{"id":70,"date":"2023-12-05T16:54:18","date_gmt":"2023-12-05T19:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/?p=70"},"modified":"2024-02-08T16:39:40","modified_gmt":"2024-02-08T19:39:40","slug":"conhecer-para-compreender-o-patrimonio-industrial-do-bairro-porto-de-pelotas-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/2023\/12\/05\/conhecer-para-compreender-o-patrimonio-industrial-do-bairro-porto-de-pelotas-rs\/","title":{"rendered":"Conhecer para compreender: o patrim\u00f4nio industrial do bairro Porto de Pelotas &#8211; RS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Por B\u00e1rbara Carvalho e Murilo Schurt Alves<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-72\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris-486x1024.png\" alt=\"\" width=\"486\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris-486x1024.png 486w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris-190x400.png 190w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris-768x1619.png 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris-729x1536.png 729w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Linha-do-Tempo-Predios-Fabris.png 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 486px) 100vw, 486px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O COME\u00c7O<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O princ\u00edpio da cidade de Pelotas \u00e9 permeado pela hist\u00f3ria de colonizadores charqueadores escravistas e povos escravizados. Os vest\u00edgios desse tempo remoto pode ser identificado pr\u00f3ximo \u00e0s fontes de \u00e1gua que contornam este munic\u00edpio, dentre eles o canal S\u00e3o Gon\u00e7alo e seus afluentes que d\u00e3o origem ao Porto pelotense um dos principais precursores desta hist\u00f3ria, como declarado em uma das colunas do autor\u00a0<a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1hu9IEDNxXn44M6prTuJuM-8C8_Qy7GZr\/view\"><span style=\"font-weight: 400;\">Guilherme Pinto de Almeida, para o projeto OTRO PORTO<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">: \u201cpor estas \u00e1guas chegaram o sal para o charque e o a\u00e7\u00facar para os doces. Atrav\u00e9s destas \u00e1guas chegaram os artigos importados que abasteceram o pujante com\u00e9rcio local e satisfizeram o gosto cosmopolita dos pelotenses. Um porto conectando Pelotas ao mundo\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Parte do espa\u00e7o em que hoje situa-se o bairro Porto teve seus principais donos no per\u00edodo antecedente a urbaniza\u00e7\u00e3o, estes eram Mariana Eufr\u00e1sia da Silveira e seu marido e em per\u00edodo subsequente parte das terras foram cedidas para a implementa\u00e7\u00e3o de outras duas charqueadas ao <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1unWFPGNMJKkRJIe35ObbavUiUW-FPdOL\/view\"><span style=\"font-weight: 400;\">capit\u00e3o Domingos Rodrigues e o sargento-mor Jos\u00e9 Tom\u00e1s da Silva.<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> Atualmente, o bairro Porto carrega em uma de suas principais ruas o nome de sua primeira propriet\u00e1ria, Rua Mariana e possui tamb\u00e9m a pra\u00e7a Domingos Rodrigues em homenagem ao capit\u00e3o. A <\/span><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1xVeteIhKZolegpMUPrdrEffKkKglEHTR\/view\"><span style=\"font-weight: 400;\">valida\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o como uma zona urbana<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> deu-se no ano de 1834.<\/span><\/p>\n<p><b>A OCUPA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A partir da d\u00e9cada de 70 s\u00e9culo XX a regi\u00e3o do bairro Porto passa a sofrer um novo impacto de desenvolvimento e ocupa\u00e7\u00e3o, pois as terras que antes eram dominadas pelos charqueadores e por escravos que para estes trabalhavam e que contribuem socioeconomicamente para o desenvolvimento da cidade, come\u00e7aram a sofrer mudan\u00e7as com decl\u00ednio das atividades hidrovi\u00e1rias, decl\u00ednio econ\u00f4mico, constru\u00e7\u00f5es de rodovias, concorr\u00eancia com o Porto de Rio Grande, estes e outros fatores contribuem para a falta de visibilidade para a regi\u00e3o o que propicia a entrada do setor fabril na regi\u00e3o no ano de 1933, neste ano ocorre a constru\u00e7\u00e3o do cais, a constru\u00e7\u00e3o de tr\u00eas armaz\u00e9ns e a instala\u00e7\u00e3o de tr\u00eas guindastes, e no ano de 1940 o Porto de pelotas passa a operar<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com a introdu\u00e7\u00e3o do setor industrial o bairro passa a sofrer com a superlota\u00e7\u00e3o e as diversas \u00e1reas do bairro passam a ser ocupadas desde os trabalhadores fabris das mais diversas fam\u00edlias de baixa renda. <\/span><a href=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/geografia\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Segundo estudo feito pelo curso de Geografia da UFPEL<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">, \u201cao mesmo tempo em que as atividades relacionadas ao canal representavam uma fonte de renda para os moradores, as condi\u00e7\u00f5es de moradia no local eram extremamente prec\u00e1rias, obrigando as fam\u00edlias a resistirem, convivendo com diversos problemas urbanos como falta de saneamento b\u00e1sico, doen\u00e7as causadas pela polui\u00e7\u00e3o, entre outros, que s\u00e3o resultados da falta de um planejamento urbano adequado a esse espa\u00e7o.\u201d<\/span><\/p>\n<p><b>A INDUSTRIALIZA\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com o in\u00edcio do processo de industrializa\u00e7\u00e3o no Rio Grande do Sul, a cidade de Pelotas viveu per\u00edodos de transforma\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica que deixaram marcas em seu territ\u00f3rio e paisagem. A zona portu\u00e1ria, atualmente conhecida como bairro Porto, recebeu a instala\u00e7\u00e3o de diversas f\u00e1bricas, armaz\u00e9ns e dep\u00f3sitos, devido ao seu posicionamento estrat\u00e9gico que possibilita escoar os mais diversos produtos e mercadorias pelo seu curso de \u00e1gua doce. Entre essas instala\u00e7\u00f5es, podemos citar: <\/span><a href=\"https:\/\/journals.openedition.org\/pontourbe\/7656\"><span style=\"font-weight: 400;\">Cervejaria Sul-Riograndense (1889), Moinho Pelotense (1922), Frigor\u00edfico Anglo (1942) e Cooperativa Sudeste de L\u00e3s (1954)<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. Al\u00e9m disso, outra alternativa de transporte presente na regi\u00e3o era o modal ferrovi\u00e1rio, facilitando deslocamentos para outras cidades do Rio Grande do Sul e expandindo a possibilidade de fornecimento de insumos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse contexto, a zona portu\u00e1ria come\u00e7ou a figurar como uma das principais alternativas ao capital fabril estrangeiro, passando por transforma\u00e7\u00f5es estruturais com a implanta\u00e7\u00e3o de vilas oper\u00e1rias e constru\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios p\u00fablicos. Como explica Francisca Ferreira Michelon, doutora em Hist\u00f3ria pela PUC-RS e Jossana Peil Coelho, doutora em Mem\u00f3ria Social e Patrim\u00f4nio Cultural da UFPel, <\/span><a href=\"https:\/\/ojs.revistacontribuciones.com\/ojs\/index.php\/clcs\/article\/view\/1215\/927\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cruas foram criadas e gradualmente se tornaram habitadas, constru\u00edram-se resid\u00eancias, escolas e clubes, se formou um bairro vibrante e acolhedor para morar e trabalhar\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Contudo, a forte pol\u00edtica nacional de favorecimento ao transporte rodovi\u00e1rio fez com que a zona portu\u00e1ria entrasse em decad\u00eancia a partir da d\u00e9cada de 1960. Soma-se, ainda, aos elevados custos de produ\u00e7\u00e3o industrial pela defici\u00eancia de infraestrutura e pelo aparato tecnol\u00f3gico ultrapassado, al\u00e9m da dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica que deixava a regi\u00e3o em desvantagem contra outros produtos nacionais, sobretudo aqueles localizados em S\u00e3o Paulo. De acordo com o artigo \u201cA zona portu\u00e1ria de Pelotas [RS]: nova paisagem de um bairro antigo\u201d, publicado na revista cient\u00edfica Labor e Engenho, foi poss\u00edvel notar <\/span><a href=\"https:\/\/periodicos.sbu.unicamp.br\/ojs\/index.php\/labore\/article\/view\/8669972\/30833\"><span style=\"font-weight: 400;\">\u201co progressivo esvaziamento e estagna\u00e7\u00e3o de um bairro que, por d\u00e9cadas, via circular cotidianamente multid\u00e3o de oper\u00e1rios que seguiam rumo \u00e0s f\u00e1bricas, sempre ruidosas, efervescentes e ritmadas pelo fluxo da produ\u00e7\u00e3o\u201d<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com a derrocada e a ociosidade dos espa\u00e7os fabris, a zona portu\u00e1ria de Pelotas forma um representativo acervo de patrim\u00f4nio industrial na regi\u00e3o. Atualmente, muitos desses pr\u00e9dios s\u00e3o ocupados pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), atrav\u00e9s de um projeto de revitaliza\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os como unidades acad\u00eamicas das \u00e1reas de ci\u00eancias humanas, engenharias, artes e design, entre outras. Nesse vi\u00e9s, a popula\u00e7\u00e3o majoritariamente idosa e juvenil-universit\u00e1ria se apropria desse territ\u00f3rio, reivindica suas necessidades e compartilha suas vis\u00f5es de mundo com o intuito de garantir direitos b\u00e1sicos e melhores condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por B\u00e1rbara Carvalho e Murilo Schurt Alves<\/p>\n","protected":false},"author":1346,"featured_media":113,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[],"class_list":["post-70","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/files\/2023\/12\/Captura-de-tela-2023-12-18-182236.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1346"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":118,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70\/revisions\/118"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/media\/113"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/avozdoporto\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}