{"id":14019,"date":"2019-12-14T13:05:46","date_gmt":"2019-12-14T16:05:46","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/?p=14019"},"modified":"2019-12-15T16:41:03","modified_gmt":"2019-12-15T19:41:03","slug":"quatro-geracoes-de-migrantes-venezuelanas-buscam-uma-nova-vida-em-solo-gaucho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/quatro-geracoes-de-migrantes-venezuelanas-buscam-uma-nova-vida-em-solo-gaucho\/","title":{"rendered":"Quatro gera\u00e7\u00f5es de migrantes venezuelanas buscam uma nova vida em solo ga\u00facho"},"content":{"rendered":"<h5><strong>Bisav\u00f3, av\u00f3, m\u00e3e e filha contam como a crise humanit\u00e1ria da Venezuela atinge as mulheres<\/strong><\/h5>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Por Isabelli Neckel e J\u00falia M\u00fcller<\/em><\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_14035\" style=\"width: 658px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14035\" class=\"size-full wp-image-14035\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"389\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n.jpg 648w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n-424x255.jpg 424w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n-212x127.jpg 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14035\" class=\"wp-caption-text\">As 4 gera\u00e7\u00f5es venezuelanas. Imagem: Isabelli Neckel<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Na \u00e9poca em que amamentou a pequena Anthonella (1), Glendys (26) fazia apenas uma refei\u00e7\u00e3o por dia. Quando Gladys (49) ia ao mercado, tinha que decidir se comprava arroz ou macarr\u00e3o, pois o dinheiro dava apenas para um item na semana toda. Juana (71) morou na Venezuela por sete d\u00e9cadas e nunca viu nada parecido. No pa\u00eds, que vive uma <\/span><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-45909515\"><span style=\"font-weight: 400\">crise humanit\u00e1ria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> sem precedentes, viol\u00eancia, fome e desemprego s\u00e3o parte da rotina de todos, entretanto, as dificuldades afetam de forma diferente as mulheres. Em agosto, as quatro venezuelanas desembarcaram em Pelotas, no Rio Grande do Sul, beneficiadas pelo programa de interioriza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\u00a0<\/span><a href=\"http:\/\/caritas.org.br\/\"><span style=\"font-weight: 400\">C\u00e1ritas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">. No Brasil, bisav\u00f3, av\u00f3, m\u00e3e e filha buscam a chance de um recome\u00e7o.<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar3.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-14020\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar3.png\" alt=\"\" width=\"370\" height=\"462\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar3.png 370w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar3-255x318.png 255w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar3-127x159.png 127w\" sizes=\"auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>A RESILI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_14021\" style=\"width: 291px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14021\" class=\"wp-image-14021 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar1.png\" alt=\"\" width=\"281\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar1.png 281w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar1-212x154.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14021\" class=\"wp-caption-text\">Glendys e sua filha. Imagem: Isabelli Neckel<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong><em>&#8220;H\u00e1 um tempo, as coisas estavam muito boas&#8221;<\/em><\/strong>, recorda Glendys, em um portugu\u00eas com forte sotaque espanhol. Com o olhar distante, ela parece se perder nas recorda\u00e7\u00f5es de uma \u00e9poca, n\u00e3o muito distante, em que as coisas na Venezuela iam bem. Aos 26 anos, ela trabalhava com atendimento, cursava uma faculdade e iniciava uma fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"><strong><em>\u201cNosso pa\u00eds tinha tudo, tudo, tudo\u201d<\/em><\/strong>, relembra. Ela se refere ao per\u00edodo em que H<\/span><span style=\"text-align: justify\">ugo Ch\u00e1vez governou a na\u00e7\u00e3o, no auge da explora\u00e7\u00e3o petrol\u00edfera, quando os pre\u00e7os dos barris de petr\u00f3leo eram altos e as exporta\u00e7\u00f5es geravam muito lucro. Pouco a pouco, por\u00e9m, o pre\u00e7o do petr\u00f3leo come\u00e7ou a c<\/span><span style=\"text-align: justify\">air. A economia, pouco diversificada e bastante dependente do produto, desandou. \u00c0 isso, somaram-se as san\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas impostas pelos Estados Unidos, que causaram um preju\u00edzo de bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao pequeno territ\u00f3rio latino-americano. Al\u00e9m disso, a popula\u00e7\u00e3o sofre com a crise pol\u00edtica interna, os protestos violentos e as medidas autorit\u00e1rias do governo de Nicol\u00e1s Maduro, sucessor de Ch\u00e1vez.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Desde o ano passado, segundo Glendys,<strong> <em>&#8220;j\u00e1 n\u00e3o se podia viver mais l\u00e1&#8221;<\/em><\/strong>. Com uma infla\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"text-align: justify\">que chegou a bater em 1 milh\u00e3o por cento, as necessidades mais b\u00e1sicas ficaram prejudicadas. Os supermercados vazios denunciavam que a crise, al\u00e9m de pol\u00edtico-econ\u00f4mica, havia se tornado humanit\u00e1ria. Itens simples, como frango, viraram artigos de luxo para um povo faminto. Respons\u00e1veis pelas compras no mercado, pouco a pouco, as mulheres da fam\u00edlia retiraram comidas como carne, macarr\u00e3o e a\u00e7\u00facar da alimenta\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia. At\u00e9 que sobrou s\u00f3 o arroz. <\/span><strong style=\"text-align: justify\"><em>\u201cTodas as manh\u00e3s, eu levantava e pensava no que iria conseguir comer naquele dia. O dinheiro da semana, muitas vezes, s\u00f3 dava para um pacote de arroz. Em meu pa\u00eds, as pessoas est\u00e3o morrendo de fome\u201d<\/em><\/strong><span style=\"text-align: justify\">, lamenta Glendys. <\/span><strong style=\"text-align: justify\"><em>\u201cSe comprasse um pouco de frango hoje, j\u00e1 n\u00e3o podia comer at\u00e9 a pr\u00f3xima semana\u201d<\/em><\/strong><span style=\"text-align: justify\">, conta Juana, que j\u00e1 chegou a pagar o equivalente a 50 reais em um pacote de arroz.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Glendys, mesmo com um emprego, <strong><em>\u201co dinheiro n\u00e3o dava para nada\u201d<\/em><\/strong>. O sal\u00e1rio m\u00ednimo, na \u00e9poca, era equivalia a 140 reais, o que se configura como extrema pobreza, de acordo com as Na\u00e7\u00f5es Unidas. Al\u00e9m de trabalhar, a venezuelana estudava Manuten\u00e7\u00e3o Industrial. Por\u00e9m, a t\u00e3o desejada gradua\u00e7\u00e3o foi interrompida. <em><strong>\u201cPouco a pouco, os professores foram indo para o exterior, n\u00e3o havia mais dinheiro, n\u00e3o havia mais aulas\u201d<\/strong><\/em>, lembra ela, com a tristeza de quem v\u00ea um sonho se acabando. Mesmo assim, Glendys ainda queria continuar em sua terra natal. Por\u00e9m, no dia em que foi despedida, ela se viu sem sa\u00edda. <strong><em>\u201cDisseram que j\u00e1 n\u00e3o podiam mais me pagar um sal\u00e1rio. Me senti muito mal. Minha fam\u00edlia foi deixando o pa\u00eds, fui ficando sozinha. Falei para minha m\u00e3e que n\u00e3o tinha como seguir estudando, que n\u00e3o tinha trabalho, que talvez fosse melhor ir para o Brasil\u201d<\/em><\/strong>, relata.<\/span><\/p>\n<p><strong>A CORAGEM<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_14022\" style=\"width: 336px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar2.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14022\" class=\"wp-image-14022 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar2.png\" alt=\"\" width=\"326\" height=\"232\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar2.png 326w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar2-212x151.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 326px) 100vw, 326px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14022\" class=\"wp-caption-text\">A venezuelana Gladys. Imagem: Isabelli Neckel<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Quatro milh\u00f5es de pessoas deixaram a Venezuela nos \u00faltimos anos, desses, segundo a <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (ACNUR)<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, 168 mil migraram para o Brasil. Entre eles, est\u00e1 Gladys. Ela fez parte do maior \u00eaxodo da hist\u00f3ria da Venezuela e um dos maiores da hist\u00f3ria mundial recente. Aos 49 anos, a ex-atendente tomou uma dif\u00edcil decis\u00e3o: foi a primeira de sua fam\u00edlia a vir para o Brasil, juntamente com o marido. Muito apegada \u00e0s suas \u201cmadres\u201d, ela conta com alegria que seu nome foi inspirado em Santa Gladys, figura popular no catolicismo venezuelano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar da f\u00e9 e da esperan\u00e7a infind\u00e1veis, a vida por l\u00e1, principalmente para as mulheres, era dif\u00edcil. Gladys sabia de muitas hist\u00f3rias de mulheres que haviam sido obrigadas pela fome a prostitu\u00edrem-se nas fronteiras. <strong><em>\u201cEscutamos que elas s\u00e3o maltratadas, violadas\u201d<\/em><\/strong>, conta. Outra quest\u00e3o na vida das mulheres moradoras da Venezuela em crise, \u00e9 a solid\u00e3o. Os homens costumam ser os primeiros a deixar a na\u00e7\u00e3o, em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es. As mulheres, por sua vez, ficam no pa\u00eds com os filhos. <strong><em>\u201cPenso que um pai n\u00e3o poderia se esquecer de um filho\u201d<\/em><\/strong>, comenta Gladys.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ela, por\u00e9m, conseguiu vir para o Brasil assim que a crise se aprofundou. Reunindo toda sua coragem, juntou dinheiro, comprou uma passagem para Roraima e atravessou a fronteira. De in\u00edcio, mandava, todo m\u00eas, parte do dinheiro de seu trabalho para a fam\u00edlia que ainda vivia na Venezuela. O valor, entretanto, de pouco servia, devido a infla\u00e7\u00e3o exacerbada. Aos poucos, sua m\u00e3e, filha, genro e neta tamb\u00e9m deixaram o pa\u00eds e vieram ao seu encontro no Brasil.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, o restante dos parentes n\u00e3o teve a mesma sorte. Muitos ainda vivem no epicentro da crise venezuelana. Outros, est\u00e3o espalhados pela Am\u00e9rica Latina, vivendo em locais como Peru e Chile. <strong><em>\u201cSentimos dor pelos nossos familiares. Estamos dispersados, uns c\u00e1, outros l\u00e1. Sentimos impot\u00eancia, mas fomos obrigados a sair, deixamos casa e fam\u00edlia. Como far\u00edamos se fic\u00e1ssemos l\u00e1? Como sobreviver\u00edamos?\u201d<\/em><\/strong>, reflete.<\/span><\/p>\n<p><strong>A SAUDADE<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_14023\" style=\"width: 324px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar4.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14023\" class=\"wp-image-14023 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar4.png\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar4.png 314w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturar4-212x144.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14023\" class=\"wp-caption-text\">Juana, 71 anos. Imagem: Isabelli Neckel<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Juana, 71 anos, viveu as sete d\u00e9cadas de sua vida na Venezuela. Sempre amou o pa\u00eds. N\u00e3o acreditou quando viu as cenas de viol\u00eancia e fome pela TV. Lamenta que o lugar onde passou a inf\u00e2ncia, construiu fam\u00edlia e planejou viver at\u00e9 o fim dos seus dias esteja nessa situa\u00e7\u00e3o. <strong><em>\u201c\u00c9 o pior momento da Venezuela\u201d<\/em><\/strong>, opina. Hipertensa, gastava toda a aposentadoria com rem\u00e9dios. O pre\u00e7o dos seus quatro medicamentos variava muito e ela n\u00e3o podia deixar seu tratamento \u00e0 merc\u00ea da infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de tudo, a alimenta\u00e7\u00e3o deficit\u00e1ria prejudicava os efeitos da medica\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Gladys conta que fez de tudo para trazer a fam\u00edlia, principalmente a m\u00e3e, para o Brasil:<strong><em> \u201cn\u00e3o queria ficar longe delas, sempre fomos muito unidas\u201d<\/em><\/strong>. Juana ainda tem dificuldades com o portugu\u00eas e, em suas poucas palavras, destaca a saudade que sente da p\u00e1tria e das irm\u00e3s, todas tamb\u00e9m idosas. Se despediu delas refletindo se as veria novamente um dia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Por\u00e9m, sua maior saudade \u00e9 o filho, morto tr\u00eas dias ap\u00f3s a chegada de Juana no Rio Grande do Sul, v\u00edtima da viol\u00eancia alarmante de uma Venezuela ca\u00f3tica. <strong><em>\u201cEle era muito trabalhador e dedicado a fam\u00edlia, era meu \u00fanico filho homem, n\u00e3o pude dar o \u00faltimo adeus\u201d<\/em><\/strong>, lastima Juana, sem conter as l\u00e1grimas. Em 2017, segundo a Anistia Internacional, o n\u00famero de homic\u00eddios no pa\u00eds chegou a 89 para cada cem mil habitantes, n\u00famero tr\u00eas vezes maior que o do Brasil, j\u00e1 considerado bastante alto. Al\u00e9m dos homic\u00eddios, a viol\u00eancia manifesta-se tamb\u00e9m na repress\u00e3o truculenta aos protestos contr\u00e1rios ao governo e nos assaltos em mercados e casas, rotineiros principalmente em Caracas, capital venezuelana.<\/span><\/p>\n<p><strong>A ESPERAN\u00c7A<\/strong><\/p>\n<div id=\"attachment_14024\" style=\"width: 303px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturart.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-14024\" class=\"wp-image-14024 size-full\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturart.png\" alt=\"\" width=\"293\" height=\"213\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturart.png 293w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/Capturart-212x154.png 212w\" sizes=\"auto, (max-width: 293px) 100vw, 293px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-14024\" class=\"wp-caption-text\">Av\u00f3 e neta. Imagem: Isabelli Neckel<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Anthonella tem pouco mais de um ano. Pequena demais para entender os horrores da crise humanit\u00e1ria que assola seu pa\u00eds, a pequena brinca despreocupada. Sua m\u00e3e, Glendys, por\u00e9m, sabe o qu\u00e3o dif\u00edcil foi a luta por sua sobreviv\u00eancia. <strong><em>\u201cTenho uma amiga que, ao dar \u00e0 luz, faleceu por falta de atendimento m\u00e9dico adequado. L\u00e1, ocorrem muitas outras situa\u00e7\u00f5es assim em partos\u201d<\/em><\/strong>, revela. A sa\u00fade p\u00fablica prec\u00e1ria somava-se a falta de alimentos, de modo que a maternidade teve seus desafios naturais potencializados pelas dificuldades da crise: <strong><em>\u201cquando eu estava gr\u00e1vida, a situa\u00e7\u00e3o era muito ruim, eu s\u00f3 comia uma vez ao dia, tanto que ela nasceu muito magrinha, pequena demais. E para ela tomar o mam\u00e1&#8230; na verdade, nem sempre tomava. O leite era caro\u201d<\/em><\/strong>. De fato, um litro de leite chegou a custar 30% do sal\u00e1rio m\u00ednimo venezuelano. J\u00e1 um pacote de fraldas e um absorvente \u00edntimo poderiam significar gastar quase um sal\u00e1rio m\u00ednimo inteiro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar dos \u00faltimos tempos conturbados, Glendys sente saudades de sua p\u00e1tria. <em><strong>\u201c<\/strong><\/em><\/span><span style=\"font-weight: 400\"><em><strong>Sinto muita falta de l\u00e1. Quando algu\u00e9m sai de sua terra, deixa muitas coisas. A casa, a fam\u00edlia, o amor de sua gente, as amizades. At\u00e9 as coisas ruins fazem falta\u201d<\/strong><\/em>, analisa. A migra\u00e7\u00e3o fez com que a fam\u00edlia tivesse que aprender um novo idioma e, al\u00e9m disso, houve a dificuldade na adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 cultura brasileira que, segundo ela, \u00e9 bastante diferente. <strong><em>\u201cMuita gente se deprime e n\u00e3o fica bem quando migra. Mas pouco a pouco vamos acostumando\u201d<\/em><\/strong>, fala, otimista.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Contente, Glendys comenta que, aqui, a fam\u00edlia pode comer bem. Apenas agora, no Brasil, elas poder\u00e3o cozinhar um prato que, na verdade, \u00e9 t\u00edpico da Venezuela. As <\/span><em><span style=\"font-weight: 400\">arepas<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400\">, por l\u00e1, eram caras demais, j\u00e1 que levam carne, um item extremamente inflacionado. Gladys tamb\u00e9m celebra as pessoas que conheceu no Brasil, principalmente os membros da C\u00e1ritas, associa\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica respons\u00e1vel pelo processo de interioriza\u00e7\u00e3o que leva os migrantes alocados em Roraima para outras regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A casa em que as quatro vivem hoje em dia, junto com o marido de Gladys e o de Glendys, foi cedida pela C\u00e1ritas e fica ao lado de uma igreja cat\u00f3lica da cidade de Pelotas. A m\u00fasica que ecoa pelas paredes de madeira \u00e9 t\u00edpica da Venezuela, um som animado, com fortes ra\u00edzes latino-americanas. A nova moradia foi decorada com representa\u00e7\u00f5es de santas venezuelanas e outros s\u00edmbolos da f\u00e9 crist\u00e3. Apesar de estarem a cinco mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia de sua p\u00e1tria, as ra\u00edzes venezuelanas ainda permanecem bastante vivas no lar e nas palavras da fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Entretanto, por enquanto, a fam\u00edlia pretende reconstruir a vida no Brasil. <em><strong>\u201cQueremos o mais importante. Um emprego, para poder ajudar quem ficou na Venezuela. Um bom futuro para nossos filhos. Que minha m\u00e3e viva tranquila os anos que lhe faltam, tendo tudo que necessita\u201d<\/strong><\/em>, deseja Gladys. <em><strong>\u201cPrimeiro, eu preciso de um trabalho, tenho muita vontade de trabalhar. Depois, quero que minha filha estude, porque sei que aqui neste lugar t\u00eam muitas oportunidades para ela. Quero que ela tenha algum futuro. Quero dar para ela uma casa, muitas comodidades que ela merece. Quero fazer muitas coisas aqui. At\u00e9 que meu pa\u00eds se recupere, claro\u201d<\/strong><\/em>, planeja Glendys.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Em sua \u00faltima frase, a venezuelana parece demonstrar esperan\u00e7a em um dia retornar a sua terra natal. Ao ser indagada, ela confirma:<strong><em> \u201csim, eu gostaria muito de voltar. Creio que agora n\u00e3o seja poss\u00edvel. Antes, precisamos de muitas coisas. Eu, primeiro quero trabalhar, quero ter estudo. Mas dentro de alguns anos, quero voltar. Ainda que meu pa\u00eds siga mal, quero voltar outra vez l\u00e1 para ajud\u00e1-lo a se reerguer. Sei que que n\u00e3o vamos nos recuperar t\u00e3o cedo, vai levar muito tempo para que a Venezuela volte a ser o que era. Mas eu sei que, sim, podemos. Quero que minha filha veja onde ela nasceu. N\u00e3o queremos esquecer nossas ra\u00edzes, nossa Venezuela&#8221;.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto, as quatro venezuelanas desembarcaram em Pelotas, no Rio Grande do Sul, beneficiadas pelo programa de interioriza\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica\u00a0C\u00e1ritas. No Brasil, bisav\u00f3, av\u00f3, m\u00e3e e filha buscam a chance de um recome\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":587,"featured_media":14035,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2}},"categories":[1],"tags":[79,437],"class_list":["post-14019","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-geral","tag-isabelli-neckel"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/79777480_567628017364058_5018438843200700416_n.jpg","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p6Xvzq-3E7","jetpack-related-posts":[{"id":14027,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/alunos-do-jornalismo-ufpel-encerram-ano-letivo-com-reconhecimentos-e-premios\/","url_meta":{"origin":14019,"position":0},"title":"Alunos do Jornalismo UFPel encerram ano letivo com reconhecimentos e pr\u00eamios","author":"Em Pauta","date":"15\/12\/2019","format":false,"excerpt":"Ao longo deste ano, acad\u00eamicos do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) foram reconhecidos em diferentes premia\u00e7\u00f5es e competi\u00e7\u00f5es.","rel":"","context":"Em &quot;Geral&quot;","block_context":{"text":"Geral","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/category\/todos\/geral\/"},"img":{"alt_text":"","src":"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/78218411_3434226593316050_4155352696779440128_o.jpg?resize=350%2C200&ssl=1","width":350,"height":200,"srcset":"https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/78218411_3434226593316050_4155352696779440128_o.jpg?resize=350%2C200&ssl=1 1x, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/78218411_3434226593316050_4155352696779440128_o.jpg?resize=525%2C300&ssl=1 1.5x, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/78218411_3434226593316050_4155352696779440128_o.jpg?resize=700%2C400&ssl=1 2x, https:\/\/i0.wp.com\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/files\/2019\/12\/78218411_3434226593316050_4155352696779440128_o.jpg?resize=1050%2C600&ssl=1 3x"},"classes":[]},{"id":9644,"url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/empauta\/porto-como-um-grupo-de-estudantes-esta-contribuindo-para-a-revitalizacao-do-bairro\/","url_meta":{"origin":14019,"position":1},"title":"Porto: como um grupo de estudantes est\u00e1 contribuindo para a revitaliza\u00e7\u00e3o do bairro","author":"Em Pauta","date":"03\/07\/2017","format":false,"excerpt":"Por Isabelli Neckel Medo. 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