{"id":183,"date":"2024-06-21T17:00:33","date_gmt":"2024-06-21T20:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/?page_id=183"},"modified":"2024-07-02T10:17:25","modified_gmt":"2024-07-02T13:17:25","slug":"grupos-operativos","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/abordagens-psicossociais\/abordagens-grupais\/grupos-operativos\/","title":{"rendered":"Grupos operativos"},"content":{"rendered":"<p>O grupo operativo, segundo a concep\u00e7\u00e3o de Pichon-Rivi\u00e8re, \u00e9 um instrumento de trabalho, um m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o e cumpre, al\u00e9m disso, uma fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. No entanto, sua finalidade n\u00e3o \u00e9 tanto &#8220;curar&#8221; mas sim &#8220;resolver&#8221; os obst\u00e1culos para o desenvolvimento do indiv\u00edduo no grupo, colocando-o em melhores condi\u00e7\u00f5es de encontrar as pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de um grupo &#8220;terap\u00eautico&#8221; que olha mais para o passado, o grupo operativo tem uma dimens\u00e3o prospectiva, tudo que surge no grupo \u00e9 um ensaio do que se realizar\u00e1 em seguida e fora do grupo. Est\u00e1 centrado numa <em>tarefa<\/em>, reparando as redes de comunica\u00e7\u00e3o, superando a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a, fazendo uma leitura cr\u00edtica da realidade.<\/p>\n<p>O grupo operativo se constitui numa <em>equipe que aprende<\/em>, enquadrando tempo e espa\u00e7o, podendo ser aplicado a diferentes grupos, qualquer que seja a sua tarefa, como no ensino, teatro, m\u00fasica, esportes, empresas, terapia, etc.<\/p>\n<p>Tem como pap\u00e9is fixos o coordenador e o observador, e n\u00e3o fixos, que seriam os demais integrantes. A <em>din\u00e2mica grupal<\/em> inclui as seguintes no\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>+ <em>pr\u00e9-tarefa<\/em>: momento do grupo em que predominam os mecanismos de dissocia\u00e7\u00e3o, as diferentes formas de n\u00e3o entrar na tarefa, mecanismo de posterga\u00e7\u00e3o que oculta a dificuldade em tolerar a frustra\u00e7\u00e3o de iniciar e terminar tarefas, levando a uma constante frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>+ <em>tarefa<\/em>: acontece quando se elaboram os quatro momentos da fun\u00e7\u00e3o operativa (estrat\u00e9gia, t\u00e9cnica, t\u00e1tica e log\u00edstica); ser\u00e1 mais operativo quanto maior o grau de criatividade, que se d\u00e1 na medida em que se enfrentam tarefas novas com t\u00e9cnicas diferentes, possibilitando a aprendizagem e tornando o grupo mais flex\u00edvel; ao processo no mundo externo correspondem as mudan\u00e7as no mundo interno da consci\u00eancia individual e grupal.<\/p>\n<p>= a <em>estrat\u00e9gia<\/em> \u00e9 o planejamento de longo alcance, a <em>t\u00e9cnica<\/em> s\u00e3o os diferentes recursos, instrumentos e a forma utilizada para operar no campo, a <em>t\u00e1tica <\/em>\u00e9 a forma com que emprega-se o plano na pr\u00e1tica e a <em>log\u00edstica<\/em> \u00e9 a observa\u00e7\u00e3o do campo inimigo, ou seja, a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>+ <em>projeto<\/em>: ap\u00f3s a elabora\u00e7\u00e3o da estrat\u00e9gia operativa no mundo interno e sobre a base do planejamento, o sujeito ou o grupo podem orientar-se para a a\u00e7\u00e3o futura que emerge da tarefa.<\/p>\n<p>No grupo operativo \u00e9 fundamental observar a din\u00e2mica, que reflete os fen\u00f4menos transferenciais, levando em conta a rela\u00e7\u00e3o do grupo com a tarefa.<\/p>\n<p>Para facilitar a observa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos grupais o esquema do cone invertido pode ser \u00fatil:<\/p>\n<p><img class=\"alignnone size-medium wp-image-233 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-400x237.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"237\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-400x237.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-1024x605.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-768x454.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-1536x908.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ipab\/files\/2024\/07\/cone2-2048x1211.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p>+ <em>afilia\u00e7\u00e3o e pertencimento<\/em>: significa o grau de identifica\u00e7\u00e3o dos membros com o grupo e entre si; alguns indiv\u00edduos sentem-se parte de um &#8220;n\u00f3s&#8221; (pertencentes) e outros colocam-se na rela\u00e7\u00e3o eu-eles (afiliados);\u00a0 o grau de responsabilidade com a tarefa ir\u00e1 variar entre os tipos, embora essa tamb\u00e9m seja uma rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica.<\/p>\n<p>+ <em>coopera\u00e7\u00e3o<\/em>: capacidade de ajudar-se entre si e o coordenador; se d\u00e1 na medida em que os pap\u00e9is no grupo sejam complementares e n\u00e3o suplementares, que levam \u00e0 rivalidade.<\/p>\n<p>+ <em>pertin\u00eancia<\/em>: capacidade de centrar-se na tarefa, no aqui e agora, vencendo a resist\u00eancia \u00e0 mudan\u00e7a e resolvendo os problemas.<\/p>\n<p>+ <em>comunica\u00e7\u00e3o<\/em>: as diferentes formas de relacionamento no grupo, que inclui a n\u00e3o-comunica\u00e7\u00e3o, os subentendidos e mal entendidos.<\/p>\n<p>+ <em>aprendizagem<\/em>: soma da informa\u00e7\u00e3o que cada integrante do grupo leva \u00e0 tarefa, adapta\u00e7\u00e3o ativa \u00e0 realidade, levando \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e do meio, numa intera\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, desenvolvendo condutas alternativas diante dos obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>+ <em>tele<\/em>: disposi\u00e7\u00e3o positiva ou negativa para interatuar mais com um dos membros do que com outros; sentimento de atra\u00e7\u00e3o ou rejei\u00e7\u00e3o, simpatia ou antipatia; coisa &#8220;de pele&#8221;.<\/p>\n<p>No v\u00e9rtice do cone se encontra o mais <em>expl\u00edcito<\/em> ou manifesto, enquanto na base est\u00e1 aquilo que \u00e9 <em>impl\u00edcito<\/em> ou latente.<\/p>\n<p>Analisando a <em>Po\u00e9tica<\/em> de Arist\u00f3teles, Pichon faz uma compara\u00e7\u00e3o com o teatro grego, onde os expectadores participavam ativamente e, ao contemplar o espet\u00e1culo, realizavam ao mesmo tempo uma catarse emocional. Esse processo se d\u00e1 pela identifica\u00e7\u00e3o com o porta-voz-protagonista. No grupo operativo tamb\u00e9m haveria um porta-voz, que sinaliza o processo grupal, expressando algo latente, que podem ser as fantasias, ansiedades e necessidades do grupo.<\/p>\n<p>Desta forma, criam-se pap\u00e9is verticais (cada integrante) e horizontais (o grupo), a <em>tarefa do coordenador<\/em> ser\u00e1 colocar em evid\u00eancia essas din\u00e2micas que perpassam indiv\u00edduos e o grupo, <em>sempre de modo prospectivo, levando a a\u00e7\u00f5es futuras e no exterior<\/em>, ainda que o grupo possa apresentar fen\u00f4menos regressivos (que seriam melhor interpretados no contexto de um grupo terap\u00eautico).<\/p>\n<p>O <em>coordenador<\/em> ajuda a estabelecer um enfoque para a opera\u00e7\u00e3o do grupo, a fim de desenvolver as tarefas reflexivas internas que conduzem \u00e0s tarefas externas, de responsabilidade do grupo. O processo do grupo operativo \u00e9 <em>din\u00e2mico<\/em>, pois a atividade n\u00e3o deve estar rigidamente organizada, dando espa\u00e7o \u00e0 criatividade, <em>reflexivo<\/em>, no movimento de olhar para dentro e para diante, e <em>democr\u00e1tico<\/em>, pois todo pensamento e a\u00e7\u00e3o deve originar-se do pr\u00f3prio grupo, com o surgimento lideran\u00e7as funcionais.<\/p>\n<p>Portanto, o coordenador assume um papel diferente no grupo, n\u00e3o assumindo fun\u00e7\u00f5es que possam ser realizadas por outros membros. Ao se colocar na posi\u00e7\u00e3o de &#8220;estar no grupo, sem ser do grupo&#8221; cria o espa\u00e7o para um\u00a0<em>movimento em espiral <\/em>que leva a um <em>processo sem fim<\/em>,\u00a0O <em>observador<\/em> cumpre uma fun\u00e7\u00e3o auxiliar, sem interferir ativamente na coordena\u00e7\u00e3o, mas trazendo \u00e0 tona poss\u00edveis materiais que possam ser explicitados no grupo; os pap\u00e9is de coordenador e observador geralmente s\u00e3o delegados aos profissionais da equipe de sa\u00fade, que podem se revezar nessas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A partir do <em>existente<\/em> no grupo, impl\u00edcito ou expl\u00edcitamente, \u00e9 poss\u00edvel propor uma nova perspectiva, esclarecendo as dificuldades e modificando as situa\u00e7\u00f5es, uma mudan\u00e7a que se expressa num <em>emergente<\/em>, ou a resposta do grupo, desestruturando uma situa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via e estruturando uma nova.<\/p>\n<p>O grupo operativo \u00e9 um instrumento adequado para o <em>esclarecimento<\/em>, a <em>comunica\u00e7\u00e3o<\/em>, a <em>aprendizagem<\/em> e a <em>resolu\u00e7\u00e3o da tarefa<\/em>, que possivelmente resolve tamb\u00e9m as situa\u00e7\u00f5es de ansiedade (1,2).<\/p>\n<p>No contexto da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade, o grupo operativo poderia ter uma fun\u00e7\u00e3o de <em>reflex\u00e3o<\/em> e <em>aprendizagem<\/em>, rumo a <em>projetos individuais e grupais de sa\u00fade<\/em>.<\/p>\n<hr \/>\n<ol>\n<li>Berstein, Marcos. Contribui\u00e7\u00f5es de Pichon-Rivi\u00e8re \u00e0 psicoterapia de grupo. In: Os\u00f3rio, Luiz Carlos e colaboradores. Grupoterapia hoje. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1986.<\/li>\n<li>Portarrieu, Maria Luisa; Tubert-Oklander, Juan. Grupos operativos. In: Os\u00f3rio, Luiz Carlos e colaboradores. Grupoterapia hoje. Porto Alegre: Artes M\u00e9dicas, 1986.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grupo operativo, segundo a concep\u00e7\u00e3o de Pichon-Rivi\u00e8re, \u00e9 um instrumento de trabalho, um m\u00e9todo de investiga\u00e7\u00e3o e cumpre, al\u00e9m disso, uma fun\u00e7\u00e3o terap\u00eautica. No entanto, sua finalidade n\u00e3o \u00e9 tanto &#8220;curar&#8221; mas sim &#8220;resolver&#8221; os obst\u00e1culos para o desenvolvimento do indiv\u00edduo no grupo, colocando-o em melhores condi\u00e7\u00f5es de encontrar as pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es. 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