{"id":83,"date":"2023-02-02T17:13:00","date_gmt":"2023-02-02T20:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/?page_id=83"},"modified":"2023-02-02T17:45:30","modified_gmt":"2023-02-02T20:45:30","slug":"homenageadas-e-homenageados","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/homenageadas-e-homenageados\/","title":{"rendered":"HOMENAGEADAS E HOMENAGEADOS"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>PROFESSORA DOUTORA BEATRIZ ANA LONER<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-85\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/Beatriz-Ana-Loner.jpg\" alt=\"\" width=\"256\" height=\"256\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/Beatriz-Ana-Loner.jpg 318w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/Beatriz-Ana-Loner-200x200.jpg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/Beatriz-Ana-Loner-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 256px) 100vw, 256px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o prestar\u00e1 uma homenagem \u00e0 trajet\u00f3ria profissional da Professora Doutora Beatriz Ana Loner, que nos deixou em 2018. Beatriz foi uma pesquisadora que se dedicou aos estudos sobre os mundos do trabalho, \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o, \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e ao p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o. Sua tese de doutorado, defendida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Sociologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no ano de 1999, se tornou uma refer\u00eancia para pesquisas sobre trabalhadores e trabalhadoras. A tese, publicada como livro (<em>Constru\u00e7\u00e3o de classe<\/em>. <em>Oper\u00e1rios de Pelotas e Rio Grande<\/em> \u2013 1\u00aa edi\u00e7\u00e3o 2001 e 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o 2016, ambas pela editora da UFPel), analisou a forma\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora de Pelotas e de Rio Grande.\u00a0 Suas pesquisas sobre pessoas escravizadas e o p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, dedicadas aqueles e aquelas de Pelotas, apontaram resultados e conclus\u00f5es significativas para o entendimento dos v\u00ednculos cotidianos e familiares, nem sempre harmoniosos, entre os pr\u00f3prios indiv\u00edduos pesquisados e suas redes de rela\u00e7\u00f5es. Como exemplo, o caso de Josefa Campos, uma mulher negra escravizada, m\u00e3e, lavadeira, de 58 anos de idade e uma das ganhadoras da Loteria do Ipiranga em 1881. O dinheiro recebido por Josefa permitiu que ela comprasse sua carta de liberdade e libertasse outras pessoas, dentre elas, sua filha Esperan\u00e7a e o escravizado Jo\u00e3o Tupaberada, com quem, em seguida, se casaria. A hist\u00f3ria de Josefa, apesar de se tornar uma mulher rica, n\u00e3o foi isenta de adversidades, sendo acusada de assassinar por envenenamento seu companheiro em 1888. Beatriz, ao averiguar a hist\u00f3ria de Josefa, sobretudo nas p\u00e1ginas dos jornais de Pelotas, ofereceu uma instigante an\u00e1lise sobre a trajet\u00f3ria da ex-escravizada, que se tornou conhecida na cidade n\u00e3o somente por ter ganhado na loteria, mas tamb\u00e9m pelo caso policial. Outro importante estudo realizado por ela \u00e9 sobre os Souza Santos uma das principais fam\u00edlias de afrodescendentes de Pelotas, o que os tornou parte importante da comunidade negra da regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beatriz Loner ingressou na Universidade Federal de Pelotas em 1989 e se aposentou em 2011. Ao longo de sua trajet\u00f3ria docente, orientou 59 trabalhos de conclus\u00e3o de curso, 12 trabalhos de especializa\u00e7\u00e3o e 11 disserta\u00e7\u00f5es de mestrado nos dois Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o que atuou, Hist\u00f3ria e Sociologia. Ao se aposentar, ingressou como professora visitante na Universidade Federal de Santa Maria, contribuindo para as pesquisas sobre p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de um grupo de estudos sobre a tem\u00e1tica. Na UFPel, Beatriz fundou, em 1990, o N\u00facleo de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica, um espa\u00e7o que salvaguarda importantes acervos, entre os quais se destacam o Acervo da Delegacia Regional do Trabalho do Rio Grande do Sul, formado por 627.000 fichas de qualifica\u00e7\u00e3o profissional e o Acervo da Justi\u00e7a do Trabalho de Pelotas, com mais de 100.000 processos. Desde 2018 o NDH passou a ser nominado como N\u00facleo de Documenta\u00e7\u00e3o Hist\u00f3rica Prof\u00aa Beatriz Loner, uma homenagem ao seu legado e \u00e0 sua mem\u00f3ria, uma forma de mant\u00ea-la presente \u00e0s pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de discentes dos cursos de gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da UFPel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beatriz foi pesquisadora associada ao grupo de pesquisa A experi\u00eancia dos africanos e seus descendentes no Brasil e participante atuante nos encontros Escravid\u00e3o e Liberdade desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o, em Castro, no Paran\u00e1, em 2003. Na 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o, realizada 20 anos depois, a relev\u00e2ncia de sua obra, a influ\u00eancia como pesquisadora e o incentivo para a amplia\u00e7\u00e3o dos estudos sobre escravid\u00e3o, liberdade, p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o e trajet\u00f3rias negras ser\u00e1 celebrado em uma das mesas redondas. Tornar a UFPel sede desta edi\u00e7\u00e3o \u00e9, tamb\u00e9m, uma forma de homenage\u00e1-la, ao mesmo tempo em que se celebra a relev\u00e2ncia de pessoas importantes para a hist\u00f3ria e a cultura dos afrodescendentes pelotenses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">***<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os estudos de Beatriz Loner comentados acima podem ser conferidos nos <a href=\"http:\/\/www.escravidaoeliberdade.com.br\/site\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=53&amp;Itemid=63\">Anais de duas edi\u00e7\u00f5es do Encontro Escravid\u00e3o e Liberdade<\/a>. O caso de Josefa foi apresentado e publicado no 5\u00ba, enquanto as informa\u00e7\u00f5es sobre a Fam\u00edlia Souza Santos constam nos Anais do 6\u00ba.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>PERSONALIDADES DA CULTURA AFRO-PELOTENSE<\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-86\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/personalidades-1-400x339.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"339\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/personalidades-1-400x339.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/escravidaoeliberdade2023\/files\/2023\/02\/personalidades-1.jpg 515w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa logomarca, produzida pela talentosa artista pelotense Ana Paula Langone (<a href=\"https:\/\/www.analangone.art\/\">https:\/\/www.analangone.art\/<\/a>), apresenta espa\u00e7os hist\u00f3ricos e importantes da paisagem urbana de Pelotas: o Mercado P\u00fablico, a Prefeitura Municipal, a Bibliotheca P\u00fablica e a Fonte das Nereidas (na Pra\u00e7a Coronel Pedro Os\u00f3rio). Tamb\u00e9m destaca lugares relevantes da hist\u00f3ria negra da cidade: a Charqueada S\u00e3o Jo\u00e3o, o antigo Engenho Pedro Os\u00f3rio e a Ponte dos Dois Arcos, que fica no corredor das tropas. Pelotas \u00e9 uma cidade negra devido ao legado de seus antepassados, das suas a\u00e7\u00f5es, das suas lutas e organiza\u00e7\u00f5es de seus descendentes, o que repercute n\u00e3o somente na sua hist\u00f3ria como tamb\u00e9m no seu presente. O destaque de nossa logomarca \u00e9 a homenagem para oito personalidades de Pelotas:<\/p>\n<ol style=\"text-align: justify;\">\n<li><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ifisp\/2022\/11\/22\/ufpel-concedera-titulo-de-doutora-honoris-causa-a-mestra-grio-sirley-amaro\/\">Mestra Gri\u00f4 Sirley Amaro<\/a>: participou de v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es de festividades na comunidade, ministrou oficinas de conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias e de narra\u00e7\u00e3o de viv\u00eancias. Faleceu em 2020 e recebeu postumamente o t\u00edtulo de\u00a0Doutora\u00a0<em>Honoris Causa<\/em>da Universidade Federal de Pelotas.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/pontodeculturaesaudeventrelivre.wordpress.com\/2020\/09\/01\/mestre-baptista\">Mestre Baptista (Neives Meirelles Baptista)<\/a>: possuiu forte rela\u00e7\u00e3o com carnaval da cidade, sobretudo a partir da constru\u00e7\u00e3o dos Tambores de Sopapo para o Projeto CABOBU.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/giamare.blogspot.com\/\">Giamar\u00ea (Ligiamar Brochado Jesus)<\/a>: cantora e compositora foi uma das principais figuras da m\u00fasica pelotense.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/adufpel.org.br\/site\/noticias\/grupos-resgatam-as-razes-negras-por-meio-dos-tambores-e-da-dana\">Mestre gri\u00f4 Dilermando de Aguiar<\/a>: percussionista do tambor de sopapo \u00e9 um dos m\u00fasicos que divulga a cultura afro-pelotense e integra o Grupo Odara.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/gauchazh.clicrbs.com.br\/cultura-e-lazer\/musica\/noticia\/2022\/04\/como-giba-giba-impactou-a-cultura-do-rio-grande-do-sul-cl1pj2vnf0089017czsux7bk7.html\">Giba Giba (Gilberto Amaro do Nascimento)<\/a>: foi um grande divulgador da cultura musical pelotense a partir do tambor de sopapo e foi o criador do Festival Cabobu, que homenageia o instrumento.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/institutosaobenedito.blogspot.com\/p\/110-anos-de-historia.html\">Luciana Lealdina de Ara\u00fajo<\/a>: fundou em 1901 o Asilo de \u00d3rf\u00e3s S\u00e3o Benedito, hoje, Instituto S\u00e3o Benedito.<\/li>\n<li>Juvenal Moreno Penny: ao lado do irm\u00e3o, Durval Moreira Penny, foi um dos fundadores do jornal <em>A Alvorada<\/em>, em 1907, um dos mais importantes jornais da imprensa negra brasileira.<\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/ppgh\/turma-2015\/a-racializacao-nas-entrelinhas-da-imprensa-negra-o-caso-o-exemplo-e-a-alvorada-1920-1935\/\">Rodolpho Xavier<\/a>: pedreiro por profiss\u00e3o e lideran\u00e7a oper\u00e1ria, foi outro idealizador do <em>A Alvorada<\/em> para o qual contribuiu de forma significativa.<\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PROFESSORA DOUTORA BEATRIZ ANA LONER A 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o prestar\u00e1 uma homenagem \u00e0 trajet\u00f3ria profissional da Professora Doutora Beatriz Ana Loner, que nos deixou em 2018. Beatriz foi uma pesquisadora que se dedicou aos estudos sobre os mundos do trabalho, \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o, \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e ao p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o. 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