{"id":2677,"date":"2026-03-03T19:38:36","date_gmt":"2026-03-03T22:38:36","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/?p=2677"},"modified":"2026-03-03T19:38:36","modified_gmt":"2026-03-03T22:38:36","slug":"a-logica-estrategica-por-tras-da-escalada-iraniana-por-issam-menem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/2026\/03\/03\/a-logica-estrategica-por-tras-da-escalada-iraniana-por-issam-menem\/","title":{"rendered":"A l\u00f3gica estrat\u00e9gica por tr\u00e1s da escalada iraniana por Issam Menem"},"content":{"rendered":"<div data-breakout=\"normal\">\n<p id=\"viewer-ez6lt1057\" class=\"dEt5S sjVPj uTlzf nEzPS\" dir=\"auto\"><span class=\"Q-E3F uTlzf\">A ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Ir\u00e3, iniciada na madrugada do dia 28 de fevereiro, alterou drasticamente o cen\u00e1rio geopol\u00edtico da regi\u00e3o e levou a uma escalada militar sem precedentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<p><!--more--><\/p>\n<div data-hook=\"rcv-block7\">\u00c0 primeira vista, a a\u00e7\u00e3o militar iraniana de regionalizar o conflito atacando alvos em territ\u00f3rios de pa\u00edses \u00e1rabes pode parecer irracional ou at\u00e9 suicida. No entanto, quando observada dentro de um contexto estrat\u00e9gico mais amplo, ela pode representar uma escolha calculada.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block9\">Em situa\u00e7\u00f5es de forte assimetria, nas quais um Estado enfrenta advers\u00e1rios militar e economicamente superiores, as op\u00e7\u00f5es tradicionais tendem a ser bastante limitadas. Manter o status quo pode significar aceitar um ambiente permanentemente desfavor\u00e1vel, com custos crescentes e poucas perspectivas de mudan\u00e7a. Nesses casos, a escalada n\u00e3o busca necessariamente vencer militarmente no curto prazo, mas alterar as condi\u00e7\u00f5es do jogo que, at\u00e9 ent\u00e3o, vinham definhando as capacidades iranianas.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block9\"><\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block11\">Desde o in\u00edcio da ofensiva contra o Ir\u00e3, sete pa\u00edses \u00e1rabes foram atingidos pelas for\u00e7as armadas iranianas: Kuwait, Emirados \u00c1rabes Unidos, Catar, Bahrein, Iraque, Jord\u00e2nia e Ar\u00e1bia Saudita. Os ataques inclu\u00edram diferentes tipos de estruturas militares norte-americanas, mas tamb\u00e9m aeroportos, portos e hot\u00e9is de alto padr\u00e3o.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block11\"><\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block13\">Ao atingir esses pa\u00edses, o Ir\u00e3 busca, de forma ousada e arriscada, elevar os custos dom\u00e9sticos desses governos ao afetar diretamente suas economias, especialmente nos setores de energia, turismo e avia\u00e7\u00e3o, produzindo, assim, press\u00e3o social e pol\u00edtica. No c\u00e1lculo iraniano, espera-se que esses governos passem a ter incentivos para se engajar diplomaticamente, pressionar Washington e buscar media\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block13\"><\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block15\">O Ir\u00e3 estaria, portanto, deliberadamente ampliando o teatro do conflito com o objetivo de converter a neutralidade formal de determinados Estados \u00e1rabes em envolvimento material, transformando um confronto originalmente bilateral (Ir\u00e3 \u00d7 Estados Unidos) em uma quest\u00e3o sist\u00eamica. Ao expandir as externalidades negativas da guerra e atingir pa\u00edses que hospedam infraestrutura estrat\u00e9gica norte-americana, Teer\u00e3 reclassifica esses atores de terceiros observadores para partes afetadas, redistribuindo os custos do conflito no \u00e2mbito regional.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block15\"><\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block17\">Trata-se de uma estrat\u00e9gia de coer\u00e7\u00e3o indireta baseada na regionaliza\u00e7\u00e3o intencional da crise e na socializa\u00e7\u00e3o de custos, por meio da qual a ina\u00e7\u00e3o deixa de ser politicamente sustent\u00e1vel, e o engajamento diplom\u00e1tico passa a se tornar a alternativa racional.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block19\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p id=\"viewer-tgssp340\" class=\"dEt5S sjVPj uTlzf nEzPS\" dir=\"auto\"><span class=\"Q-E3F uTlzf\">Em <em>Arms and Influence<\/em>\u00a0(1966), Thomas Schelling argumenta que o poder de infligir dano \u00e9 frequentemente comunicado por meio de alguma demonstra\u00e7\u00e3o de sua execu\u00e7\u00e3o. Seja por meio de uma viol\u00eancia deliberada para induzir uma resposta irracional, seja por meio de uma viol\u00eancia fria e premeditada para persuadir o advers\u00e1rio de que a amea\u00e7a \u00e9 cr\u00edvel e repet\u00edvel, o que importa n\u00e3o \u00e9 a dor ou o dano em si, mas sua influ\u00eancia sobre o comportamento de outrem.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block21\">Schelling sustenta que \u00e9 a expectativa de viol\u00eancia futura que extrai o comportamento desejado, se \u00e9 que o poder de infligir dano \u00e9 capaz de extra\u00ed-lo. Para explorar a capacidade de ferir e causar danos, <strong>\u00e9 necess\u00e1rio compreender o que o advers\u00e1rio valoriza e o que o amedronta<\/strong>. No caso dos pa\u00edses do Conselho de Coopera\u00e7\u00e3o do Golfo, os ataques iranianos impactam diretamente a imagem de um o\u00e1sis politicamente est\u00e1vel, dotado de ampla e sofisticada infraestrutura tur\u00edstica internacional, consolidada como destino privilegiado de grandes estrelas da ind\u00fastria cultural global, empres\u00e1rios e multinacionais. Al\u00e9m disso, as hostilidades j\u00e1 impactaram a base econ\u00f4mica destas monarquias ao alvejar estruturas cr\u00edticas de g\u00e1s e petr\u00f3leo das monarquias.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block21\"><\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block22\">A cria\u00e7\u00e3o deliberada de risco, geralmente um risco compartilhado, caracteriza uma disputa pela disposi\u00e7\u00e3o de assumir riscos. Trata-se de colocar em marcha uma din\u00e2mica que pode fugir ao controle, iniciando um processo que carrega consigo a possibilidade de um desastre n\u00e3o intencional.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block25\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<p id=\"viewer-yikr5350\" class=\"dEt5S sjVPj uTlzf nEzPS\" dir=\"auto\"><span class=\"Q-E3F uTlzf\"><strong>O risco \u00e9 intencional; o desastre, n\u00e3o<\/strong>. N\u00e3o se pode iniciar um desastre certo como forma proveitosa de exercer press\u00e3o coercitiva sobre algu\u00e9m, mas pode-se iniciar um risco moderado de desastre m\u00fatuo, desde que a conformidade da outra parte seja vi\u00e1vel dentro de um per\u00edodo suficientemente curto para manter o risco cumulativo dentro de limites toler\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block27\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, contudo, a mesma l\u00f3gica que pretende converter neutralidade em press\u00e3o pode produzir o efeito oposto para o Ir\u00e3, ao correr o risco de transformar terceiros afetados em coaliz\u00f5es advers\u00e1rias e consolidar um alinhamento ativo ao lado de seu rival. Trata-se, portanto, de uma estrat\u00e9gia de elevado potencial de retorno, mas igualmente de alto risco estrat\u00e9gico.<\/div>\n<div data-hook=\"rcv-block28\"><\/div>\n<div data-breakout=\"normal\">\n<div id=\"viewer-e87hh355\" class=\"dEt5S sjVPj J7otF nEzPS\" dir=\"auto\">https:\/\/www.nuprima.com.br\/post\/a-l%C3%B3gica-estrat%C3%A9gica-por-tr%C3%A1s-da-escalada-iraniana?fbclid=PAb21jcAQS6OBleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAadYNT-VTOa4q5NuGGpTLMjttpzWv9DEcvBn0y3bh5AigyhC8tLa4PXlSiBrXQ_aem_J68rPRaVmdK-G1PTUuULQg<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Ir\u00e3, iniciada na madrugada do dia 28 de fevereiro, alterou drasticamente o cen\u00e1rio geopol\u00edtico da regi\u00e3o e levou a uma escalada militar sem precedentes nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p><p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/2026\/03\/03\/a-logica-estrategica-por-tras-da-escalada-iraniana-por-issam-menem\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":636,"featured_media":449,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[28,1],"tags":[36,26,11,45,114],"class_list":["post-2677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news","category-noticias","tag-donald-trump","tag-geopolitics","tag-ira","tag-middle-west","tag-oriente-medio","nodate","item-wrap"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/files\/2020\/01\/A-Iran.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/users\/636"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2677"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2679,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2677\/revisions\/2679"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/media\/449"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}