{"id":2242,"date":"2025-05-30T14:01:12","date_gmt":"2025-05-30T17:01:12","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/?p=2242"},"modified":"2025-05-30T14:01:12","modified_gmt":"2025-05-30T17:01:12","slug":"francafrique-o-conceito-que-ajuda-a-entender-o-sentimento-anti-franca-que-se-espalha-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/2025\/05\/30\/francafrique-o-conceito-que-ajuda-a-entender-o-sentimento-anti-franca-que-se-espalha-na-africa\/","title":{"rendered":"\u2018Fran\u00e7afrique\u2019: o conceito que ajuda a entender o sentimento anti-Fran\u00e7a que se espalha na\u00a0\u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p class=\"theconversation-article-title\">Paris conseguiu obter um assento permanente no Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em 1945, por <a style=\"background-color: #ffffff;\" href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/43828515\">dois motivos espec\u00edficos<\/a>: devido \u00e0 import\u00e2ncia do seu imp\u00e9rio colonial, que permanecia consider\u00e1vel na \u00e9poca, e pelo papel das For\u00e7as Francesas Livres durante a Segunda Guerra Mundial.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<div class=\"theconversation-article-body\">\n<p>Assim, para que a Fran\u00e7a continuasse a ser considerada uma pot\u00eancia ap\u00f3s a emancipa\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Charles_de_Gaulle\">Charles De Gaulle<\/a> acreditava que era necess\u00e1rio manter a influ\u00eancia francesa sobre a \u00c1frica franc\u00f3fona e que o pa\u00eds permanecesse como o <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/43828515\">principal garantidor do equil\u00edbrio de poder na regi\u00e3o subsaariana do continente<\/a>.<\/p>\n<p>Na mentalidade diplom\u00e1tica da Fran\u00e7a na \u00e9poca, a \u00c1frica era <a href=\"https:\/\/revistas.unc.edu.ar\/index.php\/astrolabio\/article\/view\/3168\">seu quintal<\/a>. E o pa\u00eds europeu, neste contexto, seria um mediador externo credenciado a negociar e resolver os conflitos dos africanos.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, para os l\u00edderes pol\u00edticos franceses a \u00c1frica <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">\u00e9 um recurso que deve ser cuidadosamente nutrido<\/a> e que constitui uma base natural para o pa\u00eds em tempos dif\u00edceis, como foi na Segunda Guerra Mundial: <a href=\"https:\/\/www.proquest.com\/openview\/f5c89aabaa66fb68c58858450dd0638b\/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=18750\">a Fran\u00e7a se reagrupou e reconstruiu seu ex\u00e9rcito no Gab\u00e3o, Chade e Arg\u00e9lia de 1940 a 1943<\/a>.<\/p>\n<h2>Sentimento anti-franc\u00eas \u00e9 crescente nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/h2>\n<p>Agora, nos \u00faltimos anos, um sentimento anti-franc\u00eas tem emergido no continente africano. Em acontecimentos pol\u00edticos vividos recentemente, <a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/a-onda-de-golpes-de-estado-nas-ex-col%C3%B4nias-francesas-na-%C3%A1frica\/a-66561240\">golpes de Estado foram promovidos sob a justificativa de afastar a influ\u00eancia francesa<\/a> e pol\u00edticos locais supostamente simp\u00e1ticos a ela. Tal sentimento tem at\u00e9 mesmo colaborado para a penetra\u00e7\u00e3o russa na \u00c1frica.<\/p>\n<p>Como discutiu um <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/features\/2025\/3\/20\/the-ghost-reporters-writing-pro-russian-propaganda-in-west-africa\">document\u00e1rio<\/a> produzido pela rede de tv Al Jazeera, muitas campanhas recentes de desinforma\u00e7\u00e3o impulsionadas pela R\u00fassia no continente s\u00e3o baseadas em informa\u00e7\u00f5es contra a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Neste contexto, \u201cFran\u00e7afrique\u201d \u00e9 o nome dado \u00e0 rede de prote\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o dos interesses neocoloniais franceses na \u00c1frica, numa tentativa de jogar luz sobre o sentimento de avers\u00e3o \u00e0 Fran\u00e7a que se espalhou no continente nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cartainternacional.abri.org.br\/Carta\/article\/view\/197\">Tr\u00eas derrotas militares ocorridas entre as d\u00e9cadas de 1940 e 1960<\/a> provocaram uma revis\u00e3o das estrat\u00e9gias de coloniza\u00e7\u00e3o francesas e moldaram o futuro relacionamento entre a na\u00e7\u00e3o europeia e seus antigos territ\u00f3rios africanos: a capitula\u00e7\u00e3o diante da Alemanha nazista, em 1940; a guerra da Indochina, onde os franceses foram derrotados na batalha de Dien Bien Phu, em 1954, e for\u00e7ados a abandonar a ent\u00e3o col\u00f4nia, que compreendida os atuais Vietn\u00e3, Camboja e Laos; e a guerra da Arg\u00e9lia, que resultou na independ\u00eancia do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Este \u00faltimo conflito, especificamente, <a href=\"https:\/\/www.taylorfrancis.com\/chapters\/edit\/10.4324\/9781003002628-6\/football-french-algeria-algerian-france-philip-dine?context=ubx&amp;refId=ac91e45e-6797-4afd-8b0a-4f52f7423699\">causou uma divis\u00e3o pol\u00edtica na Fran\u00e7a que levou, em 1958, ao colapso da Quarta Rep\u00fablica<\/a>. A solu\u00e7\u00e3o para esse racha foi o regresso ao poder do \u201csalvador\u201d do pa\u00eds durante a Segunda Guerra Mundial, <a href=\"https:\/\/www.taylorfrancis.com\/chapters\/edit\/10.4324\/9781003002628-6\/football-french-algeria-algerian-france-philip-dine?context=ubx&amp;refId=ac91e45e-6797-4afd-8b0a-4f52f7423699\">o general Charles de Gaulle, como \u00fanica alternativa \u00e0s amea\u00e7as combinadas de guerra civil e de golpe militar<\/a>.<\/p>\n<h2>A comunidade franco-africana de De Gaulle<\/h2>\n<p>Com o objetivo de manter sua esfera de influ\u00eancia colonial passando uma imagem de respeito aos ideais da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, <a href=\"https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/215293724.pdf\">De Gaulle prop\u00f4s a forma\u00e7\u00e3o de uma comunidade que incorporaria a \u00c1frica Ocidental Francesa e a \u00c1frica Equatorial Francesa com mais autonomia dentro do Imp\u00e9rio Franc\u00eas<\/a>.<\/p>\n<p>A sua concep\u00e7\u00e3o pessoal sobre a \u201cFran\u00e7afrique\u201d foi traduzida em seu projeto de cria\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/161543\">Comunidade franco-africana<\/a>. Al\u00e9m disso, alguns l\u00edderes nacionalistas africanos franc\u00f3fonos pensaram que se pudessem compartilhar da cria\u00e7\u00e3o de uma nova Fran\u00e7a, tamb\u00e9m teriam uma parte em seu eventual sucesso.<\/p>\n<p>O ponto de partida desta proposta gaullista foi a aprova\u00e7\u00e3o da \u201cLoi-Cadre\u201d <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/rbea\/article\/view\/128355\">em 23 de junho de 1956<\/a>. A Loi-Cadre concedeu mais autonomia \u00e0s col\u00f4nias e, assim, abriu caminho para que elas buscassem sua independ\u00eancia pol\u00edtica, atrav\u00e9s do estabelecimento de um legislativo e um executivo territorial, um servi\u00e7o civil independente e sufr\u00e1gio universal adulto para cada uma das col\u00f4nias na \u00c1frica Ocidental.<\/p>\n<p>Embora a Loi-Cadre concedesse autonomia pol\u00edtica relativamente ampla, a autoridade colonial ainda mantinha poder sobre \u00e1reas importantes da vida nacional dos territ\u00f3rios ocupados, como, por exemplo, <a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/rbea\/article\/view\/128355\">pol\u00edtica externa, defesa e seguran\u00e7a, comunica\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o superior em todos eles<\/a>.<\/p>\n<p>Posteriormente, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/161543\">ocorreu o referendo de setembro de 1958<\/a> que, embora oferecesse formalmente a op\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia pol\u00edtica imediata, a desencorajava fortemente. No pleito, todos os territ\u00f3rios africanos sob controle franc\u00eas votaram a favor da Communaut\u00e9 Franco-africaine, exceto Guin\u00e9.<\/p>\n<h2>O processo de descoloniza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>No entanto, ap\u00f3s a emancipa\u00e7\u00e3o de Gana em mar\u00e7o de 1957 e da Guin\u00e9 em outubro de 1958, a independ\u00eancia pol\u00edtica tornou-se irresist\u00edvel. <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/161543\">Em agosto de 1960, praticamente todas as ex-col\u00f4nias francesas africanas haviam retomado sua autodetermina\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Com o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o e o desmantelamento da Quarta Rep\u00fablica, a Fran\u00e7a v\u00ea como alternativa para n\u00e3o perder o seu status de pot\u00eancia mundial cultivar uma rela\u00e7\u00e3o \u201cfamiliar\u201d com as antigas col\u00f4nias africanas. As independ\u00eancias n\u00e3o apagaram os la\u00e7os do colonialismo, que, em vez disso, <a href=\"https:\/\/core.ac.uk\/download\/pdf\/215293724.pdf\">foram remodelados em forma de redes<\/a>.<\/p>\n<h2>O que \u00e9 a \u201cFran\u00e7afrique\u201d<\/h2>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/48544980\">Criada pelo General Charles de Gaulle<\/a> e pelo seu bra\u00e7o direito para os assuntos africanos, Jacques Foccart, <a href=\"https:\/\/revistas.unc.edu.ar\/index.php\/astrolabio\/article\/view\/3168\">a \u201cFran\u00e7afrique\u201d \u00e9 um conjunto de redes opacas, composta por agentes franceses e africanos,<\/a> destinada a utilizar recursos africanos para financiar partidos pol\u00edticos e campanhas eleitorais na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em troca, os aliados africanos recebem apoio militar e diplom\u00e1tico, e se comprometem a defender os interesses franceses em organiza\u00e7\u00f5es internacionais, particularmente na Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU).<\/p>\n<p>O termo \u201cFran\u00e7afrique\u201d <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/43828515\">foi cunhado pelo primeiro presidente da Costa do Marfim, F\u00e9lix Houphou\u00ebt-Boigny, em 1973<\/a>. Houphou\u00ebt-Boigny foi membro do governo de F\u00e9lix Gaillard e participou ativamente da forma\u00e7\u00e3o da rede de influ\u00eancia francesa nas suas antigas col\u00f4nias em \u00c1frica.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">A \u201cFran\u00e7afrique\u201d \u00e9 frequentemente vista como o exemplo perfeito de clientelismo internacional<\/a>. Nela, o papel dos la\u00e7os familiares na rela\u00e7\u00e3o com suas antigas col\u00f4nias, mesmo nos n\u00edveis mais altos do poder estatal, \u00e9 proeminente. Um exemplo not\u00f3rio disso \u00e9 o caso dos diamantes que o l\u00edder do hoje extinto Imp\u00e9rio Centro-Africano, Jean-B\u00e9del Bokassa, <a href=\"https:\/\/www.proquest.com\/openview\/f5c89aabaa66fb68c58858450dd0638b\/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=18750\">teria dado de presente ao presidente franc\u00eas Val\u00e9ry Giscard d&#8217;Estaing<\/a>, em 1973.<\/p>\n<h2>A evolu\u00e7\u00e3o rela\u00e7\u00f5es entre Fran\u00e7a e \u00c1frica nas \u00faltimas d\u00e9cadas<\/h2>\n<p>Atualmente, a influ\u00eancia francesa na \u00c1frica \u00e9 exercida majoritariamente por meio de ajuda e coopera\u00e7\u00e3o. Na vis\u00e3o daqueles que trabalham no campo da coopera\u00e7\u00e3o e desenvolvimento, a pol\u00edtica africana da Fran\u00e7a tornou-se marcada por <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">pr\u00e1ticas contraproducentes e h\u00e1bitos antiquados<\/a>. Longe de incentivar as economias locais e melhorar o n\u00edvel de vida das pessoas que supostamente se beneficiariam desses gastos, a assist\u00eancia p\u00fablica \u00e9 amplamente alocada em projetos que n\u00e3o apenas n\u00e3o contribuem para o desenvolvimento, mas que, em certas ocasi\u00f5es, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">servem at\u00e9 para impedi-lo<\/a>.<\/p>\n<p>Projetos de grande porte s\u00e3o administrados de acordo com a racionalidade econ\u00f4mica de empresas privadas, que usam cr\u00e9ditos p\u00fablicos para realizar atividades sem qualquer controle. Assim, os chamados \u201celefantes brancos\u201d proliferam. Um estudo realizado em 1985 estimou que de 343 grandes projetos apoiados pela Fran\u00e7a em \u00c1frica, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">195 funcionavam mal e 79 foram simplesmente interrompidos<\/a>.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, esses projetos de \u201cdesenvolvimento\u201d geralmente levam a um c\u00edrculo vicioso de d\u00edvidas vinculadas a cr\u00e9ditos adiantados. Isso conduz a uma depend\u00eancia de credores internacionais que gastam uma propor\u00e7\u00e3o cada vez maior de seus recursos tentando sustentar as contas p\u00fablicas dos Estados africanos. Por volta de 1995, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">cerca de 20% da ajuda bilateral francesa costumava ser alocada por seus parceiros africanos para pagar suas d\u00edvidas<\/a>.<\/p>\n<p>A estrutura governamental que rege as pol\u00edticas de ajuda e desenvolvimento internacional da Fran\u00e7a \u00e9 um labirinto. S\u00e3o duas as consequ\u00eancias desse emaranhado institucional: rivalidade e obscuridade. <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">Cada organiza\u00e7\u00e3o zela pelo seu pr\u00f3prio dom\u00ednio, certificando-se de que seus vizinhos n\u00e3o invadam suas prerrogativas<\/a>. Por exemplo: quando a Nam\u00edbia conquistou sua independ\u00eancia, as estrat\u00e9gias do Minist\u00e9rio da Coopera\u00e7\u00e3o e do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores competiram entre si. Isso foi resolvido tornando a Nam\u00edbia responsabilidade do Minist\u00e9rio da Coopera\u00e7\u00e3o, ainda que o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores tenha continuado a executar seus pr\u00f3prios programas.<\/p>\n<p>Essa competi\u00e7\u00e3o entre organiza\u00e7\u00f5es torna o processo quase secreto, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/1166509\">j\u00e1 que nenhuma pessoa consegue desenvolver uma compreens\u00e3o precisa das diversas a\u00e7\u00f5es tomadas em um ambiente t\u00e3o disperso<\/a>.<\/p>\n<p>A cada ano, durante a vota\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as no parlamento franc\u00eas, aqueles que apresentam o or\u00e7amento da ajuda internacional observam que, a partir das contas oficiais apresentadas, \u00e9 imposs\u00edvel chegar a um montante preciso.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ipr.blogs.ie.edu\/wp-content\/uploads\/sites\/574\/2019\/06\/A-post-colonial-examination-of-the-CFA-Franc.pdf\">A \u201cFran\u00e7afrique\u201d atingiu o seu auge entre a d\u00e9cada de 1960 e o fim da Guerra Fria<\/a>. Os EUA viam a presen\u00e7a da Fran\u00e7a numa regi\u00e3o com a qual tinha poucos la\u00e7os como uma boa forma de os aliados impedirem um poss\u00edvel avan\u00e7o do comunismo vindo do leste.<\/p>\n<p>Como definido por <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/161543\">Guy Martin<\/a>, o pa\u00eds europeu era percebido como um proxy do ocidente em \u00c1frica. Tamb\u00e9m, <a href=\"https:\/\/www.proquest.com\/openview\/f5c89aabaa66fb68c58858450dd0638b\/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=18750\">a \u00c1frica poderia atuar como uma poss\u00edvel base de retaguarda para os ex\u00e9rcitos franceses e outros ex\u00e9rcitos europeus no caso de uma derrota convencional das for\u00e7as aliadas para os ex\u00e9rcitos do Pacto de Vars\u00f3via na Europa<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os Estados africanos, por sua vez, percebiam a Fran\u00e7a, de modo geral, <a href=\"https:\/\/www.jstor.org\/stable\/161543\">como uma pot\u00eancia m\u00e9dia respeit\u00e1vel, livre da hegemonia das superpot\u00eancias, verdadeiramente n\u00e3o alinhada<\/a> e, portanto, uma aliada natural do Terceiro Mundo.<\/p>\n<h2>A crise dos \u00faltimos anos<\/h2>\n<p>Hoje a \u201cFran\u00e7afrique\u201d vive um momento de crise: <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/features\/2025\/1\/31\/with-frances-military-influence-in-africa-gone-can-it-rely-on-soft-power\">entre 2022 e 2024 os governos do Mali, Burkina Faso, N\u00edger e Chade demandaram a expuls\u00e3o de tropas francesas em seus respectivos territ\u00f3rios<\/a>. Em 2025 foi a vez dos governos da <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/1\/3\/frexit-why-ivory-coast-is-joining-african-campaign-to-expel-french-troops\">Costa do Marfim e do Senegal anunciarem o mesmo, e optarem por encerrar a presen\u00e7a militar francesa dentro de suas fronteiras em um movimento que ganhou o nome de Frexit, em alus\u00e3o ao Brexit, o movimento de sa\u00edda do Reino Unido da Uni\u00e3o Europeia<\/a>.<\/p>\n<p>Tal crise pode ser explicada por tr\u00eas motivos. Primeiro, a estafa dos pr\u00f3prios povos africanos com as diversas d\u00e9cadas de explora\u00e7\u00e3o colonial e neocolonial francesas: para que se tenha uma ideia, <a href=\"https:\/\/www.proquest.com\/openview\/f5c89aabaa66fb68c58858450dd0638b\/1?pq-origsite=gscholar&amp;cbl=18750\">houve 43 interven\u00e7\u00f5es militares na \u00c1frica subsaariana franc\u00f3fona entre 1960 e 2008<\/a>.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, por uma mudan\u00e7a de orienta\u00e7\u00e3o da maior pot\u00eancia mundial, os EUA, para com o continente africano a partir da d\u00e9cada de 1990: como explicado, a \u201cFran\u00e7afrique\u201d atingiu o seu auge entre a d\u00e9cada de 1960 e o fim da Guerra Fria em partes porque os EUA viam a presen\u00e7a da Fran\u00e7a numa regi\u00e3o com a qual tinha poucos la\u00e7os como uma boa forma de os aliados impedirem um poss\u00edvel avan\u00e7o do comunismo vindo do leste. Ap\u00f3s o fim da Guerra Fria, a presen\u00e7a francesa j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o necess\u00e1ria e estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>E, por \u00faltimo, pelo surgimento do Sul Global como um polo diplom\u00e1tico e econ\u00f4mico, o que diminuiu a depend\u00eancia de pa\u00edses africanos de parceiros e parcerias econ\u00f4micas calcadas nas velhas rela\u00e7\u00f5es coloniais. Pot\u00eancias ocidentais, como Fran\u00e7a e EUA, perderam espa\u00e7o para os pa\u00edses do BRICS (principalmente China e R\u00fassia). Atualmente, os la\u00e7os econ\u00f4micos entre a \u00c1frica franc\u00f3fona e pa\u00edses como China, \u00cdndia, \u00c1frica do Sul e Alemanha prevalecem, enquanto as exporta\u00e7\u00f5es francesas <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/00219096211046275\">diminu\u00edram de 11% para 5,5% entre 2000 e 2018<\/a>. Em algumas na\u00e7\u00f5es espec\u00edficas a queda \u00e9 maior, como no caso do Senegal em que <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/00219096211046275\">a participa\u00e7\u00e3o francesa atingiu 2,5%<\/a>.<!-- Abaixo est\u00e1 a tag de contagem de p\u00e1gina do The Conversation. Por favor, N\u00c3O REMOVA. --><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border: none !important; box-shadow: none !important; margin: 0 !important; max-height: 1px !important; max-width: 1px !important; min-height: 1px !important; min-width: 1px !important; opacity: 0 !important; outline: none !important; padding: 0 !important;\" src=\"https:\/\/counter.theconversation.com\/content\/255312\/count.gif?distributor=republish-lightbox-basic\" alt=\"The Conversation\" width=\"1\" height=\"1\" \/><!-- Fim do c\u00f3digo. Se voc\u00ea n\u00e3o vir nenhum c\u00f3digo acima, obtenha um novo c\u00f3digo na aba Avan\u00e7ado, depois de clicar no bot\u00e3o Republicar. 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Mais informa\u00e7\u00f5es: https:\/\/theconversation.com\/republishing-guidelines --><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/profiles\/felipe-antonio-honorato-2376686\">Felipe Antonio Honorato<\/a>, Doutor em Mudan\u00e7a Social e Participa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, <em><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/institutions\/universidade-de-sao-paulo-usp-787\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a><\/em> e <a href=\"https:\/\/theconversation.com\/profiles\/guilherme-silva-pires-de-freitas-2381465\">Guilherme Silva Pires de Freitas<\/a>, P\u00f3s-doutorando no Programa de Mudan\u00e7a Social e Participa\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica, <em><a href=\"https:\/\/theconversation.com\/institutions\/universidade-de-sao-paulo-usp-787\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a><\/em><\/p>\n<p>This article is republished from <a href=\"https:\/\/theconversation.com\">The Conversation<\/a> under a Creative Commons license. 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