{"id":1036,"date":"2023-08-07T08:44:47","date_gmt":"2023-08-07T11:44:47","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/geomercosul\/?p=1036"},"modified":"2023-08-04T23:47:28","modified_gmt":"2023-08-05T02:47:28","slug":"ampliacao-dos-brics-a-ampliacao-dos-brics-dificulta-o-funcionamento-do-grupo-enfraquece-a-sua-coesao-e-nao-interessa-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/geomercosul\/2023\/08\/07\/ampliacao-dos-brics-a-ampliacao-dos-brics-dificulta-o-funcionamento-do-grupo-enfraquece-a-sua-coesao-e-nao-interessa-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Amplia\u00e7\u00e3o dos BRICS? A amplia\u00e7\u00e3o dos BRICS dificulta o funcionamento do grupo, enfraquece a sua coes\u00e3o e n\u00e3o interessa ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/BRICS\">BRICS\u00a0<\/a>est\u00e3o discutindo atualmente dois temas estrat\u00e9gicos: a entrada (ou n\u00e3o) de novos pa\u00edses no grupo e a cria\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) de uma nova moeda patrocinada por eles como parte dos esfor\u00e7os de desdolariza\u00e7\u00e3o da economia mundial. Os dois temas estar\u00e3o, pelo que se sabe, na pauta da c\u00fapula dos l\u00edderes dos BRICS que acontecer\u00e1 na \u00c1frica do Sul em menos de um m\u00eas. Vou tratar do primeiro e deixar o segundo para outra ocasi\u00e3o. Darei uma resposta contraintuitiva \u00e0 quest\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de pa\u00edses. Parece boa ideia, mas n\u00e3o \u00e9 \u2013 nem para o Brasil, nem para os BRICS em conjunto.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/BRICS\">BRICs\u00a0<\/a>foram fundados por quatro pa\u00edses, em 2008 \u2013 Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia e China. A \u00c1frica do Sul entrou depois, em 2011 (com a sigla passando de BRICs para BRICS). O que os cinco t\u00eam em comum? Entre outras coisas, a dimens\u00e3o econ\u00f4mica, populacional e geogr\u00e1fica. Este ponto, veremos, \u00e9 crucial para responder \u00e0 quest\u00e3o colocada. Os quatro membros originais est\u00e3o entre os gigantes do planeta. A \u00c1frica do Sul n\u00e3o tem tamanho compar\u00e1vel, mas \u00e9 uma das mais importantes na\u00e7\u00f5es da \u00c1frica Sul Saariana. Discuti as origens, caracter\u00edsticas e iniciativas dos BRICS no meu livro mais recente \u2013\u00a0<em><a href=\"https:\/\/portalclubedeengenharia.org.br\/2019\/12\/10\/paulo-nogueira-batista-jr-o-brasil-nao-cabe-no-quintal-de-ninguem\/\">O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/a><\/em>, especialmente na segunda edi\u00e7\u00e3o, editada em 2021.<\/p>\n<p>\u00c9 muito expressivo o n\u00famero de na\u00e7\u00f5es emergentes e em desenvolvimento que pleiteiam ingresso nos BRICS. S\u00e3o pa\u00edses da \u00c1frica, da \u00c1sia, do Oriente M\u00e9dio e da Am\u00e9rica Latina \u2013 sinal inequ\u00edvoco do prest\u00edgio crescente do grupo no chamado Sul Global. Noticia-se que dezenas de pa\u00edses estariam interessados em aderir, entre eles Ar\u00e1bia Saudita, Ir\u00e3, Emirados \u00c1rabes, Egito e Argentina.<\/p>\n<p>Interessa aos BRICS acolher novos pa\u00edses? China e R\u00fassia apoiam a ideia. Simpatizantes do grupo em todo o mundo, inclusive no Brasil, t\u00eam se manifestado a favor da iniciativa, \u00e0s vezes com entusiasmo, vendo-a como parte da consolida\u00e7\u00e3o de um mundo multipolar e da supera\u00e7\u00e3o, em definitivo, da hegemonia do Ocidente.<\/p>\n<p>Esses apoios s\u00e3o inteiramente compreens\u00edveis e at\u00e9 intuitivos, mas intui\u00e7\u00e3o n\u00e3o basta, particularmente em temas intrincados como esse. Um exame da quest\u00e3o revela, a meu ver, que a amplia\u00e7\u00e3o n\u00e3o interessa nem ao Brasil, nem aos BRICS como grupo. Essa tem sido, ali\u00e1s, a posi\u00e7\u00e3o tradicional do Brasil, desde que a China colocou o tema em discuss\u00e3o em 2017. A posi\u00e7\u00e3o \u00e9, reconhe\u00e7o, um pouco antip\u00e1tica \u2013 como desapontar, por exemplo, os nossos queridos aliados argentinos que est\u00e3o entre os que manifestaram interesse em aderir? Mas, convenhamos, o receio de desapontar outros pa\u00edses n\u00e3o deve se sobrepor ao interesse nacional estrat\u00e9gico.<\/p>\n<p>Apesar de complexo, o tema pode ser explicado, em seus pontos essenciais, de forma relativamente breve. A amplia\u00e7\u00e3o tende a prejudicar os BRICS de duas maneiras: a) primeiro, por tornar mais complicada a opera\u00e7\u00e3o do grupo, em especial se for grande o n\u00famero de novos membros; e b) segundo, porque h\u00e1 o risco de que entrem na\u00e7\u00f5es de menor porte e potencialmente menos independentes e mais vulner\u00e1veis a press\u00f5es dos Estados Unidos e do resto do Ocidente.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<h2><strong>A<\/strong>\u00a0<strong>amplia\u00e7\u00e3o dificulta o funcionamento do grupo e enfraquece a sua coes\u00e3o<\/strong><\/h2>\n<p>O primeiro ponto parece evidente. Grupos como BRICS, G7 e G20 operam por consenso. Mesmo com apenas cinco integrantes, sempre foi dif\u00edcil chegar a um entendimento comum nas diversas quest\u00f5es colocadas na mesa desde 2008. No meu livro acima citado, descrevi as tortuosas negocia\u00e7\u00f5es entre os cinco para criar o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e o Arranjo Contingente de Reservas dos BRICS (ACR). Penamos para estabelecer e fazer funcionar o nosso banco de desenvolvimento e o nosso fundo monet\u00e1rio. Imagine, leitor ou leitora, como funcionar\u00e1 o grupo com, digamos, dez integrantes ou mais. Qualquer amplia\u00e7\u00e3o, acredito, ter\u00e1 de ser equilibrada do ponto de vista geogr\u00e1fico. Assim, o grupo subir\u00e1 para no m\u00ednimo dez, talvez 15 membros, com cada membro original patrocinando o ingresso de uma ou mais na\u00e7\u00f5es vizinhas ou politicamente pr\u00f3ximas. N\u00e3o fica claro que as dificuldades de coordena\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de consenso crescer\u00e3o exponencialmente?<\/p>\n<p>O segundo ponto \u00e9 igualmente importante. Poucos pa\u00edses no mundo, at\u00e9 entre os desenvolvidos, se comparam aos quatro BRICs originais em termos de tamanho e import\u00e2ncia. Novos membros ser\u00e3o quase sempre menores, mais dependentes e talvez mais propensos a se deixar influenciar pelos EUA ou pela Europa. Em parte por isso, podem ficar tamb\u00e9m mais sujeitos a mudan\u00e7as de governo e at\u00e9 de regime pol\u00edtico, o que os tornaria inconfi\u00e1veis ou menos confi\u00e1veis como parceiros estrat\u00e9gicos. Para dar um exemplo da nossa regi\u00e3o: a Argentina que ingressaria hoje \u00e9 a de Alberto Fern\u00e1ndez, pr\u00f3xima ao ponto de vista internacional do Brasil e dos demais BRICS. Mas que rumo tomar\u00e1 a Argentina, sociedade profundamente polarizada, depois das elei\u00e7\u00f5es presidenciais do final deste ano? Teremos um governo semelhante ao atual, ou um de extrema direita, ou ainda, um de direita tradicional, aliado aos EUA? Melhor n\u00e3o arriscar.<\/p>\n<p>Digo isso com toda a mod\u00e9stia, pois n\u00f3s, brasileiros, n\u00e3o temos l\u00e1 muita moral para manifestar esse tipo de preocupa\u00e7\u00e3o. Afinal, elegemos h\u00e1 n\u00e3o muito tempo, um presidente da Rep\u00fablica como Jair Bolsonaro. Em todo caso, com Lula, tomamos outro rumo, mais condizente com a condi\u00e7\u00e3o de membro dos BRICS. E, mais do que isso, agora podemos ter fundadas esperan\u00e7as de que Bolsonaro tenha sido um ponto fora da curva.<\/p>\n<h2><strong>A amplia\u00e7\u00e3o n\u00e3o interessa ao Brasil<\/strong><\/h2>\n<p>Olhando a quest\u00e3o da \u00f3tica exclusivamente brasileira, h\u00e1 ainda outros motivos para rejeitar a amplia\u00e7\u00e3o do grupo. Aument\u00e1-lo para dez ou 15 membros diluiria consideravelmente o peso do Brasil, diminuindo a nossa influ\u00eancia. O mesmo argumento vale para a R\u00fassia, a \u00cdndia e a \u00c1frica do Sul.<\/p>\n<p>Para a China, n\u00e3o. Um dos motivos para rejeitar o crescimento do grupo \u00e9 justamente o motivo que torna a ideia atraente para a China. N\u00e3o por acaso, foi ela que lan\u00e7ou a proposta, tendo sido, al\u00e9m disso, a patrocinadora do ingresso da \u00c1frica do Sul h\u00e1 12 anos. O risco para n\u00f3s \u00e9 que entre os novos membros do grupo figurem na\u00e7\u00f5es dependentes da China, cuja influ\u00eancia hoje alcan\u00e7a n\u00e3o s\u00f3 pa\u00edses da \u00c1sia, como tamb\u00e9m do Oriente M\u00e9dio, da \u00c1frica e da Am\u00e9rica Latina. Diversas economias emergentes e em desenvolvimento dependem da China em termos de com\u00e9rcio, investimentos, financiamento ao desenvolvimento e, at\u00e9 mesmo, apoio emergencial de balan\u00e7o de pagamentos. Na sua configura\u00e7\u00e3o atual, o grupo j\u00e1 \u00e9 desequilibrado, em raz\u00e3o do peso relativo da China. A amplia\u00e7\u00e3o exacerbaria o problema.<\/p>\n<p>A R\u00fassia, que poderia objetar \u00e0 expans\u00e3o do grupo, tem atualmente outra posi\u00e7\u00e3o, perfeitamente compreens\u00edvel. Engajada numa guerra que ela considera uma \u201camea\u00e7a existencial\u201d, a R\u00fassia v\u00ea com bons olhos tudo que possa refor\u00e7ar os BRICS como polo representativo do Sul Global em oposi\u00e7\u00e3o ao Ocidente. A China tem motiva\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, pois tamb\u00e9m enfrenta hostilidade sistem\u00e1tica dos EUA, que veem a sua ascens\u00e3o como uma amea\u00e7a estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>O Brasil deve compreender as prioridades da China e da R\u00fassia, claro, mas n\u00e3o pode assumi-las como suas. Temos interesse em preservar algum equil\u00edbrio interno do grupo, evitando que os chineses aumentem mais a sua influ\u00eancia. E n\u00e3o podemos raciocinar como os russos, aceitando que os BRICS se tornem um instrumento de luta contra o imperialismo dos EUA e do resto do Ocidente. Para n\u00f3s, interessa manter os BRICS como um grupo de coopera\u00e7\u00e3o\u00a0<em>pr\u00f3<\/em>-BRICS e\u00a0<em>pr\u00f3<\/em>-outros pa\u00edses em desenvolvimento, e n\u00e3o como um grupo\u00a0<em>anti<\/em>-Ocidente ou\u00a0<em>anti<\/em>-qualquer outra coisa.<\/p>\n<h2><strong>Alternativas ao aumento do n\u00famero de membros<\/strong><\/h2>\n<p>O governo brasileiro pode, no limite, emperrar todo o processo de amplia\u00e7\u00e3o do grupo, impedindo que se forme um consenso. Por\u00e9m, para evitar um isolamento desagrad\u00e1vel, seria oportuno propor um outro formato para a amplia\u00e7\u00e3o dos BRICS Vejo duas possiblidades, ambas interessantes para o Brasil e para o grupo: a) acelerar o ingresso de novos pa\u00edses como s\u00f3cios no NBD, hoje presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff; e b) formalizar e ampliar o mecanismo j\u00e1 existente h\u00e1 alguns anos, denominado BRICS+, que permite a participa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o-membros nas atividades do grupo, inclusive nas c\u00fapulas anuais.<\/p>\n<p>Para terminar, desenvolvo um pouco essas duas possibilidades, que s\u00e3o n\u00e3o-excludentes e at\u00e9 complementares. Sobre a primeira: a amplia\u00e7\u00e3o do NBD fazia parte dos planos originais do banco de desenvolvimento criado pelos BRICS, mas avan\u00e7ou pouco nos seus primeiros oito anos de exist\u00eancia. A nova presidente do NBD est\u00e1 empenhada em acelerar o processo, essencial para que o banco possa ser uma institui\u00e7\u00e3o de escopo mundial, como pretend\u00edamos desde o in\u00edcio. Pode-se presumir que muitos dos pa\u00edses interessados em entrar na forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica BRICS tamb\u00e9m queiram se tornar s\u00f3cios do NBD. Emirados \u00c1rabes e Egito j\u00e1 entraram para o banco e est\u00e3o, como mencionei, querendo entrar para os BRICS.<\/p>\n<p>O funcionamento da forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica BRICS \u2013 essa \u00e9 a segunda alternativa interessante \u2013 pode ser adaptado para dar mais espa\u00e7o \u00e0s na\u00e7\u00f5es que queiram se aproximar do grupo. O BRICS+ tem funcionado bem. Em 2014, por exemplo, sob a presid\u00eancia do Brasil, na gest\u00e3o Dilma Rousseff, o Brasil convidou os pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul para a c\u00fapula em Fortaleza. Todos vieram e participaram de um encontro com os cinco l\u00edderes dos BRICS. Algo semelhante foi organizado pela \u00c1frica do Sul na sua presid\u00eancia de turno em 2013, quando todos ou quase todos os pa\u00edses do continente africano compareceram \u00e0 c\u00fapula dos BRICS para um di\u00e1logo com os cinco l\u00edderes. Em outras c\u00fapulas, seguiu-se um formato mais ou menos semelhante. A cada ano, entretanto, mudava a composi\u00e7\u00e3o do grupo de convidados, e a sua participa\u00e7\u00e3o ficava basicamente restrita \u00e0s c\u00fapulas.<\/p>\n<p>Um passo \u00e0 frente poderia ser dado pela cria\u00e7\u00e3o de um grupo permanente de pa\u00edses que formariam um segundo c\u00edrculo e teriam acesso \u00e0s c\u00fapulas e a reuni\u00f5es ministeriais ou de outra natureza que s\u00e3o organizadas a cada presid\u00eancia de turno dos BRICS. Sem preju\u00edzo de envolver um grupo at\u00e9 maior, seria poss\u00edvel estender o convite a cinco ou dez pa\u00edses, com algum equil\u00edbrio geogr\u00e1fico, que se tornariam, caso aceitem, integrantes da articula\u00e7\u00e3o BRICS sem, contudo, virarem membros plenos. Passariam, por\u00e9m, a estar representados nas diversas atividades e inst\u00e2ncias de coopera\u00e7\u00e3o em funcionamento nos BRICS, sem ter o direito, entretanto, de participar das reuni\u00f5es de cunho mais estrat\u00e9gico que continuariam s\u00f3 com os cinco membros atuais. Os BRICS se tornariam mais amplos e influentes, sem amea\u00e7ar o seu equil\u00edbrio interno, a sua independ\u00eancia pol\u00edtica e a agilidade de funcionamento que s\u00f3 um grupo enxuto \u00e9 capaz de proporcionar.<\/p>\n<p>Era o que queria argumentar, leitor ou leitora. Espero que o governo brasileiro n\u00e3o se deixe levar por propostas apenas simp\u00e1ticas, falsamente interessantes, e n\u00e3o ceda a press\u00f5es de outros BRICS, cujas agendas e interesses, como \u00e9 natural, nem sempre coincidem com os nossos.<\/p>\n<p><em>Uma vers\u00e3o resumida deste artigo foi publicada na revista \u201cCarta Capital\u201d.<\/em><\/p>\n<p>O autor \u00e9 economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, de 2015 a 2017, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez pa\u00edses em Washington, de 2007 a 2015. Lan\u00e7ou no final de 2019, pela editora LeYa, o livro\u00a0<em>O Brasil n\u00e3o cabe no quintal de ningu\u00e9m<\/em>:\u00a0<em>bastidores da vida de um economista brasileiro no FMI e nos BRICS e outros textos sobre nacionalismo e nosso complexo de vira-lata<\/em>. A segunda edi\u00e7\u00e3o, atualizada e ampliada, come\u00e7ou a circular em mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>https:\/\/jornalistaslivres.org\/ampliacao-dos-brics\/<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os\u00a0BRICS\u00a0est\u00e3o discutindo atualmente dois temas estrat\u00e9gicos: a entrada (ou n\u00e3o) de novos pa\u00edses no grupo e a cria\u00e7\u00e3o (ou n\u00e3o) de uma nova moeda patrocinada por eles como parte dos esfor\u00e7os de desdolariza\u00e7\u00e3o da economia mundial. 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