{"id":663,"date":"2022-07-02T10:35:50","date_gmt":"2022-07-02T13:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/?p=663"},"modified":"2022-07-02T10:35:50","modified_gmt":"2022-07-02T13:35:50","slug":"artigo-lavadeiras-e-normalistas-nos-clubes-negros-em-uma-regiao-de-fronteira-dra-fernanda-oliveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/2022\/07\/02\/artigo-lavadeiras-e-normalistas-nos-clubes-negros-em-uma-regiao-de-fronteira-dra-fernanda-oliveira\/","title":{"rendered":"Artigo: &#8220;Lavadeiras e Normalistas nos clubes negros em uma regi\u00e3o de fronteira&#8221;- Dra. Fernanda Oliveira"},"content":{"rendered":"<div class=\"td_block_wrap tdb_title tdi_72 tdb-single-title td-pb-border-top td_block_template_14\" data-td-block-uid=\"tdi_72\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">\n<h1 class=\"tdb-title-text\" style=\"text-align: center;\">Lavadeiras e Normalistas nos clubes negros em uma regi\u00e3o de fronteira<\/h1>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_source tdi_74 td-pb-border-top td_block_template_14\" data-td-block-uid=\"tdi_74\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\">FONTE:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/guest-post-envie-seu-texto-para-o-portal-geledes\/\" rel=\"nofollow\">Enviado para o Portal Geled\u00e9s, por Fernanda Oliveira<\/a><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"td_block_wrap tdb_single_date tdi_75 td-pb-border-top td_block_template_14 tdb-post-meta\" data-td-block-uid=\"tdi_75\">\n<div class=\"tdb-block-inner td-fix-index\"><time class=\"entry-date updated td-module-date\" datetime=\"2022-06-29T10:01:34-03:00\">29\/06\/2022<\/time><\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O \u00faltimo dia do ano costuma ser nost\u00e1lgico e envolto em algumas organiza\u00e7\u00f5es festivas. O 31 de dezembro de 1956 n\u00e3o foi muito diferente, especialmente para\u00a0<em>a mocidade ficaiana,\u00a0<\/em>ou seja, as muito bem-quistas associadas do clube cultural\u00a0<em>Fica A\u00ed Pra Ir Dizendo<\/em>, da cidade de Pelotas. A refer\u00eancia \u00e0s jovens estampou uma folha inteira do jornal\u00a0<em>A Alvorada\u00a0<\/em>\u2013 representante da imprensa negra ga\u00facha \u2013 no referido dia, em honra de suas formaturas no curso normal, que as habilitava a serem professoras dos anos iniciais do hoje ensino fundamental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs novas professorandas da Escola Normal Assis Brasil\u201d. Era esse o t\u00edtulo da mat\u00e9ria que trazia ainda a fotografia das jovens e seus nomes: Glaci, Irene Alves Pires, Celestina, Izabel da Silva Pinto, Nizah de Freitas Machado, Eunice Modesto da Silva e Loeci Farias Machado. Eunice n\u00e3o se formou na escola Assis Brasil, que era p\u00fablica, e sim no Col\u00e9gio S\u00e3o Jos\u00e9, tradicional escola particular da cidade. Isso nos ajuda a compreender que n\u00e3o se trata de um simples an\u00fancio da escola, mas de uma a\u00e7\u00e3o de valoriza\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o dessas jovens mulheres, todas negras e associadas do clube\u00a0<em>Fica A\u00ed<\/em>. O que nos permite adentrar em aspectos bem importantes dessa hist\u00f3ria, como as profiss\u00f5es das associadas dos clubes negros no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas antes disso faz-se fundamental compreender os espa\u00e7os que valorizavam tanto as profiss\u00f5es de suas associadas. Afinal, felizmente j\u00e1 sabemos um pouco mais sobre clubes negros em outros estados como\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/espacos-de-liberdade-e-autonomia-os-clubes-negros-em-minas-gerais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Minas Gerais<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/pretos-e-mulatos-em-clubes-sociais-negros-num-pedacinho-da-europa-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Santa Catarina<\/a>, mas o que associa\u00e7\u00f5es como essas nos permitem compreender acerca da hist\u00f3ria de uma regi\u00e3o de fronteira, mais especificamente sobre o sul do Brasil?<\/p>\n<p><strong>Clubes negros em uma regi\u00e3o de fronteira: o que isso tem a ver com hist\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo! A conex\u00e3o \u00e9 tamanha que \u00e9 dif\u00edcil definir como come\u00e7ar a contar essa hist\u00f3ria. Ent\u00e3o \u00e9 sempre melhor recorrer ao come\u00e7o. Os clubes negros s\u00e3o associa\u00e7\u00f5es criadas por e para pessoas negras a partir da d\u00e9cada de 1870, mantidos por s\u00f3cios e s\u00f3cias em uma sede, podendo ser pr\u00f3pria ou n\u00e3o, na qual desenvolviam\/desenvolvem atividades com diferentes fins, principalmente social, cultural, beneficente, bailante, recreativo e carnavalesco. No entanto, n\u00e3o necessariamente todos os espa\u00e7os que apresentaram\/apresentam essas caracter\u00edsticas se denominaram\/denominam \u201cclube\u201d, podendo chamar-se centro, associa\u00e7\u00e3o, sociedade e varia\u00e7\u00f5es na l\u00edngua de origem como \u00e9 o caso do Uruguai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, o clube negro mais antigo de que se tem conhecimento foi criado em 1872, tamb\u00e9m em um 31 de dezembro e no sul do Brasil, mas na cidade de Porto Alegre, a\u00a0<a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/mundosdotrabalho\/article\/view\/1984-9222.2019.e66929\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Sociedade Floresta Aurora<\/a>. Naquele mesmo ano, s\u00f3 que em 25 de agosto na cidade de Montevid\u00e9u, capital do Uruguai, um grupo de homens negros criou o\u00a0<a href=\"https:\/\/bibliotecadigital.fgv.br\/ojs\/index.php\/reh\/article\/view\/77609\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>Club<\/em><em>Igualdad<\/em><\/a>. Estes dois clubes explicitam n\u00e3o apenas o contexto e espa\u00e7o de surgimento desses clubes, como as diferen\u00e7as no seu formato. O\u00a0<em>Floresta Aurora<\/em>\u00a0\u00e9 um clube social, criado aos moldes de uma sociedade beneficente e cultural, ou seja, tinha por objetivo auxiliar seus associados e associadas em caso de necessidade, bem como promover atividades culturais. O\u00a0<em>Igualdad<\/em>\u00a0tinha car\u00e1ter explicitamente pol\u00edtico institucional, com objetivo de indicar um candidato ao parlamento nacional. O\u00a0<em>Floresta<\/em>\u00a0est\u00e1 em atividade at\u00e9 hoje, em vias de completar 150 anos. O\u00a0<em>Igualdad<\/em>\u00a0deixou de existir ainda nos anos 1870.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m dessas diferen\u00e7as, eles aproximam-se em dois pontos muito comuns \u00e0 maior parte dos clubes negros, pelo menos at\u00e9 meados dos anos 1950: 1) foram criados pois seus membros estavam impedidos de adentrar nos clubes existentes por for\u00e7a do\u00a0<em>preconceito de cor<\/em>\u00a0existente. Ainda que no Uruguai a escravid\u00e3o n\u00e3o existisse mais, o jornal\u00a0<em>La Conservai\u00f3n,\u00a0<\/em>porta voz do\u00a0<em>La Igualdad\u00a0<\/em>trazia esse conte\u00fado. No Brasil, mesmo depois de extinta a escravid\u00e3o, em tempos de p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o o racismo se manteve e se intensificou, fazendo com que os clubes fossem ainda mais necess\u00e1rios para a popula\u00e7\u00e3o negra, como n\u00e3o apenas as p\u00e1ginas do jornal\u00a0<em>A Alvorada<\/em>, que come\u00e7ou a circular em 1907, denuncia, mas tantos outros jornais da imprensa negra ga\u00facha; 2) os cargos diretivos estavam restritos aos homens. A quest\u00e3o que nos mobiliza aqui \u00e9: isso era capaz de afastar as mulheres desses espa\u00e7os ou mesmo de mant\u00ea-las como meras frequentadoras? \u00c9 tempo de nos voltarmos para a fronteira entre a d\u00e9cada de 1920 e 1950. Mais especificamente para Pelotas, no lado brasileiro, e fazer alguns apontamentos sobre Melo, no lado uruguaio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelotas j\u00e1 tinha dois clubes negros,\u00a0<em>Depois da Chuva\u00a0<\/em>e\u00a0<em>Chove N\u00e3o Molha<\/em>, quando os jovens Osvaldo Guimar\u00e3es da Silva, Renato Monteiro de Souza e Jo\u00e3o Francisco Ferreira resolveram criar o cord\u00e3o carnavalesco\u00a0<em>Fica A\u00ed Pra Ir Dizendo<\/em>\u00a0em 27 de janeiro de 1921. A ideia logo alcan\u00e7ou novos adeptos, cresceu e na d\u00e9cada seguinte j\u00e1 era referida nas p\u00e1ginas dos jornais locais como \u201cclube\u201d, principalmente porque desenvolviam atividades durante o ano inteiro e n\u00e3o apenas no carnaval.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na d\u00e9cada seguinte o\u00a0<em>Fica<\/em>, como era \u2013 e \u00e9 \u2013 carinhosamente referido na cidade, junto dos demais clubes negros apadrinhou a\u00a0<em>Frente Negra Pelotense<\/em>, criada em 1933, e filiada a\u00a0<em>Frente Negra Brasileira<\/em>. Ali estavam as\u00a0<em>gentis senhorinhas ficaianas<\/em>\u00a0a engrandecer o projeto da coletividade negra pelotense em prol da educa\u00e7\u00e3o \u2013 tra\u00e7o distintivo daquela associa\u00e7\u00e3o na cidade. E n\u00e3o parava por a\u00ed: as senhoras, uma refer\u00eancia ao estado civil de casadas, formavam blocos carnavalescos femininos e compunham a comiss\u00e3o de controle do comportamento das jovens solteiras, as senhorinhas, nas depend\u00eancias do clube na d\u00e9cada de 30. Quando da institui\u00e7\u00e3o da campanha financeira pr\u00f3 sede pr\u00f3pria, em 1939, de pronto somaram-se ao projeto, mantendo suas atividades de arrecada\u00e7\u00e3o financeira que, at\u00e9 aquele momento, eram destinadas para o pagamento do aluguel. O objetivo de ver a t\u00e3o sonhada sede pr\u00f3pria pronta se concretizou em 1954 e \u00e9 ela que segue abrigando o clube em seus 101 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o, de volta \u00e0 pergunta, os clubes t\u00eam tudo a ver com hist\u00f3ria. Basta olhar para eles, suas gentes, suas fontes orais e escritas, ler os jornais e se deparar com experi\u00eancias cotidianas de viv\u00eancias a despeito do racismo reinante em terras de fronteira. Lugares em que muita organiza\u00e7\u00e3o se deu e se d\u00e1! E onde as mulheres tiveram que construir seu espa\u00e7o, pois o racismo os unia, mas o g\u00eanero ainda separava.<\/p>\n<p><strong>Os mundos do trabalho dentro dos clubes: das lavadeiras \u00e0s normalistas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que em um primeiro momento possa se imaginar que essas associadas fossem na sua maior parte mulheres de muitas posses, essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 equivocada. As sedes foram efetivamente constru\u00eddas pelos associados, em seus momentos de folga. As mulheres contribu\u00edram financeiramente pois trabalhavam de forma remunerada, principalmente nas lides dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anos 20, 30 e 40 no\u00a0<em>Fica A\u00ed<\/em>\u00a0temos uma experi\u00eancia marcada pelo trabalho de lavadeira e empregadas dom\u00e9sticas. Essas profiss\u00f5es n\u00e3o deixam de existir, mas h\u00e1 um investimento na gera\u00e7\u00e3o de suas filhas, para que elas venham a ser as \u201cprofessorandas\u201d nos anos 50. E \u00e9 isso que nos ajuda a entender a sauda\u00e7\u00e3o feita \u00e0s jovens ficaianas no jornal\u00a0<em>A Alvorada<\/em>\u00a0no \u00faltimo dia do ano de 1956, referida ao in\u00edcio desse texto.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><a class=\"td-modal-image\" href=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1\"><img class=\"wp-image-176804 aligncenter\" src=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 416px) 100vw, 416px\" srcset=\"https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1 416w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;zoom=0.2&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1 83w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;zoom=0.4&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1 166w, https:\/\/ea9vhhuzko5.exactdn.com\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/1.As-novas-professorandas-da-Escola-Normal-Assis-Brasil.jpg?strip=all&amp;lossy=1&amp;zoom=0.6&amp;resize=416%2C399&amp;ssl=1 249w\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"399\" \/><\/a><figcaption>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u201cAs novas professorandas da Escola Normal Assis Brasil\u201d. A Alvorada, 31 de dezembro de 1956, p. 9. Fonte: Biblioteca P\u00fablica Pelotense.<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elementos muito semelhantes aparecem nos relatos de antigas associadas e associados do clube\u00a0<em>Fica<\/em>\u00a0<em>A\u00ed<\/em>, cujas m\u00e3es ou av\u00f3s foram lavadeiras. Destaco a contribui\u00e7\u00e3o fundamental do livro\u00a0<em>As filhas das lavadeiras<\/em>, organizado por\u00a0<a href=\"http:\/\/www.eduff.uff.br\/index.php\/catalogo\/livros\/962-luciana-lealdina-de-araujo-e-maria-helena-vargas-da-silveira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Maria Helena Vargas da Silveira<\/a>, no qual a pedagoga compila entrevistas com 21 mulheres negras do sul e do sudeste do Brasil, evidenciando que a experi\u00eancia de lavadeira foi algo compartilhado por mulheres negras no p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, especialmente no fim do s\u00e9culo XIX e nas tr\u00eas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XX. A pr\u00f3pria viv\u00eancia da autora que frequentou os sal\u00f5es do clube\u00a0<em>Fica A\u00ed<\/em>, fora marcada por esse elemento. Sua av\u00f3 materna, Joaninha Vieira Vargas, era lavadeira, quituteira e passadeira, casada com Armando Vargas, tip\u00f3grafo do\u00a0<em>A Alvorada<\/em>\u00a0e associado do clube.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<em>Centro Uruguay,\u00a0<\/em>criado em Melo no ano de 1923, foi central a presen\u00e7a de lavadeiras e empregadas dom\u00e9sticas, as quais se mantinham ligadas ao clube mesmo quando se deslocavam de Melo para trabalhar em outros lugares, fosse na\u00a0<em>campa\u00f1a<\/em>\u00a0(no meio rural) ou em Montevid\u00e9u. O\u00a0<em>Comit\u00e9 de Damas Melense Pro Benef\u00edcio<\/em>\u00a0<em>ao Centro Uruguay<\/em>, criado em fins de 1934, \u00e9 um exemplo da presen\u00e7a feminina e do v\u00ednculo mantido mesmo quando n\u00e3o estavam morando em Melo. Neste comit\u00ea estavam mulheres que se deslocaram a Montevid\u00e9u para trabalhar em tarefas dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No\u00a0<em>Fica A\u00ed<\/em>\u00a0a instru\u00e7\u00e3o proporcionava uma profiss\u00e3o \u00e0s mulheres negras aliada a uma no\u00e7\u00e3o de feminilidade respeit\u00e1vel. Estava tamb\u00e9m relacionada com as transforma\u00e7\u00f5es sociais, sobretudo o aumento das cidades, dado que as trajet\u00f3rias de mulheres que acessei eram do meio urbano e desfrutavam de algumas de suas melhorias, como as escolas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As formas como as mulheres negras se colocaram e foram colocadas n\u00e3o permitem observ\u00e1-las como \u00e0 margem no pr\u00f3prio clube ou mesmo na sociedade de uma forma geral. Os condicionamentos existiam, afinal, \u00e9 n\u00edtido que elas criaram suas sub-organiza\u00e7\u00f5es, como o voc\u00e1bulo j\u00e1 adverte, em decorr\u00eancia de n\u00e3o poderem fazer-se presentes nos \u00f3rg\u00e3os deliberativos dos clubes. Ora, em n\u00e3o podendo l\u00e1 estar nada mais plaus\u00edvel que compor os seus pr\u00f3prios \u00f3rg\u00e3os e por meio deles dialogar com aqueles que elas consideravam seus iguais. O que estava em quest\u00e3o neste projeto pol\u00edtico eram formas de combater a discrimina\u00e7\u00e3o com base na ra\u00e7a e no g\u00eanero, fazer-se representar politicamente e assegurar autonomia e participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo da historiadora Fernanda Oliveira no Acervo Cultne sobre este artigo:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AWqNfpx1u4U\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=AWqNfpx1u4U<\/a><\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Confira o artigo no site:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.geledes.org.br\/lavadeiras-e-normalistas-nos-clubes-negros-em-uma-regiao-de-fronteira\/\">https:\/\/www.geledes.org.br\/lavadeiras-e-normalistas-nos-clubes-negros-em-uma-regiao-de-fronteira\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lavadeiras e Normalistas nos clubes negros em uma regi\u00e3o de fronteira FONTE:\u00a0Enviado para o Portal Geled\u00e9s, por Fernanda Oliveira 29\/06\/2022 O \u00faltimo dia do ano costuma ser nost\u00e1lgico e envolto em algumas organiza\u00e7\u00f5es festivas. 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