{"id":51,"date":"2026-04-02T13:05:31","date_gmt":"2026-04-02T16:05:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/impactosdasoja\/?page_id=51"},"modified":"2026-04-02T16:14:50","modified_gmt":"2026-04-02T19:14:50","slug":"pampa-o-horizonte-que-clama-por-permanencia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/impactosdasoja\/pampa-o-horizonte-que-clama-por-permanencia\/","title":{"rendered":"PAMPA: O Horizonte que Clama por Perman\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>O Pampa n\u00e3o \u00e9 apenas uma paisagem de horizontes abertos; \u00e9 um bioma de profundidades. Guardi\u00e3o de uma biodiversidade \u00fanica e ber\u00e7o das \u00e1guas do Aqu\u00edfero Guarani, \u00e9 o alicerce da identidade ga\u00facha e platina. Hoje o mosaico vivo de pastagens nativas cede lugar \u00e0 monotonia da soja. Onde havia diversidade, hoje impera a monocultura. Onde pulsava o of\u00edcio e a vida comunit\u00e1ria, avan\u00e7a o vazio demogr\u00e1fico. Nossa pesquisa mergulha nesta transforma\u00e7\u00e3o para questionar: o que estamos perdendo em nome de um modelo que exporta commodities, mas deixa para tr\u00e1s o esgotamento do solo e o silenciamento da nossa hist\u00f3ria?<br \/>\nConhe\u00e7a os achados de um territ\u00f3rio em resist\u00eancia.<\/p>\n<p><strong><em>O Pampa e o continente<\/em><\/strong><br \/>\nO bioma Pampa ocupa a regi\u00e3o centro-sul da Am\u00e9rica do Sul, abrangendo cerca de 750 mil km\u00b2, distribu\u00eddos entre Argentina (67%), Uruguai (20%) e Brasil (13,3%). A por\u00e7\u00e3o brasileira acha-se integralmente circunscrita ao estado do Rio Grande do Sul. A introdu\u00e7\u00e3o dos rebanhos na regi\u00e3o remonta \u00e0s miss\u00f5es jesu\u00edticas dos s\u00e9culos XVI e XVII. As redu\u00e7\u00f5es guaran\u00edticas foram o primeiro ciclo econ\u00f4mico nos confins austrais da Am\u00e9rica, baseado na atividade pecu\u00e1ria e nos produtos dela derivados (carne, couro e sebo).<\/p>\n<p><strong><em>Um bioma peculiar<\/em><\/strong><br \/>\nFoi somente em 2004 que o Pampa foi oficialmente reconhecido como bioma brasileiro. Ocupa uma \u00e1rea de aproximadamente 177 mil km\u00b2, ou o que corresponde a quase dois ter\u00e7os da superf\u00edcie territorial do Rio Grande do Sul. Diferentemente de outros biomas brasileiros, o Pampa n\u00e3o apresenta florestas densas. \u00c9 constitu\u00eddo predominantemente por campos naturais, onde a pecu\u00e1ria extensiva (bovinos, ovinos e equinos) se destaca como a principal atividade econ\u00f4mica. Por essa raz\u00e3o \u00e9 frequentemente considerado um bioma de menor import\u00e2ncia por parte da opini\u00e3o p\u00fablica e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><em>Pampa e biodiversidade<\/em><\/strong><br \/>\nO Pampa abriga uma expressiva biodiversidade, cerca de 3.000 esp\u00e9cies de plantas, incluindo mais de 450 tipos de gram\u00edneas e cerca de 100 esp\u00e9cies arb\u00f3reas. A fauna tamb\u00e9m \u00e9 diversificada, reunindo mais de 500 esp\u00e9cies de aves, cerca de 100 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, aproximadamente 50 esp\u00e9cies de anf\u00edbios, 97 de r\u00e9pteis e 50 de peixes.<br \/>\nA atividade pecu\u00e1ria convive com essa rica biodiversidade h\u00e1 pelo menos 300 anos, contribuindo, em muitos casos, para a manuten\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio ambiental. Al\u00e9m disso, o Pampa abriga importantes \u00e1reas de recarga do Aqu\u00edfero Guarani, fundamentais para a sustenta\u00e7\u00e3o de extensas redes hidrogr\u00e1ficas no Brasil e nos pa\u00edses do Prata.<\/p>\n<p><strong><em>O Pampa e o ga\u00facho<\/em><\/strong><br \/>\nA cria\u00e7\u00e3o animal, iniciada no contexto das redu\u00e7\u00f5es jesu\u00edticas, favoreceu o surgimento das est\u00e2ncias \u2014 grandes propriedades rurais que estruturaram a base econ\u00f4mica e sociocultural da regi\u00e3o. Esse processo esteve na origem da constru\u00e7\u00e3o da figura do ga\u00facho e de pr\u00e1ticas produtivas que marcaram historicamente o Sul do Brasil.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 como pensar o Rio Grande do Sul sem aludir \u00e0 figura do ga\u00facho \u2014 o \u201ccentauro do Pampa\u201d \u2014, forjada na intera\u00e7\u00e3o entre o homem e o meio, e na mescla de influ\u00eancias ib\u00e9ricas com grupos ind\u00edgenas, como minuanos, charruas e guenoas. Muitas atividades ligadas ao artesanato do couro e da l\u00e3, assim como a pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria tradicional, correm um s\u00e9rio risco de desaparecer. O ga\u00facho pode acabar reduzido a uma simples estampa ou imagem ic\u00f4nica afixada na parede.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pampa n\u00e3o \u00e9 apenas uma paisagem de horizontes abertos; \u00e9 um bioma de profundidades. Guardi\u00e3o de uma biodiversidade \u00fanica e ber\u00e7o das \u00e1guas do Aqu\u00edfero Guarani, \u00e9 o alicerce da identidade ga\u00facha e platina. Hoje o mosaico vivo de pastagens nativas cede lugar \u00e0 monotonia da soja. Onde havia diversidade, hoje impera a monocultura. 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