{"id":647,"date":"2018-04-03T09:37:55","date_gmt":"2018-04-03T12:37:55","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/?p=647"},"modified":"2018-04-03T11:28:28","modified_gmt":"2018-04-03T14:28:28","slug":"tese-sobre-multimorbidade-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/2018\/04\/03\/tese-sobre-multimorbidade-no-brasil\/","title":{"rendered":"Tese sobre multimorbidade no Brasil"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\"><span style=\"float: none;background-color: transparent;color: #404040;font-family: 'Helvetica Neue',Helvetica,Arial,sans-serif;font-size: 13px;font-style: normal;font-variant: normal;font-weight: 300;letter-spacing: normal;text-align: right;text-decoration: none;text-indent: 0px\">Por <\/span><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/integrantes-do-grupo\/coordenadores\/natalia-martins-flores\/\">Nat\u00e1lia Flores<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_665\" style=\"width: 263px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-665\" class=\"wp-image-665 \" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2018\/04\/20170927_135257-241x318.jpg\" alt=\"\" width=\"257\" height=\"336\" \/><p id=\"caption-attachment-665\" class=\"wp-caption-text\">A pesquisadora Januse Nogueira de Carvalho, autora da tese sobre multimorbidade no Brasil<\/p><\/div>\n<p>No Brasil, o interesse pelo tema da multimorbidade aumentou nos \u00faltimos anos. A alta ocorr\u00eancia de m\u00faltiplos problemas de sa\u00fade em um mesmo individuo somado \u00e0 escassez de informa\u00e7\u00f5es cientificas detalhadas sobre o problema instigam pesquisadores e profissionais de sa\u00fade a compreender o padr\u00e3o da multimorbidade no pa\u00eds. A pesquisadora <a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1267578526139059\">Januse Nogueira de Carvalho<\/a>, em <a href=\"https:\/\/repositorio.ufrn.br\/jspui\/bitstream\/123456789\/23760\/1\/JanuseNogueiraDeCarvalho_TESE.pdf\">tese defendida<\/a> em 2017 no curso de doutorado em Sa\u00fade Coletiva da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), encontrou resultados relevantes sobre o tema. Em entrevista, ela nos conta um pouco mais sobre o seu estudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1) Quais os motivos que levaram voc\u00eas a realizar uma tese sobre multimorbidade?<\/strong><\/p>\n<p>Para a constru\u00e7\u00e3o da tese, procurei trabalhar com um tema de relev\u00e2ncia e ainda pouco explorado na literatura, especialmente no nosso pa\u00eds. O tema preven\u00e7\u00e3o quatern\u00e1ria esteve em evid\u00eancia nas discuss\u00f5es que participei no 4<sup>o<\/sup> Congresso Ibero Americano de Medicina Familiar e Comunit\u00e1ria, em Montevideo, Uruguai, em 2015, o que me despertou interesse. A preven\u00e7\u00e3o quatern\u00e1ria \u00e9 um conjunto de a\u00e7\u00f5es que visam evitar danos associados \u00e0s interven\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e de outros profissionais da sa\u00fade, como excesso de medica\u00e7\u00e3o ou cirurgias desnecess\u00e1rias (iatrogenias). Discuti com meu orientador sobre esse meu interesse e chegamos ao tema multimorbidade, por ser uma condi\u00e7\u00e3o totalmente relacionada a tais danos.<\/p>\n<p><strong>2) Houveram dificuldades para a elabora\u00e7\u00e3o do projeto? Se sim, quais?<\/strong><\/p>\n<p>As dificuldades foram metodol\u00f3gicas para garantir o m\u00ednimo de vi\u00e9s subjetivo do pesquisador. Para isso, na an\u00e1lise estat\u00edstica consideramos que os dados eram oriundos de amostra complexa. O projeto teve como base os dados da pesquisa nacional de sa\u00fade 2013, de dom\u00ednio p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>3) Quais os resultados que voc\u00eas consideraram mais relevantes?<\/strong><\/p>\n<p>Os dados mais relevantes foram: 1) a alta preval\u00eancia de duas ou mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas entre pessoas com 18 anos ou mais de idade (1 a cada 4 indiv\u00edduos), chegando a metade dos idosos (60 anos ou mais); 2) a preval\u00eancia consider\u00e1vel de multimorbidade na popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa; 3) a obesidade e o h\u00e1bito de fumar atual e passado estarem associados a uma maior preval\u00eancia de multimorbidade. Esses fatores sugerem que o modo de viver da sociedade atual tem determinado um padr\u00e3o alimentar que, aliado ao sedentarismo, em geral \u00e9 desfavor\u00e1vel \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. O fato de haver uma representatividade da faixa economicamente ativa, por exemplo, sugerem que os servi\u00e7os de aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria de sa\u00fade n\u00e3o est\u00e3o organizados de forma que contemplem esse contingente da popula\u00e7\u00e3o adequadamente.<\/p>\n<p><strong>4) Como esses resultados podem ser utilizados na pr\u00e1tica?<\/strong><\/p>\n<p>Os resultados nos mostram direcionamentos que devem ser tomados para lidarmos com essas popula\u00e7\u00f5es atingidas pela multimorbidade. H\u00e1 a necessidade, por exemplo, de est\u00edmulo a pr\u00e1ticas de atividades f\u00edsicas para se combater a obesidade, bem como a realiza\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o de consumo alimentar e antropometria de indiv\u00edduos de todas as fases da vida pelos servi\u00e7os de sa\u00fade. Tamb\u00e9m \u00e9 preciso incluir a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o \u00e0s doen\u00e7as relacionadas ao trabalho.<\/p>\n<p><strong>5) Quais os desafios que voc\u00eas julgam existir para o avan\u00e7o da \u00e1rea da multimorbidade?<\/strong><\/p>\n<p>Dentre os principais desafios, consideramos o de despertar nos profissionais, especialmente da aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, a necessidade de uma abordagem pautada no princ\u00edpio da integralidade. Para a aten\u00e7\u00e3o aos indiv\u00edduos na perspectiva da multimorbidade, as equipes multiprofissionais deveriam considerar a migra\u00e7\u00e3o do modelo assistencialista com \u00eanfase em procedimentos curativos para o modelo integral com \u00eanfase em a\u00e7\u00f5es de promo\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade. Outro ponto seria a elabora\u00e7\u00e3o de protocolos de abordagem da multimorbidade, a fim de reduzir a possibilidade de sobreposi\u00e7\u00e3o de indica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas e m\u00faltiplas consultas com profissionais de diferentes forma\u00e7\u00f5es, e que considere tamb\u00e9m os determinantes sociais como imprescind\u00edveis para o \u00eaxito do tratamento da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>6) Para que isso aconte\u00e7a, quais mudan\u00e7as precisam ser implementadas?<\/strong><\/p>\n<p>O cerne da quest\u00e3o passa pela forma\u00e7\u00e3o e perfil dos profissionais em sa\u00fade, especialmente os m\u00e9dicos. O modelo pedag\u00f3gico, com a divis\u00e3o das disciplinas curriculares em departamentos com \u00eanfase nas especialidades e o mercado de trabalho favor\u00e1vel aos superespecialistas s\u00e3o pontos que provavelmente contribuem para a atua\u00e7\u00e3o destes profissionais. No cuidado dos pacientes deve-se considerar a intera\u00e7\u00e3o entre as doen\u00e7as no sentido de minimizar iatrogenias, al\u00e9m de minimizar custos com hospitaliza\u00e7\u00f5es recorrentes e outras complica\u00e7\u00f5es advindas da multimorbidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/repositorio.ufrn.br\/jspui\/bitstream\/123456789\/23760\/1\/JanuseNogueiraDeCarvalho_TESE.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">Clique para acessar o JanuseNogueiraDeCarvalho_TESE.pdf<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisadora Januse Nogueira de Carvalho fala sobre os desafios e os resultados da sua tese de doutorado, defendida em 2017 na UFRN, sobre epidemiologia da multimorbidade no Brasil. Confira a entrevista!<\/p>\n","protected":false},"author":682,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[40],"tags":[21,44,42],"class_list":["post-647","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevista","tag-entrevista","tag-multimorbidade-no-brasil","tag-multimorbidade-epidemiologia-tese-de-doutorado"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8Mo6O-ar","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/647","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/682"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=647"}],"version-history":[{"count":22,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/647\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":670,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/647\/revisions\/670"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=647"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}