{"id":1601,"date":"2020-09-18T15:09:24","date_gmt":"2020-09-18T18:09:24","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/?p=1601"},"modified":"2020-09-18T17:14:54","modified_gmt":"2020-09-18T20:14:54","slug":"obesidade-o-elefante-branco-da-saude-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/2020\/09\/18\/obesidade-o-elefante-branco-da-saude-coletiva\/","title":{"rendered":"Obesidade: o elefante branco da sa\u00fade coletiva"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><em>Por Nat\u00e1lia Flores<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A frequ\u00eancia de casos de jovens internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) nos Estados Unidos e no Brasil por causa de complica\u00e7\u00f5es da Covid-19 acendeu um alerta na comunidade cient\u00edfica para a obesidade como fator de risco para casos severos da doen\u00e7a. Passados alguns meses, essa hip\u00f3tese, que come\u00e7a a ser comprovada por diversos estudos, traz o sobrepeso do brasileiro para o centro do debate acad\u00eamico, e leva especialistas em sa\u00fade p\u00fablica a questionar: qual o lugar da obesidade na sa\u00fade coletiva?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A import\u00e2ncia social de discutir a obesidade ganha intensidade quando analisamos sua preval\u00eancia na sociedade brasileira. Ela \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o com maior crescimento na popula\u00e7\u00e3o brasileira nos \u00faltimos 13 anos, superando at\u00e9 mesmo o crescimento da preval\u00eancia de diabetes e de hipertens\u00e3o arterial, segundo dados da pesquisa Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel) de 2019. De 2006 para 2019, sua frequ\u00eancia passou de 11,8 % para 20,3%. O excesso de peso atinge uma fatia ainda maior de brasileiros: mais da metade (55,4%) tem essa condi\u00e7\u00e3o, o que torna o cen\u00e1rio ainda mais preocupante.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A mudan\u00e7a nos h\u00e1bitos de alimenta\u00e7\u00e3o e a diminui\u00e7\u00e3o na pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas s\u00e3o as principais causas ambientais apontadas pelo pesquisador Licio Velloso, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), para explicar a alta incid\u00eancia de brasileiros obesos. \u201cCom o crescimento da oferta de alimentos industrializados, nos \u00faltimos 30 anos n\u00f3s observamos uma mudan\u00e7a no perfil de alimenta\u00e7\u00e3o do mundo. A popula\u00e7\u00e3o foi deixando de se alimentar em casa, ao mesmo tempo em que foi consumindo cada vez mais produtos processados com alto valor cal\u00f3rico e densidade energ\u00e9tica\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1614\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"658\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-scaled.jpg 2560w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-424x283.jpg 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-212x141.jpg 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-768x512.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-2048x1365.jpg 2048w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-272x182.jpg 272w\" sizes=\"auto, (max-width: 658px) 100vw, 658px\" \/><em>Cr\u00e9dito\/Foto: Charles Rabada\/Unsplash<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O pesquisador Airton Stein (UFCSPA), colaborador do GBEM, comenta que o aumento r\u00e1pido de preval\u00eancia de excesso de peso e obesidade come\u00e7ou nos pa\u00edses de alta renda a partir dos anos 80. \u201cEm 2015, a obesidade tamb\u00e9m passou a ser um problema de sa\u00fade p\u00fablica nos pa\u00edses em desenvolvimento, como o Brasil. Foi estimado que ela afetaria 2 bilh\u00f5es de pessoas com uma preval\u00eancia de 13% em todo o mundo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-311X2019001105011\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a> feito por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais a partir dos dados do Vigitel de 2006 a 2017 revelou que a <strong>obesidade m\u00f3rbida \u00e9 tr\u00eas vezes mais frequente em brasileiros com baixa escolaridade<\/strong>. \u201cO fator socioecon\u00f4mico explica essas diferen\u00e7as, porque ele vai influenciar no acesso das pessoas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. A popula\u00e7\u00e3o de baixa renda tem menos acesso a uma alimenta\u00e7\u00e3o de qualidade, a tempo para fazer atividades f\u00edsicas durante a sua rotina de trabalho\u201d, comenta Deborah Malta, pesquisadora que coordenou o estudo. A taxa de mulheres afetadas pela obesidade m\u00f3rbida foi 30% mais elevada quando comparada \u00e0 taxa masculina, o que mostra que existe um recorte de g\u00eanero.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O consenso dos especialistas \u00e9 que a gravidade da obesidade est\u00e1 no fato da doen\u00e7a ser um fator de risco para outras doen\u00e7as. \u201cTr\u00eas das quatro principais causas de doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis no mundo tem rela\u00e7\u00e3o com a obesidade: diabetes, doen\u00e7as cardiovasculares e certos tipos de c\u00e2ncer\u201d, afirma Airton. Licio explica que o ac\u00famulo de gordura nas paredes internas dos vasos sangu\u00edneos pode provocar quadros de derrame e infarto no mioc\u00e1rdio.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, pesquisas encontraram uma <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/32759719\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">rela\u00e7\u00e3o entre a obesidade<\/a> e casos mais graves de Covid-19. O grupo de pesquisa de Licio foi um dos primeiros a alertar para esse fen\u00f4meno, em mar\u00e7o deste ano. \u201cA maior parte das pessoas que desenvolve o quadro grave de Covid-19 tem obesidade, diabetes e hipertens\u00e3o. No caso da obesidade, uma das raz\u00f5es \u00e9 que o v\u00edrus SARS-CoV-2 ataca o pulm\u00e3o, que j\u00e1 \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o bastante fr\u00e1gil em pessoas obesas. Obesos t\u00eam uma dificuldade para respirar, por causa do pr\u00f3prio peso que elas t\u00eam que movimentar para executar essa atividade mec\u00e2nica. Isso se agrava nos quadros de Covid-19, momento em que o pulm\u00e3o precisa fazer um grande esfor\u00e7o\u201d, explica o pesquisador.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1604 alignleft\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central.png\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central.png 1080w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central-318x318.png 318w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central-159x159.png 159w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/Arte-1-reportagem-central-50x50.png 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A alta preval\u00eancia de obesidade na popula\u00e7\u00e3o traz impactos econ\u00f4micos substanciais para os sistemas de sa\u00fade, j\u00e1 que aumenta as chances de interna\u00e7\u00f5es e hospitaliza\u00e7\u00f5es. Junto com desnutri\u00e7\u00e3o e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a carga econ\u00f4mica global da obesidade \u00e9 estimada em 2 trilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais &#8211; cerca de 2.8% do PIB mundial &#8211; <a href=\"https:\/\/www.thelancet.com\/journals\/lancet\/article\/PIIS0140-6736(18)32822-8\/fulltext\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">por artigo publicado na Lancet<\/a>. Custos diretos com cuidados de sa\u00fade e com perdas de produtividade econ\u00f4mica est\u00e3o inclu\u00eddos neste c\u00e1lculo. \u201cEstes custos s\u00e3o, a grosso modo, equivalentes aos custos do impacto do fumo ou da viol\u00eancia e da guerra, e ter\u00e3o um efeito maior nos mais pobres\u201d, comenta Airton Stein.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">S\u00f3 em 2018, a obesidade acumulou R$1,42 bilh\u00e3o de custo para o SUS, segundo um <a href=\"https:\/\/scielosp.org\/article\/rpsp\/2020.v44\/e32\/#:~:text=Com%20a%20incorpora%C3%A7%C3%A3o%20dos%20custos,em%202018%20(tabela%203).\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo feito pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a>. Neste per\u00edodo, 16% das interna\u00e7\u00f5es hospitalares foram associadas \u00e0 hipertens\u00e3o, obesidade e diabetes. As despesas com essas tr\u00eas doen\u00e7as alcan\u00e7aram R$ 3,45 bilh\u00f5es.<\/span><\/p>\n<h2><b>O espa\u00e7o da obesidade nas pol\u00edticas p\u00fablicas<\/b><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mesmo afetando metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira, o excesso de peso e a obesidade ainda s\u00e3o elefantes brancos no campo das pol\u00edticas p\u00fablicas. Na avalia\u00e7\u00e3o de Deborah, existe uma insufici\u00eancia de medidas regulat\u00f3rias e pol\u00edticas afirmativas sobre o tema. \u201cN\u00f3s temos evid\u00eancias que taxar refrigerantes e alimentos ultraprocessados d\u00e1 resultado. O que falta \u00e9 comprometimento pol\u00edtico de levar essa discuss\u00e3o adiante\u201d, comenta a pesquisadora, que coordenou durante 12 anos o Departamento de Vigil\u00e2ncia de Doen\u00e7as e Agravos N\u00e3o Transmiss\u00edveis e Promo\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1612 alignright\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2.png\" alt=\"\" width=\"302\" height=\"302\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2.png 1080w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2-318x318.png 318w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2-159x159.png 159w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2-768x768.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/figura2-50x50.png 50w\" sizes=\"auto, (max-width: 302px) 100vw, 302px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma evid\u00eancia bastante consistente sobre medidas regulat\u00f3rias de alimentos foi o que aconteceu no M\u00e9xico em 2014. Na \u00e9poca com uma das mais altas taxas de preval\u00eancia de obesidade no mundo, o pa\u00eds conseguiu frear o consumo de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">fast foods<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e refrigerantes a partir da aplica\u00e7\u00e3o de um imposto de consumo sobre bebidas adocicadas e um imposto sobre vendas de alimentos com alto valor energ\u00e9tico. Ao longo de 2014, as vendas destes produtos tiveram uma queda m\u00e9dia de at\u00e9 6% comparado a vendas pr\u00e9-taxa\u00e7\u00e3o, segundo <a href=\"https:\/\/scielosp.org\/article\/rpsp\/2020.v44\/e32\/#:~:text=Com%20a%20incorpora%C3%A7%C3%A3o%20dos%20custos,em%202018%20(tabela%203).\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo publicado em 2016<\/a> do Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica do M\u00e9xico. O efeito foi sentido, particularmente, por camadas de n\u00edvel socioecon\u00f4mico mais baixo, que reduziram em at\u00e9 17% o consumo de bebidas adocicadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNo Brasil, o que tem sido feito em termos de pol\u00edticas p\u00fablicas \u00e9 o reverso do cen\u00e1rio mexicano\u201d, avalia Deborah. Um exemplo \u00e9 o decreto assinado por Jair Bolsonaro em fevereiro de 2020, que estabelece em 8% a devolu\u00e7\u00e3o do Imposto para Produtos Industrializados (IPI) para os fabricantes de bebidas ado\u00e7adas n\u00e3o alco\u00f3licas. A medida de benef\u00edcio fiscal passou a valer a partir de 1\u00ba de junho e, segundo entidades da sociedade civil, vai na contram\u00e3o de pol\u00edticas internacionais importantes para a redu\u00e7\u00e3o da obesidade infantil. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Outro exemplo dos interesses por tr\u00e1s da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro \u00e9 a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">recente emiss\u00e3o de of\u00edcio <\/span><span style=\"font-weight: 400\">pelo Minist\u00e9rio da Agricultura pedindo a revis\u00e3o do <a href=\"https:\/\/bvsms.saude.gov.br\/bvs\/publicacoes\/guia_alimentar_populacao_brasileira_2ed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/a>, editado pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em 2014. Enviada ao MS em 17 de setembro, a nota t\u00e9cnica continha cr\u00edticas \u00e0 classifica\u00e7\u00e3o dos alimentos e \u00e0 recomenda\u00e7\u00e3o de se evitar o consumo de ultraprocessados. Em nota oficial, o <\/span><span style=\"font-weight: 400\">N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade (NUPENS), da USP, se posicionou contr\u00e1rio a esse of\u00edcio, argumentando que a recomenda\u00e7\u00e3o<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0&#8220;omite os mais de 400 estudos cient\u00edficos <\/span><span style=\"font-weight: 400\">indexados na base PubMED que utilizaram a classifica\u00e7\u00e3o NOVA e o conceito de alimentos ultraprocessados&#8221;, al\u00e9m de ignorar revis\u00f5es sistem\u00e1ticas &#8220;que demonstraram a associa\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca\u00a0<\/span>do consumo desses alimentos com o risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas de grande import\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica no Brasil e na maior parte dos pa\u00edses, como obesidade, diabetes e doen\u00e7as cardiovasculares&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m da taxa\u00e7\u00e3o de refrigerantes e alimentos ultraprocessados, Deborah acredita que a mudan\u00e7a no cen\u00e1rio da obesidade tamb\u00e9m passa pela conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e pela ado\u00e7\u00e3o de medidas de controle da propaganda infantil destes produtos. Crian\u00e7as obesas t\u00eam maior probabilidade de serem adultos obesos e de desenvolverem diabetes e doen\u00e7as cardiovasculares na vida adulta. \u201cProibir propaganda infantil de alimentos ultraprocessados e refrigerantes pode salvar gera\u00e7\u00f5es inteiras com rela\u00e7\u00e3o a doen\u00e7as cr\u00f4nicas e obesidade\u201d, afirma a pesquisadora.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA \u00eanfase dos sistemas de sa\u00fade deveria ser nos programas de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria\u201d, avalia Airton. A a\u00e7\u00e3o teria vantagens sociais e, tamb\u00e9m, econ\u00f4micas. Um <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC3598784\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo<\/a> publicado na revista \u201cCost Effectiveness and Resource Allocation<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0em 2013 mostrou que, no Canad\u00e1, programas de preven\u00e7\u00e3o da obesidade t\u00eam custos modestos quando comparados aos custos elevados de interna\u00e7\u00f5es e hospitaliza\u00e7\u00f5es. Prevenir que as crian\u00e7as fiquem obesas \u00e9 melhor do que remediar o problema. Afinal, o elefante branco n\u00e3o vai desaparecer s\u00f3 porque \u00e9 ignorado. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diante de altas taxas de preval\u00eancia de obesidade e excesso de peso &#8211; que atinge mais da metade dos brasileiros &#8211; surge a d\u00favida: qual o lugar da obesidade na sa\u00fade coletiva? Leia mais na nossa reportagem!<\/p>\n","protected":false},"author":682,"featured_media":1614,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[114],"tags":[92,90,88],"class_list":["post-1601","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagem","tag-covid-19","tag-fator-de-risco","tag-obesidade"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/files\/2020\/09\/carles-rabada-reZbnolscDo-unsplash-scaled.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p8Mo6O-pP","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/users\/682"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1601"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1601\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1651,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1601\/revisions\/1651"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/gbem\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}