{"id":365,"date":"2013-11-05T21:20:38","date_gmt":"2013-11-05T23:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/?p=365"},"modified":"2013-11-05T21:20:38","modified_gmt":"2013-11-05T23:20:38","slug":"ate-onde-as-pressoes-de-trabalho-podem-levar-onda-de-suicidios-na-policia-federal-brasileira-surpreende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/ate-onde-as-pressoes-de-trabalho-podem-levar-onda-de-suicidios-na-policia-federal-brasileira-surpreende\/","title":{"rendered":"At\u00e9 onde as press\u00f5es de trabalho podem levar: onda de suic\u00eddios na Pol\u00edcia Federal brasileira surpreende"},"content":{"rendered":"<p class=\"bodytext_justify\">Uma not\u00edcia veiculada na revista <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.istoe.com.br\/\">Isto \u00c9<\/a> de Agosto impressiona pelo seu conte\u00fado, o qual trata dos su\u00edcidios associados \u00e0s press\u00f5es no trabalho. Os n\u00fameros apresentados na reportagem surpreendem, mesmo se comparados aqueles normalmente relatados nas regi\u00f5es atreladas ao cultivo do fumo e produ\u00e7\u00e3o de cigarros.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify\">A reportagem nos instiga perguntar se esta realidade da Pol\u00edcia Federal \u00e9 um caso isolado ou se podemos encontrar panoramas similares em outros setor de atividade econ\u00f4mica. Certamente, quest\u00f5es neste campo de conhecimento inspiram uma \u00f3tima pesquisa acad\u00eamica e de enorme relev\u00e2ncia social. N\u00e3o deixem de ler. Boa leitura!!<\/p>\n<div id=\"attachment_366\" style=\"width: 576px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-366\" data-attachment-id=\"366\" data-permalink=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/ate-onde-as-pressoes-de-trabalho-podem-levar-onda-de-suicidios-na-policia-federal-brasileira-surpreende\/suicidios_pf_brasil\/\" data-orig-file=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil.jpg\" data-orig-size=\"640,443\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;}\" data-image-title=\"suicidios_pf_brasil\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;condi\u00e7\u00f5es de trabalho levantadas na pesquisa surpreendem&lt;\/p&gt;\n\" data-medium-file=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil-300x207.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil.jpg\" class=\" wp-image-366 \" alt=\"Dados levantados em pesquisa surpreendem\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil.jpg\" width=\"576\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil.jpg 640w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/files\/2013\/11\/suicidios_pf_brasil-300x207.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-366\" class=\"wp-caption-text\">condi\u00e7\u00f5es de trabalho levantadas na pesquisa surpreendem<\/p><\/div>\n<p class=\"bodytext_justify_i\"><\/br><strong>ONDA DE SUIC\u00cdDIOS ASSUTA<\/strong><\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\"><strong>Em um ano, 11 agentes da PF tiraram a pr\u00f3pria vida. Atualmente, policiais morrem mais por suic\u00eddio do que durante combate ao crime. Conhe\u00e7a as poss\u00edveis causas desse cen\u00e1rio dram\u00e1tico<\/strong><\/br><\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Vista do lado de fora, a Pol\u00edcia Federal \u00e9 uma refer\u00eancia no combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o e ainda representa a elite de uma categoria cada vez mais imprescind\u00edvel para a sociedade. Vista por dentro, a imagem \u00e9 antag\u00f4nica. A PF passa por sua maior crise interna j\u00e1 registrada desde a d\u00e9cada de 90, quando come\u00e7ou a ganhar notoriedade. Os efeitos disso n\u00e3o est\u00e3o apenas na queda abrupta do n\u00famero de inqu\u00e9ritos realizados nos \u00faltimos anos, que caiu 26% desde 2009. Est\u00e3o especialmente na triste hist\u00f3ria de quem precisou enterrar familiares policiais que usaram a arma de trabalho para tirar a pr\u00f3pria vida. Nos \u00faltimos dez anos, 22 agentes da Pol\u00edcia Federal cometeram suic\u00eddio, sendo que 11 deles aconteceram entre mar\u00e7o de 2012 e mar\u00e7o deste ano: quase um morto por m\u00eas. O desespero que leva o ser humano a tirar a pr\u00f3pria vida mata mais policiais do que as opera\u00e7\u00f5es de combate ao crime. Em 40 anos, 36 policiais perderam a vida no cumprimento da fun\u00e7\u00e3o. Para tra\u00e7ar o cen\u00e1rio de press\u00f5es e desespero que levou policiais ao suic\u00eddio, ISTO\u00c9 conversou com parentes e colegas de trabalho dos mortos. O teor dos depoimentos converge para um ponto comum de press\u00e3o excessiva e ambiente de trabalho sem boas perspectivas de melhoria.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Uma pesquisa realizada pela Universidade de Bras\u00edlia (UnB) no ano passado mostrou que por tr\u00e1s do colete preto, do distintivo, dos \u00f3culos escuros e da m\u00edstica que transformou a PF no \u00edcone de pol\u00edcia de elite existe um quatro grave. Depress\u00e3o e s\u00edndrome do p\u00e2nico s\u00e3o doen\u00e7as que atingem um em cada cinco dos nove mil agentes da Pol\u00edcia Federal. Em um dos itens da pesquisa, 73 policiais foram questionados sobre os motivos das licen\u00e7as m\u00e9dicas. Nada menos do que 35% dos entrevistados responderam que os afastamentos foram decorrentes de transtornos mentais como depress\u00e3o e ansiedade. \u201cO grande problema \u00e9 que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso. Acreditamos que o problema est\u00e1 na estrutura da pr\u00f3pria pol\u00edcia\u201d, diz uma das pesquisadoras da UnB, a psic\u00f3loga Fernanda Duarte.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">O drama dos familiares dos policiais que se suicidaram est\u00e1 distribu\u00eddo nos quatro cantos do Pa\u00eds. A \u00faltima morte registrada em 2013 ainda causa espanto nas superintend\u00eancias de Roraima, onde L\u00facio Mauro de Oliveira Silva, 38 anos, trabalhou entre dezembro do ano passado e mar\u00e7o deste ano. Mauro deixou a noiva no Rio de Janeiro para iniciar sua vida de agente da PF em Pacaraima, cidade a 220 quil\u00f4metros de Boa Vista. Nos 60 dias em que trabalhou como agente da PF, usou o sal\u00e1rio de R$ 5 mil l\u00edquidos para dar entrada em financiamento de uma casa e um carro. O sonho da nova vida acabou com um tiro na boca, na frente da noiva. Cinco meses se passaram desde a morte de Mauro e o cora\u00e7\u00e3o de sua m\u00e3e, Olga Oliveira Silva, permanece confuso e destro\u00e7ado. \u201cA Federal sabia que ele n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de trabalhar na fronteira. Meia hora antes de morrer, ele me ligou e disse: Mainha, eu amo a senhora. Perdoa eu ter vindo pra c\u00e1 sem ter me despedido\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Relatos de colegas de Mauro d\u00e3o conta que ele chegou a sofrer ass\u00e9dio moral pela pouca produtividade, situa\u00e7\u00e3o mais frequente do que se poderia imaginar. Como ele, cerca de 50% dos agentes federais j\u00e1 chegaram a relatar casos de ass\u00e9dio praticados por superiores hier\u00e1rquicos. Essas ocorr\u00eancias, aliadas a fatores gen\u00e9ticos, \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de cada um e \u00e0 falta de perspectivas profissionais, s\u00e3o tratadas por especialistas como desencadeadoras dos dist\u00farbios mentais. \u201cA forma como a estrutura da pol\u00edcia est\u00e1 montada tem causado sofrimento patol\u00f3gico em parte dos agentes. H\u00e1 dificuldades para enfrentar a organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica do trabalho. As pessoas, na maioria das vezes, sofrem de sentimentos de desgaste, inutilidade e falta de reconhecimento. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil fazer uma liga\u00e7\u00e3o desse cen\u00e1rio com as doen\u00e7as mentais\u201d, afirma Dayane Moura, advogada de tr\u00eas fam\u00edlias de agentes que desenvolveram doen\u00e7as ps\u00edquicas.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Os dist\u00farbios mentais e a ocorr\u00eancia de depress\u00e3o em policiais s\u00e3o geralmente invis\u00edveis para a estrutura da Pol\u00edcia Federal. De acordo com o Sindicato dos Policiais do Distrito Federal, h\u00e1 apenas cinco psic\u00f3logos para uma corpora\u00e7\u00e3o de mais de dez mil pessoas. N\u00e3o h\u00e1 vagas para consultas e tampouco acompanhamento dos casos. Foi nessa obscuridade que a doen\u00e7a do agente Fernando Spuri Lima, 34 anos, se desenvolveu. Quando foi encontrado morto com um tiro na cabe\u00e7a, em julho do ano passado, a Pol\u00edcia Federal chegou a cogitar um caso de vingan\u00e7a de bicheiros, uma vez que ele tinha participado da Opera\u00e7\u00e3o Monte Carlo. Dias depois, entretanto, descobriu-se que Spuri enfrentava uma depress\u00e3o severa h\u00e1 meses. O pai do agente, Fernando Antunes Lima, reclama da falta de estrutura para um atendimento psicol\u00f3gico no departamento de pol\u00edcia. \u201cOs chefes est\u00e3o esperando quantas mortes para tomar uma a\u00e7\u00e3o? Isso \u00e9 desumano e criminoso\u201d, diz ele. <\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">O drama de quem perdeu um familiar por suic\u00eddio n\u00e3o se limita aos jovens na faixa dos 30 anos. Faltavam dois anos para \u00canio Seabra Sobrinho, baseado em Belo Horizonte, se aposentar do cargo de agente da Pol\u00edcia Federal. Com hist\u00f3rico de transtorno psicol\u00f3gico, o policial j\u00e1 havia comunicado \u00e0 chefia que n\u00e3o se sentia bem. Solicitou, formalmente, ajuda. Em resposta, a PF mandou dois agentes \u00e0 sua casa para confiscar sua arma. Seabra foi ent\u00e3o transferido para o plant\u00e3o de 24 horas, quando o policial realiza fun\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s de um vigia predial. A miss\u00e3o \u00e9 considerada um castigo, pois n\u00e3o exige qualquer treinamento. No dia 14 de outubro de 2012, Seabra se matou, aos 49 anos. Apesar de estar perto da aposentadoria, a fam\u00edlia recebe pens\u00e3o proporcional com valor R$ 2 mil menor do que os vencimentos do agente, na ativa.<\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Fruto de uma especial combina\u00e7\u00e3o de fatores negativos, internos e externos, o suic\u00eddio nunca foi uma trag\u00e9dia de f\u00e1cil explica\u00e7\u00e3o para a \u00e1rea m\u00e9dica nem para estudiosos da vida social. Lembrando que toda sociedade, em qualquer \u00e9poca, tem como finalidade essencial defender a vida de seus integrantes, o soci\u00f3logo \u00c9mile Durkheim (1858-1917) demonstrou que o suic\u00eddio \u00e9 a express\u00e3o mais grave de fracasso de uma comunidade e que raramente pode ser explicado por uma raz\u00e3o \u00fanica. Ainda que seja errado apontar para responsabilidades individuais, a trag\u00e9dia chegou a um n\u00edvel muito grande, o que cobra uma resposta de cada parcela do Estado brasileiro que convive com esse drama.<\/br><\/p>\n<p class=\"bodytext_justify_i\">Fonte: <a target=\"_blank\" href=\"http:\/\/www.istoe.com.br\/reportagens\/321921_ONDA+DE+SUICIDIOS+ASSUSTA\">Isto \u00c9 &#8211; Ago.2013<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma not\u00edcia veiculada na revista Isto \u00c9 de Agosto impressiona pelo seu conte\u00fado, o qual trata dos su\u00edcidios associados \u00e0s press\u00f5es no trabalho. Os n\u00fameros apresentados na reportagem surpreendem, mesmo se comparados aqueles normalmente relatados nas regi\u00f5es atreladas ao cultivo do fumo e produ\u00e7\u00e3o de cigarros. 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