{"id":209,"date":"2022-09-15T16:20:42","date_gmt":"2022-09-15T19:20:42","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/?p=209"},"modified":"2023-08-28T14:20:37","modified_gmt":"2023-08-28T17:20:37","slug":"a-complexidade-da-multimorbidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/2022\/09\/15\/a-complexidade-da-multimorbidade\/","title":{"rendered":"A Complexidade da Multimorbidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A complexidade da multimorbidade desde a condi\u00e7\u00e3o at\u00e9 seus impactos socioecon\u00f4micos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecida como multimorbidade, a condi\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por assolar grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 caracterizada pela presen\u00e7a de dois ou mais problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade. Dessa forma, esses problemas incluem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, como doen\u00e7as card\u00edacas, pulmonares e diabetes, como tamb\u00e9m est\u00e3o relacionados \u00e0 sa\u00fade mental pelos diagn\u00f3sticos de depress\u00e3o e ansiedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Agravantes e parcelas populacionais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A problem\u00e1tica que por sua vez \u00e9 constitu\u00edda por combina\u00e7\u00f5es de doen\u00e7as cr\u00f4nicas em um mesmo indiv\u00edduo, isto \u00e9, doen\u00e7as de progress\u00e3o lenta e longa dura\u00e7\u00e3o, pode ser agravada por in\u00fameros fatores. Assim, h\u00e1bitos como tabagismo, sedentarismo, IMC (\u00edndice de massa corporal) elevado, consumo excessivo de frango ou carne vermelha, alta ingest\u00e3o de \u00e1lcool e car\u00eancia por qualidade de sono s\u00e3o respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de grande parte dos diagn\u00f3sticos detectados mundialmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o pesquisador Bruno Pereira Nunes, professor na Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e l\u00edder do Grupo Brasileiro de Estudos sobre Multimorbidade (GBEM), percentualmente, a parcela populacional que mais apresenta duas ou mais doen\u00e7as s\u00e3o os idosos. Ainda assim, em termos absolutos, a condi\u00e7\u00e3o faz-se mais presente nos adultos abaixo de 60 anos. Uma pesquisa realizada pela revista BMJ Open, em 2017, mostra que dois em cada dez adultos possuem duas ou mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Nas palavras do professor \u201cn\u00e3o podemos definir multimorbidade como um problema espec\u00edfico de pessoas idosas, at\u00e9 porque o enfrentamento do problema passa por uma abordagem de preven\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio da vida\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ademais, de acordo com uma pesquisa realizada por Nunes em Pelotas, o p\u00fablico mais afetado na cidade ga\u00facha \u00e9 constitu\u00eddo por mulheres adultas e idosas, comumente pertencente \u00e0s classes econ\u00f4micas mais baixas. Dessa forma, vale destacar que, al\u00e9m dos agravantes citados anteriormente, fatores socioecon\u00f4micos fazem grande participa\u00e7\u00e3o na problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quest\u00e3o socioecon\u00f4mica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A revista Nature Reviews Disease Primers aponta que a multimorbidade se apresenta dez anos antes em pessoas menos favorecidas. Os estudos indicam que a combina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas exigem uso frequente de medica\u00e7\u00e3o e acompanhamento regular por profissionais da sa\u00fade, fatores que dificilmente se tornam acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o carente. \u201cPessoas com maior vulnerabilidade tendem a apresentar mais dificuldade para garantir direitos humanos b\u00e1sicos. Tamb\u00e9m possuem menos acesso a servi\u00e7os e informa\u00e7\u00f5es que podem contribuir para h\u00e1bitos mais saud\u00e1veis de vida, como atendimentos preventivos em sa\u00fade e atividade f\u00edsica, por exemplo\u201d explica Bruno Pereira Nunes. Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel afirmar que a pobreza e a dificuldade econ\u00f4mica tamb\u00e9m s\u00e3o causadores de problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade que, por sua vez, n\u00e3o recebem o devido tratamento. Por consequ\u00eancia, in\u00fameras doen\u00e7as adicionais s\u00e3o derivadas de outras condi\u00e7\u00f5es que n\u00e3o foram tratadas, agravando, assim, a multimorbidade. Al\u00e9m da dificuldade que envolve o tratamento de doen\u00e7as na popula\u00e7\u00e3o mais pobre, observa-se uma pr\u00e1tica recorrente por parte dos m\u00e9dicos ao culpabilizar pessoas pela sua condi\u00e7\u00e3o. Assim, aqueles que buscam e conseguem acesso \u00e0s consultas, s\u00e3o colocados como respons\u00e1veis pelo contexto no qual est\u00e3o inseridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Inseguran\u00e7a alimentar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A inseguran\u00e7a alimentar por sua vez \u00e9 um dos grande pilares da situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica das classes baixas, al\u00e9m de possuir um papel importante no t\u00f3pico \u201cmultimorbidade\u201d. Esta \u00e9 uma das principais causas de estresse em popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, causadora da fragiliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade f\u00edsica e mental e pertencente na realidade de boa parte dos brasileiros. Coloca a popula\u00e7\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o na qual, ou n\u00e3o se alimenta, ou, quando se alimenta, n\u00e3o \u00e9 da forma nutricionalmente correta. As principais consequ\u00eancias decorrentes da inseguran\u00e7a alimentar e, por conseguinte, da multimorbidade, acarretam em morte prematura, piora na qualidade de vida, enfraquecimento do corpo e uso cont\u00ednuo de rem\u00e9dios durante a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Um problema de sa\u00fade p\u00fablica mundial<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A multimorbidade \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica mundial, visto que grande parte da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 detentora de duas ou mais doen\u00e7as cr\u00f4nicas. Ainda assim, \u00e9 fato que as na\u00e7\u00f5es enfrentam o problema de maneiras diferentes. Pa\u00edses menos desenvolvidos s\u00e3o mais vulner\u00e1veis se comparados aos pa\u00edses mais desenvolvidos, j\u00e1 que s\u00e3o mais expostos a doen\u00e7as e menos suscet\u00edveis a alcan\u00e7ar tratamento. Ainda assim, o professor e pesquisador respons\u00e1vel pelo GBEM afirma que o Brasil possui posi\u00e7\u00e3o privilegiada ao ser detentor do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) que, apesar de n\u00e3o conseguir lidar com a multimorbidade, \u00e9 capaz de fornecer aten\u00e7\u00e3o a toda popula\u00e7\u00e3o desde que tenha financiamento e gest\u00e3o de qualidade, visto que um artigo realizado pelo APUBH (Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte) aponta que o sucateamento da sa\u00fade p\u00fablica conta com cortes que acumulam o valor de 36,9 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pessoas pobres desenvolvem m\u00faltiplas doen\u00e7as cr\u00f4nicas dez anos mais cedo, aponta estudo <\/strong><strong>da Nature.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/saude\/medicina\/noticia\/2022\/07\/pessoas-pobresdesenvolvem-multiplas-doencas-cronicas-dez-anos-mais-cedo-aponta-estudo-da-nature.ghtml\">https:\/\/oglobo.globo.com\/saude\/medicina\/noticia\/2022\/07\/pessoas-pobresdesenvolvem-multiplas-doencas-cronicas-dez-anos-mais-cedo-aponta-estudo-da-nature.ghtml<\/a>. Data de acesso: 13\/09\/2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pobres apresentam m\u00faltiplas doen\u00e7as cr\u00f4nicas dez anos antes que mais ricos.<\/strong> Dispon\u00edvel em: https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/equilibrioesaude\/2022\/08\/pobres-apresentam-multiplas-doencas-cronicas-dez-anos-antes-que-mais-ricos.shtml. Data de acesso: 13\/09\/2022.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>No Brasil, \u00e9 a pobreza que mata por meio das condi\u00e7\u00f5es sociais desiguais de acesso \u00e0 sa\u00fade. <\/strong><strong>Entrevista especial com Bruno Pereira Nunes.<\/strong> Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/621102-no-brasil-e-a-pobreza-que-mata-por-meio-das-condicoes-sociais-desiguais-de-acesso-a-saude-entrevista-especial-com-bruno-pereira-nunes\">https:\/\/www.ihu.unisinos.br\/621102-no-brasil-e-a-pobreza-que-mata-por-meio-das-condicoes-sociais-desiguais-de-acesso-a-saude-entrevista-especial-com-bruno-pereira-nunes<\/a>.\u00a0Data de acesso: 13\/09\/2022<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cortes na sa\u00fade afetam usu\u00e1rios: n\u00famero de atendimentos no SUS cai mais de 12%. <\/strong>Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/apubh.org.br\/noticias\/cortes-na-saude-afetam-usuarios-numero-de-atendimentos-no-sus-cai-mais-de-12\">https:\/\/apubh.org.br\/noticias\/cortes-na-saude-afetam-usuarios-numero-de-atendimentos-no-sus-cai-mais-de-12<\/a>\/. Data de acesso: 14\/09\/2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A complexidade da multimorbidade desde a condi\u00e7\u00e3o at\u00e9 seus impactos socioecon\u00f4micos Conhecida como multimorbidade, a condi\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel por assolar grande parte da popula\u00e7\u00e3o mundial \u00e9 caracterizada pela presen\u00e7a de dois ou mais problemas relacionados \u00e0 sa\u00fade. Dessa forma, esses problemas incluem condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, como doen\u00e7as card\u00edacas, pulmonares e diabetes, como tamb\u00e9m est\u00e3o relacionados \u00e0 sa\u00fade &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/2022\/09\/15\/a-complexidade-da-multimorbidade\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1213,"featured_media":236,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[5],"class_list":["post-209","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-textos","tag-texto","item-wrap"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/files\/2022\/09\/inovacao.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1213"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=209"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":213,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/209\/revisions\/213"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=209"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=209"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/eaipelotas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=209"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}