{"id":17992,"date":"2023-06-27T11:15:09","date_gmt":"2023-06-27T14:15:09","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/?p=17992"},"modified":"2023-06-27T11:15:15","modified_gmt":"2023-06-27T14:15:15","slug":"representacoes-da-webcultura-femcel-no-cinema-e-na-musica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/representacoes-da-webcultura-femcel-no-cinema-e-na-musica\/","title":{"rendered":"Representa\u00e7\u00f5es da webcultura Femcel no cinema e na m\u00fasica"},"content":{"rendered":"<p><em>Mais do que um contraponto ao movimento Incel, o nicho Femcel cresce como um fen\u00f4meno que abra\u00e7a jovens mulheres com problemas para se envolver em relacionamentos.<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_17996\" style=\"width: 502px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17996\" class=\"wp-image-17996\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA-424x318.jpg\" alt=\"\" width=\"492\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA-424x318.jpg 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA-212x159.jpg 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA-768x576.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17996\" class=\"wp-caption-text\">Principais produ\u00e7\u00f5es musicais e cinematogr\u00e1ficas adotadas como s\u00edmbolos pelas mulheres que simpatizam com a cultura Femcel.<\/p><\/div>\n<p>Por Bruna Meotti \/ Ag\u00eancia Em Pauta<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um certo estere\u00f3tipo se torno u comum entre mulheres da gera\u00e7\u00e3o Z. Se voc\u00ea decorou o discurso da <em>\u201cCool Girl\u201d <\/em>do filme Garota Exemplar, canta <em>Teen Idle, <\/em>da Marina, enquanto se lamenta por uma adolesc\u00eancia incompreendida, ou fantasia com romances irrealistas sob a trilha sonora da Lana Del Rey, \u00e9 bem poss\u00edvel que voc\u00ea se identifique com muitas problem\u00e1ticas abordadas no recente nicho da internet: as <em>Femcels.<\/em><\/p>\n<p>O significado do termo <em>Femcel <\/em>\u00e9 frequentemente associado ao movimento <em>Incel, <\/em>que se traduz como \u201ccelibat\u00e1rio involunt\u00e1rio\u201d. Esse grupo compreende homens que n\u00e3o se relacionam com mulheres por N motivos \u2014 desde uma aus\u00eancia total de habilidades sociais, discursos mis\u00f3ginos, at\u00e9 uma apar\u00eancia potencialmente fora do padr\u00e3o \u2014, eles as culpam pela \u201cincapacidade\u201d de ter rela\u00e7\u00f5es, refor\u00e7am ideias sexistas e frequentemente proferem discursos de \u00f3dios contra diversas minorias.<\/p>\n<div id=\"attachment_17999\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17999\" class=\"wp-image-17999 size-medium\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel-424x169.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel-424x169.jpg 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel-212x85.jpg 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel-768x307.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/print-incel.jpg 879w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17999\" class=\"wp-caption-text\">Usu\u00e1rio de f\u00f3rum na Deep Web manifesta indigna\u00e7\u00e3o por ter que assumir tarefas \u201ctradicionalmente femininas\u201d.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O termo foi utilizado pela primeira vez por uma universit\u00e1ria canadense na d\u00e9cada de 90, que criou um site para que pudesse compartilhar relatos com outras pessoas que n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00f5es sexuais. O espa\u00e7o se chamava <em>\u201cAlana\u2019s Involuntary Celibacy Project, <\/em>e n\u00e3o restringia o conceito de Incel ao sexo masculino, tampouco havia qualquer culpabiliza\u00e7\u00e3o das mulheres dentro da comunidade. Com o tempo, a criadora explorou a sua identidade e veio a abandonar a atividade do site. O termo, ent\u00e3o, passou gradativamente a descrever rapazes frustrados pela inatividade sexual.<\/p>\n<p>Dentro dessas bolhas masculinas encontramos s\u00edmbolos da cultura popular sendo adotados como representa\u00e7\u00f5es de seus ideais e do \u201cmodelo\u201d a ser seguido por um homem. Eles admiram produ\u00e7\u00f5es cinematogr\u00e1ficas como Matrix, Taxi Driver, Psicopata Americano, Peaky Blinders, Clube da Luta e uma infinidade de tramas que apresentam personagens com o comportamento almejado por esses jovens.<\/p>\n<div id=\"attachment_17994\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17994\" class=\"size-medium wp-image-17994\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-424x247.webp\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-424x247.webp 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-212x124.webp 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-768x448.webp 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-1536x896.webp 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/patrick-bateman-2048x1195.webp 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17994\" class=\"wp-caption-text\">Patrick Bateman, protagonista do filme Psicopata Americano.<\/p><\/div>\n<p>Diante da populariza\u00e7\u00e3o do conceito de <em>Incel <\/em>como uma representa\u00e7\u00e3o de um nicho masculino, algumas mulheres passam a se denominar <em>Femcels. <\/em>Sob uma an\u00e1lise rasa, alega-se que \u00e9 uma mera \u201cvers\u00e3o feminina\u201d dos <em>Incels, <\/em>descrevendo mulheres que, apesar de almejarem relacionamentos, n\u00e3o os conseguem em virtude de defici\u00eancias f\u00edsicas ou cognitivas, transtornos mentais, apar\u00eancia fora do padr\u00e3o ou at\u00e9 quest\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Entretanto, com a difus\u00e3o do movimento <em>Femcel <\/em>na cultura popular, \u00e9 poss\u00edvel observar o conceito atrav\u00e9s de nuances e envolver um n\u00famero maior de mulheres e uma diversidade maior de condi\u00e7\u00f5es em que elas se encontram para determinar o que \u00e9, de fato, uma <em>Femcel.<\/em><\/p>\n<p>Algumas descri\u00e7\u00f5es englobam mulheres que sentem atra\u00e7\u00e3o por homens e possuem plenas condi\u00e7\u00f5es de se relacionar \u2014 e muitas vezes possuindo uma apar\u00eancia tida como atraente pelo g\u00eanero oposto \u2014, por\u00e9m conscientemente n\u00e3o o fazem para se \u201cproteger\u201d do comportamento masculino ou em raz\u00e3o de traumas pr\u00e9-existentes em rela\u00e7\u00e3o a figuras masculinas.<\/p>\n<p>Mesmo considerando a diverg\u00eancia entre alguns grupos de <em>Femcels <\/em>quanto ao conceito da subcultura poder ou n\u00e3o compreender mulheres que <em>podem <\/em>se relacionar, mas que simplesmente <em>escolhem <\/em>n\u00e3o fazer isso, algo \u00e9 consenso: garotas que se identificam com a ideia possuem, pelo menos, dificuldades em intera\u00e7\u00f5es sociais e personalidades comumente vistas como \u201cex\u00f3ticas\u201d.<\/p>\n<p>Indo al\u00e9m desta base, podemos observar a associa\u00e7\u00e3o de alguns estere\u00f3tipos como neurodiverg\u00eancias e alguns transtornos mentais e\/ou de personalidade (depress\u00e3o, ansiedade, borderline, transtorno do espectro autista e outros&#8230;), os famigerados <em>daddy\/mommy issues <\/em>(problemas de conv\u00edvio com o pai ou a m\u00e3e), e o consumo de obras que traduzem a excentricidade da personalidade dessas mulheres.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PEARL <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O <em>spin off <\/em>do filme <em>X, <\/em>dirigido por Ti West, est\u00e1 entre a lista de produ\u00e7\u00f5es de sucesso da A24. A hist\u00f3ria, que \u00e9 do g\u00eanero <em>slasher,<\/em> tem como protagonista Pearl, a vil\u00e3 de <em>X, <\/em>e a apresenta em sua juventude no interior do Texas, no ano de 1918, na busca de realizar o sonho de se tornar uma estrela e abandonar a fazenda da fam\u00edlia.<\/p>\n<div id=\"attachment_17995\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17995\" class=\"size-medium wp-image-17995\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl-424x238.jpg\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"238\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl-424x238.jpg 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl-212x119.jpg 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl-768x432.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/pearl.jpg 900w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17995\" class=\"wp-caption-text\">Pearl, interpretada por Mia Goth.<\/p><\/div>\n<p>Estrelado por Mia Goth, neta da atriz brasileira Maria Gladys, o filme exp\u00f5e o cen\u00e1rio conturbado do passado de Pearl: a problem\u00e1tica rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e autorit\u00e1ria, a ambi\u00e7\u00e3o doentia e a incapacidade de digerir rejei\u00e7\u00f5es, o que a leva a ceder a impulsos extremamente violentos. E assim \u00e9 constru\u00edda a personagem que, no filme precedente, cometeu tantas brutalidades.<\/p>\n<p><strong>Nicole<\/strong>, 21, que engaja bastante com as m\u00eddias ligadas ao nicho <em>femcel, <\/em>relata que se identifica com <em>Pearl <\/em>por alguns motivos: <em>\u201cInfelizmente mommy issues, dificuldades pra se relacionar, sentir tudo de maneira muito intensa e desesperadamente tentar correr atr\u00e1s de sonhos que parecem ser t\u00e3ooo distantes.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>Helena, <\/strong>18, embora simpatize e tenha fortes rela\u00e7\u00f5es com o <em>femcel, <\/em>diz que n\u00e3o se considera parte do grupo. Ela aponta quest\u00f5es em comum entre <em>Pearl <\/em>e o filme <em>Virgens Suicidas: \u201cAmbos s\u00e3o filmes que afetam bastante a minha percep\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres e a sociedade, at\u00e9 por conta de certo grau identidade que eu tenho com as protagonistas. Os filmes s\u00e3o perfeitas obras que mostram os extremos entre o sonho feminino de um amor perfeito e seus sacrif\u00edcios com conflito com os sonhos delas.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>ULTRAVIOLENCE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O terceiro \u00e1lbum de est\u00fadio da artista estadunidense Lana Del Rey foi produzido sob influ\u00eancias do rock psicod\u00e9lico, sua vers\u00e3o padr\u00e3o conta com 11 faixas, enquanto a <em>deluxe <\/em>possui 14. Assim como os trabalhos anteriores da cantora, adentra tem\u00e1ticas como relacionamentos problem\u00e1ticos, melancolia, drogas, dinheiro, sexo e fama.<\/p>\n<div id=\"attachment_17998\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17998\" class=\"size-medium wp-image-17998\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-318x318.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-318x318.jpg 318w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-159x159.jpg 159w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-768x768.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-80x80.jpg 80w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence-320x320.jpg 320w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/ultraviolence.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17998\" class=\"wp-caption-text\">Capa do \u00e1lbum Ultraviolence.<\/p><\/div>\n<p>A hist\u00f3ria central do \u00e1lbum trata de um relacionamento t\u00f3xico, onde o eu l\u00edrico tenta se convencer de que seu parceiro a faz bem, enquanto as letras das can\u00e7\u00f5es deixam claro que a sua situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente prejudicial. Especialmente na can\u00e7\u00e3o <em>Ultraviolence, que faz <\/em>refer\u00eancia \u00e0 agress\u00e3o dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Dentro da cultura <em>femcel, <\/em>Lana Del Rey \u00e9 tida como um dos maiores s\u00edmbolos, frequentemente tendo suas obras associadas a mulheres que possuem rela\u00e7\u00f5es problem\u00e1ticas com suas figuras paternas.<\/p>\n<p><strong>Helena<\/strong>, ao ser perguntada sobre artistas que relaciona ao <em>femcel, <\/em>fala um pouco da sua vis\u00e3o sobre Lana: <em>\u201cEu considero a Lana Del Rey uma artista que tem caracter\u00edsticas de femcel nas suas obras, principalmente no \u00e1lbum Ultraviolence, que narra a dificuldade dela sair de um relacionamento t\u00f3xico e ingressar em uma nova rotina amorosa onde ela aceita qualquer migalha de aten\u00e7\u00e3o enquanto se ilude com as esperan\u00e7as de um amor verdadeiro.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>ELECTRA HEART<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Electra Heart \u00e9 o segundo \u00e1lbum de est\u00fadio e trabalho mais popular da cantora galesa Marina (anteriormente conhecida como Marina and the Diamonds). A produ\u00e7\u00e3o foi pioneira no que se conhece na cultura pop como \u201c\u00e1lbuns de conceito\u201d, e al\u00e9m de ter dominado a est\u00e9tica do Tumblr a partir de seu lan\u00e7amento, em 2012, influenciou diversos artistas, como Billie Eilish e Melanie Martinez (outro forte s\u00edmbolo dentro do <em>femcel).<\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_18000\" style=\"width: 328px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-18000\" class=\"size-medium wp-image-18000\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-318x318.jpg\" alt=\"\" width=\"318\" height=\"318\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-318x318.jpg 318w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-159x159.jpg 159w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-768x768.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-80x80.jpg 80w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-320x320.jpg 320w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart.jpg 1000w\" sizes=\"auto, (max-width: 318px) 100vw, 318px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-18000\" class=\"wp-caption-text\">Capa do \u00e1lbum Electra Heart.<\/p><\/div>\n<p>O \u00e1lbum, que nasce como uma cr\u00edtica ao papel social feminino no ocidente e a objetifica\u00e7\u00e3o das mulheres na ind\u00fastria, apresenta ao ouvinte a personagem Electra Heart, e acompanha a sua vida atrav\u00e9s de 4 arqu\u00e9tipos: a <em>Teen Idle <\/em>(adolescente desocupada), <em>Beauty Queen <\/em>(rainha da beleza), <em>Housewife <\/em>(dona de casa) e a <em>Homewrecker <\/em>(destruidora de lares). Todas essas fases da vida de Electra Heart s\u00e3o representadas por diferentes m\u00fasicas dentro do \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Marina Diamandis buscou diferentes inspira\u00e7\u00f5es para a produ\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es e a constru\u00e7\u00e3o do conceito do \u00e1lbum que busca fazer uma alus\u00e3o ao sonho americano. As refer\u00eancias utilizadas v\u00e3o desde a trag\u00e9dia grega at\u00e9 filmes como <em>Valley of the Dolls <\/em>(O Vale das Bonecas)<em>, <\/em>obra dos anos 60 que tamb\u00e9m \u00e9 reivindicado pelo <em>femcel <\/em>e d\u00e1 inspira\u00e7\u00e3o \u00e0 can\u00e7\u00e3o hom\u00f4nima escrita por Marina. J\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o da personagem foi influenciada por figuras femininas como Marilyn Monroe, Britney Spears, Madonna e a rainha francesa Maria Antonieta.<\/p>\n<div id=\"attachment_17997\" style=\"width: 434px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2.webp\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-17997\" class=\"size-medium wp-image-17997\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2-424x254.webp\" alt=\"\" width=\"424\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2-424x254.webp 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2-212x127.webp 212w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2-768x460.webp 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/electra-heart-2.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 424px) 100vw, 424px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-17997\" class=\"wp-caption-text\">Marina no clipe de Primadonna.<\/p><\/div>\n<p><em>Electra Heart <\/em>\u00e9 um \u00e1lbum frequentemente ligado \u00e0 cultura <em>femcel <\/em>justamente pela abordagem do sofrimento feminino diante dos pap\u00e9is sociais que as mulheres s\u00e3o esperadas a executar e as consequ\u00eancias da press\u00e3o e das expectativas. Na can\u00e7\u00e3o <em>Teen Idle, <\/em>por exemplo, cuja pron\u00fancia faz um jogo com a express\u00e3o <em>\u201cTeen Idol\u201d <\/em>(\u00eddolo adolescente), o eu l\u00edrico expressa uma s\u00e9rie de arrependimentos relacionados a uma adolesc\u00eancia conturbada e sexualizada, fazendo refer\u00eancia a problemas como alcoolismo e bulimia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O QUE A CULTURA DE CONSUMO NOS DIZ SOBRE O FEMCEL?<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 interessante analisarmos a ades\u00e3o de alguns produtos midi\u00e1ticos dentro do nicho <em>femcel <\/em>como formas de representatividade. Sobretudo quando pensamos no que tipicamente \u00e9 associado aos <em>incels. <\/em>Quando observamos um grupo que tem como \u00edcones Amy Dunne e Pearl, em oposi\u00e7\u00e3o a um grupo que se sente representado por figuras como Tyler Durden e Patrick Bateman, podemos dizer que eles s\u00e3o essencialmente diferentes, mesmo que possuam prop\u00f3sitos distintos?<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, enquanto o cerne do <em>incel <\/em>\u00e9 a culpabiliza\u00e7\u00e3o da mulher pela infelicidade ou frustra\u00e7\u00e3o dos homens, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a cultura <em>femcel <\/em>assume um papel de acolhimento para jovens mulheres que buscam formas de externar e lidar com seus traumas e a press\u00e3o sofrida diariamente em virtude do que se espera socialmente delas.<\/p>\n<p><strong>Nicole <\/strong>afirma que a comunidade <em>femcel <\/em>n\u00e3o promove \u00f3dio aos homens, mas se concentra em enfrentar e superar problemas que possam ter se originado atrav\u00e9s de figuras masculina ou atrav\u00e9s das dificuldades de conv\u00edvio caracter\u00edsticas das mulheres que se identificam com o movimento. <em>\u201cNo fundo a gente s\u00f3 \u00e9 um monte de mulher esquisitinha, meio solit\u00e1ria, que quer ser amada de algum jeito e achou esse grupo que nos acolhe e ajuda a transformar tudo isso de sentimento ruim em piada, em est\u00e9tica, em um jeito de viver.\u201d<\/em><\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m diz que, apesar da semelhan\u00e7a no nome, o <em>femcel <\/em>contraria totalmente o <em>incel, <\/em>que \u00e9 conhecido por apontar como negativo tudo o que se relaciona \u00e0s mulheres, e conclui: <em>\u201cIncel \u00e9 sobre \u00f3dio, femcel \u00e9 sobre acolhimento.\u201d<\/em><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>Contudo, \u00e9 importante esclarecer que, apesar de serem grupos baseados em motiva\u00e7\u00f5es diferentes com formas distintas de lidar com as pr\u00f3prias dificuldades, n\u00e3o significa que o <em>femcel <\/em>n\u00e3o \u00e9 potencialmente prejudicial, como qualquer outra bolha na internet.<\/p>\n<p>Para <strong>Taiane Volcan<\/strong>, doutora em lingu\u00edstica e pesquisadora, a tend\u00eancia de radicaliza\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema a ser levado em considera\u00e7\u00e3o, pois ideias que inicialmente se mostram pouco relevantes possuem o poder de escalar dentro de grupos homog\u00eaneos. <em>\u201cEmbora esses grupos possam representar espa\u00e7os de acolhimento, nem sempre isso \u00e9 algo positivo\u201d.<\/em><\/p>\n<p>\u201cA sociedade em rede tem por caracter\u00edstica a produ\u00e7\u00e3o de c\u00e2maras de eco, que s\u00e3o espa\u00e7os de trocas onde os sujeitos se isolam a ponto de apagar (metaforicamente) o que est\u00e1 fora da c\u00e2mara de eco e amplificar o que est\u00e1 dentro. Com isso, as pessoas passam a assimilar determinados contextos como a realidade do mundo, ignorando que aquilo representa apenas um fragmento. Esse tipo de &#8220;eco&#8221; \u00e9 bastante prejudicial, pois tem potencial de distorcer perigosamente a realidade para os sujeitos que fazem parte desses grupos.\u201d, explica Taiane.<\/p>\n<p>Especificamente sobre a ado\u00e7\u00e3o de s\u00edmbolos dentro dessas culturas, a doutora nos diz que obras como <em>Pearl <\/em>e <em>Psicopata Americano <\/em>apresentam personagens que foram pensados para representar o adoecimento humano, e n\u00e3o figuras que devem ser tomadas como modelos. <em>\u201cEles evidenciam problemas da sociedade que resultaram naqueles comportamentos, ou seja, s\u00e3o personalidades que funcionam como alerta sobre as consequ\u00eancias de problemas que podemos ou devemos evitar e n\u00e3o seguir ou adotar como modelo.\u201d<\/em><\/p>\n<p>E quanto a identifica\u00e7\u00e3o da cultura <em>femcel <\/em>na m\u00fasica, Taiane acredita que, enquanto express\u00e3o art\u00edstica, a m\u00fasica deve nos fazer refletir, e que essa reflex\u00e3o \u00e9 importante para a evolu\u00e7\u00e3o do sujeito e, logo, da sociedade. Mas que esse consumo \u00e9 problem\u00e1tico quando ocorre a reprodu\u00e7\u00e3o sem o fator cr\u00edtico, algo comum e problem\u00e1tico dentro de grupos radicalizados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que um contraponto ao movimento Incel, o nicho Femcel cresce como um fen\u00f4meno que abra\u00e7a jovens mulheres com problemas para se envolver em relacionamentos. Por Bruna Meotti \/ Ag\u00eancia Em Pauta &nbsp;&#46;&#46;&#46;<\/p>\n","protected":false},"author":587,"featured_media":17996,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[204],"tags":[],"class_list":["post-17992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-culturaeentretenimento"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2023\/06\/CAPA.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Xvzq-4Gc","jetpack-related-posts":[{"id":14412,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/a-intimidade-e-terapia-descrita-no-novo-livro-de-rupi-kaur\/","url_meta":{"origin":17992,"position":0},"title":"A intimidade e terapia descrita no novo livro de Rupi Kaur","author":"Em Pauta","date":"13\/09\/2021","format":false,"excerpt":"por Maria Clara Sousa \/ Em Pauta Meu corpo, minha casa, o \u00faltimo livro lan\u00e7ado pela poeta indiana de 24 anos Rupi Kaur reflete sobre temas como autoconhecimento, trauma, feminismo, abusos, depress\u00e3o e ansiedade. 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