{"id":21838,"date":"2026-05-26T20:37:32","date_gmt":"2026-05-26T23:37:32","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/?p=21838"},"modified":"2026-05-29T23:31:10","modified_gmt":"2026-05-30T02:31:10","slug":"margaridas-de-praia-revelam-especie-ameacada-e-levantam-debate-sobre-conservacao-no-litoral-de-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/margaridas-de-praia-revelam-especie-ameacada-e-levantam-debate-sobre-conservacao-no-litoral-de-pelotas\/","title":{"rendered":"Margaridas-de-praia revelam esp\u00e9cie amea\u00e7ada e levantam debate sobre conserva\u00e7\u00e3o no litoral de Pelotas"},"content":{"rendered":"<h3 align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A presen\u00e7a da Grindelia atl\u00e2ntica, esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, exp\u00f5e os impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as ambientais sobre as dunas e a vegeta\u00e7\u00e3o costeira do Laranjal.<\/span><\/h3>\n<p align=\"justify\"><em><strong><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Por Lidiane Lopes e Emilly Alves \/ Especial Em Pauta<\/span><\/strong><\/em><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A presen\u00e7a de margaridas nas praias de Pelotas tem chamado a aten\u00e7\u00e3o de moradores e pesquisadores. A vegeta\u00e7\u00e3o aparece principalmente na faixa de areia e nas \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0s dunas, alterando a paisagem e levantando d\u00favidas sobre seus impactos no ecossistema costeiro. Parte das plantas \u00e9 identificada como <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">, esp\u00e9cie nativa do litoral ga\u00facho e classificada como criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o em estudos recentes com participa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e Embrapa Clima Temperado. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a expans\u00e3o de determinadas esp\u00e9cies pode estar ligada a altera\u00e7\u00f5es ambientais, ocupa\u00e7\u00e3o humana e mudan\u00e7as na din\u00e2mica das dunas da regi\u00e3o de Pelotas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_21848\" style=\"width: 1546px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-21848\" class=\"wp-image-21848 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855.png\" alt=\"\" width=\"1536\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855.png 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855-424x283.png 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855-212x141.png 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4855-768x512.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1536px) 100vw, 1536px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-21848\" class=\"wp-caption-text\">Margarida-de-praia (Grindelia atl\u00e2ntica) na faixa de areia do Laranjal, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Foto: Fernando Fernandes \/ Especial Em Pauta<\/p><\/div>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Pesquisadores explicam que a vegeta\u00e7\u00e3o costeira tem papel na fixa\u00e7\u00e3o da areia e na estabilidade das dunas. Altera\u00e7\u00f5es no solo, circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, pisoteio e interven\u00e7\u00f5es urbanas podem modificar esse equil\u00edbrio. Moradores do Laranjal relatam que a presen\u00e7a das margaridas aumentou nos \u00faltimos anos. Alguns veem a planta como parte da paisagem; outros questionam se h\u00e1 impacto na vegeta\u00e7\u00e3o nativa ou na circula\u00e7\u00e3o pela praia.A Embrapa contribui nas pesquisas sobre margaridas-de-praia ao confirmar a ocorr\u00eancia de esp\u00e9cies raras de Grindelia no litoral sul do RS, avaliando riscos de desaparecimento ligados \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o e fornecer base cient\u00edfica para universidades e \u00f3rg\u00e3os ambientais. Seus estudos envolvem taxonomia, compara\u00e7\u00e3o com registros hist\u00f3ricos e an\u00e1lises de herb\u00e1rios e coletas de campo. A unidade Embrapa Clima Temperado, em Pelotas, tamb\u00e9m apoia levantamentos ecol\u00f3gicos de restingas e campos litor\u00e2neos, orientando pesquisas acad\u00eamicas. Al\u00e9m disso, mant\u00e9m cole\u00e7\u00f5es e bancos de dados da flora regional, permitindo comparar popula\u00e7\u00f5es ao longo do tempo e embasar a\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Segundo o pesquisador da Embrapa, Gustavo Heiden, os estudos sobre a esp\u00e9cie come\u00e7aram ainda em 1967, quando exemplares da planta foram coletados e depositados em herb\u00e1rios cient\u00edficos. No entanto, apenas em 2010 foi confirmado que se tratava de uma nova esp\u00e9cie para a ci\u00eancia: a Grindelia atlantica.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Desde ent\u00e3o, novas pesquisas passaram a mapear a ocorr\u00eancia da planta ao longo do litoral sul do Rio Grande do Sul. De acordo com Heiden, a expans\u00e3o das atividades humanas e as mudan\u00e7as ambientais reduziram significativamente as \u00e1reas naturais da esp\u00e9cie.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, serif;\">Atualmente, os principais remanescentes da Grindelia atlantica est\u00e3o concentrados entre o Laranjal, em Pelotas, e a Barra Falsa, em Rio Grande\u201d, explica o pesquisador.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A pesquisa tamb\u00e9m resultou na classifica\u00e7\u00e3o da margarida-da-praia como esp\u00e9cie \u201ccriticamente amea\u00e7ada\u201d, categoria considerada o est\u00e1gio mais alto de risco de extin\u00e7\u00e3o. Para o pesquisador, a situa\u00e7\u00e3o exige medidas urgentes de preserva\u00e7\u00e3o por parte do poder p\u00fablico, incluindo prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas naturais e conserva\u00e7\u00e3o em bancos gen\u00e9ticos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Al\u00e9m da amea\u00e7a ambiental, os pesquisadores enfrentam dificuldades no acesso a dados sobre a vegeta\u00e7\u00e3o costeira. Segundo Heiden, grande parte das \u00e1reas nativas foi modificada antes mesmo de receber investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica adequada. O pesquisador destaca ainda que a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tem papel fundamental na qualifica\u00e7\u00e3o do debate p\u00fablico sobre manejo costeiro e preserva\u00e7\u00e3o das dunas. Entre as a\u00e7\u00f5es apontadas est\u00e3o o monitoramento das popula\u00e7\u00f5es da esp\u00e9cie, o mapeamento das \u00e1reas remanescentes e a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Heiden tamb\u00e9m alerta para os impactos provocados pela remo\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa nas \u00e1reas de praia. Segundo ele, a margarida-da-praia auxilia na estabiliza\u00e7\u00e3o das dunas e na prote\u00e7\u00e3o da faixa costeira contra eros\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">As a\u00e7\u00f5es de manejo em \u00e1reas de restinga e dunas dependem de estudos t\u00e9cnicos e seguem crit\u00e9rios previstos na legisla\u00e7\u00e3o ambiental brasileira. Essas \u00e1reas s\u00e3o consideradas \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente (APPs), e interven\u00e7\u00f5es s\u00f3 podem ocorrer em casos espec\u00edficos, mediante autoriza\u00e7\u00e3o ambiental e apresenta\u00e7\u00e3o de estudos t\u00e9cnicos. \u00d3rg\u00e3os como IBAMA e FEPAM podem exigir licenciamento e medidas compensat\u00f3rias. Em \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m se aplicam as regras do Sistema Nacional de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SNUC).<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">O bi\u00f3logo Fernando Fernandes, pesquisador da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), afirmou que a esp\u00e9cie <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">, conhecida como margarida-de-praia, \u00e9 nativa do litoral sul do Rio Grande do Sul e est\u00e1 restrita a poucas \u00e1reas com ocorr\u00eancia confirmada em Pelotas, Rio Grande e Jaguar\u00e3o. A declara\u00e7\u00e3o foi feita em entrevista sobre a pesquisa iniciada na gradua\u00e7\u00e3o e atualmente desenvolvida no doutorado, que avalia o estado de conserva\u00e7\u00e3o da planta, seus impactos ambientais e estrat\u00e9gias de preserva\u00e7\u00e3o. Segundo o pesquisador, hoje existem pouco mais de 600 indiv\u00edduos no planeta, com a maior concentra\u00e7\u00e3o no Laranjal, em Pelotas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_21825\" style=\"width: 1376px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-21825\" class=\"wp-image-21825 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes.png\" alt=\"\" width=\"1366\" height=\"1152\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes.png 1366w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes-377x318.png 377w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes-189x159.png 189w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/por-fernando-fernandes-768x648.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1366px) 100vw, 1366px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-21825\" class=\"wp-caption-text\">Margarida-de-praia (Grindelia atl\u00e2ntica) na faixa de areia do Laranjal, esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Reprodu\u00e7\u00e3o\/Instagram: Fernando Fernandes \/ Especial Em Pauta<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-family: Arial, serif;\">De acordo com Fernando Fernandes, a esp\u00e9cie ocorre na praia do Laranjal, do Pontal da Barra at\u00e9 a Col\u00f4nia Z3, tamb\u00e9m na Barra Falsa, em Rio Grande, e em paleodunas \u00e0s margens da estrada rural em Jaguar\u00e3o. Registros hist\u00f3ricos indicam presen\u00e7a anterior em Tapes e Tramanda\u00ed, mas buscas recentes n\u00e3o localizaram mais essas popula\u00e7\u00f5es. A pesquisa realizou levantamentos de campo nas tr\u00eas cidades para confirmar as ocorr\u00eancias atuais. A esp\u00e9cie foi descrita cientificamente em 2010 e passou a ser estudada de forma cont\u00ednua a partir de 2017, quando o pesquisador identificou seu risco de extin\u00e7\u00e3o durante levantamento flor\u00edstico da fam\u00edlia Asteraceae no Pontal da Barra.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">O estudo aponta que a planta sofreu forte impacto com eventos recentes de inunda\u00e7\u00e3o, especialmente em 2023 e 2024, que eliminaram indiv\u00edduos em diversas \u00e1reas. Parte das popula\u00e7\u00f5es voltou a surgir a partir de banco de sementes existente no solo. No entanto, o pesquisador afirma que n\u00e3o h\u00e1 estudos suficientes para medir a capacidade de regenera\u00e7\u00e3o desse banco diante de eventos cada vez mais frequentes. Al\u00e9m disso, esp\u00e9cies invasoras, como capim-elefante e outras ex\u00f3ticas, avan\u00e7aram ap\u00f3s as enchentes e competem diretamente com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A pesquisa tamb\u00e9m relaciona a redu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o da faixa de areia, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de estradas e \u00e0 press\u00e3o imobili\u00e1ria no Laranjal e no Pontal da Barra. Segundo o pesquisador, a planta depende de uma faixa espec\u00edfica de areia mais grossa e sofre com pisoteio, circula\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos e ocupa\u00e7\u00f5es irregulares. Ele afirma que as amea\u00e7as \u00e0 <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"> atingem tamb\u00e9m outras esp\u00e9cies de restinga, al\u00e9m de peixes anuais, banhados e \u00e1reas que funcionam como prote\u00e7\u00e3o natural contra inunda\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Do ponto de vista ecol\u00f3gico, a margarida-de-praia contribui para a fixa\u00e7\u00e3o das dunas, ajudando a manter a estrutura da areia e reduzir o impacto das ondas e do vento. O pesquisador afirma que a vegeta\u00e7\u00e3o de restinga funciona como barreira natural e que sua remo\u00e7\u00e3o aumenta a vulnerabilidade da orla e das \u00e1reas urbanizadas. Atualmente, o doutorado investiga a diversidade gen\u00e9tica da esp\u00e9cie para orientar estrat\u00e9gias de conserva\u00e7\u00e3o, incluindo preserva\u00e7\u00e3o em bancos de germoplasma e a\u00e7\u00f5es de manejo. Segundo Felipe Fernando, a situa\u00e7\u00e3o da planta indica necessidade de medidas urgentes para prote\u00e7\u00e3o do litoral do Laranjal e do Pontal da Barra.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_21850\" style=\"width: 1458px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-21850\" class=\"size-full wp-image-21850\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857.png\" alt=\"\" width=\"1448\" height=\"1086\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857.png 1448w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857-424x318.png 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857-212x159.png 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4857-768x576.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1448px) 100vw, 1448px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-21850\" class=\"wp-caption-text\">Exemplares crescem em \u00e1reas de restinga e dunas no litoral de Pelotas. Foto: Fernando Fernandes \/ Especial Em Pauta<\/p><\/div>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">\u00a0<\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A moradora de Pelotas Natali Peres, 24 anos, afirmou que passou a perceber as margaridas-de-praia com mais aten\u00e7\u00e3o ap\u00f3s ler uma reportagem da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sobre o risco de extin\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie no litoral local. Frequentadora ass\u00eddua da praia do Laranjal, onde vai quase todos os fins de semana, ela relatou que a descoberta mudou sua forma de observar a paisagem e despertou preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Segundo Natali, antes da not\u00edcia as flores eram apenas um elemento visual da praia, mas a informa\u00e7\u00e3o de que a esp\u00e9cie \u00e9 rara e exclusiva da regi\u00e3o gerou surpresa. Ela conta que passou a observar as margaridas com mais cuidado e perceber poss\u00edveis varia\u00e7\u00f5es na quantidade ao longo dos anos. Em alguns per\u00edodos, lembra de ver muitas flores espalhadas pelas dunas; em outros, tem a impress\u00e3o de que h\u00e1 menos exemplares, embora reconhe\u00e7a que a percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja baseada em dados t\u00e9cnicos.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A entrevistada afirma que as flores contribuem para a identidade visual do Laranjal e alteram a experi\u00eancia de quem frequenta a orla. Para ela, quando est\u00e3o floridas, as margaridas mudam o cen\u00e1rio e d\u00e3o destaque \u00e0 paisagem, criando um v\u00ednculo afetivo com o lugar. Ap\u00f3s saber que a esp\u00e9cie existe apenas no litoral local, Natali diz que passou a enxergar a praia como um espa\u00e7o que abriga algo \u00fanico, o que refor\u00e7ou a sensa\u00e7\u00e3o de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Sem forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea ambiental, Natali relata que nunca havia associado a presen\u00e7a das flores ao equil\u00edbrio ecol\u00f3gico das dunas. Depois de buscar mais informa\u00e7\u00f5es, afirma ter entendido que a vegeta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem apenas valor est\u00e9tico, mas tamb\u00e9m fun\u00e7\u00e3o ambiental, como a fixa\u00e7\u00e3o da areia e a manuten\u00e7\u00e3o do ecossistema costeiro. A entrevistada avalia que a experi\u00eancia mostra como informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas divulgadas ao p\u00fablico podem mudar a percep\u00e7\u00e3o de frequentadores sobre o litoral e incentivar maior aten\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A planta Grindelia atl\u00e2ntica, esp\u00e9cie nativa das praias de Pelotas, no litoral sul do Rio Grande do Sul, est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o devido a eventos clim\u00e1ticos recentes e \u00e0 presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, segundo o professor Jo\u00e3o Iganci, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A esp\u00e9cie, end\u00eamica da regi\u00e3o, ocorre apenas nesse trecho do litoral e tem papel importante na fixa\u00e7\u00e3o das dunas e no equil\u00edbrio ambiental local.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">De acordo com o professor Jo\u00e3o Iganci, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica <\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">possui distribui\u00e7\u00e3o muito restrita, sendo encontrada basicamente nas praias de Pelotas. Diferente de outras esp\u00e9cies do g\u00eanero <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">, ela apresenta crescimento rente ao solo e capacidade de enraizar nas ramifica\u00e7\u00f5es novas, caracter\u00edstica que contribui para a fixa\u00e7\u00e3o das dunas.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Apesar da percep\u00e7\u00e3o de aumento da vegeta\u00e7\u00e3o em algumas \u00e1reas litor\u00e2neas, n\u00e3o houve crescimento significativo da esp\u00e9cie. Pelo contr\u00e1rio, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"> est\u00e1 amea\u00e7ada. O que tem aumentado \u00e9 a presen\u00e7a de plantas n\u00e3o nativas, como capim-elefante, mamona e capim-anoni, especialmente na faixa entre o Barro Duro e a Col\u00f4nia Z3. Essas esp\u00e9cies invasoras competem com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e alteram a din\u00e2mica do ecossistema.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Eventos clim\u00e1ticos recentes, como enchentes, tamb\u00e9m impactaram diretamente a popula\u00e7\u00e3o da planta. Segundo o pesquisador, houve redu\u00e7\u00e3o significativa no n\u00famero de indiv\u00edduos ap\u00f3s esses epis\u00f3dios. A presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas agrava o cen\u00e1rio, dificultando a recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o natural.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Al\u00e9m de contribuir para a estabilidade das dunas e reduzir danos provocados por eventos clim\u00e1ticos, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"> tamb\u00e9m desempenha papel ecol\u00f3gico ao atrair insetos polinizadores, incluindo abelhas. Esses organismos utilizam a planta como fonte de alimento e ajudam a manter o equil\u00edbrio ambiental da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">A planta <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">, esp\u00e9cie nativa das praias de Pelotas, no litoral sul do Rio Grande do Sul, est\u00e1 amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o devido a eventos clim\u00e1ticos recentes e \u00e0 presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas invasoras, segundo o professor Jo\u00e3o Iganci, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A esp\u00e9cie, end\u00eamica da regi\u00e3o, ocorre apenas nesse trecho do litoral e tem papel importante na fixa\u00e7\u00e3o das dunas e no equil\u00edbrio ambiental local.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">De acordo com o pesquisador, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"> possui distribui\u00e7\u00e3o muito restrita, sendo encontrada basicamente nas praias de Pelotas. Diferente de outras esp\u00e9cies do g\u00eanero Grindelia, ela apresenta crescimento rente ao solo e capacidade de enraizar nas ramifica\u00e7\u00f5es novas, caracter\u00edstica que contribui para a fixa\u00e7\u00e3o das dunas.<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_21849\" style=\"width: 1458px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-21849\" class=\"size-full wp-image-21849\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856.png\" alt=\"\" width=\"1448\" height=\"1086\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856.png 1448w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856-424x318.png 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856-212x159.png 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/IMG_4856-768x576.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1448px) 100vw, 1448px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-21849\" class=\"wp-caption-text\">Concentra\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie na vegeta\u00e7\u00e3o costeira do Laranjal, ambiente sens\u00edvel \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o. Foto: Emily Alves \/ Especial Em Pauta<\/p><\/div>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Arial, serif;\">Apesar da percep\u00e7\u00e3o de aumento da vegeta\u00e7\u00e3o em algumas \u00e1reas litor\u00e2neas, n\u00e3o houve crescimento significativo da esp\u00e9cie. Pelo contr\u00e1rio, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica <\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\">est\u00e1 amea\u00e7ada. O que tem aumentado \u00e9 a presen\u00e7a de plantas n\u00e3o nativas, como capim-elefante, mamona e capim-anoni, especialmente na faixa entre o Barro Duro e a Col\u00f4nia Z3.\u201d diz, Jo\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Essas esp\u00e9cies invasoras competem com a vegeta\u00e7\u00e3o nativa e alteram a din\u00e2mica do ecossistema. Eventos clim\u00e1ticos recentes, como enchentes, tamb\u00e9m impactaram diretamente a popula\u00e7\u00e3o da planta. Segundo o professor, houve redu\u00e7\u00e3o significativa no n\u00famero de indiv\u00edduos ap\u00f3s esses epis\u00f3dios. A presen\u00e7a de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas agrava o cen\u00e1rio, dificultando a recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o natural.<\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Arial, serif;\">Al\u00e9m de contribuir para a estabilidade das dunas e reduzir danos provocados por eventos clim\u00e1ticos, a <\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"><i>Grindelia atl\u00e2ntica<\/i><\/span><span style=\"font-family: Arial, serif;\"> tamb\u00e9m desempenha papel ecol\u00f3gico ao atrair insetos polinizadores, incluindo abelhas. Esses organismos utilizam a planta como fonte de alimento e ajudam a manter o equil\u00edbrio ambiental da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presen\u00e7a da Grindelia atl\u00e2ntica, esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, exp\u00f5e os impactos da urbaniza\u00e7\u00e3o e das mudan\u00e7as ambientais sobre as dunas e a vegeta\u00e7\u00e3o costeira do Laranjal. Por Lidiane Lopes e Emilly Alves&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":587,"featured_media":21822,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[203,438,425,205,1504],"tags":[],"class_list":["post-21838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cienciaetecnologia","category-em-pauta-noticias","category-meio-ambiente","category-qualidadedevida","category-reportagem-especial"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2026\/05\/imagem.png","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Xvzq-5Ge","jetpack-related-posts":[{"id":18172,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/ciclone-devasta-litoral-sul\/","url_meta":{"origin":21838,"position":0},"title":"Ciclone devasta litoral Sul","author":"Em Pauta","date":"13\/07\/2023","format":false,"excerpt":"Ventos de mais de 140 km por hora no litoral de Rio Grande. 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