{"id":2730,"date":"2020-10-17T11:37:10","date_gmt":"2020-10-17T14:37:10","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/?page_id=2730"},"modified":"2020-10-17T11:37:10","modified_gmt":"2020-10-17T14:37:10","slug":"informe-no-10","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/observatorio-do-dcsa\/informes\/informe-no-10\/","title":{"rendered":"Informe N\u00ba 10"},"content":{"rendered":"<p>O d\u00e9cimo informe pretende apresentar um relato a respeito dos debates dos dois \u00faltimos eventos do Ciclo de Palestras organizado pelo Observat\u00f3rio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2685 alignleft\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-400x400.jpg\" alt=\"\" width=\"177\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-400x400.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-200x200.jpg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-768x768.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-870x870.jpg 870w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro foi referente \u00e0 import\u00e2ncia da Extens\u00e3o Rural e da Assist\u00eancia T\u00e9cnica, em um contexto de incertezas, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de Alisson Vicente Zarnott (Docente da Universidade Federal de Santa Maria) Fernando Horn (Engenheiro Agr\u00f4nomo e Extensionista da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural \u2013 Emater\/RS) e Roni Bonow (Coordenador do Centro de Apoio e Promo\u00e7\u00e3o da Agroecologia \u2013 CAPA Pelotas).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2686 alignright\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-398x400.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-398x400.jpg 398w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-200x200.jpg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-768x772.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-870x875.jpg 870w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325.jpg 932w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo evento, aqui relatado, tratou da tem\u00e1tica do Desenvolvimento Territorial, Sociobiodiversidade e Agricultura familiar, e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos seguintes convidados: Marcos Fl\u00e1vio Silva Borba (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria \u2013 Embrapa Pecu\u00e1ria Sul) e Gabriela Peixoto Coelho de Souza (Universidade Federal do Rio Grande do Sul \u2013 UFRGS).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd8139\"  tabindex=\"0\" title=\"A Import\u00e2ncia da Extens\u00e3o Rural e da Assist\u00eancia T\u00e9cnica em um Contexto de Incertezas\"    >A Import\u00e2ncia da Extens\u00e3o Rural e da Assist\u00eancia T\u00e9cnica em um Contexto de Incertezas<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd8139\" class=\"collapseomatic_content \">No primeiro evento os palestrantes destacaram diversas quest\u00f5es atinentes \u00e0s dificuldades e potencialidades da extens\u00e3o rural no contexto atual.<\/p>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd81d9\"  tabindex=\"0\" title=\"Alisson Vicente Zarnott - UFSM\"    >Alisson Vicente Zarnott - UFSM<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd81d9\" class=\"collapseomatic_content \">Alisson Vicente Zarnott destacou a necessidade de incorporarmos, em nossas an\u00e1lises, o componente da incerteza. Mais do que um fator a ser combatido, as incertezas crescentes, as quais a humanidade \u2013 e o rural \u2013 est\u00e3o expostos, necessitam estar presentes no planejamento e nas a\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o. A pandemia da Covid-19, nesse sentido, exp\u00f4s, de modo imediato, esse contexto em diversos planos (clim\u00e1tico, sanit\u00e1rio, comportamental, econ\u00f4mico, etc.).<br \/>\nNa contram\u00e3o da realidade de incertezas, o professor Alisson destacou as certezas que a comunidade cient\u00edfica tem sobre o cen\u00e1rio atual. Em primeiro lugar, h\u00e1 uma disputa entre vis\u00f5es de mundo e de perspectivas que se estende para a agricultura e ao papel desempenhado pelo Estado. Para ele, os efeitos trazidos pela pandemia solaparam as bases da perspectiva neoliberal de diminui\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do Estado, expondo a import\u00e2ncia desse ente na regula\u00e7\u00e3o da vida social em todos os setores (sa\u00fade p\u00fablica; emprego; sal\u00e1rio; agricultura). Em segundo lugar, destacou a resili\u00eancia da dimens\u00e3o territorial e local como alternativa aos imp\u00e9rios alimentares e a uma agricultura financeirizada e globalizada. Como terceiro aspecto, destacou a alternativa proposta de mitiga\u00e7\u00e3o da crise clim\u00e1tica via ado\u00e7\u00e3o da agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) como instrumento adequado de planejamento de pol\u00edticas p\u00fablicas e, por fim, a necessidade de ado\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas menos predat\u00f3rias de produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria que tenham na relocaliza\u00e7\u00e3o e nas perspectivas da economia ecol\u00f3gica, solid\u00e1ria e ambiental suas bases.<br \/>\nEssas certezas, contudo, n\u00e3o t\u00eam sido evidenciadas no Brasil. Segundo o professor, o pa\u00eds ainda tem priorizado um modelo de desenvolvimento predat\u00f3rio que tem avan\u00e7ado sobre as popula\u00e7\u00f5es e os modos de vida tradicionais e sido pautado pelo enfraquecimento da presen\u00e7a do Estado. Isso tem resultado em uma extens\u00e3o rural nada promissora, que \u00e9 deficit\u00e1ria em rela\u00e7\u00e3o a sua cobertura (atende menos de 50% das fam\u00edlias rurais do RS) e calcada em uma vis\u00e3o difusionista, que reproduz o modelo de desenvolvimento citado. Assim, reivindica-se um novo modelo de extens\u00e3o rural que tenha uma defini\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e ideol\u00f3gica, que privilegie os povos tradicionais, adote o paradigma cr\u00edtico popular (pesquisa-a\u00e7\u00e3o) e que inclua, do ponto de vista global, os debates dos ODS e da alimenta\u00e7\u00e3o. Na dimens\u00e3o local, incentive pol\u00edticas territoriais sustent\u00e1veis que rompam com o modelo de extens\u00e3o rural baseado apenas em uma vis\u00e3o setorial.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd8279\"  tabindex=\"0\" title=\"Fernando Horn - EMATER\"    >Fernando Horn - EMATER<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd8279\" class=\"collapseomatic_content \">Por sua vez, o extensionista Fernando Horn da Emater\/RS destacou que nos \u00faltimos anos a assist\u00eancia t\u00e9cnica tem crescido em todos os munic\u00edpios do Territ\u00f3rio Zona Sul. Por\u00e9m, observa-se que assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e9 diferente de extens\u00e3o rural: enquanto a primeira tem como foco as atividades e o atendimento individualizado, geralmente executado por institui\u00e7\u00f5es privadas, a segunda possui car\u00e1ter p\u00fablico, baseada na a\u00e7\u00e3o coletiva e vis\u00e3o sist\u00eamica. Nesse sentido, destaca-se a dificuldade da ATER p\u00fablica dar conta de um universo que se apresenta com tamanha diversidade. Como exemplo, ele salientou o fato de que o territ\u00f3rio da Zona Sul do RS conta com cerca de 22 mun\u00edcipios, nos quais existem cerca de 45 mil Declara\u00e7\u00f5es de Aptid\u00e3o ao PRONAF (DAP). Desse total de DAP, a Emater local \u00e9 respons\u00e1vel por apenas 12 a 15 mil..<br \/>\nApesar dessas dificuldades e limites, o extensionista destaca o papel desempenhado pela Emater\/RS com a emerg\u00eancia da pandemia, evidenciando a import\u00e2ncia da ATER p\u00fablica como mecanismo de desenvolvimento.<br \/>\nSegundo ele, diversas a\u00e7\u00f5es foram sendo realizadas desde o in\u00edcio da pandemia. Prioritariamente, a Emater\/RS agiu para garantir o funcionamento das feiras e mercados locais (PNAE e PAA), de forma a evitar desabastecimento e desperd\u00edcio de alimentos. Organizou e criou sistemas de entrega domiciliar de alimentos (telefones, Whatsapp, Facebook, e-mail dos agricultores), al\u00e9m das \u201cfeiras virtuais\u201d. Destacou ainda a atua\u00e7\u00e3o na elabora\u00e7\u00e3o de cards e informes t\u00e9cnicos mais aprofundados para orientar as equipes municipais nas suas intera\u00e7\u00f5es com os agricultores. Al\u00e9m disso, citou a defini\u00e7\u00e3o de protocolos de a\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos com os agricultores (agendamento pr\u00e9vio; distanciamento; higieniza\u00e7\u00e3o; documentos para registros das atividades; encerramento). Relatou que foram mantidas as per\u00edcias de PROAGRO, para atender os prazos legais e, finalmente, que a Emater\/RS auxiliou no processo de adapta\u00e7\u00e3o de uma agroind\u00fastria local, que passou a produzir \u00e1lcool gel 70%, para destinar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd82ad\"  tabindex=\"0\" title=\"Roni Bonow - CAPA\"    >Roni Bonow - CAPA<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd82ad\" class=\"collapseomatic_content \">No \u00faltimo bloco, o coordenador do Centro de Apoio e Promo\u00e7\u00e3o da Agroecologia \u2013 CAPA Pelotas, Roni Bonow, iniciou sua fala questionando o que queremos para o meio rural, destacando que essa popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m possui direito a uma vida digna. Dessa forma, a fun\u00e7\u00e3o da extens\u00e3o rural \u00e9 atuar para que isso se concretize, sendo o papel do CAPA empoderar os agricultores para que eles possam acessar espa\u00e7os de discuss\u00e3o e ter voz nas suas demandas.<br \/>\nNesse sentido, Roni destacou que recentemente o CAPA completou 22 anos de atua\u00e7\u00e3o, constituindo-se em uma Funda\u00e7\u00e3o, que atua nos tr\u00eas estados da regi\u00e3o Sul do Brasil. O trabalho \u00e9 coletivo e feito com grupos organizados de agricultores, e n\u00e3o de modo individualizado. A extens\u00e3o rural desenvolvida vai al\u00e9m da propriedade, da assessoria \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, sendo que o CAPA atende tamb\u00e9m a estrutura\u00e7\u00e3o de processos de comercializa\u00e7\u00e3o, mercados e feiras, cooperativas e acesso ao PNAE, assim como ao PAA. Roni destacou que o CAPA foi o primeiro executor do PAA no pa\u00eds, no ano de 2013. Dessa forma, o CAPA pauta-se por uma vis\u00e3o de desenvolvimento territorial sustent\u00e1vel que busca envolver os agricultores atrav\u00e9s da participa\u00e7\u00e3o, tendo como papel central da a\u00e7\u00e3o extensionista os processos organizativos do tecido social.<br \/>\nComo exemplos de respostas coletivas \u00e0 pandemia, Roni apresentou algumas a\u00e7\u00f5es que o CAPA vem desenvolvendo, tais como realiza\u00e7\u00e3o de uma chamada p\u00fablica para diversifica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas produtoras de tabaco; implanta\u00e7\u00e3o de 2 feiras agroecol\u00f3gicas em Pelotas; constru\u00e7\u00e3o de planos de conting\u00eancia para manuten\u00e7\u00e3o das feiras que j\u00e1 existem; a\u00e7\u00f5es com quilombolas para acesso aos recursos (via programa Estrat\u00e9gia da Sa\u00fade Quilombola) a essas popula\u00e7\u00f5es para a\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias; acompanhamento das cooperativas para acesso ao PNAE.<br \/>\nPor fim, ele destacou que a ATER \u00e9 um processo coletivo, que avan\u00e7a conforme as a\u00e7\u00f5es p\u00fablicas (do Estado) s\u00e3o desenvolvidas para apoiar projetos e processos da agricultura familiar. Tais processos, ponderou, caminham mais r\u00e1pido quando existem recursos e pol\u00edticas p\u00fablicas dispon\u00edveis, e \u00e9 esta uma das principais diferen\u00e7as da ATER p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o a assist\u00eancia t\u00e9cnica privada, que \u00e9 menos dependente do Estado.<br \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd8334\"  tabindex=\"0\" title=\"Desenvolvimento Territorial, Sociobiodiversidade e Agricultura Familiar\"    >Desenvolvimento Territorial, Sociobiodiversidade e Agricultura Familiar<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd8334\" class=\"collapseomatic_content \">No segundo evento, ocorrido em 30\/09\/2020, abordou-se a tem\u00e1tica do Desenvolvimento Territorial, Sociobiodiversidade e Agricultura familiar.<\/p>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd836a\"  tabindex=\"0\" title=\"Marcos Fl\u00e1vio Silva Borba - EMBRAPA\"    >Marcos Fl\u00e1vio Silva Borba - EMBRAPA<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd836a\" class=\"collapseomatic_content \">O pesquisador Marcos Fl\u00e1vio Silva Borba iniciou sua fala destacando a vis\u00e3o cr\u00edtica da tem\u00e1tica do desenvolvimento, que se acelerou com o contexto da pandemia. Ele relatou que a pandemia n\u00e3o criou nenhuma nova condi\u00e7\u00e3o, mas estimulou uma s\u00e9rie de ideias que estavam em elabora\u00e7\u00e3o h\u00e1 algum tempo.<br \/>\nO pesquisador tamb\u00e9m observou quest\u00f5es relacionadas com o crescimento da economia e o decl\u00ednio dos recursos naturais. Al\u00e9m disso, destacou que a economia \u00e9 uma dimens\u00e3o que se posiciona entre natureza e sociedade, e que nossos modos de vida ir\u00e3o depender da apropria\u00e7\u00e3o da natureza.<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento territorial e sociobiodiversidade, observou que as a\u00e7\u00f5es podem ser constru\u00eddas sob outras perspectivas, por exemplo, no Bioma Pampa, a partir do que j\u00e1 \u00e9 tradicional na regi\u00e3o, construindo novas possibilidades, com alternativas de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, contempladas sob uma l\u00f3gica de desenvolvimento.<br \/>\nA regi\u00e3o apresenta um forte componente cultural, com espa\u00e7os socialmente constru\u00eddos e conserva\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade a partir das tradi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se fala da dimens\u00e3o meramente geogr\u00e1fica, mas de um espa\u00e7o que se configura e se transforma ao longo do tempo, porque seus limites mudam pela natureza e influ\u00eancia das organiza\u00e7\u00f5es sociais.<br \/>\nOs espa\u00e7os s\u00e3o dotados de identidade, como elemento fundamental que permite aos territ\u00f3rios estabelecer estrat\u00e9gias de diferencia\u00e7\u00e3o de outros espa\u00e7os, atrav\u00e9s de um processo de transforma\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e intencional.. Observou ainda que, quando n\u00e3o \u00e9 reconhecida a identidade nos territ\u00f3rios, isso, significa fazer a mesma coisa em qualquer lugar.<br \/>\nNesse sentido, entende-se que o territ\u00f3rio deve ser um promotor de diferen\u00e7as e n\u00e3o de homogeneidades. O palestrante citou a regi\u00e3o do bioma Pampa como a mais conservada do Rio Grande do Sul, com uma produ\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica por conting\u00eancia e se apresenta como provedora de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos, mas que ainda h\u00e1 elementos fundantes para evoluir na produ\u00e7\u00e3o pecu\u00e1ria.<br \/>\nAo voltar ao debate acerca do desenvolvimento, ressaltou que n\u00e3o \u00e9 algo aplic\u00e1vel ou que se possa construir, mas \u00e9 parte da realidade para a constru\u00e7\u00e3o de um modelo, e n\u00e3o o inverso, como temos experimentado at\u00e9 hoje. Dentro dessa perspectiva, finaliza considerando que muitas vezes o local \u00e9 desqualificado, associado com incapacidades, inferioridade e pobreza, enquanto o mundo ideal seria o global. Essa organiza\u00e7\u00e3o em rede para a qualifica\u00e7\u00e3o do local tem que ser assumida coletivamente, com estrat\u00e9gias para diferenciar os produtos, observando que \u201cos produtos s\u00e3o \u00fanicos porque o lugar \u00e9 \u00fanico\u201d.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd8398\"  tabindex=\"0\" title=\"Gabriela Peixoto Coelho de Souza - UFRGS\"    >Gabriela Peixoto Coelho de Souza - UFRGS<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd8398\" class=\"collapseomatic_content \">J\u00e1 a segunda palestrante, Gabriela Peixoto Coelho de Souza, fez uma abordagem mais relacionada \u00e0 sociobiodiversidade e aos projetos que vem trabalhando nesse \u00e2mbito. Um deles \u00e9 o C\u00edrculo de Refer\u00eancia em Agroecologia, Sociobiodiversidade, Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional &#8211; ASSSAN C\u00edrculo, projeto criado em 2019, que trabalha com din\u00e2micas agroecol\u00f3gicas e de prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade, em parceria com outros centros de refer\u00eancia alimentar.<br \/>\nDurante a pandemia, foram realizadas a\u00e7\u00f5es com atividades de Webseries, uma delas relacionada aos saberes e fazeres da sociobiodiversidade, com enfoque na tem\u00e1tica da seguran\u00e7a alimentar no contexto da pandemia. A palestrante citou a desnutri\u00e7\u00e3o, a obesidade e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas como as tr\u00eas grandes pandemias combinadas que acometem o mundo. E ainda, ressaltou dois grandes modelos de desenvolvimento dos sistemas alimentares \u2013 um relacionado \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de capital e outro \u00e0 soberania, com caracter\u00edsticas diferenciadas.<br \/>\nA palestrante elencou alguns trabalhos realizados nos territ\u00f3rios rurais, observando que no Brasil h\u00e1 243 territ\u00f3rios rurais, 18 no Rio Grande do Sul, e que o N\u00facleo de Extens\u00e3o e Desenvolvimento Territorial (NEDET), do qual faz parte, trabalha com dois territ\u00f3rios \u2013 Campos de Cima da Serra e Litoral. A equipe de trabalho faz a\u00e7\u00f5es voltadas \u00e0 agroecologia e manejo da sociobiodiversidade, dando \u00eanfase aos produtos nativos produzidos nas regi\u00f5es de estudo.<br \/>\nCom rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o da sociobiodiversidade, ressaltou a necessidade de um plano de a\u00e7\u00e3o nacional de conserva\u00e7\u00e3o, com reposi\u00e7\u00e3o florestal obrigat\u00f3ria, destacando que as quest\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e uso sustent\u00e1vel deveriam estar no cerne no processo de desenvolvimento do pa\u00eds. As redes nacionais e internacionais j\u00e1 tentam se articular para isso, dentre elas: Rede Glocal de Sustentabilidade Alimentar e Di\u00e1logo de Saberes para a Am\u00e9rica Latina e Caribe; Nutri SSAN \u2013 plataforma tecnol\u00f3gica de comunica\u00e7\u00e3o, intera\u00e7\u00e3o virtual e coopera\u00e7\u00e3o em rede e se incorpora \u00e0s estrat\u00e9gias de Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (SSAN) e Alian\u00e7a pela alimenta\u00e7\u00e3o adequada e saud\u00e1vel; e Redelassan \u2013 Rede Latino-Americana de ensino, pesquisa e extens\u00e3o em soberania e seguran\u00e7a alimentar e nutricional (Rede Latino-Americana de SSAN).<br \/>\nUm dos questionamentos, ao final do Ciclo de palestras, realizado por um dos participantes, foi o seguinte: qual(is) seria(m) nossa(s) estrat\u00e9gia(s) e nosso poder de interven\u00e7\u00e3o positiva no que tange \u00e0s institui\u00e7\u00f5es (ensino, pesquisa, extens\u00e3o) atualmente? A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente cr\u00edtica (pobreza aumentando; recursos p\u00fablicos diminuindo; etc.) e os cen\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o nada bons. Que sa\u00eddas ter\u00edamos?<br \/>\nO palestrante Marcos Borba respondeu que \u00e9 necess\u00e1ria a constru\u00e7\u00e3o de alternativas a partir das possibilidades, que s\u00e3o ricas. A partir da realidade, n\u00e3o do acesso a modelos prontos. A ideia \u00e9 conectar indiv\u00edduos em redes, ou seja, a partir do local, construir redes que se relacionem de maneira pr\u00f3pria com o global.<br \/>\nGabriela citou a valoriza\u00e7\u00e3o da gastronomia, que acaba por valorizar a sociobiodiversidade, atrav\u00e9s de uma conex\u00e3o a partir do consumo dessa sociobiodiversidade. Tamb\u00e9m observou a import\u00e2ncia do papel das institui\u00e7\u00f5es de media\u00e7\u00e3o, como as universidades, Embrapa, Emater e demais institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na constru\u00e7\u00e3o de alternativas sustent\u00e1veis ao cen\u00e1rio cr\u00edtico pelo qual estamos passando.<br \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69dd2a7dd83e6\"  tabindex=\"0\" title=\"Em Conclus\u00e3o\"    >Em Conclus\u00e3o<\/h5><div id=\"target-id69dd2a7dd83e6\" class=\"collapseomatic_content \">Ao final dos debates, restou, aos organizadores do Ciclo de Palestras promovido pelo Observat\u00f3rio da Problem\u00e1tica da Seca e da Covid-19 na Agricultura Familiar da Regi\u00e3o Sul do Rio Grande do Sul, o sentimento de que existem antigos desafios a enfrentar, agora somados aos novos, decorrentes da pandemia e das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas agravadas pela seca. O ambiente de pandemia n\u00e3o pode desmobilizar as institui\u00e7\u00f5es, mas, ao contr\u00e1rio, deve estimular a busca conjunta de alternativas para o trabalho com as popula\u00e7\u00f5es rurais, em especial aquelas que ocupam territ\u00f3rios em est\u00e1gio mais defasado de desenvolvimento.<br \/>\nO atual modelo de atua\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas deve ser repensado e, cada vez mais, suas estruturas p\u00fablicas de ensino, pesquisa, assist\u00eancia e extens\u00e3o devem estar posicionadas ao lado das popula\u00e7\u00f5es, em frequente debate, resignificando-se, para resistir \u00e0s propostas de sucateamento ou de descomprometimento do Estado.<br \/>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode acessar e baixar o\u00a0<strong>Informe N\u00ba 10 <\/strong>em PDF .<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/10\/Observatorio-do-DCSA-Situacao-Rural-Informe-10.pdf\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2343\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-322x400.png\" alt=\"\" width=\"22\" height=\"28\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-322x400.png 322w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-825x1024.png 825w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-768x953.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-1238x1536.png 1238w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 22px) 100vw, 22px\" \/><\/a><\/p>\n<p>(Em Breve) Acesse tamb\u00e9m em\u00a0 podcast\u00a0 no Anchor\u00a0 ou no Spotify<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/www.maistecnologia.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anchor-facilita-nos-podcasts-www.maistecnologia.com.png\" alt=\"\" width=\"138\" height=\"77\" \/><\/p>\n<p>Pelotas, 16 de outubro de 2020<\/p>\n<p>Observat\u00f3rio da Problem\u00e1tica da Seca e da Covid-19 na Agricultura Familiar da Regi\u00e3o Sul do Rio Grande do Sul &#8211; Grupo de Professores do Departamento de Ci\u00eancias Sociais Agr\u00e1rias (DCSA) da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), estudantes e convidados externos.<\/p>\n<p>Abel Cassol (UFPel); Alberi Noronha (Embrapa Clima Temperado); Alessandra Bandeira da Rosa (UFPel); Alice Pereira Lourenson (UFPel); Fernanda Dias de Avila (UFPel); Fernando Luiz Horn (Emater\/RS-Ascar\/Pelotas); Gabrielito Rauter Menezes (UFPel); Henrique Andrade Furtado de Mendon\u00e7a (UFPel); Juliana Cristina Franz (UFPel); Let\u00edcia Paludo Vargas (UFPel); L\u00facio Andr\u00e9 de Oliveira Fernandes (UFPel); Marcelo Dias (UFPel); Maria Laura Vict\u00f3ria Marques (UFPel); M\u00e1rio Conill Gomes (UFPel); M\u00e1rio Duarte Canever (UFPel); Patr\u00edcia Martins da Silva \u2013 Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Raul Celso Grehs (Embrapa Clima Temperado); Tatiana Porto de Souza (UFPel).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O d\u00e9cimo informe pretende apresentar um relato a respeito dos debates dos dois \u00faltimos eventos do Ciclo de Palestras organizado pelo Observat\u00f3rio. &nbsp; O primeiro foi referente \u00e0 import\u00e2ncia da Extens\u00e3o Rural e da Assist\u00eancia T\u00e9cnica, em um contexto de incertezas, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de Alisson Vicente Zarnott (Docente da Universidade Federal de &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/observatorio-do-dcsa\/informes\/informe-no-10\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":367,"featured_media":0,"parent":1786,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-twocolumnsleft.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2730","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2730","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/367"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2730"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2730\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2739,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2730\/revisions\/2739"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}