{"id":1686,"date":"2017-08-28T11:25:46","date_gmt":"2017-08-28T14:25:46","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/?p=1686"},"modified":"2017-08-28T11:26:06","modified_gmt":"2017-08-28T14:26:06","slug":"taxa-de-feminicidios-no-brasil-e-a-quinta-maior-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/2017\/08\/28\/taxa-de-feminicidios-no-brasil-e-a-quinta-maior-do-mundo\/","title":{"rendered":"Taxa de feminic\u00eddios no Brasil \u00e9 a quinta maior do mundo"},"content":{"rendered":"<p>Apenas na \u00faltima semana, foram registrados pelo menos cinco casos de mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros s\u00f3 em S\u00e3o Paulo. Dado alarmante que reflete a realidade do Brasil, pa\u00eds com a quinta maior taxa de feminic\u00eddio do mundo.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero de assassinatos chega a 4,8 para cada 100 mil mulheres. O Mapa da Viol\u00eancia de 2015 aponta que, entre 1980 e 2013, 106.093 pessoas morreram por sua condi\u00e7\u00e3o de ser mulher. As mulheres negras s\u00e3o ainda mais violentadas. Apenas entre 2003 e 2013, houve aumento de 54% no registro de mortes, passando de 1.864 para 2.875 nesse per\u00edodo. Muitas vezes, s\u00e3o os pr\u00f3prios familiares (50,3%) ou parceiros\/ex-parceiros (33,2%) os que cometem os assassinatos.<\/p>\n<p>Com a Lei 13.140, aprovada em 2015, o feminic\u00eddio passou a constar no C\u00f3digo Penal c<\/p>\n<p>omo circunst\u00e2ncia qualificadora do crime de homic\u00eddio. A regra tamb\u00e9m incluiu os assassinatos motivados pela condi\u00e7\u00e3o de g\u00eanero da v\u00edtima no rol dos crimes hediondos, o que aumenta a pena de um ter\u00e7o (1\/3) at\u00e9 a metade da imputada ao autor do crime. Para definir a motiva\u00e7\u00e3o, considera-se que o crime deve envolver viol\u00eancia dom\u00e9stica e familiar e menosprezo ou discrimina\u00e7\u00e3o \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1684\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1684\" class=\"wp-image-1684 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/cartacap-400x266.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/cartacap-400x266.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/cartacap.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1684\" class=\"wp-caption-text\"><em>Marcha pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher. Fonte: Carta Capital<\/em><\/p><\/div>\n<p>Para a promotora de Justi\u00e7a e coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento \u00e0 Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher (GEVID) do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado de S\u00e3o Paulo, Silvia Chakian, a lei do feminic\u00eddio foi uma conquista e \u00e9 um instrumento importante para dar visibilidade ao fen\u00f4meno social que \u00e9 o assassinato de mulheres por circunst\u00e2ncias de g\u00eanero. Antes desse reconhecimento, n\u00e3o havia sequer a coleta de dados que apontassem o n\u00famero de mortes nesse contexto.<\/p>\n<p>Apesar dessa import\u00e2ncia, a promotora alerta que a lei \u00e9 um ponto de partida, mas sozinha ser\u00e1 capaz de acabar com crimes de feminic\u00eddio. \u201cComo um problema bem complexo de causas sociais que est\u00e3o relacionadas a aspectos da nossa sociedade \u2013 ainda t\u00e3o patriarcal, machista e conservadora \u2013 n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula m\u00e1gica, \u00e9 necess\u00e1rio um conjunto integrado de a\u00e7\u00f5es\u201d, defende.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Lei Maria da Penha<\/strong><\/p>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o integral da Lei Maria da Penha \u00e9 o primeiro ponto desse rol de medidas que devem ser tomadas pelo Estado. Reconhecida mundialmente como uma das melhores legisla\u00e7\u00f5es que buscam atacar o problema e elemento importante para a desnaturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia como parte das rela\u00e7\u00f5es familiares e para o empoderamento das mulheres, a lei ainda carece de implementa\u00e7\u00e3o, especialmente no que tange \u00e0s a\u00e7\u00f5es de preven\u00e7\u00e3o, como aquelas voltadas \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, e \u00e0 concretiza\u00e7\u00e3o de uma complexa rede de apoio \u00e0s mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia, na avalia\u00e7\u00e3o da promotora Silvia Chakian.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o vai avan\u00e7ar na desconstru\u00e7\u00e3o de uma cultura de discrimina\u00e7\u00e3o contra a mulher, que est\u00e1 arraigada na sociedade, nas institui\u00e7\u00f5es e em n\u00f3s mesmas, sem trabalhar a dimens\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o\u201d, alerta.<\/p>\n<p>De acordo com a promotora, a rede de atendimento, de aten\u00e7\u00e3o e de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que vivenciam situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia pode ser definidora do rompimento desse ciclo, porque ela deveria fornecer apoio multidisciplinar, inclusive psicol\u00f3gico e financeiro, para que a mulher possa tomar a decis\u00e3o de romper a rela\u00e7\u00e3o abusiva e tenha condi\u00e7\u00f5es de se manter fora dela.<\/p>\n<div id=\"attachment_1688\" style=\"width: 410px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1688\" class=\"wp-image-1688 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/b344f22b-8edf-4918-bcf1-b74912b27c45-400x267.jpeg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/b344f22b-8edf-4918-bcf1-b74912b27c45-400x267.jpeg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/b344f22b-8edf-4918-bcf1-b74912b27c45.jpeg 768w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><p id=\"caption-attachment-1688\" class=\"wp-caption-text\"><em>Na foto, ato no Rio de Janeiro contra a viol\u00eancia sofrida pelas mulheres, realizado em junho de 2016. Fonte: Carta Capital<\/em><\/p><\/div>\n<p>\u201cOnde n\u00e3o h\u00e1 delegacia especializada, centro de refer\u00eancia, casa abrigo e outras institui\u00e7\u00f5es de apoio, essa mulher vai sofrer calada, dentro de casa, sem conseguir buscar ajuda\u201d, afirma. Como o fato extremo do assassinato \u00e9, em geral, uma continuidade de viol\u00eancias perpetradas antes, a exist\u00eancia desses mecanismos de aux\u00edlio pode interromper o ciclo de viola\u00e7\u00f5es, antes que a morte ocorra. \u201cOs feminic\u00eddios s\u00e3o trag\u00e9dias anunciadas, por isso, essas s\u00e3o evit\u00e1veis\u201d, alerta Chakian.<\/p>\n<p>Outras formas de combater essa realidade dram\u00e1tica \u00e9 aprimorar as condutas dos profissionais envolvidos nos processos de investiga\u00e7\u00e3o e julgamento de crimes de feminic\u00eddio. Nesse sentido, em 2016 o governo brasileiro, o Escrit\u00f3rio do Alto Comissariado das Na\u00e7\u00f5es Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e a ONU Mulheres publicaram as\u00a0<em>Diretrizes Nacionais para Investigar, Processar e Julgar com Perspectiva de G\u00eanero as Mortes Violentas de Mulheres \u2013 Feminic\u00eddios<\/em>.<\/p>\n<p>O documento detalha, por exemplo, quando e como a perspectiva de g\u00eanero deve ser aplicada na investiga\u00e7\u00e3o, processo e julgamento de mortes violentas de mulheres, al\u00e9m de formas de abordagem das v\u00edtimas e informa\u00e7\u00f5es sobre os direitos delas. O documento destaca ainda a\u00e7\u00f5es que podem ser desenvolvidas pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico e pelo Poder Judici\u00e1rio, de modo que a justi\u00e7a incorpore a perspectiva de g\u00eanero em seu trabalho e para que sejam assegurados os direitos humanos das mulheres \u00e0 justi\u00e7a, \u00e0 verdade e \u00e0 mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apenas na \u00faltima semana, foram registrados pelo menos cinco casos de mulheres assassinadas por seus companheiros ou ex-companheiros s\u00f3 em S\u00e3o Paulo. Dado alarmante que reflete a realidade do Brasil, pa\u00eds com a quinta maior taxa de feminic\u00eddio do mundo. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o n\u00famero de assassinatos chega a 4,8 para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":640,"featured_media":1685,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-1686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/files\/2017\/08\/1051300-25.10.2016_fnfrz-2080.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Slcq-rc","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/users\/640"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1686"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1689,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1686\/revisions\/1689"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1685"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalfm\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}