{"id":4191,"date":"2015-07-07T21:45:17","date_gmt":"2015-07-08T00:45:17","guid":{"rendered":"http:\/\/agpel.ufpel.edu.br\/?p=4191"},"modified":"2015-11-20T14:51:28","modified_gmt":"2015-11-20T16:51:28","slug":"a-objetividade-fragilizada-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/a-objetividade-fragilizada-parte-1\/","title":{"rendered":"A Objetividade Fragilizada (parte 1)"},"content":{"rendered":"<p><em>Jornalismo liter\u00e1rio e Novo Jornalismo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong>por <a href=\"http:\/\/empauta.ufpel.edu.br\/?tag=vinicius-pereira-colares\">Vinicius Colares<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O jornalismo historicamente tem uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com a comunica\u00e7\u00e3o oral. \u00c9 imposs\u00edvel estudar a hist\u00f3ria do primeiro sem pensar os seus prim\u00f3rdios, ligados diretamente a segunda. Uma das mais marcantes caracter\u00edsticas do jornalismo liter\u00e1rio, por exemplo, faz rela\u00e7\u00e3o direta com esse h\u00edbrido entre oralidade e a pr\u00e1tica jornal\u00edstica. \u00c9 a maior aten\u00e7\u00e3o aos detalhes &#8211; que muitas vezes passa despercebida na pr\u00e1tica do jornalismo di\u00e1rio &#8211; um dos princ\u00edpios atuantes do g\u00eanero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com a obriga\u00e7\u00e3o de aprofundar-se ao m\u00e1ximo em sua narrativa, o jornalista liter\u00e1rio preza por uma apura\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es mais detalhadas e, de certa forma, \u201chumanizadas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O que o g\u00eanero buscou desde o princ\u00edpio s\u00e3o narrativas que fa\u00e7am com que o leitor (ouvinte ou telespectador) entenda melhor a rela\u00e7\u00e3o entre um fato noticioso e tudo que o cerca. Alguns dos primeiros escritores que s\u00e3o refer\u00eancia por usar t\u00e9cnicas liter\u00e1rias no texto jornal\u00edstico para alcan\u00e7ar uma narrativa mais sofisticada datam do fim do s\u00e9culo XVII at\u00e9 o s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma maioria desses escritores n\u00e3o trabalhava com o jornalismo, mas encontrou na imprensa a for\u00e7a e o espa\u00e7o que n\u00e3o existia no com\u00e9rcio livreiro. Charles Dickens, Victor Hugo, Honor\u00e9 de Balzac, Fi\u00f3dor Dostoi\u00e9vski e Machado de Assis. Essa lista capaz de deixar qualquer cr\u00edtico liter\u00e1rio de joelhos, relaciona alguns dos literatos que usaram o jornal como meio de difundir ideias e contar novas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>A Fran\u00e7a e o Realismo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Felipe Pena, professor da PUC\/RJ, traz o folhetim como um dos principais instrumentos usados por alguns desses autores durante esse per\u00edodo. Com uma origem na Fran\u00e7a \u2013 ainda com o nome de <i>feuilleton<\/i> \u2013 essas publica\u00e7\u00f5es n\u00e3o se referiam aos romances que eram publicados em jornais, inicialmente. Como o n\u00famero de vendas aumentava bruscamente com a publica\u00e7\u00e3o de narrativas liter\u00e1rias em peri\u00f3dicos, o folhetim tamb\u00e9m acabou adaptando-se e trazendo romances e contos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A hist\u00f3ria do jornalismo liter\u00e1rio tamb\u00e9m mostra que foi na transi\u00e7\u00e3o entre o Romantismo e o Realismo, no s\u00e9culo XIX, que o g\u00eanero teve o seu auge produtivo. Uma maior busca pela realidade fez com que a <i>intelligentsia<\/i> francesa, <i>a priori<\/i>, buscasse o afastamento de obras que idealizavam her\u00f3is rom\u00e2nticos e relatavam apenas a estagnada vida burguesa, completamente ut\u00f3pica para uma maioria das classes m\u00e9dia e baixa \u2013 que contava com uma fatia grande de analfabetos em rela\u00e7\u00e3o aos detentores de um maior capital. Com a inten\u00e7\u00e3o de fugir dessa superficialidade, artistas &#8211; e em nosso foco de interesse, escritores &#8211; buscaram no cotidiano um retrato mais fiel de uma sociedade em que estavam inseridos e que sofria com mudan\u00e7as pol\u00edticas e sociais aparentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A inser\u00e7\u00e3o de caracter\u00edsticas, antes apenas liter\u00e1rias, no jornalismo desse per\u00edodo ficou vis\u00edvel. A partir dessa \u00e9poca surgiram algumas obras ficcionais que podem ser consideradas frutos de um trabalho de jornalismo liter\u00e1rio. \u201cEug\u00eania Grandet\u201d (1833) de Honor\u00e9 de Balzac, \u201cNicholas Nickleby\u201d (1838-1839) de Charles Dickens e \u201cMadame Bovary\u201d (1857) de Gustave Flaubert, s\u00e3o alguns exemplos.<\/p>\n<div id=\"attachment_4194\" style=\"width: 611px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/07\/dickens-1_2794642k.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4194\" class=\" wp-image-4194 \" alt=\"Charles Dickens: um dos primeiros &quot;jornalistas liter\u00e1rios&quot; da hist\u00f3ria. (imagem: divulga\u00e7\u00e3o Telegraph.co.uk) \" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/07\/dickens-1_2794642k.jpg\" width=\"601\" height=\"375\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4194\" class=\"wp-caption-text\">Charles Dickens: um dos primeiros &#8220;jornalistas liter\u00e1rios&#8221; da hist\u00f3ria. (imagem: divulga\u00e7\u00e3o\/Telegraph.uk)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O retorno da objetividade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na virada dos s\u00e9culos XIX e XX, por\u00e9m, a quantidade de escritores de fic\u00e7\u00e3o dentro dos jornais foi diminuindo gradativamente. Principalmente com o advento da Primeira e, posteriormente, Segunda Guerra Mundial a aten\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o voltou-se para as novidades e os <i>fait divers<\/i> (fatos diversos). Felipe Pena lembra que o espa\u00e7o dos autores liter\u00e1rios que vinham trabalhando dentro dos jornais vai diminuindo at\u00e9 a literatura se tornar quase exclusivamente um suplemento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8211; Os escritores n\u00e3o s\u00f3 est\u00e3o submetidos a regras b\u00e1sicas do discurso jornal\u00edstico (clareza, concis\u00e3o e objetividade), como t\u00eam na venda seu objetivo primordial \u2013 escreveu o autor do livro \u201cJornalismo Liter\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Durante parte desse per\u00edodo a busca pelo grande furo de not\u00edcia e a preocupa\u00e7\u00e3o com o factual ocuparam as reda\u00e7\u00f5es do mundo inteiro. A for\u00e7a do jornalismo norte-americano espalhou-se definitivamente e fez com que o <i>lead<\/i> virasse parte do manual de grande parte dos jornais di\u00e1rios. O uso desse modelo baseado nas seis perguntas b\u00e1sicas (quem?, o qu\u00ea? ,onde?, quando?, como? e por qu\u00ea?) chegou com for\u00e7a no Brasil, por exemplo, nos anos 1950 e se mant\u00e9m forte at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda assim, algumas alternativas s\u00e3o poss\u00edveis para o jornalista que n\u00e3o quer ficar preso \u00e0s amarras da objetividade. Perfis e romances-reportagem, por exemplo, est\u00e3o sendo produzidos em menor quantidade. Mas est\u00e3o sendo produzidos. Esses g\u00eaneros jornal\u00edsticos que ainda procuram uma maior valoriza\u00e7\u00e3o est\u00e9tica e fogem \u00e0 perenidade t\u00eam rela\u00e7\u00e3o direta com um movimento que surgiu na d\u00e9cada de 1960: o Novo Jornalismo. Esse vai ser o foco da segunda parte desse artigo*.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>*Ser\u00e1 publicado na pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, dia 14.\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornalismo liter\u00e1rio e Novo Jornalismo por Vinicius Colares O jornalismo historicamente tem uma liga\u00e7\u00e3o muito forte com a comunica\u00e7\u00e3o oral. \u00c9 imposs\u00edvel estudar a hist\u00f3ria do primeiro sem pensar os seus prim\u00f3rdios, ligados diretamente&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":587,"featured_media":4198,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[204],"tags":[191],"class_list":["post-4191","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-culturaeentretenimento","tag-vinicius-pereira-colares"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Xvzq-15B","jetpack-related-posts":[{"id":4264,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/a-objetividade-fragilizada-parte-2\/","url_meta":{"origin":4191,"position":0},"title":"A Objetividade Fragilizada (parte 2)","author":"Em Pauta","date":"14\/07\/2015","format":false,"excerpt":"\u00a0 Jornalismo liter\u00e1rio e Novo Jornalismo por Vinicius Colares Uma das maiores obras da hist\u00f3ria do new journalism \u00e9 o livro A luta (1975), de Norman Mailer. 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