{"id":1784,"date":"2017-06-12T12:14:27","date_gmt":"2017-06-12T15:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/?p=1784"},"modified":"2017-06-13T22:21:53","modified_gmt":"2017-06-14T01:21:53","slug":"cronicas-alem-mar-a-ciencia-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labserg\/cronicas-alem-mar-a-ciencia-do-amor\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nicas al\u00e9m-mar &#8211; A ci\u00eancia do amor"},"content":{"rendered":"<div class=\"bodytext_justify\">Durante a realiza\u00e7\u00e3o do Doutorado, obtido em dupla diploma\u00e7\u00e3o (Brasil-Portugal) tive a oportunidade e felicidade de ser orientado por dois grandes acad\u00eamicos, o <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/0373269482136987\" target=\"_blank\"><strong>Prof Fernando Gon\u00e7alves Amaral<\/strong><\/a> (Brasil) e o <a href=\"https:\/\/parezes.wordpress.com\/\" target=\"_blank\"><strong>Prof Pedro Arezes<\/strong><\/a> (Portugal). Recentemente, o orientador portugu\u00eas passou a escrever cr\u00f4nicas no <a href=\"https:\/\/duascaras.pt\/\" target=\"_blank\">Jornal Digital de Guimar\u00e3es Duas caras<\/a> (Cidade de Guimar\u00e3es &#8211; Portugal). Tendo em conta seu not\u00f3rio talento prossional e virtude pessoal, solicitei a ele licen\u00e7a para divulgar mensalmente suas cr\u00f4nicas aqui no LABSERG, sobretudo por sua experi\u00eancia e conhecimento em temas associados \u00e0 Ergonomia. Espero que gostem e fa\u00e7am bom proveito das leituras. Confiram sempre a publica\u00e7\u00e3o original clicando no link dispon\u00edvel ao final do texto.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify\"><strong>Pedro Arezes, 44 anos e natural de Barcelos, \u00e9 Professor Catedr\u00e1tico na Escola de Engenharia da Universidade do Minho e Diretor Nacional do Programa internacional MIT Portugal (www.mitportugal.org). Tendo orientado mais de 100 teses e disserta\u00e7\u00f5es, \u00e9 coautor de mais de 400 publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Ao longo dos \u00faltimos 20 anos, foi palestrante convidado em mais de uma centena de palestras em cerca de 15 pa\u00edses.<\/strong><\/div>\n<div class=\"bodytext_justify\">.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\"><strong>A ci\u00eancia do amor<\/strong><\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Em 2014, durante a minha licen\u00e7a sab\u00e1tica, estava a trabalhar num dos laborat\u00f3rios da Universidade de Harvard, nos Estados unidos, e num certo dia fomos interrompidos pelo diretor do laborat\u00f3rio que pediu que par\u00e1ssemos as nossas atividades para receber uma colega que acabava de chegar ao grupo. Fiquei inicialmente surpreso pelo gesto de termos interrompido tudo para a receber com uma pequena \u201cfesta\u201d de circunst\u00e2ncia.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Quando tive oportunidade de cumprimentar e felicitar a colega chegou a segunda surpresa: ela demostrava um conhecimento detalhado sobre o nosso pa\u00eds e sobre Guimar\u00e3es. Percebi um pouco mais tarde que mais n\u00e3o era que o resultado de nove viagens que j\u00e1 tinha feito a Portugal. Na sequ\u00eancia da conversa, disse-me que era bi\u00f3loga e que tinha estado antes a trabalhar tr\u00eas anos num instituto de Neuroci\u00eancia e Neurobiologia da mesma universidade. E quando eu, curioso, quis saber o tema em que tinha estado a trabalhar, veio a surpresa maior, disse-me que tinha estado a trabalhar na Biologia do amor. Fazia parte de um grupo multidisciplinar na \u00e1rea da Neuroci\u00eancia que, h\u00e1 mais de 20 anos, se dedicava a investigar v\u00e1rios aspetos do c\u00e9rebro e, no caso dela, sobre as raz\u00f5es que est\u00e3o na base do surgimento do \u201camor rom\u00e2ntico\u201d (do ingl\u00eas romantic love), ou por outras palavras, do amor ou da forte atra\u00e7\u00e3o entre pessoas n\u00e3o familiares.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Ao pensar sobre o assunto, ocorreu-me que se havia algo que consideraria muito pouco \u201ccient\u00edfico\u201d e preditivo seria o amor. Pois bem, a colega foi-me dizendo que h\u00e1 v\u00e1rios cientistas que discordam dessa vis\u00e3o e que entender como surge o amor, em particular o amor apaixonado, tem sido o motivo de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica desde h\u00e1 algumas d\u00e9cadas.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">De entre os v\u00e1rios grupos dedicados ao assunto, um deles tem particular visibilidade, sobretudo resultado de v\u00e1rios livros e palestras da professora de antropologia e investigadora sobre o comportamento humano, Helen Fisher. H\u00e1 cerca de 20 anos, Fisher estudou mais de 160 diferentes sociedades e encontrou evid\u00eancias de amor rom\u00e2ntico em quase todas elas. E \u00e9 esta abrang\u00eancia do fen\u00f3meno que parece levar estes investigadores a acreditar que o amor rom\u00e2ntico tem sido mantido nas sociedades por algo que est\u00e1 enraizado na nossa natureza biol\u00f3gica. V\u00e1rios estudos nesta \u00e1rea foram sendo desenvolvidos no dom\u00ednio da Psicologia e Psiquiatria, havendo outras duas \u00e1reas que se t\u00eam mostrado particularmente promissoras: a Biologia e a Neuroci\u00eancia.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Fisher, cujo trabalho conheci pela primeira vez ao assistir online \u00e0s suas populares palestras nas confer\u00eancias TED, diz saber exatamente o que acontece quando duas pessoas se apaixonam. Segundo ela, enquanto a compatibilidade de longo prazo depende muito de fatores culturais e contextuais, como o status social, a hist\u00f3ria de vida, as origens, os gostos, etc., o que faz com que haja, ou n\u00e3o, um despertar de paix\u00e3o num primeiro instante \u00e9 a medida do quanto as personalidades s\u00e3o compat\u00edveis. Isto, uma vez mais, n\u00e3o parece ter nada de cientifico, mas \u00e9 aqui que entra o trabalho de Fisher e de uma equipa mais alargada de cientistas. Depois de muita an\u00e1lise, incluindo a realiza\u00e7\u00e3o de exames cerebrais por resson\u00e2ncia magn\u00e9tica num n\u00famero muito elevado de pessoas, chegaram a v\u00e1rias conclus\u00f5es. Uma delas \u00e9 que h\u00e1 quatro produtos qu\u00edmicos que desempenham pap\u00e9is de relevo neste processo, determinando quem somos e por quem somos atra\u00eddos: duas hormonas sexuais, a testosterona e o estrog\u00eanio, e dois neurotransmissores, a dopamina e a serotonina. Estar apaixonado, por exemplo, parece fazer disparar os n\u00edveis de dopamina, uma subst\u00e2ncia que ativa o chamado \u201ccircuito de recompensa\u201d, fazendo com que o amor possa ser uma experi\u00eancia agrad\u00e1vel similar \u00e0 euforia associada ao uso de \u00e1lcool ou coca\u00edna.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">A forma como nos apaixonamos tem sido estudada intensivamente na \u00e1rea da Psicologia e existem, com toda a certeza, m\u00faltiplas explica\u00e7\u00f5es para este complexo fen\u00f3meno, talvez muitas delas ainda n\u00e3o conhecidas. A mais simples indica que o amor pode acontecer quando duas pessoas t\u00eam personalidades e interesses comuns ou que se complementam de forma apropriada. Contudo, por vezes entramos numa local cheio de pessoas com o mesmo n\u00edvel de intelig\u00eancia, a mesma origem cultural, os mesmos gostos, a mesma apar\u00eancia, etc., mas s\u00f3 uma dessas pessoas nos chama a aten\u00e7\u00e3o, nos coloca o cora\u00e7\u00e3o a palpitar\u2026 por isso os investigadores acham que a Biologia tem um papel muito relevante nestes processos, sobretudo ao n\u00edvel de c\u00e9rebro e das rea\u00e7\u00f5es bioqu\u00edmicas no mesmo.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">E n\u00e3o se pense que este \u00e9 o tipo de investiga\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica ou cujos resultados n\u00e3o interessam, por exemplo, ao tecido econ\u00f3mico. Na pr\u00e1tica, parte desta investiga\u00e7\u00e3o tem sido profusamente financiada por empresas que est\u00e3o nos mercados um pouco por todo o mundo. Que empresas estariam interessadas nestes resultados? Podemos pensar em v\u00e1rios casos, mas os resultados destes trabalhos t\u00eam usados pelas, cada vez mais emergentes, plataformas online de encontros e namoro, as quais usam estes conhecimentos cient\u00edficos para otimizarem os seus algoritmos de compatibilidade entre clientes, tentando aumentar significativamente o sucesso das suas aplica\u00e7\u00f5es.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">As aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas deste conhecimento, bem ou mal sucedidas, n\u00e3o se ficam por aqui\u2026 Fisher conta um epis\u00f3dio engra\u00e7ado sobre um dos alunos de doutoramento, e colaborador do grupo de investiga\u00e7\u00e3o, que estava perdido de amores por uma outra aluna de doutoramento, sendo que ela, contudo, n\u00e3o aparentava retribuir esse interesse. Ele sabia, pelo seu trabalho, que termos uma experi\u00eancia nova e excitante com algu\u00e9m poderia originar uma liberta\u00e7\u00e3o de dopamina no c\u00e9rebro e, dessa forma, despoletar o sistema cerebral para um amor rom\u00e2ntico. Por isso, decidiu colocar a ci\u00eancia em funcionamento e convidou a aluna para uma viagem com ele de riquex\u00f3 pelas estreitas ruas da cidade antiga. A experi\u00eancia, a ser como ele esperava, seria absolutamente nova para ela. Ziguezaguear pelas ruas estreitas da cidade antiga, desviando-se de ve\u00edculos e pessoas, fazendo curvas apertadas sempre de forma veloz, fariam com que tudo na experi\u00eancia pudesse ser excitante. A ideia dele era que, ao estimular a liberta\u00e7\u00e3o da dopamina, ela fosse capaz de se apaixonar perdidamente por ele. E assim l\u00e1 partiram ambos para a experi\u00eancia. Ela gritava e segurava-se a ele, apertando o seu bra\u00e7o com for\u00e7a quando se assustava e durante toda a viagem pareciam estar a divertir-se bastante.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Quase uma hora depois, eles sa\u00edam do riquex\u00f3 e ela, ainda meia atordoada com a experi\u00eancia, virou-se para ele com manifesta excita\u00e7\u00e3o e disse-lhe:<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">\u2013 N\u00e3o foi maravilhoso? E aquele condutor do riquex\u00f3 n\u00e3o era lind\u00edssimo?<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify_i\">Talvez a saudosa Amy Winehouse tivesse alguma raz\u00e3o quando escreveu a can\u00e7\u00e3o \u201cLove is a losing game\u201d.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify\">.<\/div>\n<div class=\"bodytext_justify\">Fonte: <a href=\"https:\/\/goo.gl\/o9scSn\" target=\"_blank\">Se\u00e7\u00e3o Duas Caras (Jornal Digital de Guimar\u00e3es) &#8211; Portugal &#8211; 11\/06\/2017<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante a realiza\u00e7\u00e3o do Doutorado, obtido em dupla diploma\u00e7\u00e3o (Brasil-Portugal) tive a oportunidade e felicidade de ser orientado por dois grandes acad\u00eamicos, o Prof Fernando Gon\u00e7alves Amaral (Brasil) e o Prof Pedro Arezes (Portugal). Recentemente, o orientador portugu\u00eas passou a escrever cr\u00f4nicas no Jornal Digital de Guimar\u00e3es Duas caras (Cidade de Guimar\u00e3es &#8211; Portugal). 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