{"id":2678,"date":"2020-09-08T18:44:57","date_gmt":"2020-09-08T21:44:57","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/?page_id=2678"},"modified":"2020-09-08T18:49:46","modified_gmt":"2020-09-08T21:49:46","slug":"informe-no-09","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/observatorio-do-dcsa\/informes\/informe-no-09\/","title":{"rendered":"Informe N\u00ba 09"},"content":{"rendered":"<p>O nono informe pretende apresentar uma breve an\u00e1lise a respeito do debate realizado em dois eventos do Ciclo de palestras organizado pelo Observat\u00f3rio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2685 alignleft\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-400x400.jpg\" alt=\"\" width=\"177\" height=\"177\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-400x400.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-200x200.jpg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-768x768.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08-870x870.jpg 870w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/evento-19-08.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 177px) 100vw, 177px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro foi referente \u00e0s <strong>transforma\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o e no consumo de alimentos<\/strong> ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de Helena Chies e Jonathas Rivero (Aura Verde Alimentos), Ana J\u00falia D\u00edas Rosa (Cooperativa Teia Ecol\u00f3gica), e duas consumidoras: Liara Duarte Terra e Marlene Batista.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-2686 alignright\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-398x400.jpg\" alt=\"\" width=\"180\" height=\"181\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-398x400.jpg 398w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-200x200.jpg 200w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-768x772.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325-870x875.jpg 870w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Anotacao-2020-09-08-181325.jpg 932w\" sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O segundo evento aqui relatado tratou da<strong> agricultura org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica em tempos de pandemia<\/strong>, e contou com a participa\u00e7\u00e3o dos seguintes convidados: Jos\u00e9 Cleber Dias de Souza (Comiss\u00e3o de Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (CPOrg) \u2013 Minist\u00e9rio da Agricultura Pecu\u00e1ria e Abastecimento (MAPA) e Nilo Schiavon (Agricultor ecol\u00f3gico \/ propriedade Agroflorestal Schiavon.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d003836f\"  tabindex=\"0\" title=\"As transforma\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o e no consumo de alimentos ap\u00f3s o in\u00edcio da Pandemia\"    >As transforma\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o e no consumo de alimentos ap\u00f3s o in\u00edcio da Pandemia<\/h5><div id=\"target-id69db8d003836f\" class=\"collapseomatic_content \">\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d00383e4\"  tabindex=\"0\" title=\"Ana J\u00falia D\u00edas Rosa, da Teia Ecol\u00f3gica\"    >Ana J\u00falia D\u00edas Rosa, da Teia Ecol\u00f3gica<\/h5><div id=\"target-id69db8d00383e4\" class=\"collapseomatic_content \">No primeiro evento, sobre as transforma\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o, a primeira fala foi da respons\u00e1vel pela Cooperativa Teia Ecol\u00f3gica, Ana J\u00falia D\u00edas Rosa, que al\u00e9m de coordenadora das atividades, tamb\u00e9m trabalha como cozinheira. Foi relatado que as a\u00e7\u00f5es da cooperativa de produtores, trabalhadores e consumidores ocorrem h\u00e1 mais de vinte anos, mas que o trabalho iniciou antes, vinculado aos agricultores da Associa\u00e7\u00e3o Regional dos Produtores Agroecol\u00f3gicos da Regi\u00e3o Sul (Arpasul), que entregam os alimentos para a prepara\u00e7\u00e3o e venda. A Cooperativa tem um restaurante com alimenta\u00e7\u00e3o ovolactovegetariana org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica.<br \/>\nFoi relatado que, durante a pandemia, em um primeiro momento, o restaurante foi fechado por trinta dias e o faturamento zerou. Os consumidores tamb\u00e9m demoraram a voltar \u00e0 normalidade. Ap\u00f3s readequa\u00e7\u00e3o das atividades, a alternativa foi a entrega de marmitas e elabora\u00e7\u00e3o de pratos prontos servidos no local, com capacidade de p\u00fablico reduzida. Antes da pandemia, a cooperativa servia cerca de 140 refei\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, atualmente, entre marmitas e refei\u00e7\u00f5es no local, tem variado entre 40 a 60 refei\u00e7\u00f5es, uma redu\u00e7\u00e3o de mais de 50%.<br \/>\nA readequa\u00e7\u00e3o teve que ocorrer em diversos \u00e2mbitos. Um deles foi o marketing digital, que antes praticamente n\u00e3o acontecia. A cooperativa recebeu assessoria de marketing para trabalhar com Instagram, Facebook e WhatsApp, al\u00e9m de implanta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de entrega a domic\u00edlio. A quest\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o do Buffet tamb\u00e9m teve que ocorrer, j\u00e1 que anteriormente os clientes escolhiam o que queriam comer, e agora os pratos s\u00e3o previamente elaborados e adaptados. Por isso, o cliente tamb\u00e9m teve que se adaptar. Mas, o que se pode dizer \u00e9 que o consumo diminuiu. A Cooperativa tenta trabalhar na conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia do alimento saud\u00e1vel nesse momento. Tamb\u00e9m houve a possibilidade de atingir outros consumidores que n\u00e3o conheciam o trabalho, e que tinham avers\u00e3o \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o sem carne.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d0038478\"  tabindex=\"0\" title=\"Helena Chies e Jonathas Rivero, da Aura Verde Alimentos\"    >Helena Chies e Jonathas Rivero, da Aura Verde Alimentos<\/h5><div id=\"target-id69db8d0038478\" class=\"collapseomatic_content \">J\u00e1 na Aura Verde Alimentos, empresa que trabalha com o processamento de vegetais, elaborando conserva de vegetais, molhos e antepastos, de acordo com Helena Chies e Jonathas Rivero, ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia o acesso aos produtos ficou mais dif\u00edcil, o que impactou fortemente aos agricultores. Percebeu-se que o contato direto entre o p\u00fablico consumidor e o agricultor familiar ficou dificultado, especialmente porque a entrega de produtos vinha ocorrendo em grandes centros, e, durante a pandemia, com as restri\u00e7\u00f5es, resolveram fazer as entregas mais regionalizadas.<br \/>\nAs feiras foram canceladas no in\u00edcio da pandemia, e, mesmo com o retorno, o p\u00fablico frequentador se mant\u00e9m abaixo do normal. Por isso, surgiu a ideia de elaborar o projeto Minha Feira em Casa, com um grupo de cooperativas e agroind\u00fastrias, e apoio t\u00e9cnico da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater\/RS), que se reuniram para organizar cestas de comercializa\u00e7\u00e3o com entrega a domic\u00edlio.<br \/>\nObserva-se que os agricultores, cooperativas e agroind\u00fastrias tiveram que implementar um novo servi\u00e7o em uma situa\u00e7\u00e3o extrema, onde muitos produtos estavam em falta, como as embalagens, por exemplo, e os prazos das transportadoras para entrega de mercadorias estavam elevados. A organiza\u00e7\u00e3o do projeto Minha Feira em Casa vai desde a colheita, higieniza\u00e7\u00e3o, separa\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o da log\u00edstica de entrega. O projeto permite que sejam feitas cerca de 70 entregas pela cidade de Pelotas, e, em cinco meses foram entregues mais de 4 toneladas de frutas e hortali\u00e7as, 3.500 unidades de verduras e aproximadamente 5 mil ovos.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d00384c1\"  tabindex=\"0\" title=\"Liara Duarte Terra e Marlene Batista, consumidoras\"    >Liara Duarte Terra e Marlene Batista, consumidoras<\/h5><div id=\"target-id69db8d00384c1\" class=\"collapseomatic_content \">Com rela\u00e7\u00e3o ao consumo, as duas convidadas, Liara Duarte Terra e Marlene Batista falaram a respeito das mudan\u00e7as no consumo ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia. Liara, que \u00e9 funcion\u00e1ria p\u00fablica e gestante observa que mudou a rotina, j\u00e1 que almo\u00e7ava em restaurantes diariamente e frequentava supermercado e feiras para a compra de alimentos. Com a pandemia, e o home office, n\u00e3o vai mais ao centro da cidade e optou por supermercados menores e pela feira perto da sua casa, no Laranjal. A diversidade dos produtos consumidos, relata, aumentou, pelo fato de ter que preparar os alimentos em casa, optando por mais frutas, verduras e legumes. Observa ainda que tem se alimentado melhor.<br \/>\nMarlene, que \u00e9 empregada dom\u00e9stica, observa que com a pandemia, a frequ\u00eancia das idas aos supermercados \u00e9 menor, por isso agora compra em maiores quantidades. Tamb\u00e9m relata que o consumo aumentou, pois, a fam\u00edlia est\u00e1 mais em casa, especialmente pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Todavia, observa a redu\u00e7\u00e3o do consumo de alguns alimentos, em detrimento de outros. Por exemplo, o consumo de carnes diminuiu, principalmente porque n\u00e3o se re\u00fanem mais para fazer churrasco com v\u00e1rias pessoas. Em contrapartida, aumentou o consumo de legumes e verduras.<br \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d0038518\"  tabindex=\"0\" title=\"Agricultura Org\u00e2nica e Agroecologia em tempos de Pandemia: desafios e perspectivas\"    >Agricultura Org\u00e2nica e Agroecologia em tempos de Pandemia: desafios e perspectivas<\/h5><div id=\"target-id69db8d0038518\" class=\"collapseomatic_content \">\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d003854e\"  tabindex=\"0\" title=\"Jos\u00e9 Cleber Dias de Souza, CPOrg \/ MAPA\"    >Jos\u00e9 Cleber Dias de Souza, CPOrg \/ MAPA<\/h5><div id=\"target-id69db8d003854e\" class=\"collapseomatic_content \">J\u00e1 no segundo evento, que foi abordada a agricultura org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica em tempos de pandemia, o palestrante Jos\u00e9 Cleber Dias de Souza iniciou com a contextualiza\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da agricultura. Ao considerar a trajet\u00f3ria evolutiva, observou que este processo possibilitou, ao longo do tempo, o surgimento de diversas agriculturas em diferentes formas de manifesta\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o do ser humano com a natureza e ambiente. Por\u00e9m, a partir do s\u00e9culo XIX houve um processo de domina\u00e7\u00e3o e artificializa\u00e7\u00e3o da natureza, que se imp\u00f4s na agricultura intensificando-se j\u00e1 no s\u00e9culo XIX e refor\u00e7ando o pensamento ocidental europeu. Esse processo se intensificou ao longo do s\u00e9culo XX, com o desenvolvimento predominante das sociedades industrializadas e a mudan\u00e7a do perfil da popula\u00e7\u00e3o, com o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o. A agricultura, nesta mesma perspectiva, se tornou cada vez mais intensiva e artificializada, principalmente a partir do per\u00edodo que se convencionou chamar de Revolu\u00e7\u00e3o Verde, baseado na a introdu\u00e7\u00e3o dos pacotes tecnol\u00f3gicos.<br \/>\nPor\u00e9m, toda inova\u00e7\u00e3o acarreta em problemas ambientais, e j\u00e1 na d\u00e9cada de 1960 esses fatos eram denunciados no Livro \u201cPrimavera Silenciosa\u201d \u2013 Rachel Carson. Os cientistas perceberam que o modelo de subordina\u00e7\u00e3o da natureza j\u00e1 n\u00e3o era considerado um bom caminho. O termo org\u00e2nico, que adotamos a n\u00edvel mundial como refer\u00eancia, \u00e9 proposto em 1930 por Sir Albert Howard, na obra \u201cO Testamento Agr\u00edcola\u201d.<br \/>\nNeste contexto, os cientistas come\u00e7aram a perceber que algumas cultivares modernas oriundas dos centros de pesquisa eram menos saud\u00e1veis e com menor capacidade de adapta\u00e7\u00e3o para ambientes adversos, do que aqueles que os camponeses produziam. Ao contr\u00e1rio da vis\u00e3o segregada, os camponeses continuavam com a vis\u00e3o integrada da natureza. Tamb\u00e9m come\u00e7aram a observar a import\u00e2ncia da sa\u00fade do solo para uma produ\u00e7\u00e3o adequada.<br \/>\nJ\u00e1 na d\u00e9cada de 1990 aumentou demanda pelos produtos org\u00e2nicos. Os Governos, inicialmente na Europa, come\u00e7aram o processo de regulamenta\u00e7\u00e3o oficial da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica. A primeira norma foi estabelecida pela Uni\u00e3o Europeia no ano de 1991, seguido dos Estados Unidos.<br \/>\nNo Brasil, no ano de 1994 iniciou-se o processo de regulamenta\u00e7\u00e3o, instigados pela Uni\u00e3o Europeia. As primeiras regras estabeleceram normas para produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e para a certifica\u00e7\u00e3o, inicialmente considerando a certifica\u00e7\u00e3o de terceira parte. Entretanto, a regulariza\u00e7\u00e3o era baseada exclusivamente no estabelecimento do sistema de normas, sem uma vis\u00e3o integrada dos sistemas de produ\u00e7\u00e3o. O que ocorria era apenas o acompanhamento e garantia da qualidade, al\u00e9m do servi\u00e7o de fiscaliza\u00e7\u00e3o pelos minist\u00e9rios.<br \/>\nNo in\u00edcio dos anos 2000, a evolu\u00e7\u00e3o do processo de regulamenta\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica possibilitou um intenso debate envolvendo v\u00e1rios setores com atua\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da Agroecologia, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e representa\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os governamentais. Como resultante a lei da produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica estabelecida em 2003, e vigente at\u00e9 os dias de hoje, reconhece de forma pioneira a certifica\u00e7\u00e3o participativa, em atendimento \u00e0s formas de organiza\u00e7\u00e3o dos agricultores, principalmente direcionado ao p\u00fablico da agricultura familiar. Al\u00e9m deste, constam na legisla\u00e7\u00e3o a certifica\u00e7\u00e3o de terceira parte e a organiza\u00e7\u00e3o de controle social, este \u00faltimo exclusivo aos mecanismos de venda direta realizados pela agricultura familiar como as feiras livres.<br \/>\nNessa perspectiva a Comiss\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica (CPORG) tem sido um espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o deste formato de regulamenta\u00e7\u00e3o. No RS a CPORG foi estabelecida em 2006, contando com a colabora\u00e7\u00e3o de diversas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e representantes da sociedade civil. Ao longo deste per\u00edodo este tem sido um importante f\u00f3rum de debate, reflex\u00e3o e discuss\u00e3o das perspectivas para o desenvolvimento da agricultura org\u00e2nica e agroecol\u00f3gica no contexto estadual.<br \/>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d003857e\"  tabindex=\"0\" title=\"Nilo Schiavon, Agricultor\"    >Nilo Schiavon, Agricultor<\/h5><div id=\"target-id69db8d003857e\" class=\"collapseomatic_content \">J\u00e1 o agricultor ecol\u00f3gico Nilo Schiavon, da propriedade Agroflorestal Schiavon, fez uma abordagem a partir do trabalho pr\u00e1tico na propriedade. O agricultor iniciou contando como foi o processo de mudan\u00e7a, de um trabalho com produtos agroqu\u00edmicos, para a transforma\u00e7\u00e3o em uma propriedade agroecol\u00f3gica. Ap\u00f3s uma intoxica\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos, ele decidiu n\u00e3o mais utiliz\u00e1-los.<br \/>\nNo ano de 1994, estava iniciando um trabalho pautado na Agroecologia, com aux\u00edlio do Centro de Apoio e Promo\u00e7\u00e3o da Agroecologia (CAPA) na regi\u00e3o. A propriedade foi uma das primeiras a come\u00e7ar o trabalho, que passou da produ\u00e7\u00e3o de leite e soja convencional para a produ\u00e7\u00e3o de frutas, hortali\u00e7as, tub\u00e9rculos, dentre outros.<br \/>\nUm dos principais pontos foi a reestrutura\u00e7\u00e3o da propriedade, principalmente em termos de mat\u00e9ria org\u00e2nica, j\u00e1 que o solo estava prejudicado. O agricultor observa que a propriedade \u00e9 uma ilha no meio de propriedades convencionais, e ainda passa por um processo cont\u00ednuo de recupera\u00e7\u00e3o do ecossistema.<br \/>\nDestacou que a sua produ\u00e7\u00e3o de frutas come\u00e7ou pela demanda, e pela necessidade de diversifica\u00e7\u00e3o. Come\u00e7aram com uva, e depois inclu\u00edram p\u00eassego e frutas c\u00edtricas. Dentre os pomares s\u00e3o plantadas hortali\u00e7as, ab\u00f3boras, feij\u00e3o, batata doce, aipim. Dificilmente encontram algum produto solteiro, sempre s\u00e3o consorciados em todas as \u00e1reas.<br \/>\nA propriedade tamb\u00e9m apresentava dificuldades com \u00e1gua, especialmente por causa da estiagem prolongada, por isso fizeram um sistema de armazenamento de \u00e1gua e a implanta\u00e7\u00e3o de a\u00e7udes. Os sistemas agroflorestais tamb\u00e9m s\u00e3o desenvolvidos na propriedade, e ainda ocorrem em poucas propriedades do Rio Grande do Sul. Por isso, o agricultor abre a propriedade para dias de campo, para que as pessoas possam conhecer esse sistema. Tamb\u00e9m s\u00e3o feitos mutir\u00f5es de trabalho para que outros agricultores tenham a possibilidade de aprender novas t\u00e9cnicas agroecol\u00f3gicas.<br \/>\nA piscicultura sustent\u00e1vel e a apicultura tamb\u00e9m s\u00e3o atividades desenvolvidas na propriedade, al\u00e9m da agroind\u00fastria familiar, com produ\u00e7\u00e3o de sucos. A m\u00e3o de obra \u00e9 familiar, com eventual contrata\u00e7\u00e3o de empregados nos per\u00edodos de colheita. O agricultor tamb\u00e9m comenta que j\u00e1 construiu diversos implementos que podem ser utilizados na propriedade.<br \/>\nAo longo desse per\u00edodo o agricultor observa a evolu\u00e7\u00e3o da propriedade e do sistema de produ\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gico, acentuando a dedica\u00e7\u00e3o e trabalho da fam\u00edlia, demonstrado, por exemplo, na participa\u00e7\u00e3o da feira ecol\u00f3gica, rotina que a fam\u00edlia realiza semanalmente desde 1995, completando neste ano 25 anos. Ressalta tamb\u00e9m a import\u00e2ncia e reconhecimento do trabalho atrav\u00e9s da obten\u00e7\u00e3o da certifica\u00e7\u00e3o org\u00e2nica da produ\u00e7\u00e3o e da certifica\u00e7\u00e3o agroflorestal da propriedade. Por fim, a respeito da pandemia, o agricultor considera que in\u00fameras mudan\u00e7as ocorreram, destacando a abertura de outras possibilidades de comercializa\u00e7\u00e3o principalmente relacionadas \u00e0s entregas a domic\u00edlio e tamb\u00e9m as readequa\u00e7\u00f5es que tiveram que ser realizadas nas feiras da agricultura familiar.<br \/>\n<\/div>\n<\/div>\n<h5 class=\"collapseomatic \" id=\"id69db8d00385c2\"  tabindex=\"0\" title=\"Em conclus\u00e3o\"    >Em conclus\u00e3o<\/h5><div id=\"target-id69db8d00385c2\" class=\"collapseomatic_content \">Os dois eventos relatados demonstram como a pandemia da Covid-19 tem resultado em transforma\u00e7\u00f5es das din\u00e2micas de comercializa\u00e7\u00e3o e consumo alimentar na regi\u00e3o. Em que pese as dificuldades relatadas, as falas dos convidados expressam a capacidade do territ\u00f3rio da zona sul do RS \u2013 e de seus atores e organiza\u00e7\u00f5es \u2013 em construir alternativas coletivas que tenham na produ\u00e7\u00e3o de alimentos saud\u00e1veis, na comercializa\u00e7\u00e3o cooperativa e no consumo respons\u00e1vel os pilares para um novo desenvolvimento. <\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode acessar e baixar o\u00a0<strong>Informe N\u00ba 9 <\/strong>em PDF .<a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/09\/Observatorio-do-DCSA-Situacao-Rural-Informe-09.pdf\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-2343\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-322x400.png\" alt=\"\" width=\"22\" height=\"28\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-322x400.png 322w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-825x1024.png 825w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-768x953.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon-1238x1536.png 1238w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/files\/2020\/06\/pdf-icon.png 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 22px) 100vw, 22px\" \/><\/a><\/p>\n<p>(Em Breve) Acesse tamb\u00e9m em\u00a0 podcast\u00a0 no Anchor\u00a0 ou no Spotify<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone\" src=\"https:\/\/www.maistecnologia.com\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anchor-facilita-nos-podcasts-www.maistecnologia.com.png\" alt=\"\" width=\"138\" height=\"77\" \/><\/p>\n<p>Pelotas, 08 de setembro de 2020<\/p>\n<p>Observat\u00f3rio da Problem\u00e1tica da Seca e da Covid-19 na Agricultura Familiar da Regi\u00e3o Sul do Rio Grande do Sul &#8211; Grupo de Professores do Departamento de Ci\u00eancias Sociais Agr\u00e1rias (DCSA) da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), estudantes e convidados externos.<\/p>\n<p>Abel Cassol (UFPel); Alberi Noronha (Embrapa Clima Temperado); Alessandra Bandeira da Rosa (UFPel); Alice Pereira Lourenson (UFPel); Fernanda Dias de Avila (UFPel); Fernando Luiz Horn (Emater\/RS-Ascar\/Pelotas); Gabrielito Rauter Menezes (UFPel); Henrique Andrade Furtado de Mendon\u00e7a (UFPel); Juliana Cristina Franz (UFPel); Let\u00edcia Paludo Vargas (UFPel); L\u00facio Andr\u00e9 de Oliveira Fernandes (UFPel); Marcelo Dias (UFPel); Maria Laura Vict\u00f3ria Marques (UFPel); M\u00e1rio Conill Gomes (UFPel); M\u00e1rio Duarte Canever (UFPel); Patr\u00edcia Martins da Silva \u2013 Universidade Federal de Pelotas (UFPel); Raul Celso Grehs (Embrapa Clima Temperado); Tatiana Porto de Souza (UFPel).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O nono informe pretende apresentar uma breve an\u00e1lise a respeito do debate realizado em dois eventos do Ciclo de palestras organizado pelo Observat\u00f3rio. &nbsp; O primeiro foi referente \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es na comercializa\u00e7\u00e3o e no consumo de alimentos ap\u00f3s o in\u00edcio da pandemia, e contou com a participa\u00e7\u00e3o de Helena Chies e Jonathas Rivero (Aura Verde &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/observatorio-do-dcsa\/informes\/informe-no-09\/\">Continue lendo<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":367,"featured_media":0,"parent":1786,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template-twocolumnsleft.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-2678","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_likes_enabled":false,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2678","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/users\/367"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2678"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2678\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2729,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/2678\/revisions\/2729"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1786"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/dcsa\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2678"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}