{"id":414,"date":"2026-09-10T15:27:31","date_gmt":"2026-09-10T18:27:31","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalemcampo\/?p=414"},"modified":"2026-09-10T15:27:31","modified_gmt":"2026-09-10T18:27:31","slug":"pernas-pra-que-te-quero-4-um-novo-comeco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/federalemcampo\/2026\/09\/10\/pernas-pra-que-te-quero-4-um-novo-comeco\/","title":{"rendered":"Pernas pra que te quero #4 &#8211; Um novo come\u00e7o"},"content":{"rendered":"<h2><i><span style=\"font-weight: 400;\">O nascimento de um novo corredor de rua<\/span><\/i><\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00falio Gemiaki<\/span><\/p>\n<p><strong>______________________________________________________________________________<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Amanheceu um dia nublado, cinza e \u00famido, bem caracter\u00edstico de Pelotas. Existia um combinado para correr \u00e0s 09:30 da manh\u00e3, com a \u00fanica limita\u00e7\u00e3o de que at\u00e9 meio dia deveria se estar em casa. As cobertas est\u00e3o quentinhas, bem diferente do frio que faz na rua. Enfim, \u00e9 nesse contraste que as notifica\u00e7\u00f5es come\u00e7am a ir de um celular para outro.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Samuel, meu amigo de longa data, estava se preparando para correr na rua pela primeira vez em muito tempo e queria saber se era para j\u00e1 estar no Mercado P\u00fablico ou para sair de casa no hor\u00e1rio. Ap\u00f3s uma breve troca de mensagens, n\u00e3o decidimos muita coisa, mas eram 09:32 quando eu sa\u00ed e avisei para que ele tamb\u00e9m fizesse o mesmo.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como a ideia era ver o quanto meu amigo iria conseguir correr, usei o caminho at\u00e9 o ponto de encontro como um aquecimento e corri no meu ritmo habitual, imaginando que ir\u00edamos eventualmente diminuir ele depois. Chegando no largo do mercado, fiquei esperando alguns minutos e assistindo a uma aula de zumba ao ar livre que estava acontecendo l\u00e1. Era uma atividade bem caracter\u00edstica da modalidade, um bando de senhorinhas dan\u00e7ava a partir dos comandos de um professor e de uma professora que trocavam turnos no palco, e, com eles, a m\u00fasica tamb\u00e9m mudava.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o demorou muito at\u00e9 que o Samuel apareceu do outro lado e eu j\u00e1 fui ao encontro dele. <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cE a\u00ed Z, vamo dale?\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, foi a primeira coisa que falei, e ent\u00e3o conversamos um pouco sobre a aula de zumba e um \u00f4nibus da Brigada Militar que dividiam os polos do local onde est\u00e1vamos e fomos para a Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio. Aquele tinha sido o cen\u00e1rio para ver por quanto tempo um corredor de primeira viagem iria conseguir desempenhar. Duas voltas era o nosso combinado, a partir da\u00ed decidir\u00edamos o restante da atividade.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pois bem, passamos um pouco pela est\u00e1tua de Sim\u00f5es Lopes Neto e come\u00e7amos a correr a partir da segunda placa. Logo antes da primeira esquina, o Z j\u00e1 mostrava sintomas do mal do corredor: querer ir r\u00e1pido demais e n\u00e3o saber qual o pr\u00f3prio ritmo. O problema, de verdade, \u00e9 que eu tamb\u00e9m sofro dessa mesma enfermidade. O que fez com que a nossa primeira volta tenha sido num ritmo de 5:40 minutos por quil\u00f4metro, que n\u00e3o \u00e9 exatamente recomend\u00e1vel para uma primeira vez.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mesmo acometidos desse probleminha, a volta Um pareceu confort\u00e1vel pro Samuel. Agora, n\u00e3o podemos dizer o mesmo da volta Dois. A primeira esquina, aquela mesma que usamos para regular a intensidade antes, marcou quando o cansa\u00e7o iria come\u00e7ar a vencer a vontade. Meu amigo come\u00e7ou a cair de ritmo um pouco antes da metade da segunda volta, o que fez com que ele precisasse dobrar o esfor\u00e7o para conseguir finaliz\u00e1-la. Para minha surpresa e para a dele, o Z conseguiu. Um quil\u00f4metro completo na primeira atividade de corrida que ele levou mais a s\u00e9rio na vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pode n\u00e3o parecer, mas isso \u00e9 um feito e tanto: o primeiro quil\u00f4metro sem interrup\u00e7\u00f5es \u00e9 uma marca muito importante na vida de todos que correm. No entanto, logo depois disso, meu parceiro me disse \u201c<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">bah, quase morri<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u201d, indicativo que n\u00e3o poder\u00edamos ir muito mais longe nessa. O que tamb\u00e9m foi uma contradi\u00e7\u00e3o. Depois disso, ainda percorremos mais 1,5 km, com eventuais pausas para caminhar. Ao fim da atividade, o Samuel havia corrido 2,5 km, uma boa quantidade para iniciar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como um todo, foi algo bem legal de se fazer, passamos por pontos como o Mercado, a Pra\u00e7a, o Teatro e descemos depois para o Est\u00e1dio Bento Freitas e finalizamos no Gin\u00e1sio Municipal. Al\u00e9m disso, a companhia e as conversas deixam a corrida muito menos solit\u00e1ria e bem mais divertida. Houveram dois pontos diferentes, o meu, que sa\u00ed naquela manh\u00e3 para me exercitar e aconselhar um amigo a como poder\u00edamos come\u00e7ar a correr, e o dele, que queria entender justamente como era esse come\u00e7o e, de alguma forma, testar a si mesmo nessa atividade.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, diferente das outras, acho que vou terminar esta coluna com um discurso meio motivacional: \u201cCome\u00e7ar a correr \u00e9 um passo importante e vai trazendo v\u00e1rios benef\u00edcios ao longo do tempo, continuar a correr intensifica isso e melhora nossa sa\u00fade f\u00edsica e mental, n\u00e3o parar de correr e poder passar por diversas experi\u00eancias como essa nos motiva a seguir em frente.\u201d<\/span><\/p>\n<p><strong>______________________________________________________________________________<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Siga acompanhando o \u201cPernas pra que te quero\u201d para ler mais hist\u00f3rias como essa!\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Antigamente eu trazia dados cient\u00edficos e comentava sobre influ\u00eancias psicol\u00f3gicas e corporais que a corrida traz em n\u00f3s. Eventualmente, pretendo voltar a trabalhar com isso tamb\u00e9m.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Adendo importante: \u201cZ\u201d \u00e9 o apelido do Samuel, e, sinceramente, eu nunca chamei ele de Samuel antes desse texto, ent\u00e3o Z \u00e9 praticamente o nome dele para mim. (Se l\u00ea \u201cZ\u00ed\u201d ou \u201cZee\u201d, vindo da pron\u00fancia da letra Z\u00ea em ingl\u00eas)<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 a pr\u00f3xima!<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nascimento de um novo corredor de rua J\u00falio Gemiaki ______________________________________________________________________________ Amanheceu um dia nublado, cinza e \u00famido, bem caracter\u00edstico de Pelotas. 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