{"id":3822,"date":"2015-05-25T22:26:15","date_gmt":"2015-05-26T01:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/agpel.ufpel.edu.br\/?p=3822"},"modified":"2015-11-20T14:44:37","modified_gmt":"2015-11-20T16:44:37","slug":"entrevista-a-critica-literaria-tem-valor-em-si-mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/entrevista-a-critica-literaria-tem-valor-em-si-mesma\/","title":{"rendered":"Entrevista: \u201cA cr\u00edtica liter\u00e1ria tem valor em si mesma\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right\">\n<p style=\"text-align: right\">Por\u00a0<a title=\"Monique Heemann\" href=\"Monique Heemann\">Monique Heemann<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Autora do site Livros abertos, Camila von Holdefer busca o equil\u00edbrio entre a cr\u00edtica acad\u00eamica e a jornal\u00edstica<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Num cen\u00e1rio como o atual, em que sete em cada dez brasileiros n\u00e3o leram um livro sequer no ano passado e em que, recentemente, a Jornada de Literatura de Passo Fundo \u00e9 cancelada por falta de apoio, \u00e9 que se destaca Camila von Holdefer, 27 anos, estudante da Unisinos. As cr\u00edticas liter\u00e1rias publicadas no site \u00a0<em><a title=\"Livros abertos\" href=\"http:\/\/www.livrosabertos.com.br\">Livros abertos<\/a> <\/em>destoam de quase tudo que se encontra <em>online<\/em> sobre livros: \u201cDemonstrando uma consci\u00eancia man\u00edaca tanto de interior como do exterior, reconhecendo que \u00e0s vezes n\u00e3o h\u00e1 filtro e que \u00e0s vezes h\u00e1 uma muralha entre um e outro, o noruegu\u00eas [Karl Ove Knausg\u00e5rd] parece ampliar o contraste entre a pr\u00f3pria figura e o mundo\u201d, escreve Camila sobre o livro <em>Um outro amor<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em abril deste ano, a estudante de filosofia iniciou, no mesmo site, a s\u00e9rie \u2013 ainda em curso \u2013 <em>Da cr\u00edtica<\/em>, em que aborda os desafios da cr\u00edtica liter\u00e1ria sob a perspectiva de cr\u00edticos, jornalistas, editores e \u2013 como n\u00e3o poderia deixar de ser \u2013 a sua. Confira a entrevista com Camila.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em uma entrevista, o cientista pol\u00edtico portugu\u00eas Jo\u00e3o Pereira Coutinho afirmou que temos que ser desviados, de alguma forma, de nosso curso natural para ir, ent\u00e3o, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 literatura. Voc\u00ea concorda?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o exatamente. O leitor procura alguma coisa fora da sua realidade imediata, \u00e9 claro. N\u00e3o se pode negar isso. Por\u00e9m, se parece dif\u00edcil determinar o que caracterizaria o suposto curso natural, \u00e9 ainda mais desafiador tentar conceber a ideia de desvio. O desvio seria alguma situa\u00e7\u00e3o imprevista, mas desagrad\u00e1vel, que faz com que algu\u00e9m se volte para quest\u00f5es mais profundas? O desvio seria o isolamento daquele que n\u00e3o se encaixa no contexto em que est\u00e1 inserido? Essa linha de racioc\u00ednio deixa subentendido que o leitor \u00e9 o <em>outsider<\/em>, o deslocado, o introspectivo. \u00c0s vezes \u00e9, e em outras n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A ideia de percurso natural pressup\u00f5e uma trajet\u00f3ria de vida ascendente e luminosa, quando, sob qualquer perspectiva que se olhe, n\u00e3o funciona assim. A estrada \u00e9 cheia de buracos. Muitos caminhos, quer se sobressaia a calmaria, quer se sobressaia a dor, podem nos conduzir \u00e0 literatura. H\u00e1 a busca por um significado maior, por entretenimento, por escapismo, pelo confronto com a realidade, por respostas e por perguntas, por beleza, por emo\u00e7\u00e3o, por experi\u00eancias distintas. \u00c9 imposs\u00edvel definir o que move algu\u00e9m em dire\u00e7\u00e3o aos livros. \u00c9 um anseio sempre dif\u00edcil de isolar e nomear.<\/p>\n<div id=\"attachment_3823\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/sdsd.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3823\" class=\"size-full wp-image-3823\" alt=\"Camila publica cr\u00edticas liter\u00e1rias no site Livros abertos (Foto: Rafael Casagrande\/Unisinos)\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/sdsd.jpg\" width=\"500\" height=\"332\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3823\" class=\"wp-caption-text\">Camila publica cr\u00edticas liter\u00e1rias no site Livros abertos (Foto: Rafael Casagrande\/Unisinos)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filosofia, voc\u00ea disse que serve para melhorar seu entendimento da literatura, mas n\u00e3o sabe se trabalharia com ela, diretamente. Antes de optar por essa forma\u00e7\u00e3o, foram deixados de lado os cursos jornalismo e letras. O que a filosofia oferece, e que possibilita uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima com a literatura, que esses outros cursos n\u00e3o ofereciam?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os textos de filosofia exigem um leitor atento e comprometido. Como a maior parte deles busca desvendar uma pergunta ou se aproximar de uma resposta, a rela\u00e7\u00e3o com a palavra escrita \u2013 que precisa desenrolar o argumento de forma coerente e convincente \u2013 \u00e9 muito poderosa. \u00c9 um dos pontos. Para al\u00e9m disso, n\u00e3o abriria m\u00e3o do conhecimento de l\u00f3gica que adquiri na filosofia. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de m\u00e1 fama em torno da l\u00f3gica, como se suas preocupa\u00e7\u00f5es centrais n\u00e3o combinassem com as ci\u00eancias humanas nem com a arte em geral. \u00c9 um erro grosseiro. De resto, muitas das perguntas e tentativas de respostas me interessam; filosofia da linguagem e filosofia da mente me interessam em particular.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 preciso considerar que h\u00e1 um forte di\u00e1logo interdisciplinar entre a teoria e a cr\u00edtica liter\u00e1ria e a filosofia. Gosto das intersec\u00e7\u00f5es e dos espa\u00e7os em volta dessas intersec\u00e7\u00f5es.De mais a mais, algumas quest\u00f5es de personagens de fic\u00e7\u00e3o s\u00e3o profundamente filos\u00f3ficas. E n\u00e3o s\u00f3. Enredo, cen\u00e1rio, forma de abordar certos problemas, tudo pode apontar, na an\u00e1lise posterior \u00e0 leitura,para uma investiga\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Ou seja, \u00e9 mais do que <em>poss\u00edvel<\/em> usar a filosofia na cr\u00edtica de literatura \u2013 nesse caso espec\u00edfico, elas <i>se <\/i><em>confundem<\/em>. E \u00e9 poss\u00edvel \u00e0 literatura absorver a filosofia em seu organismo. Tudo \u00e9 poroso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assisti recentemente a uma palestra da fil\u00f3sofa inglesa Susan Haack \u2013 Haack \u00e9 contra o fim do ensino da hist\u00f3ria da filosofia, gra\u00e7as ao panorama amplo que descortina, e \u00e9, de modo geral, contra a divis\u00e3o do conhecimento em \u00e1reas mais ou menos estanques. Para ela, \u201ca fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 um desastre intelectual\u201d. Susan defende a n\u00e3o especializa\u00e7\u00e3o <em>apesar<\/em> do risco de inconsist\u00eancia a que isso poderia levar, porque, segundo ela, \u201cquanto mais ambicioso voc\u00ea \u00e9, maior \u00e9 o risco que voc\u00ea assume\u201d. Ou seja: quanto maior \u00e9 a sua necessidade de conhecimento ou algo do tipo, maior \u00e9 o campo em que voc\u00ea joga. Penso assim tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/fgfgfg.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3824\" alt=\"fgfgfg\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/fgfgfg.png\" width=\"782\" height=\"65\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desde as primeiras experi\u00eancias com livros, o que te fascinou? Qual a melhor sensa\u00e7\u00e3o que a leitura \u00e9 capaz de provocar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Minha rela\u00e7\u00e3o com a leitura foi mudando ao longo do tempo, como, acredito, acontece sobretudo com aqueles que entraram em contato com os livros muito cedo. Quando ouvimos hist\u00f3rias durante o processo de alfabetiza\u00e7\u00e3o, sentimos o prazer do contato, da aten\u00e7\u00e3o, da repeti\u00e7\u00e3o \u2013 tudo aquilo que \u00e9 capaz de fascinar uma crian\u00e7a pequena. Depois vem o entretenimento, a fascina\u00e7\u00e3o com o enredo, o gosto pelas aventuras e fantasias \u2013 o que \u00e9, talvez, um dos motivos pelos quais Castro Alves n\u00e3o faz muito sucesso entre os alunos em idade escolar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Diria que, no come\u00e7o, a melhor sensa\u00e7\u00e3o que a literatura \u00e9 capaz de provocar \u00e9 a identifica\u00e7\u00e3o estreita e imediata, aquela que se relaciona com certas caracter\u00edsticas do personagem como com um espelho. \u00c9 o in\u00edcio da vida de um leitor. Em seguida vem a empatia: o livro como espelho n\u00e3o daquilo que nos singulariza, mas daquilo que temos em comum. A diversidade de vozes, de experi\u00eancias, de cen\u00e1rios e de contextos \u2013 que ainda assim exp\u00f5e conflitos e emo\u00e7\u00f5es universais \u2013 \u00e9 o mais interessante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 poss\u00edvel perceber a op\u00e7\u00e3o por livros fora da lista dos mais vendidos nas cr\u00edticas dispon\u00edveis no <em>Livros abertos<\/em>. No entanto, mesmo com a op\u00e7\u00e3o por um determinado grupo (aqueles fora do circuito comercial), restam infinitas possibilidades de leituras. Como \u00e9 feita a escolha?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Dif\u00edcil dizer. No geral, parto de um equil\u00edbrio entre livros que imagino (e aqui j\u00e1 entramos um tantinho no terreno da especula\u00e7\u00e3o) que despertar\u00e3o pouca aten\u00e7\u00e3o e livros que s\u00e3o t\u00e3o importantes que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel fingir que n\u00e3o est\u00e3o circulando. <em>Gra\u00e7a infinita<\/em>, lan\u00e7ado no Brasil quase duas d\u00e9cadas depois da publica\u00e7\u00e3o original, se encaixa no \u00faltimo caso \u2013 ignorar a tradu\u00e7\u00e3o de Caetano Galindo seria um erro grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De resto, \u00e9 uma mistura de intui\u00e7\u00e3o e uma fuga, tanto quanto poss\u00edvel, daquilo que os outros espa\u00e7os t\u00eam publicado insistentemente. Jamais resenho livros esgotados ou estrangeiros. Resenho o que o p\u00fablico \u00e9 capaz de encontrar com facilidade por aqui. Ainda considero um elitismo inaceit\u00e1vel, em um pa\u00eds onde h\u00e1 poucos leitores e onde as listas de mais vendidos podem deixar alguns de n\u00f3s envergonhados, resenhar um livro que n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel aqui. N\u00e3o fa\u00e7o isso e n\u00e3o vou fazer. Tamb\u00e9m n\u00e3o me pauto por nenhum incentivo: n\u00e3o lan\u00e7o e n\u00e3o participo de campanha. Tento me manter o mais independente e livre poss\u00edvel. N\u00e3o me comprometo. Acho que \u00e9 o principal: n\u00e3o me comprometo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_3825\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/asas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3825\" class=\"size-full wp-image-3825\" alt=\"Textos publicados no Livros abertos j\u00e1 foram elogiados por escritores nacionais, como Michel Laub (Foto: Rafael Casagrande\/Unisinos)\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/asas.jpg\" width=\"500\" height=\"332\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-3825\" class=\"wp-caption-text\">Textos publicados no Livros abertos j\u00e1 foram elogiados por escritores nacionais, como Michel Laub (Foto: Rafael Casagrande\/Unisinos)<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Depois de escrita, como funciona a edi\u00e7\u00e3o da cr\u00edtica feita antes da publica\u00e7\u00e3o? Quais s\u00e3o os crit\u00e9rios para que uma an\u00e1lise v\u00e1 \u201cao ar\u201d?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Preciso me sentir satisfeita com o resultado final, o que depende muito do livro e, consequentemente, daquilo que fui capaz de extrair dele. N\u00e3o tem mist\u00e9rio. Pode parecer um pouco triste o que vou dizer, mas sempre escrevo como se escrevesse para um ve\u00edculo reconhecido, um jornal ou revista, digamos assim. N\u00e3o significa que considere um site um espa\u00e7o menor. Ao contr\u00e1rio \u2013 por isso mesmo que o conte\u00fado oferecido n\u00e3o pode ser inferior ao de uma publica\u00e7\u00e3o como essas. N\u00e3o trato o site como um di\u00e1rio. N\u00e3o trato o site como um caderno de notas desencontradas de leitura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea afirmou, em entrevista ao site da Unisinos, que seu p\u00fablico \u00e9 composto, em geral, por pessoas mais velhas. O grande m\u00e9rito da internet (e dos blogs e canais liter\u00e1rios), por\u00e9m, \u00e9 aproximar a literatura dos jovens. Se existe, qual a contradi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Cada site, blog e canal tem seu p\u00fablico. Alguns s\u00e3o voltados \u00e0 literatura <em>young adult<\/em>, com sagas e distopias e outros livros queridos pelos adolescentes, e outros \u00e0 literatura adulta. (Sei, no entanto, que essa divis\u00e3o \u00e9 menos estanque do que parece.) O m\u00e9rito da internet \u00e9 aproximar a literatura dos jovens, sem d\u00favida, mas n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico m\u00e9rito. A internet pode aproximar a leitura de qualquer pessoa. Qualquer um pode procurar por aquilo que o interessa. No meu caso, n\u00e3o escrevo sobre aquilo que se convencionou chamar de literatura YA. Embora deva haver alguns adolescentes entre meus leitores, escrevo para adultos. Se tem mais de dezoito anos, j\u00e1 considero adulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/dddd.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3826\" alt=\"dddd\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/dddd.png\" width=\"769\" height=\"64\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como \u00e9 poss\u00edvel fugir da mediocridade e se destacar num meio como a internet, onde todos podem produzir conte\u00fado?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Vou usar uma dica do cr\u00edtico Jos\u00e9 Castello: n\u00e3o se pode ter medo de errar. Assumir o risco \u00e9 um dos pontos principais, e est\u00e1 diretamente ligado a outros tr\u00eas: (a) encontrar e sustentar a pr\u00f3pria voz, de novo uma dica de Castello; (b) ter alguma ideia nova; (c) ter um bom repert\u00f3rio, um bom volume de leituras acumuladas, e n\u00e3o me refiro apenas \u00e0 literatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Tudo me parece uniforme na internet, desesperadamente uniforme, da escolha do <em>layout<\/em> (o desenho de uma garota, normalmente lembrando uma aquarela) aos livros resenhados (pobre George Orwell) e mesmo \u00e0 linguagem empregada (\u201ceste livro estava na minha lista h\u00e1 tempos\u201d). Penso que tra\u00e7ar o pr\u00f3prio caminho \u00e9 indispens\u00e1vel, uma vez que seguir uma estrada aberta n\u00e3o leva a um lugar novo. O bom \u00e9 o que o observador atento pode aprender com os erros dos outros. Enfim, h\u00e1 muito espa\u00e7o para se destacar justamente por isso \u2013 porque tudo \u00e9 ridiculamente padronizado. Fugir do clich\u00ea j\u00e1 \u00e9 um bom come\u00e7o. E n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os planos para o <i>Livros abertos<\/i> no futuro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o naufragar. Continuar seguindo uma rota \u00e0 parte. Sentir as mudan\u00e7as nos ventos, e ajustar as velas conforme a situa\u00e7\u00e3o. Encontrar um cachalote albino, que possivelmente n\u00e3o pode ser capturado. Basicamente isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea defende que a cr\u00edtica liter\u00e1ria tem valor em si mesma. Atualmente, qual \u00e9 a sua relev\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>Pergunta dif\u00edcil. \u00c9 otimista demais acreditar que a cr\u00edtica pode ver ressurgir a sua for\u00e7a, mesmo em um cen\u00e1rio t\u00e3o desanimador? Talvez possa, talvez n\u00e3o. Um texto de cr\u00edtica tem valor em si mesmo, claro \u2014 dif\u00edcil \u00e9 saber quantas pessoas (e em que medida) \u00e9 capaz de atingir. Essa me parece a quest\u00e3o central.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/gggg.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3827\" alt=\"gggg\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2015\/05\/gggg.png\" width=\"735\" height=\"79\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Uma das alternativas propostas \u00e0 cr\u00edtica na internet em um dos textos da s\u00e9rie <i>Da cr\u00edtica<\/i> \u00e9 que ela busque o meio-termo entre a cr\u00edtica acad\u00eamica, distante dos leitores, e a de jornal, cada vez menos aprofundada e mais dedicada apenas aos lan\u00e7amentos. Como esse modelo de an\u00e1lise pode ajudar a formar novos leitores?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gosto do meio-termo. O leitor m\u00e9dio \u00e9 o grande alvo deste modelo, que agrega, em minha opini\u00e3o, os pontos positivos da cr\u00edtica acad\u00eamica e da cr\u00edtica jornal\u00edstica. Da primeira, v\u00eam os fundamentos te\u00f3ricos indispens\u00e1veis. No entanto, o leitor m\u00e9dio n\u00e3o est\u00e1 habituado a certo jarg\u00e3o acad\u00eamico. N\u00e3o tem por que estar. A\u00ed entra a linguagem mais simples da cr\u00edtica de jornal e de revista. O texto se torna acess\u00edvel, mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o fica devendo na profundidade da an\u00e1lise.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Acredito que o modelo pode formar novos leitores na medida em que n\u00e3o \u00e9 impenetr\u00e1vel como a cr\u00edtica essencialmente acad\u00eamica, e na medida em que pode mostrar, de forma acess\u00edvel, onde est\u00e3o as chaves interpretativas de determinada leitura. A sensa\u00e7\u00e3o de desvendar um livro, ou de chegar perto disso \u2014 nunca o desvendaremos por completo, \u00e9 claro \u2014, \u00e9 sempre boa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Voc\u00ea disse que se v\u00ea, no futuro, como professora de literatura. Desde a educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e at\u00e9 mesmo na vida adulta, pouca import\u00e2ncia \u00e9 atribu\u00edda \u00e0 leitura no Brasil. \u00c9 poss\u00edvel mudar, dentro das salas de aula, essa situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Sou otimista. Creio que sim. Claro que nem todos os alunos que tiveram contato com a literatura v\u00e3o se tornar bons leitores. N\u00e3o funciona assim. No entanto, \u00e9 importante criar ou manter o incentivo. No caso dos mais velhos, \u00e9 urgente fugir do programa do vestibular. J\u00e1 passou da hora de admitirmos que Jos\u00e9 de Alencar n\u00e3o \u00e9 a melhor escolha para fazer com que um adolescente se interesse por livros. Ofere\u00e7a ao adolescente um livro com o qual ele possa se identificar. Se tudo der certo, ele vai ansiar por repetir a experi\u00eancia. Trag\u00e9dia mesmo foi o cancelamento da Jornada de Literatura de Passo Fundo deste ano. \u00c9 obviamente importante investir na forma\u00e7\u00e3o de leitores. E estamos deixando isso de lado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Monique Heemann Autora do site Livros abertos, Camila von Holdefer busca o equil\u00edbrio entre a cr\u00edtica acad\u00eamica e a jornal\u00edstica \u00a0 Num cen\u00e1rio como o atual, em que sete em cada dez brasileiros n\u00e3o&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":587,"featured_media":3823,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[204,9],"tags":[142],"class_list":["post-3822","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-culturaeentretenimento","category-geral","tag-monique-heemann"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Xvzq-ZE","jetpack-related-posts":[{"id":3928,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/16a-edicao-do-intercom-sul-acontece-em-joinville\/","url_meta":{"origin":3822,"position":0},"title":"16\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Intercom Sul acontece em Joinville","author":"Em Pauta","date":"06\/06\/2015","format":false,"excerpt":"O evento teve in\u00edcio no \u00faltimo dia 4 com o tema Comunica\u00e7\u00e3o: cidade espet\u00e1culo Por\u00a0Monique Heemann Acontece nos dias 4, 5 e 6 de junho o 16\u00ba Congresso de Ci\u00eancias da Comunica\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Sul na Univille, na cidade de Joinville. 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