{"id":1077,"date":"2017-07-03T23:21:32","date_gmt":"2017-07-04T02:21:32","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/?p=1077"},"modified":"2017-07-06T22:10:24","modified_gmt":"2017-07-07T01:10:24","slug":"manifesto-sobre-o-meio-ambiente-2017","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/2017\/07\/03\/manifesto-sobre-o-meio-ambiente-2017\/","title":{"rendered":"MANIFESTO SOBRE O MEIO AMBIENTE &#8211; DIA 05 DE JUNHO DE 2017"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/files\/2017\/07\/SEMANA-DO-MEIO-AMBIENTE-TEXTO.pdf\">SEMANA DO MEIO AMBIENTE TEXTO<\/a><\/p>\n<p>No dia 5 de Junho passado, dia que referencia o Meio Ambiente, reuniram-se<br \/>\nprofessores e pesquisadores de universidades do Rio Grande do Sul que t\u00eam longa e particular<br \/>\naten\u00e7\u00e3o voltada para as quest\u00f5es que influenciam diretamente a natureza e as pessoas,<br \/>\nmonitorando e observando os efeitos diversos que lhe atingem mas, com principal foco no<br \/>\nnosso estado e no Bioma Pampa. O objeto foi o debate e a elabora\u00e7\u00e3o do presente texto.<br \/>\nSabe-se que muitas destas quest\u00f5es t\u00eam pressupostos integrados e orientados pela<br \/>\nl\u00f3gica do mercado e do lucro, e que todas as an\u00e1lises feitas devem levar em conta o modo de<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o que destr\u00f3i o ser humano e a natureza. Nesta oportunidade foram reafirmados<br \/>\nprinc\u00edpios e comprometimento com a exist\u00eancia humana e com a natureza.<br \/>\nEntende-se que, gradativamente, as quest\u00f5es ambientais assumem as manchetes que<br \/>\nh\u00e1 muitas d\u00e9cadas a imprensa lhes devem mas que s\u00e3o temas sempre relegados \u00e0 espa\u00e7os de<br \/>\n&#8220;curiosidades&#8221; e n\u00e3o de centralidade da subsist\u00eancia da pr\u00f3pria esp\u00e9cie humana. Ali\u00e1s, com<br \/>\nfrequ\u00eancia, observa-se o entendimento equivocado, mas repetidamente estimulado, de que o<br \/>\n&#8220;homem&#8221; e &#8220;Meio Ambiente&#8221; s\u00e3o elementos dicot\u00f4micos, n\u00e3o coexistentes, pouco<br \/>\nrelacionados, numa l\u00f3gica absurda e longe de qualquer realidade biol\u00f3gica; o que se passa<br \/>\ncom um afeta o outro direta ou indiretamente, quer em breve ou alongado per\u00edodo no tempo.<br \/>\nAmbos comp\u00f5em e s\u00e3o elementos integrantes do mesm\u00edssimo espa\u00e7o!<br \/>\nO chamado &#8220;aquecimento global&#8221;, fen\u00f4meno mundial ainda pesquisado e controverso<br \/>\nmas inequ\u00edvoco nos seus efeitos e altera\u00e7\u00f5es, tem submetido a humanidade a viv\u00eancias<br \/>\ninusitadas e preocupantes. N\u00e3o obstante, mesmo as diversas e graves cat\u00e1strofes vivenciadas<br \/>\nainda n\u00e3o serviram de alertas e n\u00e3o conseguem refrear a sanha acumulativa empresarial ou<br \/>\nsequer provocar reflex\u00f5es de prud\u00eancia e bom senso em muitos gestores p\u00fablicos.<br \/>\nLocalmente tem-se o Rio Grande do Sul, e em particular o Bioma Pampa, submetidos<br \/>\naos mesmos tipos de processos explorat\u00f3rios que j\u00e1 foram abandonados h\u00e1 d\u00e9cadas, tanto por<br \/>\nsua extrema agressividade \u00e0 natureza quanto \u00e0s pessoas.<br \/>\nAs explora\u00e7\u00f5es miner\u00e1rias, jornalisticamente ligadas ao progresso, desenvolvimento,<br \/>\nrespeito ambiental e social s\u00e3o, em verdade, extremamente agressivas ao Meio Ambiente e<br \/>\nmuitas n\u00e3o respeitam nada nem ningu\u00e9m, tendo uma rela\u00e7\u00e3o inversa ao propostos acima. \u00c9<br \/>\npreocupante a revigorada investida deste setor, ainda mais com o apoio de poderes p\u00fablicos,<br \/>\ncomo \u00e9 o caso do governo ga\u00facho.<br \/>\nOs projetos e justificativas documentais gerados e apresentadas at\u00e9 o momento pelas<br \/>\npr\u00f3prias empresas, como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relat\u00f3rio de Impacto sobre<br \/>\no Meio Ambiente (RIMA), t\u00eam se mostrado cientificamente errados, documentalmente<br \/>\nequivocados, conceitualmente distorcidos, ambientalmente ca\u00f3ticos, al\u00e9m de uma absoluta<br \/>\ndesconsidera\u00e7\u00e3o com os aspectos culturais e sociais dos ga\u00fachos.<br \/>\nEste \u00e9 o caso do processo miner\u00e1rio que pretende escavar zinco, cobre, chumbo e ouro<br \/>\nem cavas a c\u00e9u aberto no munic\u00edpio de Ca\u00e7apava, especificamente em Minas de Camaqu\u00e3. Seu<br \/>\nEIA-RIMA foi detidamente analisado em reuni\u00f5es com docentes da Universidade Federal de<br \/>\nPelotas\/Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio Grande\/Campus S\u00e3o Louren\u00e7o e<br \/>\nUniversidade Federal de Santa Maria\/P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Geografia.<br \/>\nEntre outros tantos, este projeto desconsidera o fato que o local se enquadra como<br \/>\n\u00e1rea de prioridade para preserva\u00e7\u00e3o extremamente alta para o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e<br \/>\numa das quatro regi\u00f5es priorit\u00e1rias de prote\u00e7\u00e3o da Biodiversidade para o Rio Grande do Sul.<br \/>\nAdemais, este mesmo Minist\u00e9rio recomenda (Fichas PP019, PP 023 e PP 025) como atividades<br \/>\nessenciais o turismo e educa\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de indicar a minera\u00e7\u00e3o como uma amea\u00e7a.<br \/>\nO projeto apresentado pela empresa Votorantim Metais Holding e a canadense<br \/>\n&#8220;Iamgold&#8221; mostra uma rigidez locacional incompat\u00edvel com a \u00e1rea afetada, num estudo<br \/>\napresentado sem respeito \u00e0 sazonalidade do local, com amostragens de flora e fauna irris\u00f3rias<br \/>\nou mesmo inexistentes, como \u00e9 o caso de desconsiderar por absoluto os impactos de<br \/>\nexplos\u00f5es e poeiras sobre a biota.<br \/>\nEsta \u00e9 uma \u00e1rea \u00fanica e especial para a cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da pecu\u00e1ria familiar<br \/>\nsustent\u00e1vel, com um arranjo produtivo local qualificado de ovinos e turismo no pa\u00eds,<br \/>\nconsiderada uma refer\u00eancia internacional e um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural do RS. Tal fato<br \/>\nvai ao encontro dos interesses dos mercados mais exigentes!<br \/>\nEstes pecuaristas familiares s\u00e3o considerados os povos tradicionais do Pampa, sujeitos<br \/>\na tratamento legal e protetivo diferenciado, assim como um patrim\u00f4nio imaterial nos termos<br \/>\nda Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<br \/>\nAs forma\u00e7\u00f5es rochosas desta regi\u00e3o, denominadas de Guaritas, s\u00e3o consideradas uma<br \/>\ndas Sete Maravilhas do RS, integrando um seleto grupo de apenas 25 territ\u00f3rios mundiais<br \/>\nsustent\u00e1veis perante a &#8220;World Famous Montains Association&#8221;, organiza\u00e7\u00e3o com sede na China<br \/>\ne vinculada \u00e0 &#8220;United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization&#8221; (UNESCO).<br \/>\nEntende-se que este modelo de sucesso da agricultura familiar na Serra do Sudeste<br \/>\ndeve ser reproduzido em outras regi\u00f5es pampeanas, n\u00e3o se aceitando, como desejam<br \/>\nexclusivamente os interesses particulares empresariais ou o apoio equivocado de prefeituras e<br \/>\ndo governo ga\u00facho, uma altera\u00e7\u00e3o da matriz produtiva de agropastoril para miner\u00e1ria!<br \/>\nTamb\u00e9m fica aqui expresso o desacordo com as a\u00e7\u00f5es do Pal\u00e1cio do Piratini nesta \u00e1rea<br \/>\ndo Meio Ambiente, mais especificamente com a atitude de extin\u00e7\u00e3o de entidades fundacionais<br \/>\ndo RS, como foi o caso da Funda\u00e7\u00e3o Zoobot\u00e2nica. Ainda os cortes de or\u00e7amento em ci\u00eancia e<br \/>\ntecnologia, tanto em n\u00edvel nacional quanto estadual, t\u00eam forte impacto negativo, como \u00e9 o<br \/>\ncaso do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), estabelecido para criar as bases<br \/>\ncient\u00edficas necess\u00e1rias para atender objetivos como as metas da Conven\u00e7\u00e3o da Diversidade<br \/>\nBiol\u00f3gica.<br \/>\nA reativa\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o do carv\u00e3o para a obten\u00e7\u00e3o de energia \u00e9 il\u00f3gica, uma vez<br \/>\nque este mineral no RS apresenta altas cargas de poluentes, como \u00e9 o caso de compostos<br \/>\nderivados de enxofre e nitrog\u00eanio, e cuja queima gera expressivas quantidades de perigosos<br \/>\npoluentes na atmosfera. Por conta desta atividade j\u00e1 foram registrados cursos de \u00e1gua com pH<br \/>\n4,5 na regi\u00e3o em torno da cidade de Bag\u00e9, fato alarmente pois o ideal para consumo humano<br \/>\nencontra-se entre pH 6.0 e 7.5. \u00c9 ilus\u00f3rio imaginar que &#8220;novas tecnologias&#8221; ou &#8220;altas filtragens&#8221;<br \/>\npoder\u00e3o impedir a contamina\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e das pessoas.<br \/>\nTamb\u00e9m preocupante \u00e9 o plantio de sementes transg\u00eanicas, num descontrole que o<br \/>\npr\u00f3prio governo ga\u00facho n\u00e3o sabe informar a extens\u00e3o cultivada ou seu percentual com<br \/>\naltera\u00e7\u00f5es g\u00eanicas.<br \/>\nSegundo o s\u00edtio da Emater tem-se aproximadamente 6,5 milh\u00f5es de hectares ocupados<br \/>\ncom diferentes gr\u00e3os no RS (soja, arroz, milho, feij\u00e3o) onde a soja ocupa a grande parte, numa<br \/>\nprodu\u00e7\u00e3o calcada em venenos potentes, respons\u00e1veis por altera\u00e7\u00f5es cromoss\u00f4micas, mal<br \/>\nforma\u00e7\u00f5es fetais, alergias, intoxica\u00e7\u00f5es, mortes prematuras, c\u00e2nceres, interna\u00e7\u00f5es<br \/>\nhospitalares, entre outros.<br \/>\nA soja transg\u00eanica avan\u00e7a de forma descontrolada gerando grave degrada\u00e7\u00e3o<br \/>\nambiental no Bioma Pampa, ocupando e alterando negativamente \u00e1reas anteriormente<br \/>\nempregadas para a pecu\u00e1ria, impondo o recuo desta atividade que \u00e9 um dos mais fortes<br \/>\ns\u00edmbolos do RS: o ga\u00facho e suas lidas! Em passado recente esta imagem j\u00e1 sofreu forte<br \/>\nimpacto quando, atrav\u00e9s de intensa propaganda enganosa, a popula\u00e7\u00e3o foi induzida a<br \/>\nacreditar que as imensas lavouras de eucaliptos trariam desenvolvimento e riquezas mas que,<br \/>\nentre outros e na realidade, foram plantadas em locais com qualidade para a produ\u00e7\u00e3o de<br \/>\nalimentos, fato que prejudicou a agricultura familiar, gerando afastamento do homem no<br \/>\ncampo e do campo.<br \/>\nA bem da verdade, a agricultura vem sofrendo nos \u00faltimos anos forte altera\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprop\u00f3sito e metas, quando o &#8220;agrobusiness&#8221; imp\u00f5e uma vis\u00e3o onde &#8220;alimento&#8221; transformouse<br \/>\nem &#8220;commodity&#8221;, metas de lucros valem mais que pessoas e o enriquecimento de uns<br \/>\npoucos \u00e9 alardeado como vantagem de muitos. Como se apresenta, este &#8220;neg\u00f3cio&#8221; \u00e9 a<br \/>\ncontinuidade de um projeto de &#8220;Brasil col\u00f4nia&#8221;, exatamente porque promove a exporta\u00e7\u00e3o de<br \/>\nprodutos prim\u00e1rios e sem qualquer valor agregado e, no caso de sementes, inclusive com o<br \/>\nenvio para outros pa\u00edses de grandes quantidades de \u00e1gua. O que resta ao brasileiro\/pampeano<br \/>\n\u00e9 o desemprego, solo degradado e Meio Ambiente desequilibrado. A gera\u00e7\u00e3o de empregos de<br \/>\nqualidade e ac\u00famulo de lucros ocorrem sempre no exterior, deixando muitos dos nossos<br \/>\nestudantes egressos das universidades sem mercado de trabalho.<br \/>\nAs empresas exploradoras n\u00e3o dialogam com a sociedade, sempre preferindo reuni\u00f5es<br \/>\nfechadas com pol\u00edticos ou empres\u00e1rios e as audi\u00eancias p\u00fablicas s\u00f3 teatralizam espa\u00e7os de<br \/>\ntrocas de informa\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o promovem o necess\u00e1rio e real debate ou respeito coletivo, s\u00f3<br \/>\ndando tr\u00eas minutos de fala a cada cidad\u00e3o e horas para as empresas. As apresenta\u00e7\u00f5es<br \/>\ndistorcidas e longe da realidade destas teatrais assembleias s\u00e3o not\u00f3rias e inquestion\u00e1veis.<br \/>\nEntretanto, entre todos os problemas que vivenciamos, n\u00e3o restam d\u00favidas de que a<br \/>\n\u00e1gua \u00e9 um dos temas mais centrais.<br \/>\n71% da superf\u00edcie do planeta \u00e9 coberta por \u00e1gua salgada, tem-se somente 3% de \u00e1gua<br \/>\ndoce, da qual 2% encontram-se em geleiras e 1% em rios, lagos e len\u00e7\u00f3is subterr\u00e2neos, sendo<br \/>\nsomente 10% deste 1% \u00e9 pot\u00e1vel. Entretanto, por um lado ela \u00e9 desfrutada com princ\u00edpios e<br \/>\nl\u00f3gicas medievais e como um bem inesgot\u00e1vel e, por outro, t\u00eam seus mananciais disputados<br \/>\ncom conflitos b\u00e9licos entre alguns pa\u00edses.<br \/>\nH\u00e1 d\u00e9cadas tem-se imagens do agreste nordestino mostrado em pessoas na extrema<br \/>\npobreza, precocemente envelhecidas, crian\u00e7as famintas e tendo que caminhar quil\u00f4metros<br \/>\npara conseguir um m\u00ednimo de \u00e1gua. A paisagem t\u00f3rrida com esqueletos de animais ou urubus<br \/>\nque se alimentam da carni\u00e7a s\u00e3o registradas com &#8220;insens\u00edvel naturalidade&#8221; por<br \/>\ntelespectadores. A pol\u00edtica de perfura\u00e7\u00e3o de po\u00e7os s\u00f3 serviu como t\u00e1tica eleitoreira e para<br \/>\nbeneficiar espertalh\u00f5es.<br \/>\nOs estados de S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais ainda tentam se recuperar de<br \/>\ncrise h\u00eddrica que castigou severamente a popula\u00e7\u00e3o urbana e rural. Mesmo este fen\u00f4meno<br \/>\nclim\u00e1tico tendo sido previsto com 10 anos de anteced\u00eancia, as a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas sempre surgem<br \/>\nde forma tardia e equivocada.<br \/>\nEstas crises h\u00eddricas n\u00e3o s\u00e3o mais compreendidas como problemas &#8220;regionais&#8221; e n\u00e3o se<br \/>\ncircunscrevem a estados ou microrregi\u00f5es. Hoje entende-se a tremenda import\u00e2ncia dos<br \/>\n\u201ccursos de \u00e1gua atmosf\u00e9ricos\u201d (&#8220;rios voadores&#8221;), massas de ar carregadas de vapor de \u00e1gua e<br \/>\npropelidas por ventos. A sua din\u00e2mica de distribui\u00e7\u00e3o \u00e9 10 mil vezes mais r\u00e1pida que as<br \/>\ncorrentes oce\u00e2nicas, manifestando-se em forma de chuva, neve, granizo e nevoeiro. Estes &#8220;rios<br \/>\nvoadores&#8221; passam sobre nossas cabe\u00e7as, comprovando que a Bacia Amaz\u00f4nica est\u00e1 &#8220;aqui ao<br \/>\nlado&#8221;, pois \u00e9 desta que chega parcela de umidade que ajuda a irrigar o Sudeste, Centro-Oeste e<br \/>\nnosso Sul do Brasil. Ou seja, \u00e9 ilus\u00f3rio pensar que o criminoso desmatamento da Floresta<br \/>\nAmaz\u00f4nica n\u00e3o nos atinge, motivo pelo qual critica-se a Medida Provis\u00f3ria (MP) 756 que retira<br \/>\na prote\u00e7\u00e3o sobre 588,5 mil hectares de florestas na Amaz\u00f4nia. Ainda como atitude critic\u00e1vel<br \/>\ntem-se a MP 758 que diminui em 20% o Parque Nacional de S\u00e3o Joaquim (SC), um dos<br \/>\nprincipais ref\u00fagios da biodiversidade da Mata Atl\u00e2ntica na regi\u00e3o sul.<br \/>\nPara al\u00e9m, deve-se zelar pela qualidade da \u00e1gua e sua potabilidade, ou seja, \u00e1gua livre<br \/>\nde agentes que possam ocasionar doen\u00e7as e poss\u00edvel de ser bebida por homens e animais.<br \/>\nPublica\u00e7\u00e3o da Embrapa (Panorama da Contamina\u00e7\u00e3o Ambiental por Agrot\u00f3xicos e<br \/>\nNitrato de origem Agr\u00edcola no Brasil: Cen\u00e1rio 1992\/2011) informa que &#8220;estudos realizado por<br \/>\nMattos et al. (2002) t\u00eam mostrado a presen\u00e7a de glifosato em lavouras de arroz irrigado com<br \/>\n\u00e1gua proveniente da Lagoa Mirim em concentra\u00e7\u00f5es acima de 7 \u03bcg L-1<br \/>\n, valor m\u00e1ximo permitido<br \/>\npela Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Americana (USEPA)&#8221;. Entretanto, este valor \u00e9 maior que o<br \/>\nvolume normal circulante de 0,31 a 1,52 \u03bcg L-1<br \/>\nde progesterona durante fase folicular para a<br \/>\nmulher, ou seja, estas est\u00e3o expostas a uma concentra\u00e7\u00e3o de t\u00f3xicos bem superior que alguns<br \/>\ndos seus pr\u00f3prios horm\u00f4nios (para este caso em at\u00e9 4,6 vezes mais). No mesmo sentido, e com<br \/>\n\u00eanfase, publica\u00e7\u00f5es indicam que o glifosato induz o crescimento de c\u00e9lulas cancerosas em<br \/>\nmamas da esp\u00e9cie humana via receptores de estrog\u00eanio.<br \/>\nAdiante, o mesmo trabalho da Embrapa cita que &#8220;na plan\u00edcie costeira externa e<br \/>\nfronteira oeste do Rio Grande do Sul, no per\u00edodo 2007\/2008, encontraram res\u00edduos de 3<br \/>\nhidroxi-carbofurano, clomazona, cialofope but\u00edlico, 2,4-D, azoxistrobina, bentazona,<br \/>\ndifenoconazol, edifenf\u00f3s, etoxissulfurom, fipronil, glifosato, imazetapir, mancozebe,<br \/>\noxadiazona, oxifluorfen, penoxsulam, propanil, tebuconazol, tetraconazol, tiabendazol,<br \/>\ntiobencarbe&#8221;. Tamb\u00e9m informa que &#8220;res\u00edduo do herbicida 2,4-D tamb\u00e9m foi detectado em uma<br \/>\n\u00e1rea piloto (AP) da Produ\u00e7\u00e3o Integrada de Arroz (PIA), localizada na Fronteira Oeste do Rio<br \/>\nGrande do Sul na safra agr\u00edcola de 2006\/2007, na concentra\u00e7\u00e3o de 0,001 mg kg-1 de solo&#8221;.<br \/>\nEm assim sendo, e n\u00e3o por acaso, o Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA) cita o RS como<br \/>\no estado no Brasil com a maior taxa de mortalidade de c\u00e2ncer e, em 2013, foram 186 homens<br \/>\ne 140 mulheres mortos para cada grupo de 100 mil habitantes de cada sexo, sendo que a<br \/>\nmaioria dos pacientes v\u00eam da \u00e1rea rural. O Brasil \u00e9 o l\u00edder mundial no consumo de agrot\u00f3xicos<br \/>\ndesde 2009 e, em 2016, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) calculou que o<br \/>\nbrasileiro consumia at\u00e9 12 litros de agrot\u00f3xico por ano.<br \/>\nComo t\u00eam-se v\u00e1rios venenos agr\u00edcolas dispersos na natureza em quantidades<br \/>\nelevad\u00edssimas, por l\u00f3gica faz-se obrigat\u00f3rio inferir que o impacto destes agrot\u00f3xicos sobre as<br \/>\nabelhas e outros insetos que proporcionam servi\u00e7os fundamentais \u00e0 natureza e \u00e0s pessoas s\u00e3o<br \/>\ndevastadores.<br \/>\nDe tal forma, diante de tantos problemas, resta-nos o trabalho incessante e<br \/>\npermanente no alerta de quest\u00f5es que impactam o Meio Ambiente.<br \/>\nEntende-se, enfim, que a principal, sen\u00e3o a \u00fanica op\u00e7\u00e3o para a salvaguarda de um<br \/>\nfuturo com melhor qualidade para todos n\u00f3s, resida no apoio e qualifica\u00e7\u00e3o da agricultura<br \/>\nfamiliar.<br \/>\n\u00c9 fundamental que este agricultor receba est\u00edmulos diferenciados e n\u00e3o o abandono<br \/>\nconstatado, para que continue produzindo alimentos com qualidade e livre de venenos<br \/>\nagr\u00edcolas. Ele deve ser orientado, estimulado e apoiado na preserva\u00e7\u00e3o de nossas nascentes e<br \/>\n&#8220;olhos de \u00e1gua&#8221;, evitando que estas sofram deteriora\u00e7\u00e3o mediante desmatar ou pisotear do<br \/>\ngado. As estradas que lhes atendem devem ser recuperadas e preservadas, facilitando o<br \/>\nescoamento da sua produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Preserva\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o de matas ciliares, postos de<br \/>\nsa\u00fade, escolas, oportunidades de cultura e lazer devem estar sempre na mira dos gestores<br \/>\np\u00fablicos.<br \/>\nO tempo de refletir j\u00e1 passou h\u00e1 muito, restando-nos pouco tempo para agir.<br \/>\nO Meio Ambiente exige aten\u00e7\u00e3o diferenciada e redobrada pois h\u00e1 muito as pessoas<br \/>\nv\u00eam sofrendo severos impactos sem que sequer percebam a gravidade da nossa situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nSe nosso futuro est\u00e1 amea\u00e7ado, tamb\u00e9m \u00e9 inequ\u00edvoco que nosso presente est\u00e1<br \/>\nseveramente degradado e n\u00e3o podemos fugir da responsabilidade de garantir qualidade de<br \/>\nvida para as gera\u00e7\u00f5es presente e futura.<br \/>\nASSINAM ESTA MANIFESTA\u00c7\u00c3O<br \/>\n1. Conselho Departamental do Instituto de Biologia \/ UFPel<br \/>\n2. Instituto de Bioci\u00eancias &#8211; UFRGS<br \/>\n3. Prof. Dr. Althen Teixeira Filho &#8211; UFPel &#8211; Diretor do Instituto de Biologia<br \/>\n4. Prof. Dr. Marco Gottschalk &#8211; UFPel &#8211; Vice-Diretor do Instituto de Biologia<br \/>\n5. Profa. Dra. Jaqueline Durigo &#8211; FURG &#8211; Campus S\u00e3o Louren\u00e7o do Sul<br \/>\n6. Profa. Dra. Jane Pereira &#8211; UNIPAMPA &#8211; Campus de S\u00e3o Gabriel<br \/>\n7. Prof. Dr. Carlos Alberto da Fonseca Pires &#8211; UFSM &#8211; Departamento de Geoci\u00eancias<br \/>\n8. Prof. Dr. Daniel Loebmann &#8211; FURG &#8211; Diretor do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas<br \/>\n9. Profa. Dra. Anabele Deble &#8211; URCAMP &#8211; Curso de Licenciatura em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e<br \/>\nTecnologia em Gest\u00e3o Ambiental<br \/>\n10. Prof. Dr. Edison Zefa &#8211; UFPel &#8211; Curso de Licenciatura e Bacharelado em Ci\u00eancias<br \/>\nBiol\u00f3gicas e Engenharia Ambiental e Sanit\u00e1ria<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>SEMANA DO MEIO AMBIENTE TEXTO No dia 5 de Junho passado, dia que referencia o Meio Ambiente, reuniram-se professores e pesquisadores de universidades do Rio Grande do Sul que t\u00eam longa e particular aten\u00e7\u00e3o voltada para as quest\u00f5es que influenciam diretamente a natureza e as pessoas, monitorando e observando os efeitos diversos que lhe atingem [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":488,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[10558],"tags":[],"class_list":["post-1077","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direcao"],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6S2gY-hn","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/users\/488"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1077"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1084,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1077\/revisions\/1084"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1077"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1077"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ib\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1077"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}