{"id":2193,"date":"2025-05-02T16:05:36","date_gmt":"2025-05-02T19:05:36","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/?p=2193"},"modified":"2025-05-02T16:05:36","modified_gmt":"2025-05-02T19:05:36","slug":"em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-por-charles-pennaforte-the-conversation-br","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/2025\/05\/02\/em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-por-charles-pennaforte-the-conversation-br\/","title":{"rendered":"\u2018Em busca do tempo perdido\u2019: Por que o mundo que Donald Trump quer controlar n\u00e3o existe mais por Charles Pennaforte | The Conversation Br"},"content":{"rendered":"\r\n\r\nO t\u00edtulo da obra composta por sete volumes (1913-1927) do escritor franc\u00eas Marcel Proust,\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Em_Busca_do_Tempo_Perdido\">\u201cEm busca do tempo perdido\u201d<\/a>, parece perfeito para a atual cruzada econ\u00f4mica de Donald Trump contra os pa\u00edses que, segundo ele, \u201croubam a Am\u00e9rica\u201d, incluindo a China.\r\n\r\n  <!--more-->  \r\n\r\nNa verdade, o presidente dos EUA est\u00e1 sonhando com um mundo que n\u00e3o existe mais sob o ponto de vista geopol\u00edtico e econ\u00f4mico: um \u201cmundo fordista\u201d, que acabou nos anos 70 do s\u00e9culo passado.\r\n\r\n \r\n\r\nO sonho fordista de Donald Trump, do tempo em que os EUA eram a principal pot\u00eancia manufatureira e geopol\u00edtica do mundo, reflete o desejo de uma parte da popula\u00e7\u00e3o norte-americana, a chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/outraspalavras.net\/geopoliticaeguerra\/na-america-profunda-explicacao-para-o-fenomeno-trump\/\">\u201cAm\u00e9rica Profunda\u201d<\/a>, que, segundo alguns analistas, n\u00e3o se adaptou ou aceitou as transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e o desenvolvimento de parte da periferia do capitalismo a partir dos anos 1970.\r\n\r\n \r\n\r\nPropomos aqui algumas considera\u00e7\u00f5es sobre tal processo para entender a l\u00f3gica da atual \u201ccruzada\u201d econ\u00f4mica de Trump:\r\n\r\n \r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">1) Fim de uma era<\/h3>\r\n \r\n\r\nOs EUA est\u00e3o em decl\u00ednio. Te\u00f3ricos como\u00a0<a href=\"https:\/\/revistas.marilia.unesp.br\/index.php\/orgdemo\/article\/view\/407\/307\">Immanuel Wallerstein (O decl\u00ednio do poder americano)<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/seer.ufrgs.br\/index.php\/austral\/article\/download\/125358\/85844\/536957\">Giovanni Arrighi (A crise do atual Ciclo Sist\u00eamico de Acumula\u00e7\u00e3o liderado por Washington)<\/a>\u00a0criaram uma an\u00e1lise coerente do capitalismo e do papel dos EUA no p\u00f3s-Guerra. O atual governo norte-americano parece reconhecer esse fato e procura, de todas as formas, reverter tal processo.\r\n\r\n \r\n\r\nEsse esfor\u00e7o ocorre de maneira truculenta e at\u00e9 mesmo irracional, como podemos observar. Os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnnbrasil.com.br\/economia\/macroeconomia\/trump-ameaca-brics-com-tarifas-de-100-caso-busquem-alternativa-ao-dolar\/\">ataques ao BRICS<\/a>\u00a0e \u00e0 China, e at\u00e9 mesmo a aliados hist\u00f3ricos como os europeus, por exemplo, atestam a realidade: o aumento de na\u00e7\u00f5es cada vez mais distantes da outrora influ\u00eancia geopol\u00edtica e econ\u00f4mica de Washington.\r\n\r\n \r\n\r\nN\u00e3o h\u00e1 como voltar ao per\u00edodo pr\u00e9-1968. Outro aspecto importante a ser analisado \u00e9 a sa\u00edda das ind\u00fastrias norte-americanas para a \u00c1sia, por exemplo, a partir dos anos 1970, ou at\u00e9 mesmo o seu deslocamento para o M\u00e9xico.\r\n\r\n \r\n\r\nO aumento dos custos de m\u00e3o de obra e os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos levaram as empresas norte-americanas a procurarem solu\u00e7\u00f5es de competitividade. Era a chamada\u00a0<a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ln\/a\/NQGgCHRgSX9ZJ3yZ3wtP85H\/\">crise do fordismo<\/a>: sal\u00e1rios elevados nos EUA e na Europa, queda na taxa de lucro e produtividade em decl\u00ednio.\r\n\r\n \r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">2) O crescimento asi\u00e1tico<\/h3>\r\n \r\n\r\nO Sudeste Asi\u00e1tico, nos anos 1980\/1990, tornou-se a \u00e1rea preferida para receber investimentos em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es: governos com regimes autorit\u00e1rios (a Coreia do Sul, por exemplo) e a China, que experimentava sua abertura nos anos 1980.\r\n\r\n \r\n\r\nAs duas na\u00e7\u00f5es podem ser apontadas como exemplos. As condi\u00e7\u00f5es eram privilegiadas para as empresas que estavam chegando: m\u00e3o de obra barata, fraca ou inexistente sindicaliza\u00e7\u00e3o, leis ambientais permissivas, apoio dos regimes, entre outros fatores.\r\n\r\n \r\n\r\nAo contr\u00e1rio do que afirma Donald Trump, n\u00e3o foram os pa\u00edses asi\u00e1ticos que \u201croubaram\u201d as ind\u00fastrias ou empregos da popula\u00e7\u00e3o norte-americana: foi o empresariado do pa\u00eds que preferiu aumentar sua rentabilidade e produtividade deslocando suas ind\u00fastrias para ambientes mais favor\u00e1veis \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o do capital.\r\n\r\n \r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">3) O alto custo da economia americana<\/h3>\r\n \r\n\r\nOs altos sal\u00e1rios da ind\u00fastria norte-americana, em compara\u00e7\u00e3o aos de outros pa\u00edses, encareciam os custos finais de produ\u00e7\u00e3o, por exemplo. Nenhum empres\u00e1rio em s\u00e3 consci\u00eancia manteria seus custos elevados frente \u00e0 concorr\u00eancia para preservar empregos no seu pa\u00eds por motivos \u201cnacionalistas\u201d.\r\n\r\n \r\n\r\nA atual cruzada trumpista demonstra uma vis\u00e3o deturpada da realidade. O mandat\u00e1rio norte-americano procura construir uma narrativa pr\u00f3pria para justificar o atual processo de enfraquecimento econ\u00f4mico e geopol\u00edtico do pa\u00eds, retirando das pr\u00f3prias elites norte-americanas os erros na condu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds ao longo do tempo.\r\n\r\n \r\n\r\n\u00c9 preciso reconhecer que democratas e republicanos s\u00e3o respons\u00e1veis por esse processo, pois no s\u00e9culo XX comandaram o pa\u00eds sem interrup\u00e7\u00e3o. Agora, \u00e9 necess\u00e1rio admitir que o mundo mudou sob o ponto de vista econ\u00f4mico e, principalmente, geopol\u00edtico.\r\n\r\n \r\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A amea\u00e7a econ\u00f4mica de Pequim<\/h3>\r\n \r\n\r\nSe na Guerra Fria a URSS era uma amea\u00e7a ao poderio norte-americano exclusivamente sob o prisma ideol\u00f3gico, no s\u00e9culo XXI a China \u00e9 uma \u201camea\u00e7a\u201d econ\u00f4mica real pela grande capacidade de Pequim, principalmente sob a lideran\u00e7a de Xi Jinping, em possuir um projeto geoecon\u00f4mico coerente e consistente que conjuga diversifica\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, econ\u00f4mica, militar e geopol\u00edtica. A China est\u00e1 construindo um mundo favor\u00e1vel aos seus interesses por meio de seu\u00a0<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/radio-usp\/soft-power-e-estrategia-para-paises-conquistarem-poder-e-prestigio-sem-o-uso-da-forca\/\">soft power<\/a>.\r\n\r\n \r\n\r\nPor outro lado, Donald Trump tenta frear esse processo e procura assumir o papel de protagonista na recondu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e0s \u201cgl\u00f3rias\u201d do passado. Contudo, o passado n\u00e3o se repete, e quando se repete, \u00e9 somente como uma farsa. A cruzada trumpista contra os \u201cinfi\u00e9is\u201d vai provocar mais problemas do que reverter o decl\u00ednio. A aus\u00eancia de um entendimento mais refinado da atual realidade levar\u00e1, pelas m\u00e3os de Donald Trump, ao abismo ainda maior dos EUA frente \u00e0 China.\r\n\r\n \r\n\r\nPequim vem passando uma imagem de sobriedade frente aos ataques de Washington, respondendo \u00e0 altura \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Trump, sempre dentro de uma perspectiva de tentativa de di\u00e1logo e n\u00e3o de ruptura.\r\n\r\n \r\n\r\nHoje, a China \u00e9 a sensatez e a estabilidade frente aos EUA radicalizados e estimuladores da desordem econ\u00f4mica internacional. Beijing se apresenta como uma lideran\u00e7a importante frente aos desafios impostos por Donald Trump.\r\n\r\n \r\n\r\nSem d\u00favida alguma, Trump ampliar\u00e1 a perda do soft power constru\u00eddo no s\u00e9culo XX e deixar\u00e1 o pa\u00eds ainda mais enfraquecido em termos econ\u00f4micos e de lideran\u00e7a.\r\n\r\n \r\n\r\nSer\u00e1 o s\u00e9culo XXI o \u201cs\u00e9culo chin\u00eas\u201d? Se depender de Washington nos pr\u00f3ximos quatro anos, parece que sim.\r\n\r\n \r\n\r\n<a href=\"https:\/\/theconversation.com\/em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-255308\">https:\/\/theconversation.com\/em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-255308<\/a>\r\n\r\n\r\n\r\n&nbsp;\r\n\r\n&nbsp;\r\n\r\n&nbsp;\r\n\r\nhttps:\/\/theconversation.com\/em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-255308","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O t\u00edtulo da obra composta por sete volumes (1913-1927) do escritor franc\u00eas Marcel Proust,\u00a0\u201cEm busca do tempo perdido\u201d, parece perfeito para a atual cruzada econ\u00f4mica de Donald Trump contra os pa\u00edses que, segundo ele, \u201croubam a Am\u00e9rica\u201d, incluindo a China.<\/p><p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/2025\/05\/02\/em-busca-do-tempo-perdido-por-que-o-mundo-que-donald-trump-quer-controlar-nao-existe-mais-por-charles-pennaforte-the-conversation-br\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":636,"featured_media":701,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,28,1],"tags":[5,4,17,47,30,23],"class_list":["post-2193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-labgrima-expert","category-news","category-noticias","tag-china","tag-geopolitica","tag-international-trade","tag-new-order","tag-us-china-rivalry","tag-usa","nodate","item-wrap"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/files\/2020\/12\/US\u2013China-Rvalry-e1746212719850.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/users\/636"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2193"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2195,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2193\/revisions\/2195"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/media\/701"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/labgrima\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}