{"id":1699,"date":"2017-09-12T15:17:29","date_gmt":"2017-09-12T18:17:29","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/?p=1699"},"modified":"2017-09-12T15:17:29","modified_gmt":"2017-09-12T18:17:29","slug":"mais-da-metade-dos-adultos-brasileiros-nao-chegam-ao-ensino-medio-diz-ocde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/2017\/09\/12\/mais-da-metade-dos-adultos-brasileiros-nao-chegam-ao-ensino-medio-diz-ocde\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos adultos brasileiros n\u00e3o chegam ao ensino m\u00e9dio, diz OCDE"},"content":{"rendered":"<p>Apesar de ter registrado avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, a educa\u00e7\u00e3o no Brasil ainda apresenta dados insatisfat\u00f3rios. \u00c9 o que mostra o relat\u00f3rio\u00a0<em>Education at a Glance 2017<\/em>\u00a0(<em>Um olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o<\/em>, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado hoje (12) pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE).<\/p>\n<p>O documento traz amplo panorama sobre a educa\u00e7\u00e3o em mais de 45 pa\u00edses. &#8211; os 35 da OCDE e v\u00e1rios parceiros (Argentina, Brasil, China, Col\u00f4mbia, Costa Rica, \u00cdndia, Indon\u00e9sia, Litu\u00e2nia, Federa\u00e7\u00e3o Russa, Ar\u00e1bia Saudita e \u00c1frica do Sul). O Brasil, inclusive, j\u00e1 pleiteou sua ades\u00e3o formal \u00e0 OCDE (veja abaixo).<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio da educa\u00e7\u00e3o brasileira, alguns dados chamam a aten\u00e7\u00e3o. Em 2015, mais da metade dos adultos, com idade entre 25 e 64 anos, n\u00e3o tinham acesso ao ensino m\u00e9dio e 17% da popula\u00e7\u00e3o sequer tinham conclu\u00eddo o ensino b\u00e1sico. Os n\u00fameros est\u00e3o muito abaixo da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, que t\u00eam 22% de adultos que n\u00e3o chegaram ao ensino m\u00e9dio e 2% que n\u00e3o conclu\u00edram o b\u00e1sico.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio, no entanto, mostra um avan\u00e7o. Entre os adultos de 25 e 34 anos, o percentual de alunos que completou o ensino m\u00e9dio subiu de 53% em 2010 para 64% em 2015.<\/p>\n<p>Considerando que o ensino m\u00e9dio brasileiro tem dura\u00e7\u00e3o de 3 anos e deveria ser cumprido entre os 15 e os 17 anos de idade, o Brasil tamb\u00e9m apresenta taxas muito abaixo da m\u00e9dia dos outros pa\u00edses analisados no relat\u00f3rio. Apenas 53% dos alunos de 15 anos est\u00e3o matriculados no ensino m\u00e9dio. Entre os alunos de 16 anos, 67% est\u00e3o matriculados no ensino m\u00e9dio e, entre os de 17 anos, 55%. Na m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE, pelo menos 90% dos alunos entre 15 e 17 est\u00e3o no ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>Dos adolescentes brasileiros que t\u00eam acesso ao ensino m\u00e9dio, s\u00f3 a metade conclui os estudos em tr\u00eas anos. Se considerados cinco anos de estudo, com duas reprova\u00e7\u00f5es, a taxa sobre para 57%, mas permanece abaixo dos 75% de estudantes que concluem o ensino m\u00e9dio nos pa\u00edses que t\u00eam dados dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>No Brasil, entre os jovens de 18 anos, menos da metade cursa o ensino m\u00e9dio ou superior. A taxa para os pa\u00edses da OCDE \u00e9 de 75% de alunos de 18 anos, na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de o Brasil j\u00e1 ter conseguido colocar praticamente todas as crian\u00e7as de 5 e 6 anos na escola, a participa\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/educacao\/noticia\/2016-01\/acesso-pre-escola-aumentou-17-pontos-percentuais-em-uma-decada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">crian\u00e7as menores<\/a>\u00a0ainda est\u00e1 abaixo do esperado, segundo o relat\u00f3rio. Apenas 37% das crian\u00e7as de 2 anos e 60% das de 3 anos est\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar, dados inferiores aos das m\u00e9dias da OCDE que est\u00e3o em 39% e 78%, respectivamente.<\/p>\n<p>No Brasil, a Emenda Constitucional 59, de 2009, deu prazo para que at\u00e9 2016 fosse garantida a matr\u00edcula escolar a todos os brasileiros com idade entre 4 e 17 anos. De acordo com a pesquisa, em 2015, 79% das crian\u00e7as de 4 anos estavam na escola, menos do que 87% da m\u00e9dia da OCDE, e abaixo de pa\u00edses como o Chile (86%), M\u00e9xico (89%), a Argentina (81%) e Col\u00f4mbia (81%).<\/p>\n<p><strong>Ensino Superior<\/strong><\/p>\n<p>Apenas 15% dos estudantes brasileiros entre 25 e 34 anos est\u00e3o no ensino superior, face a 37% na OCDE, 21% na Argentina e a 22% no Chile e na Col\u00f4mbia. No entanto, se comparado aos pa\u00edses dos Brics (bloco formado pelo Brasil, a R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), o Brasil est\u00e1 melhor &#8211; a China tem 10%, a \u00cdndia, 11%, e a \u00c1frica do Sul, 12%.<\/p>\n<p>No Brasil, 37% das gradua\u00e7\u00f5es em 2015 eram feitas nas \u00e1reas de neg\u00f3cios, administra\u00e7\u00e3o e direito, \u00edndice semelhante ao da maioria dos outros pa\u00edses pesquisados. Em seguida, a prefer\u00eancia dos brasileiros era por pedagogia, com 20% das matr\u00edculas \u2013 uma das taxas mais altas entre os todos os pa\u00edses. Apenas a Costa Rica e Indon\u00e9sia t\u00eam taxas mais altas de op\u00e7\u00e3o por pedagogia (22% e 28%, respectivamente).<\/p>\n<p>Somente 15% dos estudantes brasileiros optavam por cursos de ci\u00eancia, tecnologia, engenharia e matem\u00e1tica, uma das taxas mais baixas, mas semelhante \u00e0s de pa\u00edses vizinhos como a Argentina (14%) e a Col\u00f4mbia (13%). Entre os pa\u00edses da OCDE, o percentual ficou em 23%.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade no acesso ao ensino superior, no Brasil a disparidade entre os estados \u00e9 a maior observada na pesquisa. Enquanto 35% dos jovens de 25 a 34 anos no Distrito Federal frequentam a universidade, no Maranh\u00e3o a taxa \u00e9 cinco vezes menor (7%). Apesar de o relat\u00f3rio reconhecer que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds muito grande e diverso, se comparado a outros grandes como os Estados Unidos e a R\u00fassia, a desigualdade \u00e9 muito mais dram\u00e1tica (apresentando varia\u00e7\u00f5es de at\u00e9 cinco vezes nos percentuais, contra menos de tr\u00eas vezes de disparidade em outros pa\u00edses).<\/p>\n<p>Quase 75% dos estudantes brasileiros no ensino superior est\u00e3o em institui\u00e7\u00f5es privadas, contra cerca de 33% da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE. O relat\u00f3rio alerta que, nesse caso, a falta de mecanismos de financiamento estudantil pode ser um obst\u00e1culo.<\/p>\n<p>Apenas 0,5% dos estudantes brasileiros estudam no exterior, percentual muito abaixo dos 6% da m\u00e9dia da OCDE. Dos que saem do pa\u00eds, 31% v\u00e3o para os Estados Unidos; 13% para Portugal; 10% para a Fran\u00e7a e 10% para a Alemanha.<\/p>\n<p><strong>Diploma Universit\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>De maneira geral, considerando o grupo de todos os pa\u00edses pesquisados, os adultos com um diploma universit\u00e1rio obt\u00eam ganhos significativos em seu investimento: t\u00eam 10% mais chances de serem empregados e ganhar\u00e3o, em m\u00e9dia, 56% mais do que os adultos que s\u00f3 completaram o ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>\u201cEles tamb\u00e9m s\u00e3o os primeiros a se recuperar das recess\u00f5es econ\u00f4micas: as taxas de emprego de jovens adultos com um diploma universit\u00e1rio voltaram aos n\u00edveis anteriores \u00e0 crise, enquanto as taxas para aqueles que n\u00e3o completaram o ensino m\u00e9dio ainda est\u00e3o atrasadas\u201d, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os adultos com educa\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria tamb\u00e9m s\u00e3o menos propensos a sofrer de depress\u00e3o do que aqueles que n\u00e3o chegaram ao ensino superior. Por isso, os jovens adultos est\u00e3o cada vez mais dispostos a obter uma educa\u00e7\u00e3o que aumente suas habilidades, ao inv\u00e9s de entrar no mercado de trabalho diretamente ap\u00f3s a conclus\u00e3o do ensino obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Entre 2000 e 2016, o percentual de jovens de 20 a 24 anos que continuaram a estudar aumentou 10%, em compara\u00e7\u00e3o com uma diminui\u00e7\u00e3o de 9% daqueles que trabalham.<\/p>\n<p><strong>Professores<\/strong><\/p>\n<p>A falta de sal\u00e1rios e o envelhecimento dos professores afetam a profiss\u00e3o, afirma o relat\u00f3rio, que cita a categoria como \u201ca espinha dorsal do sistema educacional\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs sal\u00e1rios dos professores s\u00e3o baixos em compara\u00e7\u00e3o com outros trabalhadores de tempo integral com educa\u00e7\u00e3o similar. Esse \u00e9 um grande obst\u00e1culo para atrair jovens para o ensino. Embora os sal\u00e1rios aumentem de acordo com o n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o prestado, eles ainda est\u00e3o entre 78% e 94% dos sal\u00e1rios dos trabalhadores com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria em tempo integral\u201d, acrescenta o texto.<\/p>\n<p><strong>Brasil quer aderir<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil apresentou, no final de maio deste ano, um\u00a0<a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2017-05\/brasil-formaliza-pedido-de-adesao-ocde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pedido para aderir<\/a><a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2017-05\/brasil-formaliza-pedido-de-adesao-ocde\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0 formalmente \u00e0 Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico<\/a>. O governo brasileiro acompanha as atividades da OCDE desde 1994 e, em 2007, foi convidado a um \u201cengajamento ampliado\u201d, com vistas justamente a uma poss\u00edvel entrada na organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A solicita\u00e7\u00e3o brasileira segue-se \u00e0 bem-sucedida execu\u00e7\u00e3o do programa de trabalho que resultou no Acordo de Coopera\u00e7\u00e3o assinado entre o Brasil e a OCDE em 2015, no marco dos esfor\u00e7os do governo brasileiro para consolidar o desenvolvimento sustent\u00e1vel e inclusivo, com moderniza\u00e7\u00e3o da gest\u00e3o e aproveitamento da larga experi\u00eancia em pol\u00edticas p\u00fablicas comparadas da entidade.<\/p>\n<p>Atualmente, o Brasi \u00e9 considerado um \u201cparceiro chave\u201d da OCDE, que j\u00e1 tem, em sua composi\u00e7\u00e3o, pa\u00edses emergentes, como M\u00e9xico, Chile e Turquia. O pleito brasileiro ser\u00e1 analisado pelo conselho da OCDE.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de ter registrado avan\u00e7os nos \u00faltimos anos, a educa\u00e7\u00e3o no Brasil ainda apresenta dados insatisfat\u00f3rios. \u00c9 o que mostra o relat\u00f3rio\u00a0Education at a Glance 2017\u00a0(Um olhar sobre a educa\u00e7\u00e3o, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado hoje (12) pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE). 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