{"id":666,"date":"2022-07-04T16:01:13","date_gmt":"2022-07-04T19:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/?p=666"},"modified":"2022-07-04T16:01:13","modified_gmt":"2022-07-04T19:01:13","slug":"artigo-rebelar-se-contra-as-injusticas-a-licao-de-joao-candido-por-ricardo-correa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/2022\/07\/04\/artigo-rebelar-se-contra-as-injusticas-a-licao-de-joao-candido-por-ricardo-correa\/","title":{"rendered":"Artigo: &#8220;Rebelar-se contra as injusti\u00e7as, a li\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o C\u00e2ndido&#8221; por Ricardo Corr\u00eaa"},"content":{"rendered":"<div class=\"td_block_wrap tdb_title tdi_72 tdb-single-title td-pb-border-top td_block_template_14\" data-td-block-uid=\"tdi_72\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<h1 class=\"tdb-title-text\">Rebelar-se contra as injusti\u00e7as, a li\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o C\u00e2ndido<\/h1>\n<div>FONTE: <a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/guest-post-envie-seu-texto-para-o-portal-geledes\/\" rel=\"nofollow\">Por Ricardo Corr\u00eaa, enviado ao Portal Geled\u00e9s<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_date tdi_75 td-pb-border-top td_block_template_14 tdb-post-meta\" data-td-block-uid=\"tdi_75\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\"><time class=\"entry-date updated td-module-date\" datetime=\"2022-06-23T17:01:35-03:00\">23\/06\/2022<\/time><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_featured_image tdi_77 tdb-content-horiz-left td-pb-border-top td_block_template_14\" data-td-block-uid=\"tdi_77\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<figure><a class=\"td-modal-image\" href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo%C3%A3o-candido-1.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;ssl=1\" data-caption=\"Jo\u00e3o C\u00e2ndido (Imagem: Arquivo Nacional)\"><img class=\"entry-thumb\" title=\"jo\u00e3o-candido-1\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo%C3%A3o-candido-1.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;resize=696%2C391&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 696px) 100vw, 696px\" srcset=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;ssl=1 750w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1-150x84.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;ssl=1 150w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1-300x168.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;ssl=1 300w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1-696x391.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;ssl=1 696w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;w=417&amp;ssl=1 417w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2008\/03\/jo\u00e3o-candido-1.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;w=556&amp;ssl=1 556w\" alt=\"\" width=\"696\" height=\"391\" \/><\/a><figcaption class=\"tdb-caption-text\">Jo\u00e3o C\u00e2ndido (Imagem: Arquivo Nacional)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_content tdi_78 td-pb-border-top td_block_template_14 td-post-content tagdiv-type\" data-td-block-uid=\"tdi_78\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O acesso a hist\u00f3ria de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/raca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">homens e mulheres negros<\/a>\u00a0que lutaram contra o sistema sempre foi um desafio, pois o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/questao-racial\/casos-de-racismo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">racismo\u00a0<\/a>procura n\u00e3o dar visibilidade aos revolucion\u00e1rios para que n\u00e3o provoquem inspira\u00e7\u00e3o e sirva de exemplo aos movimentos negros. No entanto, como somos incans\u00e1veis e n\u00e3o nos rendemos ao conhecimento cedido pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/?s=branquitude\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">branquitude<\/a>, seguimos descobrindo atrav\u00e9s de pesquisas e difundindo as experi\u00eancias dos que nos antecederam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/?s=Jo%C3%A3o+C%C3%A2ndido+Felisberto\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jo\u00e3o C\u00e2ndido Felisberto<\/a>, o \u201cAlmirante Negro\u201d, \u00e9 um exemplo desses revolucion\u00e1rios ausentes na educa\u00e7\u00e3o institucional (escolas e universidades).\u00a0 Nasceu no munic\u00edpio de Encruzilhada do Sul (RS), no dia 24 de junho de 1880. Ainda adolescente, iniciou na carreira militar onde passou pelo Arsenal de Guerra do Ex\u00e9rcito, Escola de Aprendizes de Marinheiro e 16\u00aa Companhia da Marinha; no geral, foram quinze anos de altos e baixos na carreira. Naquela \u00e9poca, in\u00fameros negros eram marujos, e por conta da recente aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o, a mentalidade escravagista estava presente. Exemplo disso eram os tratamentos dispensados aos negros: alimenta\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria, m\u00faltiplos castigos, incluindo as chibatadas, entre outras coisas. A viol\u00eancia institucionalizada dava o tom das rela\u00e7\u00f5es, entre superiores e subalternos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Almirante Negro, mesmo com todas as dificuldades, construiu um repert\u00f3rio invej\u00e1vel de conhecimentos a partir das navega\u00e7\u00f5es pelos litorais e continentes, adquirindo admira\u00e7\u00e3o e respeito por muitos dos seus pares. O escritor \u00c1lvaro Pereira do Nascimento escreveu\u00a0<em>\u201cJo\u00e3o C\u00e2ndido estava pronto para atuar em navios movidos \u00e0 vela, a vapor e mistos. Tinha experi\u00eancia em batalhas, na log\u00edstica de municiamento e deslocamento de tropas. Era especializado em artilharia e faltava-lhe a forma\u00e7\u00e3o de timoneiro\u201d<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, as constantes viol\u00eancias fomentaram o sentimento de revolta nos marinheiros. O estopim ocorreu no dia 16 de novembro de 1910, depois que o marinheiro Marcelino Rodrigues de Menezes foi condenado a 250 chibatadas. Sob a lideran\u00e7a de Jo\u00e3o C\u00e2ndido, dois mil e trezentos marinheiros organizaram um motim no dia 22 de novembro. Destemidos e estrat\u00e9gicos, assumiram quatro navios de guerra e apontaram os canh\u00f5es para a capital do Brasil, na \u00e9poca o Rio de Janeiro. A exig\u00eancia era de que a Marinha n\u00e3o aplicasse as chibatadas como puni\u00e7\u00e3o, exigiam o aumento dos soldos e implanta\u00e7\u00e3o de um plano de carreira, mas caso n\u00e3o fossem atendidos bombardeariam a capital. Abaixo, um trecho da carta dos marinheiros endere\u00e7ada ao presidente\u00a0 Hermes da Fonseca (1855-1923):<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00f3s, marinheiros, cidad\u00e3os brasileiros e republicanos, n\u00e3o podendo mais suportar a escravid\u00e3o na Marinha Brasileira, a falta de prote\u00e7\u00e3o que a P\u00e1tria nos d\u00e1; e at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o nos chegou; rompemos o negro v\u00e9u, que nos cobria aos olhos do patri\u00f3tico e enganado povo. Achando-se todos os navios em nosso poder, tendo a seu bordo prisioneiros todos os oficiais, os quais, tem sido os causadores da Marinha Brasileira n\u00e3o ser grandiosa, porque durante vinte anos de Rep\u00fablica ainda n\u00e3o foi bastante para tratar-nos como cidad\u00e3os fardados em defesa da P\u00e1tria, mandamos esta honrada mensagem para que V. Excia. Fa\u00e7a aos Marinheiros Brasileiros possuirmos os direitos sagrados que as leis da Rep\u00fablica nos facilita, acabando com a desordem e nos dando outros gozos que venham engrandecer a Marinha Brasileira (\u2026)\u00b9<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temeroso pelo que poderia ocorrer naquele momento, o governo cedeu \u00e0s exig\u00eancias em 27 de novembro. Entretanto, exceto a aboli\u00e7\u00e3o da chibata, o presidente descumpriu o acordo e assinou um decreto que permitia \u00e0 exclus\u00e3o da Armada caso a presen\u00e7a de qualquer indiv\u00edduo fosse vista como inconveniente. Isso resultou em retalia\u00e7\u00e3o aos marinheiros: expuls\u00f5es, pris\u00f5es, trabalho escravo etc. Para se ter uma ideia, ocorreu 1216 expuls\u00f5es da Marinha, quase a metade dos que se insurgiram. Esse epis\u00f3dio ficou conhecido como\u00a0<em>Revolta da Chibata<\/em>. Depois disso,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/?s=Jo%C3%A3o+C%C3%A2ndido+Felisberto\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jo\u00e3o C\u00e2ndido<\/a>\u00a0ficou preso em condi\u00e7\u00f5es degradantes no Batalh\u00e3o Naval, na Ilha das Cobras, em seguida o consideraram louco. Foi internado no Hospital Nacional dos Alienados, e, posteriormente, o mandaram novamente para a pris\u00e3o. No dia 30 de novembro de 2012, conquistou a liberdade, mas tamb\u00e9m a expuls\u00e3o dos quadros da Marinha. Outras dificuldades, econ\u00f4micas e sociais, impuseram-se no restante de sua vida. Em 06 de novembro de 1969, internado no Hospital Get\u00falio Vargas, Rio de Janeiro, um c\u00e2ncer no intestino o conduziu \u00e0 morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De todo o seu legado, compreendemos que injusti\u00e7as devem ser enfrentadas coletivamente, com estrat\u00e9gia e organiza\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, n\u00e3o faltam motivos para nos rebelarmos, uma vez que o racismo continua impondo a viol\u00eancia contra a popula\u00e7\u00e3o negra, aumentando o n\u00famero de injusti\u00e7as sociais e empilhando corpos negros nas pris\u00f5es e cemit\u00e9rios. Lembremos das palavras de Malcolm X \u201c<em>n\u00e3o estamos em menor n\u00famero, estamos desorganizados<\/em>\u201d. Agora, s\u00f3 depende de n\u00f3s.<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p>\u00b9\u00a0<em>As negocia\u00e7\u00f5es e o desfecho da Revolta<\/em>. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/200.144.6.120\/exposicao_chibata\/as_negociacoes_e_o_desfecho_da_revolta.php#:~:text=N%C3%B3s%2C%20marinheiros%2C%20cidad%C3%A3os%20brasileiros%20e,do%20patri%C3%B3tico%20e%20enganado%20povo\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">http:\/\/200.144.6.120\/exposicao_chibata\/as_negociacoes_e_o_desfecho_da_revolta.php#:~:text=N%C3%B3s%2C%20marinheiros%2C%20cidad%C3%A3os%20brasileiros%20e,do%20patri%C3%B3tico%20e%20enganado%20povo<\/a>.&gt;. Acesso em: 21 jun. 22<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/strong><\/p>\n<p>MOREL, Marco.\u00a0<strong>Jo\u00e3o C\u00e2ndido e a luta pelos direitos humanos.<\/strong>\u00a0Livro fotobiogr\u00e1fico. Bras\u00edlia: Funda\u00e7\u00e3o Banco do Brasil, 2008. v. 1.<\/p>\n<p>NASCIMENTO, \u00c1lvaro Pereira do<strong>. Jo\u00e3o C\u00e2ndido, o mestre sala dos mares<\/strong>. Rio de Janeiro. 2020.<\/p>\n<p class=\"has-luminous-vivid-amber-color has-text-color\"><strong>** ESTE ARTIGO \u00c9 DE AUTORIA DE COLABORADORES OU ARTICULISTAS DO PORTAL GELED\u00c9S E N\u00c3O REPRESENTA IDEIAS OU OPINI\u00d5ES DO VE\u00cdCULO. PORTAL GELED\u00c9S OFERECE ESPA\u00c7O PARA VOZES DIVERSAS DA ESFERA P\u00daBLICA, GARANTINDO ASSIM A PLURALIDADE DO DEBATE NA SOCIEDADE.<\/strong><\/p>\n<p>Artigo dispon\u00edvel em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/rebelar-se-contra-as-injusticas-a-licao-de-joao-candido\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/rebelar-se-contra-as-injusticas-a-licao-de-joao-candido\/<\/a><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rebelar-se contra as injusti\u00e7as, a li\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o C\u00e2ndido FONTE: Por Ricardo Corr\u00eaa, enviado ao Portal Geled\u00e9s 23\/06\/2022 Jo\u00e3o C\u00e2ndido (Imagem: Arquivo Nacional) O acesso a hist\u00f3ria de\u00a0homens e mulheres negros\u00a0que lutaram contra o sistema sempre foi um desafio, pois o\u00a0racismo\u00a0procura n\u00e3o dar visibilidade aos revolucion\u00e1rios para que n\u00e3o provoquem inspira\u00e7\u00e3o e sirva de exemplo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1090,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_crdt_document":"","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-666","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1090"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=666"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":671,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/666\/revisions\/671"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=666"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=666"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=666"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}