{"id":1258,"date":"2023-07-24T19:33:38","date_gmt":"2023-07-24T22:33:38","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/?p=1258"},"modified":"2023-07-24T19:33:38","modified_gmt":"2023-07-24T22:33:38","slug":"o-que-e-e-como-construir-um-curriculo-decolonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/2023\/07\/24\/o-que-e-e-como-construir-um-curriculo-decolonial\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 e como construir um curr\u00edculo decolonial?"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"eva-title-4 eva-margin-bottom-3\"><\/h1>\n<h2 class=\"eva-body-1 eva-margin-bottom-2\">Documento ajuda na implementa\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista e norteia pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que levam em conta as diversidades hist\u00f3ricas e culturais<\/h2>\n<p class=\"eva-body-3\">Por<a class=\"eva-link-preto eva-font-14 author-link eva-text-bold\" href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/autor\/1813\/lavini-castro\" data-track=\"Nova p\u00e1gina de conte\u00fado - link para autor\">Lavini Castro<\/a><\/p>\n<p class=\"eva-caption\">26\/06\/2023<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A respeito da realidade hist\u00f3rica brasileira, configurou-se, por volta do s\u00e9culo XV, na modernidade, um pensamento centrado na ideia de que os diferentes povos formadores da sociedade eram percebidos por suas diferen\u00e7as raciais e por elas eram hierarquizados, bem como seus saberes e pr\u00e1ticas culturais. Assim, aprendemos a valorizar a cultura europeia e, mais recentemente, a cultura estadunidense como ideal a ser seguido nos padr\u00f5es culturais, est\u00e9ticos, econ\u00f4micos, pol\u00edticos, filos\u00f3ficos, dentre outros. Dessa forma, marginalizamos, muitas vezes sem perceber, as culturas africana, afro-brasileira e dos povos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante disso, como fazer para que aprendamos com a diversidade? Como construir um curr\u00edculo decolonial, que se torne dispositivo de supera\u00e7\u00e3o dos valores da colonialidade,\u00a0promovendo uma\u00a0<a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/tag\/1545\/antirracismo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Educa\u00e7\u00e3o Antirracista<\/a>? Primeiramente, caros colegas, precisamos entender o que \u00e9 a colonialidade. Voc\u00ea conhece o termo ou j\u00e1 pensou sobre ele nas suas pr\u00e1ticas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria brasileira est\u00e1 atrelada ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, mas hoje em dia\u00a0<a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/21330\/200-anos-da-independencia-do-brasil-como-preparar-boas-aulas-de-historia-sobre-o-tema\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00e3o somos mais col\u00f4nia de Portugal<\/a>. Entretanto, se nosso comportamento e cultura ainda carregarem os valores da \u00e9poca, chamamos essa situa\u00e7\u00e3o de colonialidade. Ao experienciarmos o\u00a0<a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/21642\/combate-racismo-na-escola-violencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">racismo<\/a>, estamos vivenciando um valor da colonialidade, por exemplo.\u00a0O fato de insistirmos em refletir pela l\u00f3gica do colonizador, nos faz ter uma postura colonial.\u00a0Ter\u00a0um posicionamento decolonial, por sua vez, significa estar contra essas l\u00f3gicas e valores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colegas educadores, pensando nos\u00a0<a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/tag\/1589\/curriculo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">curr\u00edculos escolares<\/a>\u00a0com os quais j\u00e1 trabalharam, conseguem observar essa l\u00f3gica colonial? N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, n\u00e3o \u00e9? Afinal, os curr\u00edculos ainda trazem o pensamento cultural\/civilizador europeu como exemplo universal para a humanidade que, na verdade, \u00e9 muito diversa e n\u00e3o pode ser explicada unicamente pela hist\u00f3ria de experi\u00eancia europeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, as interpreta\u00e7\u00f5es que foram feitas ao longo da hist\u00f3ria da humanidade racializaram o pensamento europeu enquanto racional\/cient\u00edfico\/contribuidor e dos outros povos como inferiores e sem possibilidades de contribui\u00e7\u00e3o. Diante disso, o elemento racial branco foi interpretado como o \u201ceu\u201d ideal a ser seguido, enquanto os demais grupos e seus saberes n\u00e3o foram valorizados na l\u00f3gica bin\u00e1ria moderna como contribuidores da diversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li><strong>LEIA MAIS:\u00a0<a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/19872\/consciencia-negra-10-perguntas-e-respostas-sobre-o-trabalho-com-as-relacoes-etnico-raciais-na-escola\">https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/19872\/consciencia-negra-10-perguntas-e-respostas-sobre-o-trabalho-com-as-relacoes-etnico-raciais-na-escola<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um curr\u00edculo que atende \u00e0s pr\u00e1ticas ocidentais de escolariza\u00e7\u00e3o, acaba sendo um dispositivo da racionalidade moderna, ou seja, mant\u00e9m saberes e conte\u00fados identificados com a hist\u00f3ria e a mem\u00f3ria do ocidente epistemol\u00f3gico europeu com seus atributos coloniais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"eva-body-lora-1\">Estere\u00f3tipos e hist\u00f3ria \u00fanica<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exemplos curiosos s\u00e3o evidenciados quando nos referimos \u00e0 hist\u00f3ria pol\u00edtica da antiguidade eg\u00edpcia e falamos dos fara\u00f3s com dificuldade de imagin\u00e1-los como pessoas negras. Ou quando falamos da hist\u00f3ria do progresso e apenas identificamos prosperidade econ\u00f4mica no continente europeu, ou ainda quando fica dif\u00edcil imaginar filosofia africana quando aprendemos, erroneamente diga-se de passagem, que a filosofia nasceu na Gr\u00e9cia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pela experi\u00eancia que trago da sala de aula, \u00e9 muito comum observar impress\u00f5es negativas ou estereotipadas sobre a \u00c1frica. Quando pergunto aos meus alunos o que eles conhecem sobre o continente africano, percebo nas falas a demarca\u00e7\u00e3o de um senso comum que imagina uma \u00c1frica marcada pela pobreza, pelo atraso econ\u00f4mico e\u00a0 por guerras. Essa \u00e9 uma vers\u00e3o restrita, que deixa de lado as contribui\u00e7\u00f5es dos povos africanos para a humanidade. Seria o que a escritora Chimamanda Adichie falou sobre \u201co perigo da hist\u00f3ria \u00fanica\u201d, que \u00e9 quando se conhece um dado hist\u00f3rico e ele \u00e9 colocado como \u00fanica forma de conhecer algo, ou seja, quando se universaliza um determinado conhecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ilustrar o que estou contando aqui, trago uma experi\u00eancia com minhas turmas e voc\u00ea j\u00e1 vai entender. Certa vez, queria iniciar o conte\u00fado sobre a tem\u00e1tica Povos Africanos, ent\u00e3o apresentei imagens atuais de algumas cidades do continente africano sem revelar quais eram. Escolhi imagens de cidades bel\u00edssimas que mostravam uma paisagem urbana muito moderna. Ent\u00e3o, perguntei de que continente poderiam ser aquelas cidades e, facilmente, mais da metade da turma respondeu: europeu. Quando eu contei que todas ficavam no continente africano, os alunos ficaram boquiabertos e se perguntaram como poderia ser, porque na imagina\u00e7\u00e3o deles &#8211; mas n\u00e3o s\u00f3 deles -, a \u00c1frica foi inferiorizada. Veja as imagens abaixo e experimente fazer o mesmo com seus alunos!<\/p>\n<figure class=\"image\"><img src=\"https:\/\/nova-escola-producao.s3.amazonaws.com\/p2JCeE4ThZMK6zMq3fscBjFASrX8KVvEnZV7QCpwfqEf9GRJfgZR4pwbz3zH\/luanda-angola-foto-de-ruben-cabango-na-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"730\" \/><figcaption>Luanda, Angola. Foto: Ruben Cabango\/ Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<figure class=\"image\"><img src=\"https:\/\/nova-escola-producao.s3.amazonaws.com\/3N5nUkPZzHKfYypyaprs78NVfsxgd6fbWuWcAFhnFGm3cc2RmxKdWHE7BhuX\/lagos-nigeria-foto-seun-idowu-na-unsplash.jpg\" alt=\"\" width=\"730\" \/><figcaption>Lagos, Nig\u00e9ria. Foto:\u00a0Seun Idowu\/Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"eva-body-lora-1\">Curr\u00edculo como dispositivo de tomada de decis\u00e3o<\/h2>\n<p>Diante desses exemplos, diagnosticamos um curr\u00edculo fechado ao di\u00e1logo com a diversidade, pois, por mais que se queira afirmar a diversidade, ainda falamos de uma educa\u00e7\u00e3o que estimula um car\u00e1ter universal nas rela\u00e7\u00f5es, em que todos s\u00e3o entendidos como iguais, apesar de n\u00e3o serem t\u00e3o iguais e tampouco o s\u00e3o tratados como tal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gosto de citar\u00a0<a href=\"https:\/\/www.repositorio.ufal.br\/bitstream\/riufal\/7087\/1\/Saberes%20e%20narrativas%20docentes%20-%20mem%C3%B3rias%20e%20experi%C3%AAncias%20do%20ensino%20de%20hist%C3%B3ria%20e%20cultura%20afro-brasileira%20no%20sert%C3%A3o%20alagoano.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a tese do professor Gustavo Gomes, de 2019<\/a>, quando ele diz que o curr\u00edculo \u00e9 um recurso oficial no campo educacional que define um projeto educativo, ou seja, \u00e9 um documento que seleciona e organiza conte\u00fados, produz diretrizes pedag\u00f3gicas tendo portanto como fun\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o dos sujeitos e, nesse sentido, podemos dizer que \u00e9 um dispositivo de tomada de decis\u00f5es pedag\u00f3gicas. Por isso, \u00e9 importante construir um documento pensando sobre essas quest\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Imagine o seguinte: um curr\u00edculo escolar sobre a historiografia afro-brasileira, em que o professor de Hist\u00f3ria recebe a sele\u00e7\u00e3o de conte\u00fados a serem trabalhados em sala de aula. Contudo, esse professor insiste em utilizar como fonte para suas aulas materiais que refor\u00e7am estere\u00f3tipos ou romantizam vers\u00f5es da hist\u00f3ria afro-brasileira, sem considerar\u00a0a compreens\u00e3o e a problematiza\u00e7\u00e3o dos valores, dos saberes e dos fazeres de diferentes grupos sociais e raciais. Imaginou? Esse professor acaba mantendo um curr\u00edculo etnoc\u00eantrico evidenciando valor apenas na hist\u00f3ria e cultura dos povos europeus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\"><b><\/b><strong><a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/21397\/e-book-educacao-antirracista-baixe-gratuitamente\">Saiba mais: E-book Educa\u00e7\u00e3o Antirracista: baixe gratuitamente<\/a><\/strong><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um bom exemplo disso seria a abordagem da Hist\u00f3ria da Escraviza\u00e7\u00e3o Negra na Am\u00e9rica, que \u00e9 um processo hist\u00f3rico, mas n\u00e3o contempla toda a heran\u00e7a dos negros em di\u00e1spora. Quando um professor apenas constata a escravid\u00e3o nas Am\u00e9ricas, ele n\u00e3o est\u00e1 desenvolvendo um curr\u00edculo decolonial. Para isso, ele precisaria falar das estrat\u00e9gias de supera\u00e7\u00e3o que os pr\u00f3prios negros adotaram para conquistar a liberdade do sistema escravista, por exemplo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Trata-se de n\u00e3o contar apenas a hist\u00f3ria da escravid\u00e3o afro-brasileira pelos vieses da dor dos negros, pois isso refor\u00e7a o poder dos europeus colonizadores, inibe no aluno negro a vontade de querer pertencer de alguma forma a uma narrativa que refor\u00e7a o sofrimento, al\u00e9m de criar uma representatividade de pessoa-objeto a servi\u00e7o dos brancos. \u00c9 fundamental evidenciar as hist\u00f3rias de lutas e resist\u00eancias que apresentam o protagonismo negro e tamb\u00e9m dos povos origin\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"eva-body-lora-1\">Curr\u00edculo decolonial e educa\u00e7\u00e3o antirracista<\/h2>\n<figure class=\"image\"><img src=\"https:\/\/nova-escola-producao.s3.amazonaws.com\/7amJnqASdpPkAM4n37pupXqJ57mtdGKrnZdSbrFbUX64hVDn43AvQeKBMwf9\/coluna-lavini-curriculo-decolonial-camilla-portela.jpg\" width=\"730\" \/><figcaption>Um curr\u00edculo decolonial\u00a0combate a vis\u00e3o de mundo hegem\u00f4nica, excludente, que impede a aprendizagem sobre a diversidade das hist\u00f3rias e culturas dos diferentes povos. Foto: Camilla Portela\/Nova Escola<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um curr\u00edculo decolonial busca superar um hiato narrativo em hist\u00f3rias e culturas que s\u00e3o negadas ou sofrem tentativas de apagamento, pois com o documento se quer criar n\u00e3o apenas no\u00e7\u00e3o da diversidade de conte\u00fados, mas no\u00e7\u00e3o da\u00a0exist\u00eancia em si, ou seja, no\u00e7\u00e3o das diferentes exist\u00eancias dos grupos humanos e suas subjetividades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para tanto, \u00e9 importante construir um documento expansivo que oportunize a inser\u00e7\u00e3o de reflex\u00f5es sociais, raciais e culturais diversas, questionando a postura de neutralidade preservada nos curr\u00edculos tradicionais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao planejar suas aulas, o professor deve ter aten\u00e7\u00e3o quanto ao conte\u00fado a ser estudado, observando se ele refere-se a uma vis\u00e3o de mundo hegem\u00f4nica, excludente, que impede a aprendizagem sobre a diversidade das hist\u00f3rias e culturas dos diferentes povos. Para isso precisamos:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">reconhecer o racismo enquanto um problema social;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">refletir sobre o racismo e as interseccionalidades que o cerca;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">ter um comportamento antirracista o tempo todo;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">repudiar qualquer atitude racista no espa\u00e7o escolar;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">ter o cuidado nas rela\u00e7\u00f5es entre diferentes grupos raciais;<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ul>\n<li aria-level=\"1\">reconhecer os saberes de diferentes culturas e ensinar hist\u00f3rias de resist\u00eancia, promovendo o olhar cr\u00edtico e consciente da hist\u00f3ria dos diferentes povos que comp\u00f5em a sociedade brasileira.<\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seguindo as orienta\u00e7\u00f5es anteriores, percebemos que para um curr\u00edculo decolonial ser poss\u00edvel \u00e9 preciso que haja interesse, empatia e posicionamento dos sujeitos integrados na condu\u00e7\u00e3o do processo educacional, ou seja, toda equipe pedag\u00f3gica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se \u00e9 poss\u00edvel ver constitu\u00edda no Brasil uma educa\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica em que todos possam usufruir do bem-estar social e educacional, \u00e9 necess\u00e1rio construir um curr\u00edculo diverso. Nesse sentido, \u00e9 importante que os professores possam criar, mediar, disputar espa\u00e7os de conscientiza\u00e7\u00e3o em prol das diversidades, pois a pr\u00e1tica pedag\u00f3gica decolonial possibilita aprender com diferentes culturas, al\u00e9m de permitir entender como as culturas dos diferentes povos se comunicam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o entre culturas ensina a valoriza\u00e7\u00e3o do di\u00e1logo entre diferentes grupos raciais, mostrando o quanto cada grupo, por meio de sua hist\u00f3ria coletiva, deixou um legado para a humanidade. Sabendo-se disso, entende-se a legitimidade da diversidade como um elemento que nos constitui os seres humanos, abrindo espa\u00e7o para a intera\u00e7\u00e3o, a curiosidade do conhecer e a naturalidade do entendimento de que somos uma pluralidade. Uma aula comprometida com esse prop\u00f3sito, prioriza todos os grupos enquanto contribuidores do conhecimento do sistema-mundo, qualificando outros tantos conhecimentos realizados e deixados por tantos povos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"eva-body-lora-1\">Cuidado com a pedagogia decolonial &#8216;nutella&#8217;<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, educadores, cuidado com a pedagogia decolonial de estilo \u201cnutella\u201d que n\u00e3o altera, de fato, a estrutura da aprendizagem. Neste perfil curricular, a forma de ensinar apenas reconhece os problemas que a coloniza\u00e7\u00e3o trouxe para as sociedades, como por exemplo o racismo, sem levantar questionamentos que provoquem supera\u00e7\u00e3o dos problemas, n\u00e3o desenvolvendo uma educa\u00e7\u00e3o libert\u00e1ria, democr\u00e1tica e decolonial.\u00a0Para isso, \u00e9 preciso se precupar constantemente em se comportar de maneira antirracista, entendendo que o saber escolar \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o coletiva, promovida pelo di\u00e1logo da turma diante a media\u00e7\u00e3o intelectual do professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, convido a todos a fazer da sala de aula um espa\u00e7o acolhedor, com regras estabelecidas em conjunto com a turma, e os conte\u00fados abordados evidenciando de forma positiva a diversidade, provocando reflex\u00f5es que n\u00e3o terminam ao final das aulas, mas que continuam nas conversas dos corredores ou no recreio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><i>Lavini Castro \u00e9 educadora antirracista. Doutoranda em Hist\u00f3ria Comparada pelo PPGHC\/UFRJ. Mestre em Rela\u00e7\u00f5es \u00c9tnico Raciais pelo PPRE\/CEFET-RJ. Historiadora pela UFRJ. Professora de Hist\u00f3ria do Ensino Fundamental e Ensino M\u00e9dio das redes p\u00fablica e particular do estado do Rio de Janeiro. Idealizadora e coordenadora da Rede de Professores Antirracistas. Ganhadora do Pr\u00eamio Sim \u00e0 Igualdade Racial do ID_BR em 2021.<\/i><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte:<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/21707\/como-construir-um-curriculo-decolonial?fbclid=IwAR3931v0U4saIXxf8UrTCRSDzG7-pNMHHhOSWhpiM90NvBTqP3-7fuptlSA\">https:\/\/novaescola.org.br\/conteudo\/21707\/como-construir-um-curriculo-decolonial?fbclid=IwAR3931v0U4saIXxf8UrTCRSDzG7-pNMHHhOSWhpiM90NvBTqP3-7fuptlSA<\/a><\/p>\n<div><\/div>\n<div>Texto em PDF:<\/div>\n<p><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/files\/2023\/07\/o-que-e-e-como-construir-um-curriculo-decolonial.pdf\">o-que-e-e-como-construir-um-curriculo-decolonial<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Documento ajuda na implementa\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o antirracista e norteia pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que levam em conta as diversidades hist\u00f3ricas e culturais PorLavini Castro 26\/06\/2023 &nbsp; A respeito da realidade hist\u00f3rica brasileira, configurou-se, por volta do s\u00e9culo XV, na modernidade, um pensamento centrado na ideia de que os diferentes povos formadores da sociedade eram percebidos por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1090,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1090"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1258"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1262,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1258\/revisions\/1262"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/clhd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}