/em> grandes montras <em>Europ\u00e9as<\/em>\u201d. Tamb\u00e9m localizada na rua 15 de Novembro, \u201cem pleno centro do movimento comercial e social\u201d, como frisa o an\u00fancio no \u00c1lbum.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 2 \u2013 An\u00fancio \u201c<em>A Moda Elegante<\/em>\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: \u00c1lbum de Pelotas, 1922.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presen\u00e7a dos imigrantes no com\u00e9rcio local \u00e9 uma t\u00f4nica importante desde esse per\u00edodo, quando se observa o nome de estabelecimentos, como \u201c<em>A Portuguesa<\/em>\u201d, no Mercado Central, ou \u201c<em>Flor da Syrya<\/em>\u201d, na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica (atual Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio), ou mesmo o nome dos propriet\u00e1rios como Aziz Al-Alan, da casa \u201c<em>A Favorita<\/em>\u201d, na rua Marechal Floriano, ou da casa \u201c<em>Vva. F. Behrensdorf &amp; Cia<\/em>\u201d, outro estabelecimento da rua 15 de Novembro. Evidencia-se assim, que sempre foi comum o com\u00e9rcio praticado pelos imigrantes portugueses, s\u00edrios, libaneses, alem\u00e3es, entre outros que vieram a constituir a elite do com\u00e9rcio em Pelotas.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a das livrarias no \u00c1lbum \u00e9 outro ponto que merece destaque, n\u00e3o apenas pela oferta de variada bibliografia nacional e internacional, como tamb\u00e9m pela edi\u00e7\u00e3o de obras locais e de outros lugares. As livrarias desempenharam um papel importante no desenvolvimento cultural da cidade e gozavam de grande prest\u00edgio pela import\u00e2ncia que tinham no cen\u00e1rio social (ARRIADA, 2012; SEGOVIA, 2014). No \u00c1lbum, os an\u00fancios da \u201cLivraria Universal\u201d, da \u201cLivraria do Globo\u201d e da Livraria Commercial\u201d evidenciam a variedade de produtos dispon\u00edveis aos consumidores, bem como a diversidade de servi\u00e7os incluindo tipografia, impress\u00e3o, doura\u00e7\u00e3o, encaderna\u00e7\u00e3o, entre outros. As livrarias cumpriram um importante papel no acesso \u00e0 leitura e na produ\u00e7\u00e3o editorial, permitindo o desenvolvimento intelectual e a difus\u00e3o da cultura na cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 3 \u2013 An\u00fancio \u201cLivraria Universal\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: \u00c1lbum de Pelotas, 1922.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em termos de localiza\u00e7\u00e3o dos estabelecimentos comerciais, a organiza\u00e7\u00e3o do mapa mostrado na Figura 4, a partir da fonte propiciada pelo \u00c1lbum de Pelotas, demonstrou, em 1922, a prefer\u00eancia pela rua 15 de Novembro, desbancando a rua F\u00e9lix da Cunha na localiza\u00e7\u00e3o dos principais comerciantes. Observa-se que em seguida aparece a escolha das ruas Marechal Floriano, General Os\u00f3rio e 7 de Abril (atual D. Pedro II), entre outras destacadas no \u00c1lbum. Nesses logradouros ir\u00e1 se concentrar boa parte da atividade de com\u00e9rcio e de servi\u00e7os, configurando o centro da cidade de Pelotas. Ali\u00e1s, em estudos anteriores, se demonstrou que essa tend\u00eancia \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o nessa mesma \u00e1rea, perdurou at\u00e9 os anos 1960 e que somente a partir dos anos 1970 \u00e9 que come\u00e7a a surgir, ainda que de forma incipiente, o deslocamento de atividades centrais para o exterior da \u00e1rea original, processo que continuar\u00e1 at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de novas centralidades (LIHTNOV; VIEIRA, 2016).<\/p>\n<p>Alguns endere\u00e7os, como os da rua Andrade Neves, n\u00e3o puderam ser georreferenciados, tendo em vista que os an\u00fancios n\u00e3o continham informa\u00e7\u00f5es completas, ou as ruas onde se localizavam tiveram sua nomenclatura e numera\u00e7\u00e3o alteradas. Al\u00e9m disso, muitos lotes passaram por altera\u00e7\u00f5es, desde ent\u00e3o, na forma do parcelamento do solo. Devido \u00e0 impossibilidade imposta pelas restri\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias decorrentes da pandemia por Covid-19, n\u00e3o foi poss\u00edvel a consulta \u00e0s fontes prim\u00e1rias que poderiam esclarecer tais discrep\u00e2ncias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 4 &#8211; Mapa de localiza\u00e7\u00e3o e da distribui\u00e7\u00e3o de estabelecimentos comerciais no centro de Pelotas, conforme anunciado no \u00c1lbum de Pelotas, de 1922, de acordo com sua classifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fonte: Mapa base da Prefeitura municipal de Pelotas, 2021, editado pelos autores.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"10\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos 47 an\u00fancios que tratam de atividades comerciais, dos quais 30 aparecem no mapa, aqui tamb\u00e9m foram arrolados os an\u00fancios cuja atividade principal anunciada n\u00e3o corresponde \u00e0 atividade comercial varejista ou atacadista O total de an\u00fancios dessa tipologia corresponde a 14, dos quais 9 aparecem no mapa. O principal ramo de atividade encontrado nesses an\u00fancios diz respeito \u00e0 alfaiataria, cuja classifica\u00e7\u00e3o, apesar de ser uma atividade diretamente ligada ao com\u00e9rcio de roupas e de tecidos, tecnicamente, est\u00e1 entre as atividades industriais, mais especificamente relativa \u00e0 ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que diz respeito, entre outras, \u00e0s atividades de confec\u00e7\u00e3o, sob medida, de pe\u00e7as do vestu\u00e1rio. Nesse segmento foram encontrados 7 an\u00fancios. Depois, seguem as atividades de servi\u00e7os propriamente ditas, correspondentes \u00e0s atividades de servi\u00e7os pessoais, caracterizados por 2 barbearias. Outros an\u00fancios se referem \u00e0s atividades de ourives, importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, consult\u00f3rio m\u00e9dico entre outras.<\/p>\n<p>A rua 15 de Novembro foi eternizada na mem\u00f3ria social pelas viv\u00eancias experimentadas pela sociedade da \u00e9poca e traduzidas nas cr\u00f4nicas de jornais e fotografias recorrentes, sempre destacando a modernidade e o desfrute da rua por uma elite que dela se apropriou. O pequeno trecho desta rua, entre a pra\u00e7a da Rep\u00fablica (atual Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio) e a rua Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, foi onde se concentrou o principal com\u00e9rcio da cidade nos idos de 1922, conforme os an\u00fancios observados no \u00c1lbum. Ali estavam lojas de modas, relojoarias, alfaiatarias, bazares, caf\u00e9s, restaurantes e livrarias. Foi o local preferido para a realiza\u00e7\u00e3o dos passeios, dos encontros e de festas, como o carnaval. O trabalho de Devantier (2013) ao analisar a sociabilidade desta rua \u00e9 uma descri\u00e7\u00e3o precisa da apropria\u00e7\u00e3o da rua por uma parte da sociedade identificada com os ideais da modernidade da \u00e9poca. A rua 15 de Novembro concentrou n\u00e3o apenas os estabelecimentos fixos, mas, sobretudo, mobilizou os fluxos de deslocamentos tanto para o consumo no espa\u00e7o das lojas ali localizadas quanto o consumo do espa\u00e7o, representado pelo acesso ao lugar por onde transitava a sociedade dominante na \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas<\/strong><\/p>\n<p>Outro fato importante de se referenciar entre os an\u00fancios contidos no \u00c1lbum de Pelotas de 1922 \u00e9 a alus\u00e3o \u00e0 <em>Associa\u00e7\u00e3o Commercial de Pelotas<\/em>. Respondendo aos anseios da \u00e9poca, um distinto grupo de mercantes locais se articulou em prol do com\u00e9rcio e da ind\u00fastria instituindo, em 7 de setembro de 1873, a Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas. Por decreto, esta mesma institui\u00e7\u00e3o viria a ser considerada de utilidade p\u00fablica pelo governo federal em 2 de janeiro de 1918. Ao longo de sua hist\u00f3ria, a entidade trouxe proeminentes contribui\u00e7\u00f5es ao espa\u00e7o terci\u00e1rio pelotense, atuando como impulsionadora da estrada de ferro na prov\u00edncia, uma poderosa alavanca de desenvolvimento do com\u00e9rcio \u00e0 \u00e9poca. Considerada um dos \u00f3rg\u00e3os de defesa de comerciantes mais antigas do pa\u00eds, a associa\u00e7\u00e3o atuou em benef\u00edcio de projetos que viabilizassem o desenvolvimento econ\u00f4mico e social da regi\u00e3o sul do estado do Rio Grande do Sul, com destaque para a funda\u00e7\u00e3o da Gr\u00e1fica Di\u00e1rio Popular Ltda.; o Centro da Legi\u00e3o Brasileira de Assist\u00eancia de Pelotas; a incorpora\u00e7\u00e3o em seu quadro de s\u00f3cios, em 1919, da Companhia Telef\u00f4nica Melhoramento e Resist\u00eancia (CTMR), atualmente extinta do mercado; a sugest\u00e3o ao Banco do Brasil da cria\u00e7\u00e3o de uma C\u00e2mara de Compensa\u00e7\u00e3o de Cheques, em 1952; a inaugura\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego m\u00fatuo entre a CTMR e a Companhia Telef\u00f4nica Nacional; al\u00e9m da reivindica\u00e7\u00e3o do asfaltamento da rodovia Pelotas-Rio Grande e a constru\u00e7\u00e3o da ponte sobre o canal S\u00e3o Gon\u00e7alo, entre outros de relev\u00e2ncia regional (IBGE, 2021). Desde a inaugura\u00e7\u00e3o de sua sede, em 1942, a associa\u00e7\u00e3o passou a figurar no Edif\u00edcio Pal\u00e1cio do Com\u00e9rcio, situado \u00e0 rua Sete de Setembro, 274. Atualmente, a entidade atua em diferentes segmentos do com\u00e9rcio local, sendo participante ativa nos Conselhos Municipais e no grupo Alian\u00e7a Pelotas, que re\u00fane lideran\u00e7a empresariais da cidade. Cabe destacar ainda a filia\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o de Entidades Empresariais do Rio Grande Sul (FEDERASUL) al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o da Diretoria do Jovem Empreendedor e a Diretoria das Mulheres Empreendedoras, em 2017, a\u00e7\u00f5es que tiveram por objetivo aproximar jovens empreendedores do protagonismo empresarial e comercial da regi\u00e3o. (ACP, 2021).<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o, desde seu in\u00edcio mostrou a for\u00e7a do empresariado comercial local, sendo capaz de articular n\u00e3o apenas o desenvolvimento do com\u00e9rcio, propriamente dito, mas tamb\u00e9m de uma s\u00e9rie de melhorias para a cidade e a regi\u00e3o. Por outro lado, h\u00e1 que se destacar, que pouco se v\u00ea na obra em an\u00e1lise acerca dos comerci\u00e1rios, importante for\u00e7a de trabalho imprescind\u00edvel para o sucesso das atividades aqui destacadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Clube Comercial de Pelotas<\/strong><\/p>\n<p>Ainda, atesta a grandiosidade do empresariado comercial local o Clube Comercial de Pelotas. O Clube Comercial tem como marco de funda\u00e7\u00e3o a data de 17 de agosto de 1881, tendo na figura de Francisco Alsina seu primeiro presidente. Cabe destacar que a institui\u00e7\u00e3o foi concebida com o prop\u00f3sito de ser um espa\u00e7o eminentemente masculino, pressuposto que foi superado ao longo do tempo. A primeira sede do Clube localizava-se na antiga Pra\u00e7a D. Pedro II, 106 (atual Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio) onde atualmente est\u00e1 situado o Clube Caixeiral, espa\u00e7o utilizado at\u00e9 outubro de 1888, quando se transferiu para a sua atual sede, situada na rua F\u00e9lix da Cunha, 663, esquina com a rua General Neto. Transcorridos quase um s\u00e9culo e meio de hist\u00f3ria, o clube viu seus dias gloriosos ficarem no passado.<\/p>\n<p>Tombado no ano de 1983 como patrim\u00f4nio cultural da cidade de Pelotas, o pr\u00e9dio hist\u00f3rico que abriga a sede da institui\u00e7\u00e3o sofre com a a\u00e7\u00e3o do tempo e falta de reparos adequados. O clube que chegou a ter milhares de s\u00f3cios, j\u00e1 no ano de 2015, contava com apenas 80 s\u00f3cios efetivos, fator que afetou diretamente sua monetiza\u00e7\u00e3o de modo que, em novembro de 2019, o clube foi for\u00e7ado a fechar suas portas. Atualmente o clube enfrenta in\u00fameras adversidades em busca de recursos que viabilizem as reformas estruturais necess\u00e1rias \u00e0 reabertura de sua sede (DI\u00c1RIO POPULAR, 2020).<\/p>\n<p>No \u00c1lbum de 1922 as fotografias exibem o luxo e a beleza do Clube, expondo seus suntuosos sal\u00f5es de baile, de leitura, de bilhar, entre outros. A vista geral do clube exalta a beleza da fachada de esquina, com destaque para o local onde funcionava o correio. As belas colunas internas da Grande Galeria aparecem adornadas por exuberantes cortinas, tapete e mobili\u00e1rio destacado. O sagu\u00e3o e a escadaria da entrada s\u00e3o mostrados tamb\u00e9m em destaque. At\u00e9 mesmo os corredores do clube ostentam mobili\u00e1rio digno de nota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Figura 5 \u2013 Clube Comercial de Pelotas<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td width=\"7\"><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: \u00c1lbum de Pelotas, 1922.<\/p>\n<p>Trata-se de um conjunto de fotografias que representam muito bem a import\u00e2ncia do com\u00e9rcio para a cidade e da atividade dos comerciantes, enaltecidas em seu principal clube.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es Finais<\/strong><\/p>\n<p>Os an\u00fancios contidos no \u00c1lbum de Pelotas permitem uma an\u00e1lise muito rica n\u00e3o apenas das atividades comerciais e correlatas, ali presentes, mas tamb\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o do centro da cidade. Do mesmo modo, s\u00e3o reveladoras de importantes aspectos da sociedade pelotense \u00e0 \u00e9poca, deixando claro seus h\u00e1bitos com rela\u00e7\u00e3o ao consumo e o aparato a ele associado. A riqueza de detalhes das fotografias ao revelar as fachadas dos pr\u00e9dios, o entorno no qual est\u00e3o inseridos, permite concluir acerca da qualidade do espa\u00e7o urbano. Por outro lado, a imagem do interior dos estabelecimentos, permite inferir sobre a organiza\u00e7\u00e3o e a forma de apresenta\u00e7\u00e3o dos produtos, entre outros elementos do consumo. Tudo isso, constituiu um raro exemplar de mem\u00f3rias da cidade, que nos permite, ent\u00e3o, analisar as rela\u00e7\u00f5es sociais existentes no per\u00edodo e melhor compreender as perman\u00eancias que encontramos na atualidade e as rupturas que se geraram ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Certamente que as imagens cont\u00eam muito mais informa\u00e7\u00f5es do que foi poss\u00edvel revelar neste espa\u00e7o, deixando claro para estudiosos e pesquisadores que o \u00c1lbum de Pelotas de 1922 se constitui em uma fonte muito rica, que merece ser profundamente explorada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>ACP. <em>Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas<\/em>. ACP, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/acpelotas.com.br\/. Acesso em 29\/08\/2021.<\/p>\n<p>ARRIADA, Eduardo. Livrarias e editoras no Rio Grande do Sul: o campo editorial do livro did\u00e1tico. <em>35\u00aa. Reuni\u00e3o Anual da ANPED<\/em>, Ipojuca, PE, 2012. Dispon\u00edvel em: https:\/\/anped.org.br\/biblioteca\/item\/livrarias-e-editoras-no-rio-grande-do-sul-o-campo-editorial-do-livro-didatico. Acesso em 30\/08\/2021.<\/p>\n<p>DE BEM, Emmanuel. Popula\u00e7\u00e3o. In: LONER, Beatriz Ana; GILL, Lorena Almeida; MAGALH\u00c3ES, M\u00e1rio Os\u00f3rio (org.) <em>Dicion\u00e1rio de Hist\u00f3ria de Pelotas.<\/em> 2.ed. Pelotas: Editora da UFPEL, 2012. 295 p.<\/p>\n<p>DEVANTIER, Vanessa. <em>Vis\u00f5es do urbano<\/em>. A Rua XV de Novembro, Pelotas\/RS. 2013. 198 p. Disserta\u00e7\u00e3o (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural). Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Pelotas, 2013.<\/p>\n<p>DI\u00c1RIO POPULAR &#8211; Clube Comercial reabrir\u00e1 as portas em tr\u00eas meses (20\/07\/2020). Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.diariopopular.com.br\/geral\/clube-comercial-reabrira-as-portas-em-tres-meses-152945\/? \/. Acesso em 29\/08\/2021.<\/p>\n<p>GON\u00c7ALVES, Mariana Couto. <em>\u201cAndei, sempre tendo o que ver e ainda n\u00e3o fora visto\u201d: a moderniza\u00e7\u00e3o urbana pelotense a partir de cr\u00f4nicas e fotografias (1912-1930)<\/em>. 2018. 283 p. Tese (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria). Universidade do Vale do Rio dos Sinos, S\u00e3o Leopoldo, 2018.<\/p>\n<p>IBGE. <em>Biblioteca<\/em>. IBGE, 2021. Dispon\u00edvel em: https:\/\/biblioteca.ibge.gov.br\/biblioteca-catalogo.html?id=445809&amp;view=detalhes. Acesso em 30\/08\/2021.<\/p>\n<p>IBGE. <em>Classifica\u00e7\u00e3o Nacional de Atividades Econ\u00f4mica. Vers\u00e3o 2.0<\/em>. IBGE, 2021b. Dispon\u00edvel em: https:\/\/concla.ibge.gov.br\/classificacoes\/por-tema\/atividades-economicas\/classificacao-nacional-de-atividades-economicas. Acesso em 30\/08\/2021.<\/p>\n<p>LIHTNOV, Dione Dutra; VIEIRA, Sidney Gon\u00e7alves. Localiza\u00e7\u00e3o comercial no tempo e no espa\u00e7o: din\u00e2mica na cidade de Pelotas, RS. In: V Col\u00f3quio Internacional sobre Com\u00e9rcio e Cidade. 2016, S\u00e3o Paulo. <em>Anais do V Col\u00f3quio internacional sobre Com\u00e9rcio e Cidade.<\/em> S\u00e3o Paulo: 2016.Dispon\u00edvel em: http:\/\/www.labcom.fau.usp.br\/?evento=v-cincci. Acesso em: 27\/08\/2021.<\/p>\n<p>PELOTAS. <em>Lei N\u00ba 5.502, de 11 de setembro de 2008<\/em>, institui o Plano Diretor Municipal e estabelece as diretrizes e proposi\u00e7\u00f5es de ordenamento e desenvolvimento territorial no Munic\u00edpio de Pelotas. Pelotas: C\u00e2mara Municipal [2008]. Dispon\u00edvel em: https:\/\/pelotas.com.br\/servicos\/gestao-da-cidade\/plano-diretor. Acesso em 27\/08\/2021.<\/p>\n<p>RIBEIRO, Francine; VIEIRA, Sidney. O zoneamento urbano como estrat\u00e9gia de preserva\u00e7\u00e3o da paisagem cultural do centro hist\u00f3rico de Pelotas, RS. <em>Revista de Geografia e Ordenamento do Territ\u00f3rio (GOT)<\/em>, Porto, Portugal: Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Territ\u00f3rio. n. 6 (dez.), p. 283-303, 2014.<\/p>\n<p>SEGOVIA, Gigliane Ferreira. O papel desempenhado pela Livraria Universal na cidade de Pelotas no per\u00edodo de 1887 a 1934. 2014, 122 p. Disserta\u00e7\u00e3o (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o). Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Pelotas, 2014.<\/p>\n<p>VIEIRA, Sidney Gon\u00e7alves. <em>A Cidade e seu Centro<\/em>. Curitiba: Appris, 2020. 291 p.<\/p>\n<p>VIEIRA, Sidney Gon\u00e7alves. <em>A cidade fragmentada.<\/em> O planejamento urbano e a segrega\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano em Pelotas. Pelotas: Ed. da UFPEL, 2005. 238 p.<\/p>\n<p>VILA\u00c7A, Fl\u00e1vio. <em>Espa\u00e7o intra-urbano no Brasil<\/em>. S\u00e3o Paulo: Studio Nobel; FAPESP; Lincoln Institute, 1988. 373 p.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Trabalho realizado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico\u2013CNPq<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Professor Titular do Departamento de Geografia, Coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos Urbanos e Regionais, UFPEL, Membro da Rede Brasileira de Estudos Geogr\u00e1ficos sobre Com\u00e9rcio e Consumo.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> Coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos Urbanos e Regionais, UFPEL, Membro da Rede Brasileira de Estudos Geogr\u00e1ficos sobre Com\u00e9rcio e Consumo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS ATIVIDADES COMERCIAIS NO \u00c1LBUM DE PELOTAS DE 1922[1] &nbsp; Sidney Gon\u00e7alves Vieira[2] Dione Dutra Lihtnov[3] Apresenta\u00e7\u00e3o O presente texto faz uma an\u00e1lise dos an\u00fancios contidos no \u00c1lbum de Pelotas de 1922, referentes \u00e0s atividades de com\u00e9rcio, de servi\u00e7os e outras de natureza semelhante ali anunciadas, bem como acerca da Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas e &hellip; <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/atlas-do-comercio-de-pelotas\/o-comercio-em-pelotas-em-1922\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O Com\u00e9rcio em Pelotas em 1922<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":486,"featured_media":0,"parent":1002,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"footnotes":""},"class_list":["post-1074","page","type-page","status-publish","hentry"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/P6IcND-hk","jetpack-related-posts":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/486"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1074"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1074\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1078,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1074\/revisions\/1078"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leurengeo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}