{"id":422,"date":"2019-07-07T18:34:22","date_gmt":"2019-07-07T21:34:22","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/geomercosul\/?p=422"},"modified":"2019-07-07T18:34:22","modified_gmt":"2019-07-07T21:34:22","slug":"acordo-ue-e-mercosul-nao-e-motivo-para-ufanismo-em-queda-de-precos-diz-ex-embaixador-graca-lima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/geomercosul\/2019\/07\/07\/acordo-ue-e-mercosul-nao-e-motivo-para-ufanismo-em-queda-de-precos-diz-ex-embaixador-graca-lima\/","title":{"rendered":"Acordo UE e Mercosul n\u00e3o \u00e9 motivo para ufanismo em queda de pre\u00e7os, diz ex-embaixador Gra\u00e7a Lima"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quase vinte anos de negocia\u00e7\u00f5es, a Uni\u00e3o Europeia e os pa\u00edses do Mercosul fecharam o maior acordo entre blocos econ\u00f4micos da hist\u00f3ria, que deve impulsionar fortemente o com\u00e9rcio entre as duas regi\u00f5es. Juntas, elas representam cerca de 25% do Produto Interno Bruto Mundial, ou \u20ac18 trilh\u00f5es, formando um mercado integrado de 780 milh\u00f5es de pessoas. A RFI conversou sobre esse assunto com o diplomata Jos\u00e9 Gra\u00e7a Lima, ex-embaixador da miss\u00e3o do Brasil junto \u00e0 UE.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O pacto, anunciado durante a c\u00fapula do G20, no Jap\u00e3o, eliminar\u00e1 tarifas alfandeg\u00e1rias em quase todos os setores da economia entre a Uni\u00e3o Europeia, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.\u00a0Em 2018, os dois blocos negociaram cerca de \u20ac 88 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil e o Mercosul nunca estiveram isolados, nunca estiveram a margem do sistema multilateral de com\u00e9rcio. Em primeiro lugar, porque s\u00e3o membros da OMC e porque esses pa\u00edses puderam se integrar, ao longo dos anos, atrav\u00e9s da agricultura\u201d, explica Jos\u00e9 Gra\u00e7a Lima. \u201cTalvez pelo lado da ind\u00fastria e servi\u00e7os, em que houve muita perda de competitividade e produtividade por parte das nossas economias que o tempo foi desperdi\u00e7ado. Esse esfor\u00e7o para concluir um acordo exitoso com a Uni\u00e3o Europeia vai certamente ter um impacto sobre esses setores que estavam mais divorciados\u201d, acrescenta o embaixador que atuou nas negocia\u00e7\u00f5es em Bruxelas entre 1999 e 2003, ano de apresenta\u00e7\u00e3o da primeira oferta agr\u00edcola europeia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de eliminar impostos na ind\u00fastria e no setor agr\u00edcola, o tratado inclui servi\u00e7os, compras p\u00fablicas, barreiras t\u00e9cnicas ao com\u00e9rcio, medidas sanit\u00e1rias e fitossanit\u00e1rias.<\/p>\n<p>O acordo permitir\u00e1 ao Mercosul exportar 99 mil toneladas de carne bovina para a Europa, com uma tarifa preferencial de 7,5%. Em contrapartida, os impostos do Mercosul sobre vinho (27%), chocolate (20%), biscoitos (16 a 18%), refrigerantes (20 a 35%) ou azeitonas ser\u00e3o removidos. As tarifas sobre as importa\u00e7\u00f5es de carros (35%), pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o e produtos qu\u00edmicos (at\u00e9 18%) tamb\u00e9m devem desaparecer.<\/p>\n<p>Enquanto ambientalistas atacam as poss\u00edveis consequ\u00eancias do acordo para o clima,\u00a0agricultores europeus reclamam da situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 fr\u00e1gil do setor, que passar\u00e1 a enfrentar novos concorrentes.<\/p>\n<p>A fim de garantir que o acordo seja vantajoso para todos e acalmar produtores locais, a Comiss\u00e3o Europeia informou que a abertura do mercado para os produtos agr\u00edcolas do Mercosul estar\u00e1 sujeita a cotas, cuidadosamente gerenciadas, para n\u00e3o haver risco de nenhum artigo inundar o mercado europeu. Est\u00e3o previstas, por exemplo, cotas de 180.000 toneladas para o a\u00e7\u00facar e de 100.000 para as aves.<\/p>\n<p>\u201cOs produtos agr\u00edcolas considerados sens\u00edveis est\u00e3o sob regime de cotas. Outros est\u00e3o sujeitos a prefer\u00eancias tarif\u00e1rias, ent\u00e3o isso n\u00e3o \u00e9 livre com\u00e9rcio. De modo que \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o ser muito ufanista ou otimista com rela\u00e7\u00e3o a ganhos de acesso no curto e no m\u00e9dio prazo\u201d, afirma Gra\u00e7a Lima. \u201cAlguns produtos ser\u00e3o liberalizados ao longo do tempo. S\u00f3 ent\u00e3o os consumidores do Mercosul poder\u00e3o esperar produtos com pre\u00e7os mais baixos para queijos e vinhos, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>Com a vincula\u00e7\u00e3o do Brasil \u00e0s chamadas redes globais de valor, o Minist\u00e9rio da Economia calcula que o pacto representar\u00e1 um aumento do PIB brasileiro de US$ 87,5 at\u00e9 US$ 125 bilh\u00f5es, em 15 anos.<\/p>\n<p>\u201cPara isso o Brasil teria que obedecer a todas as cotas, tudo deveria seguir um percurso de aumento do com\u00e9rcio muito expressivo. Mas isso vai depender do desempenho das economias. Pois, quando a economia brasileira est\u00e1 aquecida, as exporta\u00e7\u00f5es caem, uma vez que os produtores dirigem a sua produ\u00e7\u00e3o para o mercado interno\u201d, explica o diplomata brasileiro.<\/p>\n<p>\u201cCertamente deve ter havido, ao longo do tempo, concess\u00f5es por parte do Mercosul que v\u00e3o ao encontro do discurso que o governo adotou de liberalizar, de reduzir custos e imposto \u00e9 custo\u201d.<\/p>\n<p><strong>Retomada do Mercosul<\/strong><\/p>\n<p>O novo acordo com a Uni\u00e3o Europeia poder\u00e1 promover um rearranjo do Mercosul. O bloco nasceu como uma plataforma de integra\u00e7\u00e3o competitiva das economias da regi\u00e3o, mas, segundo explica Gra\u00e7a Lima, foi logo dominado por rela\u00e7\u00f5es que estiveram, num per\u00edodo hist\u00f3rico recente, contaminadas por ideologia. Assim, conversas sobre integra\u00e7\u00e3o log\u00edstica, energ\u00e9tica e aduaneira acabaram ficando de lado.<\/p>\n<p>\u201cO Mercosul se tornou um grande sucesso pol\u00edtico, apesar de ter tido epis\u00f3dios muito negativos, mas de qualquer maneira permitiu aos pa\u00edses se coordenarem e manterem a paz e a seguran\u00e7a dentro das fronteiras. Esses s\u00e3o ganhos n\u00e3o comerciais. Do ponto de vista comercial, ele deixou muito a desejar, quando, a partir de 1998, produtos importantes ficaram fora da zona de livre com\u00e9rcio e outros mantiveram tarifas muito altas, que agora tendem a cair\u201d, acredita.<\/p>\n<p>\u201cA minha expectativa \u00e9 de que na sua forma final, como os t\u00e9cnicos entregaram aos pol\u00edticos, que o acordo seja equilibrado. Que tenha ganhos dos dois lados, tanto em termos de acesso quanto em termos institucionais. Especialmente em termos de Mercosul, que deixou de lado h\u00e1 muito tempo a sua voca\u00e7\u00e3o de ser um exemplo de um regionalismo aberto e que, portanto, atrav\u00e9s desse acordo pode retomar essa trajet\u00f3ria\u201d, conclui o vice-presidente do Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p><strong>Um longo caminho at\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O compromisso negociado pela Comiss\u00e3o Europeia e o Mercosul ainda ter\u00e1 de ser aprovado pelos 28 Estados-Membros e depois pelo Parlamento Europeu. Um caminho que promete ser delicado.<\/p>\n<p>\u201cO acordo da Uni\u00e3o Europeia com o Canad\u00e1 quase foi barrado porque o Parlamento belga tinha d\u00favidas. Al\u00e9m disso, tem os lobbies, sobretudo o agr\u00edcola. Lembremos que em mar\u00e7o e abril deste ano havia agricultores despejando sua produ\u00e7\u00e3o no Champs-\u00c9lys\u00e9es ou no Arco do Triunfo. Esse setor da economia n\u00e3o aceita, n\u00e3o s\u00f3 a concorr\u00eancia, mas se preocupa com uma quest\u00e3o de manuten\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os e competitividade para a produ\u00e7\u00e3o local\u201d, diz o ex-embaixador da miss\u00e3o do Brasil junto \u00e0 UE.<\/p>\n<p><strong>Choque de modernidade \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Segundo alguns observadores internacionais, essa nova fase pode servir como est\u00edmulo para o fechamento de outros acordos, atrav\u00e9s dos quais o Brasil possa aproveitar mais os fluxos din\u00e2micos da economia mundial.<\/p>\n<p>Pela experi\u00eancia de outros pa\u00edses, tratados internacionais desse porte podem funcionar como catalizadores de reformas internas. No entanto, conforme explica Gra\u00e7a Lima, um choque de modernidade e de competitividade n\u00e3o vir\u00e1 apenas por meio de uma inser\u00e7\u00e3o maior do Brasil na economia mundial.<\/p>\n<p>\u201cEu acho que o choque s\u00f3 vir\u00e1 de forma aut\u00f4noma, quando o pr\u00f3prio Brasil e eventualmente os outros pa\u00edses do Mercosul traduzirem essa vontade em programas de redu\u00e7\u00e3o tarif\u00e1ria, elimina\u00e7\u00e3o de medidas n\u00e3o tarif\u00e1rias, diminuam os seus custos e melhorem o ambiente de neg\u00f3cios\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>http:\/\/br.rfi.fr\/brasil\/20190701-rfi-convida-jose-alfredo-graca-lima?fbclid=IwAR2_s3CYaDdOVtI895dgsOSVLuZpKDHitsOyPyjYdIbUUB7OFz9yxLROEQo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quase vinte anos de negocia\u00e7\u00f5es, a Uni\u00e3o Europeia e os pa\u00edses do Mercosul fecharam o maior acordo entre blocos econ\u00f4micos da hist\u00f3ria, que deve impulsionar fortemente o com\u00e9rcio entre as duas regi\u00f5es. 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