{"id":19866,"date":"2024-05-12T16:43:15","date_gmt":"2024-05-12T19:43:15","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/?p=19866"},"modified":"2024-05-12T16:43:15","modified_gmt":"2024-05-12T19:43:15","slug":"circe-o-mito-da-feiticeira-da-odisseia-recontado-por-madeline-miller","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/circe-o-mito-da-feiticeira-da-odisseia-recontado-por-madeline-miller\/","title":{"rendered":"Circe: o mito da feiticeira da Odisseia recontado por Madeline Miller"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_19867\" style=\"width: 694px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Circe.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19867\" class=\"wp-image-19867 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Circe.jpg\" alt=\"\" width=\"684\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Circe.jpg 684w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Circe-218x318.jpg 218w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Circe-109x159.jpg 109w\" sizes=\"auto, (max-width: 684px) 100vw, 684px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-19867\" class=\"wp-caption-text\">A releitura de Circe como protagonista da pr\u00f3pria hist\u00f3ria \u00e9 uma jornada tocante de autodescoberta e coragem.<\/p><\/div>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><em>Maria Eduarda Lopes\/Em Pauta<\/em><br \/>\n<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Em 2018, Madeline Miller lan\u00e7ou seu segundo romance intitulado de <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Circe<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. A autora estadunidense \u00e9 conhecida pelo seu corajoso revisionismo feminino, e j\u00e1 possu\u00eda prest\u00edgio gra\u00e7as aos pr\u00eamios conquistados com o seu primeiro livro, <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>A Can\u00e7\u00e3o de Aquiles<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. O lan\u00e7amento de <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Circe<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> trouxe um renome maior para sua carreira ao alcan\u00e7ar o topo dos best-sellers do The New York Times e ser eleito a Melhor Fantasia do ano do Goodreads.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> O livro \u00e9 uma releitura de um apanhado de contos cl\u00e1ssicos gregos, onde a hist\u00f3ria de Circe pode ser contada por ela mesma, preenchendo lacunas que n\u00e3o foram elaboradas pelos poetas antigos. A personagem coadjuvante que aparece em <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>A<\/i><\/span><\/span> <span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Odisseia <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">de Homero, e em outras obras como <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Metamorfoses<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> de Ov\u00eddio, \u00e9 geralmente descrita como feiticeira, mestre de ervas e venenos, que transforma homens em porcos e torna-se amante de Odisseu quando o her\u00f3i chega em sua ilha e descobre como sobrepujar sua magia.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Entretanto, na excelente obra de Miller, a personagem se torna protagonista, e podemos compreender muito melhor a sua complexidade, j\u00e1 que somos colocados como espectadores desde o momento do seu nascimento. Com uma constru\u00e7\u00e3o de mundo envolvente e uma linguagem que flui como \u00e1gua, o leitor \u00e9 capaz de se colocar na pele de uma deusa e experienciar as tribula\u00e7\u00f5es que a imortalidade a inflige.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\">\u201c<span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Quando nasci, o nome para o que eu era n\u00e3o existia\u201d. <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Bruxa<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">. O livro se inicia com Circe apresentando sua vida de forma nada glamourosa para o que se espera de uma deidade. O inc\u00f4modo sobre a falta de pertencimento da personagem cresce a cada cap\u00edtulo, e \u00e9 totalmente intencional. A decep\u00e7\u00e3o e desd\u00e9m de seus genitores divinos, o tit\u00e3 H\u00e9lio e a ninfa Perseis, as zombarias e persegui\u00e7\u00f5es de seus irm\u00e3os, Pasifae e Perses, e logo depois a partida de seu irm\u00e3o mais novo Aietes, o \u00fanico quem verdadeiramente importava-se, a paix\u00e3o pelo mortal Glauco e o primeiro cora\u00e7\u00e3o quebrado, a desintencional cria\u00e7\u00e3o do monstro Cila\u2026 Desde o seu concebimento, Circe era ignorada e desconsiderada por toda a corte divina por sua clara distin\u00e7\u00e3o com o restante da sua ascend\u00eancia: ela parecia e soava como uma mortal.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A sua descoberta sobre magia \u00e9 quase uma lufada de ar fresco: a esse ponto, e logo nos primeiros cap\u00edtulos, seria minimamente justific\u00e1vel ela realmente se tornasse a deusa impiedosa da qual os poetas escreveram. Por\u00e9m, ao decorrer da narrativa, Circe passa por incont\u00e1veis ang\u00fastias e sempre se mant\u00e9m fiel a si mesma. Sua for\u00e7a e bravura era seguran\u00e7a de que n\u00e3o importava a magnitude do obst\u00e1culo, Circe seria capaz de enfrent\u00e1-lo.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">No ex\u00edlio na ilha de Eana, \u00e9 quando a hist\u00f3ria realmente engata o tom do restante do livro. O seu primeiro contato com feiti\u00e7aria, apesar de firmar a raz\u00e3o do seu banimento, \u00e9 o pontap\u00e9 inicial da jornada de autodescobrimento de Circe. Eana era sua nova casa, pelo resto da eternidade, e \u00e9 l\u00e1 onde a maior parte da trama se desenvolve. Esse tempo de isolamento contribui muito para a sua evolu\u00e7\u00e3o pessoal. Embora se trate de uma deusa, a jornada interna de Circe \u00e9 muito humana. E nesse per\u00edodo, ela \u00e9 capaz de crescer e evoluir. Claro, que com o passar de tantos anos, d\u00e9cadas e s\u00e9culos, se Circe n\u00e3o progredisse, seria invi\u00e1vel a sustenta\u00e7\u00e3o da obra. Mas a autora retrata as outras divindades como exatamente as mesmas desde o in\u00edcio: mesquinhas, gananciosas, sedentas por intrigas, insens\u00edveis&#8230; N\u00e3o h\u00e1 crescimento de \u00edndole ou mudan\u00e7a de comportamentos, e isso destaca Circe do restante dos seus ascendentes. Uma decis\u00e3o muito perspicaz de Miller.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">A parte mais dif\u00edcil e pesada da leitura \u00e9 quando nos \u00e9 apresentada a motiva\u00e7\u00e3o acerca das transmuta\u00e7\u00f5es que Circe realizava em homens, que ao contr\u00e1rio do que os mitos originais contam, n\u00e3o eram t\u00e3o inocentes. Em uma das in\u00fameras visitas que Circe recebe na ilha, um navio aporta com uma tripula\u00e7\u00e3o de homens desamparados e perdidos, e Circe os recebe com hospitalidade em seu pal\u00e1cio. Desconfiada, ela mistura ervas nas bebidas como medida cautelar. Os marinheiros, ao perceberem que a anfitri\u00e3 estava sozinha, se unem para abus\u00e1-la. Apesar de n\u00e3o conseguir se defender nos primeiros instantes, Circe retoma suas for\u00e7as, e entoa palavras m\u00e1gicas que transformam todos aqueles homens em porcos. A partir desse acontecimento terr\u00edvel, a cada novo navio que aportava, Circe fazia quest\u00e3o de receber os marinheiros e transform\u00e1-los em su\u00ednos; a maioria era transmutada por suas inten\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras, e poucos ficavam livres do chiqueiro por terem gratid\u00e3o verdadeira para com a deusa.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">E pensando na mitologia grega, estupro e outros tipos de abuso s\u00e3o uma escolha infelizmente \u00f3bvia para explicar as circunst\u00e2ncias dos atos de Circe. Nos in\u00fameros contos perpassados desde a antiguidade, o qu\u00e3o comum era para a mulher sofrer o destino medonho de uma viol\u00eancia acometida por um deus ou um her\u00f3i? Pers\u00e9fone, sequestrada por Hades. Leda, rainha de Esparta e m\u00e3e de Helena de Tr\u00f3ia, enganada por Zeus em forma de cisne. T\u00e9tis, ninfa dos mares tomada \u00e0 for\u00e7a por Poseidon. Ariadne, irm\u00e3 do Minotauro sequestrada por Dion\u00edsio. O mito faz parte de uma tradi\u00e7\u00e3o cultural, uma narrativa popular. Na Gr\u00e9cia Antiga, para a sociedade grega ateniense formada apenas por homens, as mulheres eram criaturas menores que n\u00e3o possu\u00edam direitos ou cidadania, e muito menos uma voz para deliberar escolhas.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Circe esmaga o cora\u00e7\u00e3o do leitor ao dizer: \u201cLembro-me do que pensei, nua sobre a pedra \u00e1spera: sou apenas uma ninfa, afinal de contas, e nada \u00e9 mais comum entre n\u00f3s do que isso\u201d. Ou numa cena onde Circe discute contra Hermes a respeito de levar para a cama as ninfas isoladas em Eana, o deus mensageiro diz: \u201cNinfas sempre correm. Mas vou lhe contar um segredo: elas s\u00e3o p\u00e9ssimas em escapar\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> \u00c9 o epis\u00f3dio fat\u00eddico que antecede um dos encontros mais ilustres de <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>A Odisseia<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">: a chegada de Odisseu e seus guerreiros na ilha de Eana. Ao atracar o navio, os homens sobem ao pal\u00e1cio e s\u00e3o bem recebidos pela feiticeira, at\u00e9 o momento de serem transmutados em porcos. Ent\u00e3o, Hermes revela \u00e0 Odisseu uma forma de sobrepujar as ervas e encantamentos de Circe. Ao contr\u00e1rio do que \u00e9 contado na <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Odisseia<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, em que o her\u00f3i embarga a espada e Circe se atira em seus p\u00e9s pedindo por clem\u00eancia e oferecendo o leito de sua cama como prova de honestidade, no livro de Miller, ambos conversam pacificamente e a paix\u00e3o surge de maneira muito natural.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Circe revela logo ap\u00f3s: \u201cMuitos, muitos anos depois eu ouviria uma can\u00e7\u00e3o sobre nosso primeiro encontro. [&#8230;] Eu n\u00e3o fiquei surpresa com o retrato que a can\u00e7\u00e3o pintava de mim: a bruxa orgulhosa desfeita diante da espada do her\u00f3i, ajoelhando-se e pedindo miseric\u00f3rdia. Humilhar mulheres parece ser um dos passatempos preferidos dos poetas. Como se n\u00e3o pudesse haver uma hist\u00f3ria se n\u00e3o rastejarmos e choramingarmos\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Outro aspecto que p\u00f4de ser abordado na vida de Circe, que antes n\u00e3o havia sido explorado nos cl\u00e1ssicos, \u00e9 a maternidade. O fruto do amor entre Circe e Odisseu resulta num filho. O her\u00f3i retorna para \u00cdtaca sem ter conhecimento do seu novo herdeiro. Mais adiante na trama, esse filho possui um papel-chave no cl\u00edmax que antecede o encerramento da obra.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">O final do livro \u00e9 plenamente satisfat\u00f3rio: sem spoilers aqui, mas \u00e9 algo que cabe muito a todos os personagens, e principalmente \u00e0 Circe e as novas rela\u00e7\u00f5es e vis\u00f5es de mundo que ela adquire.<\/span><\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_19868\" style=\"width: 950px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-19868\" class=\"wp-image-19868 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller.png\" alt=\"\" width=\"940\" height=\"788\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller.png 940w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller-379x318.png 379w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller-190x159.png 190w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2024\/05\/Madeline-Miller-768x644.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-19868\" class=\"wp-caption-text\">Madeline Miller reescreveu o mito de Circe de uma perspectiva feminista. Foto: Nina Subin\/ especial Em Pauta<\/p><\/div>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00a0<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">Madeline Miller escreve para dar novos sentidos aos cl\u00e1ssicos. A teoria revisionista, partindo de uma perspectiva feminina, tem como objetivo representar personagens desprezadas ou subjugadas pelas autorias masculinas, e oferecer um papel de protagonismo para elas. O revisionismo de cunho feminista visa reinvidicar um espa\u00e7o narrativo onde o patriarcado consolidou a exclus\u00e3o das mulheres.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"> Em entrevista para PBS NewsHours em divulga\u00e7\u00e3o de <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Circe<\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">, Miller diz: \u201cEu quero que os leitores possam entender a atemporalidade dessas hist\u00f3rias, onde, infelizmente, muitas das coisas que Circe sofre, sendo menosprezada, prejudicada, afastada dos corredores do poder, abusada sexualmente, s\u00e3o coisas com as quais estamos lidando at\u00e9 hoje\u201d.<\/span><\/span><\/p>\n<p align=\"justify\"><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Circe <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">\u00e9 uma releitura de uma deusa poderosa, uma bruxa, filha, irm\u00e3, m\u00e3e, amante e mulher. Ela \u00e9 retirada de um lugar marginalizado para ser colocada como protagonista e contar sua vida. N\u00e3o \u00e9 apenas uma obra que revisita o passado, ela adiciona contexto, profundidade, uma vis\u00e3o unilateral, e n\u00e3o apenas recortes de uma viv\u00eancia apropriada de pontos de vista masculinos. Nem mesmo sendo divindades mulheres est\u00e3o seguras disso. \u00c9 por esses in\u00fameros motivos que <\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\"><i>Circe <\/i><\/span><\/span><span style=\"font-family: Georgia, serif;\"><span style=\"font-size: medium;\">se faz um livro t\u00e3o importante e atual.<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Maria Eduarda Lopes\/Em Pauta Em 2018, Madeline Miller lan\u00e7ou seu segundo romance intitulado de Circe. 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