{"id":1624,"date":"2020-09-18T15:00:55","date_gmt":"2020-09-18T18:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/?p=1624"},"modified":"2020-11-20T15:25:37","modified_gmt":"2020-11-20T18:25:37","slug":"protocolos-de-saude-baseados-em-evidencia-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/2020\/09\/18\/protocolos-de-saude-baseados-em-evidencia-cientifica\/","title":{"rendered":"Protocolos de sa\u00fade baseados em evid\u00eancia cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Nat\u00e1lia Flores<\/em><\/p>\n<p><em>De 2015 a 2018, a m\u00e9dica Karina Barros Calife Batista coordenou a equipe respons\u00e1vel pelo projeto de constru\u00e7\u00e3o do um conjunto de protocolos da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), realizados a partir de uma parceria entre o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade e o Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital S\u00edrio Liban\u00eas. Ap\u00f3s meses de trabalho, eles produziram e ajudaram a implementar quatro protocolos \u2013 Sa\u00fade das Mulheres, Sa\u00fade da Crian\u00e7a, Risco Cardiovascular\/Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas N\u00e3o Transmiss\u00edveis e Dor Cr\u00f4nica, com fases de valida\u00e7\u00e3o e treinamento de profissionais para o seu uso. Nesta entrevista, Karina nos conta como foi essa experi\u00eancia que tentou trazer evid\u00eancias cient\u00edficas para o centro dos atendimentos em sa\u00fade.<\/em><\/p>\n<h3><strong>1. Nos fale sobre o processo de desenvolvimento dos protocolos.<\/strong><\/h3>\n<p>KB- A produ\u00e7\u00e3o contou com uma metodologia inovadora, desenvolvida a partir de pequenos grupos de trabalho, com 10 profissionais de sa\u00fade (m\u00e9dicos e enfermeiros) com reconhecimento acad\u00eamico em sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds. Os protocolos foram desenvolvidos a partir de oito oficinas mensais, com encontros presencias de tr\u00eas dias, que aconteceram nas depend\u00eancias do IEP\/ S\u00edrio Liban\u00eas. As etapas inclu\u00edram momentos de valida\u00e7\u00e3o interna e externa, com participantes de v\u00e1rias universidades do Brasil e posteriormente em processos de consulta p\u00fablica. Foram produzidos quatro protocolos (Sa\u00fade das Mulheres, Sa\u00fade da Crian\u00e7a, Risco Cardiovascular\/Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas N\u00e3o Transmiss\u00edveis e de Dor Cr\u00f4nica). A partir desse momento, foram realizados dois cursos de atualiza\u00e7\u00e3o, com um processo de singulariza\u00e7\u00e3o dos protocolos e forma\u00e7\u00e3o dos profissionais para seu uso. Foi realizada forma\u00e7\u00e3o e escuta de 440 profissionais de sa\u00fade atuantes em 20 munic\u00edpios de todas as regi\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<h3><strong>2. Quais foram os maiores desafios enfrentados no projeto de constru\u00e7\u00e3o dos protocolos de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do SUS?<\/strong><\/h3>\n<p>KB- Um dos maiores desafios de protocolos de abrang\u00eancia nacional \u00e9 chegar nas realidades locais, de serem adaptados para servi\u00e7os de sa\u00fade de pequenos munic\u00edpios, por exemplo. Num pa\u00eds com o tamanho do Brasil, em que a realidade de atendimento \u00e0 sa\u00fade de uma cidade do Amazonas \u00e9 bem diferente da realidade de uma cidade ga\u00facha ou do nordeste brasileiro, essa quest\u00e3o da utilidade do protocolo se torna algo extremamente importante. \u00c9 o que chamamos de singulariza\u00e7\u00e3o. Fizemos v\u00e1rios encontros de discuss\u00e3o dos protocolos &#8211; com profissionais de sa\u00fade dos 20 munic\u00edpios participantes para singularizar e qualificar os nossos protocolos, de acordo com as necessidades de cada munic\u00edpio ou regi\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>3. Qual a inova\u00e7\u00e3o destes protocolos?<\/strong><\/h3>\n<p>KB- Esse foi um conjunto de protocolos que tinha como inten\u00e7\u00e3o levar as melhores e mais atuais evid\u00eancias aos profissionais de sa\u00fade da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica das v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds e que estas pudessem ser acessadas rapidamente, qualificando assim, o cuidado ofertado aos usu\u00e1rios do SUS. A principal inova\u00e7\u00e3o foi formular um material de f\u00e1cil acesso aos profissionais de sa\u00fade. Eles foram constru\u00eddos a partir dos motivos mais frequentes que levam as pessoas a buscar os servi\u00e7os de sa\u00fade. A abordagem centrada na pessoa, o empoderamento do usu\u00e1rio, a coordena\u00e7\u00e3o do cuidado, a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, a cl\u00ednica ampliada e a preven\u00e7\u00e3o quatern\u00e1ria entram como eixos importantes.<\/p>\n<p>Os protocolos s\u00e3o baseados nas mais recentes evid\u00eancias, ou seja, n\u00e3o partem apenas da experi\u00eancia individual de um m\u00e9dico especialista. Com eles, o usu\u00e1rio que acessa o atendimento \u00e0 sa\u00fade tem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o o tratamento mais eficaz e seguro segundo a literatura cient\u00edfica da \u00e1rea.<\/p>\n<h3><strong>4. Que benef\u00edcios os protocolos trazem para o atendimento em sa\u00fade?<\/strong><\/h3>\n<p>KB- Os protocolos conduzem a a\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade no atendimento aos pacientes. A partir deles, a equipe multidisciplinar pode saber quais as a\u00e7\u00f5es mais eficientes e quem pode realiz\u00e1-las. Por exemplo, m\u00e9dicos podem saber que tipo de medicamento e tratamento tem melhor resultado em determinada situa\u00e7\u00e3o, a partir das melhores evid\u00eancias t\u00e9cnicas e cient\u00edficas.<\/p>\n<h3><strong>5. O que \u00e9 preciso levar em conta na hora de se construir um protocolo de sa\u00fade?<\/strong><strong>\u00a0<\/strong><\/h3>\n<p>KB- \u00c9 importante prever o uso que se vai fazer do protocolo, fazer com que ele tenha sentido para o profissional de sa\u00fade que est\u00e1 na ponta. N\u00e3o adianta a equipe respons\u00e1vel indicar no protocolo que o melhor tratamento para avaliar a sa\u00fade da mulher exige fazer um diagn\u00f3stico ou exames usando um aparelho que \u00e9 inacess\u00edvel em munic\u00edpios menores. \u00c9 preciso ter um olhar apurado para o local, para a situa\u00e7\u00e3o e os recursos dispon\u00edveis do sistema de atendimento \u00e0 sa\u00fade, sem deixar de considerar as melhores evid\u00eancias para tal.<\/p>\n<h3><strong>6. Os protocolos passam por diversas fases at\u00e9 sua implanta\u00e7\u00e3o. Qual fase voc\u00ea considera mais desafiadora?<\/strong><\/h3>\n<p>KB- Uma fase bastante desafiadora \u00e9 a da articula\u00e7\u00e3o com a gest\u00e3o local dos munic\u00edpios. S\u00e3o os secret\u00e1rios municipais de sa\u00fade e profissionais envolvidos, que v\u00e3o ser os grandes respons\u00e1veis pela implanta\u00e7\u00e3o dos protocolos e pelo sucesso dessa ferramenta na pr\u00e1tica, a partir das realidades locais e dos encontros entre usu\u00e1rios, gestores, profissionais de sa\u00fade e das universidades na regi\u00e3o. \u00c9 levar em conta a micropol\u00edtica do cuidado em sa\u00fade. Tivemos experi\u00eancias muito interessantes, neste sentido, de munic\u00edpios que implantaram os protocolos singularizados a partir das suas necessidades, editaram portarias espec\u00edficas sobre os protocolos de sa\u00fade de aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, assumindo-os como refer\u00eancia para o pr\u00f3prio munic\u00edpio. Esse \u00e9 o caso de Jaboat\u00e3o, no Recife. Indaiatuba em S\u00e3o Paulo, Sobral no Cear\u00e1 e Salvador, na Bahia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta entrevista, a m\u00e9dica Karina Barros Calife Batista fala dos desafios na constru\u00e7\u00e3o de protocolos de sa\u00fade e da experi\u00eancia de coordenar o projeto de constru\u00e7\u00e3o de protocolos da aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS).<\/p>\n","protected":false},"author":682,"featured_media":1649,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[40],"tags":[102,104,100],"class_list":["post-1624","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevista","tag-atencao-basica","tag-ministerio-da-saude","tag-protocolos-de-saude"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Foto-de-Nati3.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8Mo6O-qc","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1624","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/682"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1624"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1713,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1624\/revisions\/1713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1649"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}