{"id":1679,"date":"2020-10-26T09:01:54","date_gmt":"2020-10-26T12:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/?p=1679"},"modified":"2020-11-20T15:09:18","modified_gmt":"2020-11-20T18:09:18","slug":"a-construcao-coletiva-da-lista-brasileira-de-multimorbidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/2020\/10\/26\/a-construcao-coletiva-da-lista-brasileira-de-multimorbidade\/","title":{"rendered":"A constru\u00e7\u00e3o coletiva da lista brasileira de multimorbidade"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Nat\u00e1lia Flores<\/em><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400\">Em 2019, os pesquisadores do GBEM iniciaram um esfor\u00e7o para elaborar a Lista Brasileira de Multimorbidade (LBM), capaz de reunir doen\u00e7as e condi\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas mais comuns nestes quadros. A lista pode representar um avan\u00e7o para as pesquisas da \u00e1rea ao padronizar o que se entende por multimorbidade. O relat\u00f3rio da primeira rodada da pesquisa pode ser conferido <a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/08\/Relat%C3%B3rio-da-1%C2%AA-rodada-do-question%C3%A1rio_para-o-site_.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>. Nesta entrevista, a pesquisadora Doralice Severo da Cruz, uma das coordenadoras do grupo que est\u00e1 \u00e0 frente da iniciativa, nos falou sobre o processo de elabora\u00e7\u00e3o da LBM.<\/span><\/i><\/p>\n<h3><strong>1. Qual a import\u00e2ncia de uma lista de multimorbidade?<\/strong><\/h3>\n<p>DC &#8211;\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">A LBM vai nos ajudar a alcan\u00e7ar uma maior padroniza\u00e7\u00e3o entre os estudos sobre o tema, principalmente os estudos epidemiol\u00f3gicos. Os estudos utilizam um n\u00famero de doen\u00e7as muito diverso. Alguns incluem dez doen\u00e7as em sua lista, outros incluem sessenta doen\u00e7as e por a\u00ed vai. O que a gente busca para o Brasil \u00e9 uma padroniza\u00e7\u00e3o forte pactuada entre todos e constru\u00edda a muitas m\u00e3os.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>2. Como se deu o processo de elabora\u00e7\u00e3o da lista? Quais foram as etapas cumpridas?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; A primeira etapa para elabora\u00e7\u00e3o da lista envolveu reuni\u00f5es entre os coordenadores do GBEM, em que definimos como o processo iria ser desenvolvido e a metodologia que ir\u00edamos utilizar. Num segundo momento, fizemos uma oficina durante o 15\u00ba Congresso Brasileiro de Fam\u00edlia e Comunidade, em julho de 2019 para pensar coletivamente a lista. Desse encontro j\u00e1 sa\u00edram algumas defini\u00e7\u00f5es, como o tipo de condi\u00e7\u00e3o ou doen\u00e7a que ir\u00edamos considerar, a necessidade de consultar a literatura e especialistas da \u00e1rea.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A partir da\u00ed, por meio de pesquisa no diret\u00f3rio do CNPq e na literatura, chegamos a 77 especialistas que trabalham com multimorbidade e fizemos um convite para participarem da formula\u00e7\u00e3o da lista. Vinte seis responderam e fizeram parte da primeira rodada da nossa pesquisa, junto com mais quatro especialistas indicados por eles. Em abril de 2020, mandamos um question\u00e1rio com 60 quest\u00f5es para esses especialistas &#8211; e j\u00e1 temos os resultados registrados (eles podem ser conferidos<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/08\/Relat%C3%B3rio-da-1%C2%AA-rodada-do-question%C3%A1rio_para-o-site_.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> aqui<\/a>). A segunda rodada da constru\u00e7\u00e3o da lista come\u00e7ou em 26 de agosto e estamos aguardando as respostas dos participantes.<\/span><\/p>\n<h3><strong>3. Voc\u00ea pode explicar como foi constru\u00eddo o question\u00e1rio da primeira rodada?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; O question\u00e1rio tinha 60 perguntas sobre concord\u00e2ncia ou discord\u00e2ncia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inclus\u00e3o de tal doen\u00e7a na lista de multimorbidade. O m\u00e9todo que utilizamos \u00e9 o DELPHI, que coleta e sistematiza opini\u00e3o dos especialistas. Quanto mais alta a pontua\u00e7\u00e3o que a pergunta recebeu (1- discorda totalmente; 10- concorda totalmente), maior o grau de concord\u00e2ncia do especialista para que a doen\u00e7a fa\u00e7a parte da Lista Brasileira de Multimorbidade.\u00a0 Desta forma, se 70% dos especialistas concordam com a perman\u00eancia ou retirada da doen\u00e7a da LBM, chegamos ao consenso.<\/span><\/p>\n<h3><strong>4. Quais foram os resultados desta primeira rodada?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; No primeiro question\u00e1rio, houve consenso para que sete doen\u00e7as n\u00e3o entrassem na lista. Vinte e tr\u00eas j\u00e1 foram consensuadas e inclu\u00eddas na LBM na primeira rodada. Restaram, ainda, 31 doen\u00e7as para decidirmos nas pr\u00f3ximas rodadas da pesquisa.<\/span><\/p>\n<h3><strong>5. Quais os maiores desafios durante o processo de constru\u00e7\u00e3o da lista?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; O maior desafio \u00e9 conseguir juntar os especialistas para refletir sobre a LBM. As pessoas t\u00eam uma agenda intensa de trabalho e \u00e0s vezes t\u00eam dificuldade de parar suas atividades para se concentrarem nesta tarefa. Outro desafio foi pensar sobre quais doen\u00e7as ir\u00edamos colocar na lista, qual a justificativa para elas serem inseridas.\u00a0<\/span><\/p>\n<h3><strong>6. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, quais os pontos fortes da LBM? O que ainda precisa ser melhorado?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; O ponto forte da lista \u00e9 ser um consenso entre pesquisadores do campo da multimorbidade. Tamb\u00e9m conseguimos uma diversidade grande de pesquisadores respondentes. S\u00e3o professores, pesquisadores, estudantes e profissionais de sa\u00fade de v\u00e1rios campos: enfermagem, nutri\u00e7\u00e3o, medicina, farm\u00e1cia, economia. Eles est\u00e3o em v\u00e1rios lugares do sistema de sa\u00fade e na academia, o que traz uma riqueza para a lista.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre o que pode ser melhorado, acho que valia uma reflex\u00e3o sobre a inser\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as bucais &#8211; c\u00e1rie, doen\u00e7as periodontais -, doen\u00e7as cr\u00f4nicas que prejudicam a sa\u00fade geral, o que precisa ser pensado nestas pr\u00f3ximas rodadas.<\/span><\/p>\n<h3><strong>7. Quais s\u00e3o os pr\u00f3ximos passos deste processo?<\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">DC &#8211; Vamos fazer a an\u00e1lise e descri\u00e7\u00e3o dos resultados da segunda rodada. Se conseguirmos consenso sobre as doen\u00e7as, j\u00e1 passamos para a publica\u00e7\u00e3o do trabalho. Se ainda tivermos doen\u00e7as sem consenso entre os especialistas, passamos para uma terceira rodada de question\u00e1rio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisadora Doralice Severo da Cruz\u00a0conta como est\u00e1 sendo o processo de elabora\u00e7\u00e3o da Lista Brasileira de Multimorbidade (LBM), iniciativa in\u00e9dita desta \u00e1rea de pesquisa.<\/p>\n","protected":false},"author":682,"featured_media":1690,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[40],"tags":[118,116],"class_list":["post-1679","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-lbm","tag-lista-brasileira-de-multimorbidade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/10\/volodymyr-hryshchenko-V5vqWC9gyEU-unsplash-scaled.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8Mo6O-r5","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1679","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/682"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1679"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1679\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1704,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1679\/revisions\/1704"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1690"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}