{"id":69,"date":"2025-10-23T15:31:43","date_gmt":"2025-10-23T18:31:43","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/?p=69"},"modified":"2025-10-23T15:31:43","modified_gmt":"2025-10-23T18:31:43","slug":"estradas-nao-pavimentadas-reformas-e-manutencoes-projetadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/2025\/10\/23\/estradas-nao-pavimentadas-reformas-e-manutencoes-projetadas\/","title":{"rendered":"ESTRADAS N\u00c3O PAVIMENTADAS \u2013 \u201cReformas e Manuten\u00e7\u00f5es Projetadas\u201d"},"content":{"rendered":"<p>A din\u00e2mica operacional para constru\u00e7\u00e3o, reforma e manuten\u00e7\u00e3o de estradas n\u00e3o pavimentadas \u00e9 uma obra de engenharia, que envolvem conhecimentos de geotecnia, de geotecnologias, de log\u00edsticas, de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de gest\u00e3o p\u00fablica. A intera\u00e7\u00e3o desse conjunto de conhecimentos devem interagir em um processo integrado para promover uma obra sustent\u00e1vel economicamente e ambientalmente, como agente de desenvolvimento social das comunidades presentes nesse meio. Elas s\u00e3o amplamente dispon\u00edveis a t\u00e9cnicos das \u00e1reas de Engenharia, para elabora\u00e7\u00e3o de projetos bases, projetos detalhados e controle operacional para execu\u00e7\u00e3o da obra.<\/p>\n<p>Outra divis\u00e3o que deve ser entendida \u00e9 a localiza\u00e7\u00e3o de estradas ou de vias n\u00e3o pavimentadas, como parte da rotina no meio rural, ou no meio urbano. Os par\u00e2metros de projeto s\u00e3o semelhantes, com algumas adapta\u00e7\u00f5es de projeto. Essa divis\u00e3o ir\u00e1 trazer a import\u00e2ncia da capacidade t\u00e9cnica do Engenheiro que ir\u00e1 acompanhar a din\u00e2mica envolvendo estradas n\u00e3o pavimentadas.<\/p>\n<p>No meio Rural, devido \u00e0 complexidade envolvendo os sistemas produtivos agr\u00edcolas e capacidade de escoamento de produ\u00e7\u00e3o, os(as) Engenheiros(as) Agr\u00edcolas \u00e9 capaz de apresentar em suas especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas capacidade de atender a rede de estradas n\u00e3o pavimentadas, tanto na log\u00edstica de movimenta\u00e7\u00e3o de equipamentos dentro de uma propriedade agr\u00edcola, como em um munic\u00edpio, trazendo qualidade de gest\u00e3o e do parque de maquinas.<\/p>\n<p>J\u00e1 no meio urbano, faz-se necess\u00e1rio um conhecimento maior de urbanismo, estar envolvido junto \u00e0 conhecimentos relacionados ao plano diretor do mun\u00edcipio, assim como ao marco legal de saneamento. Entre as especifica\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, destaca-se a adequa\u00e7\u00e3o dos(as) Engenheiros(as) Civis e dos(as) Engenheiros(as) Ambientais e Sanit\u00e1rios, inseridos(as) \u00e0 equipe urban\u00edstica do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>Considerando uma obra de Engenharia, estradas n\u00e3o pavimentadas se diferencia de estradas pavimentadas, principalmente devido ao tipo de revestimento localizado no topo da plataforma. J\u00e1 par\u00e2metros construtivos s\u00e3o muito semelhantes aos projetos de estradas pavimentadas, como o estudo de geometria dos perfis transversais e longitudinais, e o estudo da rede de drenagem em que a estrada est\u00e1 inserida.<\/p>\n<p>A terra colocada no formato de um aterro para construir a plataforma da estrada, reage com a \u00e1gua da chuva, devido as composi\u00e7\u00f5es mineral\u00f3gica do solo de origem, atribuindo uma s\u00e9rie de resposta quando utilizada como pavimento. Geotecnicamente o solo como revestimento \u00e9 classificado conforme a presen\u00e7a de material grosso (part\u00edculas de tamanho pedregulho, areia grossa, areia m\u00e9dia e areia fina) e material fino (part\u00edculas de tamanho Silte e argila). Um dos fatores primordiais para um bom revestimento \u00e9 conhecer a estabilidade granulom\u00e9trica do material, ou seja, apresentar uma boa gradua\u00e7\u00e3o entre todos os tamanhos de part\u00edculas presente no solo, para revestimento de estradas. J\u00e1 o comportamento do fino deve ser estudo, para verificar a aptid\u00e3o do material como pavimento, pois se ao entrar em contato com a agua, o material fica mole, todas os par\u00e2metros de obras ser\u00e3o prejudicados em momentos que esse pavimento sofrer excesso de carregamento pelo tr\u00e1fego. A forma mais adequada dessa verifica\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizar o m\u00e9todo MCT (Miniatua, Compacto, Tropical) para classificar a capacidade de suporte de carga do material fino.<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 de fundamental import\u00e2ncia a preocupa\u00e7\u00e3o de um munic\u00edpio em utilizar materiais adequados, tanto para aquisi\u00e7\u00e3o de revestimentos, como para identifica\u00e7\u00e3o e licenciamento operacional de uma nova jazida de retirada de revestimento solo, mais conhecidas como \u201csaibreiras\u201d ou \u201ccascalheiras\u201d. A aprova\u00e7\u00e3o da utiliza\u00e7\u00e3o de material deve ser registrada quanto aos seu par\u00e2metros t\u00e9cnicos de capacidade de uso.<\/p>\n<p>Para um pavimento constru\u00eddo e com longevidade dos par\u00e2metros projetados, a preocupa\u00e7\u00e3o principal \u00e9 n\u00e3o permitir o acumulo de \u00e1gua parada sobre a plataforma, que seja capaz de conduzir a \u00e1gua que cai na plataforma at\u00e9 a valeta lateral, na menor dist\u00e2ncia transversal poss\u00edvel, sem ocorra carregamento de revestimento. Esses par\u00e2metros s\u00e3o identificados a partir de projetos dos perfis longitudinais e transversais. De forma transversal, \u00e9 poss\u00edvel identificar a melhor inclina\u00e7\u00e3o do centro do eixo central da plataforma at\u00e9 o in\u00edcio da inclina\u00e7\u00e3o do lateral da valeta, os par\u00e2metros de projeto da valeta e da inclina\u00e7\u00e3o de corte do talude lateral. J\u00e1 o perfil longitudinal, s\u00e3o apresentadas as inclina\u00e7\u00f5es verticais, \u00e2ngulos de curvas horizontais e verticais, al\u00e9m do dimensionamento de obras-de-arte, como a localiza\u00e7\u00e3o de desaguadouros e\/ou bacias de conten\u00e7\u00e3o junto \u00e0s valetas laterais.<\/p>\n<p>Em estudos da localiza\u00e7\u00e3o da estrada junto \u00e0s \u00e1reas da rede drenagem natural do terreno \u00e9 poss\u00edvel identificar: a estrada localizada em pontos de divisor de \u00e1gua ou localizada onde corta pontos de concentra\u00e7\u00e3o de fluxo preferencial original do terreno. Essa identifica\u00e7\u00e3o possibilita ao projetista utilizar de par\u00e2metros de engenharia para dimensionar pontos de passagem da \u00e1gua sob ou sobre a plataforma, ou projetar pontos de refor\u00e7o da capacidade da plataforma em receber uma quantidade expressiva de fluxo de \u00e1gua da \u00e1rea de drenagem da bacia. Isso transforma as valetas laterais como um exut\u00f3rio da bacia, podendo classificar as valetas a montante e a jusante, as quais devem ser identificadas e projetadas para uma adequada manuten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas vistorias da equipe formada pela Plataforma Colaborativa Sul \u2013 <em>Mitiga\u00e7\u00e3o de Efeitos Clim\u00e1ticos na Agropecu\u00e1ria<\/em>, usada para diagnosticar os impactos dos eventos ocorridos no Rio Grande do Sul, principalmente ap\u00f3s os desastres provocados em Maio de 2024, algumas considera\u00e7\u00f5es foram visualizadas, do efeito do posicionamento das estradas na paisagem, e como parte de grande relev\u00e2ncia em promover ou intensificar ocorr\u00eancia de deslizamento em regi\u00f5es de encosta.<\/p>\n<p>Um do principais fatores est\u00e1 direcionado, principalmente, no posicionamento da estrada na paisagem. Foram verificadas estradas rurais n\u00e3o pavimentadas, localizadas em regi\u00f5es de encosta de regi\u00f5es muito onduladas, cortando fluxo de zonas de converg\u00eancia h\u00eddrica, corte de taludes em regi\u00f5es de alta declividade, formando um vazio hidrodin\u00e2mico de fluxo preferencial. Na vistoria, uma das indica\u00e7\u00f5es \u00e9 realoca\u00e7\u00e3o das estradas, quando analisada a possibilidade de recorr\u00eancia hidrol\u00f3gica dos eventos clim\u00e1ticos intensos. No entanto, a complexidade de reformula\u00e7\u00e3o da paisagem j\u00e1 posta \u00e9 um desafio de longo prazo, e as a\u00e7\u00f5es devem ser programadas de imediato.<\/p>\n<p>Considerando a capacidade t\u00e9cnica dos operadores e as possibilidades de utiliza\u00e7\u00e3o de geotecnologias, o estado deve trabalhar de forma intensa na capacidade de mapeamento de estradas n\u00e3o pavimentadas. A forma\u00e7\u00e3o dessa malha j\u00e1 fornecer\u00e1 possibilidade de identificar pontos de fragilidades quando acoplados em banco de dados georefernciados dos mapas geol\u00f3gicos, geomorfol\u00f3gicos e pedol\u00f3gicos, j\u00e1 dispon\u00edveis por \u00f3rg\u00e3os competentes como CPRM e EMBRAPA. Esse trabalho deve ser executado por uma equipe composta por Engenheiros Cartogr\u00e1ficos, Engenheiros Agr\u00edcolas, Engenheiros Ambientais, Engenheiros H\u00eddricos, Engenheiros Geol\u00f3gicos, T\u00e9cnicos em Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto.<\/p>\n<p>Uma indica\u00e7\u00e3o como base de governan\u00e7a \u00e9 o projeto desenvolvido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de S\u00e3o Paulo. Pela Resolu\u00e7\u00e3o SAA n\u00ba 17, de 10 de mar\u00e7o de 2021. Esse estabelece crit\u00e9rios t\u00e9cnicos para implementa\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o dos Munic\u00edpios Paulistas ao programa \u201cCidadania no Campo \u2013 Rotas Rurais\u201d. Basicamente, o objetivo principal \u00e9 fornecer endere\u00e7amento \u00e0s propriedades rurais, e facilitar acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos junto ao meio rural. Esse programa \u00e9 operacionalizado pelo Instituto de Economia Agr\u00edcola e com coopera\u00e7\u00e3o da Coordenadoria de Assist\u00eancia T\u00e9cnica Integral (CATI). Contudo, h\u00e1 uma s\u00e9rie de crit\u00e9rios de conserva\u00e7\u00e3o de estradas e de disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es que possibilitam uma melhor qualidade de vida as comunidades rurais. Tamb\u00e9m, fornece aos munic\u00edpios maior capacidade t\u00e9cnica de planejamento, possibilitando uma redu\u00e7\u00e3o nesse disp\u00eandio or\u00e7ament\u00e1rio.<\/p>\n<p>Como demonstrado anteriormente, n\u00e3o basta mais entregar aos munic\u00edpios equipamentos como motoniveladoras e retroescavadeiras, al\u00e9m de contrata\u00e7\u00e3o de horas m\u00e1quina, sem que o operacional dessa obra de engenharia seja projetado. Hoje, o sistema operacional estabelecido na maioria dos mun\u00edcipios \u00e9 o que em alguns lugares foi denominado de \u201cmanuten\u00e7\u00e3o paliativa\u201d, onde s\u00e3o utilizadas as raspagens pela l\u00e2mina da patrola e movimenta\u00e7\u00e3o de solo desagregado para corre\u00e7\u00e3o do grade. Tamb\u00e9m, h\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o de revestimento sem crit\u00e9rios t\u00e9cnicos da aptid\u00e3o de uso do solo para estradas n\u00e3o pavimentadas. Em muitos casos o durabilidade do operacional \u00e9 limitado pela ocorr\u00eancia de chuva. Podemos denominar como o ciclo b\u00e1sico de durabilidade (Figura 1) das manuten\u00e7\u00f5es promovidas pelos munic\u00edpios.<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-medium wp-image-71 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-1-400x107.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"107\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-1-400x107.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-1.png 565w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Figura 1 \u2013 Ciclo b\u00e1sico do sistema operacional para manuten\u00e7\u00e3o de estradas n\u00e3o pavimentadas adotado pela maioria dos munic\u00edpios da regi\u00e3o sul do RS<\/p>\n<p>Fonte Autor<\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o e os agentes p\u00fablico tem uma falsa expectativa de que a melhor forma de garantir estradas n\u00e3o pavimentadas em boas condi\u00e7\u00f5es de trafegabilidade. Para que esse ciclo ocorra de forma constante e com qualidade operacional a prefeitura deve oferecer maquin\u00e1rio para cumprir com essa demanda. No entanto, com munic\u00edpios com uma rede extensa de quilometragem de estradas n\u00e3o pavimentadas, parece ser uma pr\u00e1tica operacional sem sustentabilidade e, tamb\u00e9m, sem atender as expectativas t\u00e9cnicas de uma obra de engenharia.<\/p>\n<p>A proposta de uma equipe trabalhando especificamente para atender \u00e9 de transformar o ciclo b\u00e1sico operacional em um ciclo ideal projetado (Figura 2). Nele ser\u00e3o utilizadas pr\u00e1ticas projetadas parar interven\u00e7\u00e3o e corre\u00e7\u00e3o de patologias de estradas n\u00e3o pavimentadas, considerando crit\u00e9rios t\u00e9cnicos de utiliza\u00e7\u00e3o de revestimento carregado e espalhado nas estradas. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel a buscar um ciclo ideal para as pr\u00e1ticas operacionais de estradas n\u00e3o pavimentadas nos munic\u00edpios.<\/p>\n<p><img class=\"size-medium wp-image-72 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-2-400x158.png\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-2-400x158.png 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/leas\/files\/2025\/10\/fig-2.png 561w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>Figura 2 \u2013 Ciclo ideal projetado do sistema operacional para manuten\u00e7\u00e3o de estradas n\u00e3o pavimentadas proposta para os munic\u00edpios do RS<\/p>\n<p>Fonte Autor<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A din\u00e2mica operacional para constru\u00e7\u00e3o, reforma e manuten\u00e7\u00e3o de estradas n\u00e3o pavimentadas \u00e9 uma obra de engenharia, que envolvem conhecimentos de geotecnia, de geotecnologias, de log\u00edsticas, de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e de gest\u00e3o p\u00fablica. 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