{"id":715,"date":"2026-07-19T11:58:54","date_gmt":"2026-07-19T14:58:54","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/anatoacupuntura\/?p=715"},"modified":"2026-07-19T11:58:54","modified_gmt":"2026-07-19T14:58:54","slug":"a-cultura-chinesa-em-pelotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/anatoacupuntura\/2026\/07\/19\/a-cultura-chinesa-em-pelotas\/","title":{"rendered":"A cultura chinesa em Pelotas? A Hora do Sul"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/ahoradosul.com.br\/conteudos\/2026\/07\/18\/a-cultura-chinesa-em-pelotas\/\">A cultura chinesa em Pelotas? &#8211; A Hora do Sul<\/a><\/p>\n<p>A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) pretende instalar, ainda no segundo semestre deste ano, o primeiro polo de acupuntura da Am\u00e9rica do Sul. A informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do m\u00e9dico e professor titular de Farmacologia e Anestesiologista na UFPel, Fernando Carpena Alves, que realizou curso de especializa\u00e7\u00e3o de acupuntura, no ano passado, em Xangai, na China, atrav\u00e9s de bolsa do CNPq, com o patroc\u00ednio da pr\u00f3pria universidade. O Polo a ser instalado em Pelotas (\u2026) em conv\u00eanio com o Instituto de Medicina Tradicional Chinesa, de Xangai (\u2026) estar\u00e1 voltado \u00e0 pesquisa, ao ensino e \u00e0 pr\u00e1tica da acupuntura (\u2026). \u2018Para um pa\u00eds como o Brasil, este tipo de medicina de baixos custos viria bem\u2019, argumentou o professor Carpena Alves, \u2018j\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de importar rem\u00e9dios e pagar royalties\u2019\u201d (<em>Jornal do Brasil<\/em>, RJ, 07\/03\/1983, p. 12).<\/p>\n<p>Que destino ter\u00e1 tido este projeto de Conv\u00eanio que naquele ano de 1983 previa na UFPel a cria\u00e7\u00e3o, em n\u00edvel de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, de \u201cum curso de um ano de dura\u00e7\u00e3o, para o ensino das bases da acupuntura a m\u00e9dicos anestesistas e cl\u00ednicos gerais\u201d? (<em>Idem, ibidem<\/em>). Bem, se aqui me interesso por um tema que envolve a milenar civiliza\u00e7\u00e3o chinesa, \u00e9 porque faz poucos dias tive a oportunidade de participar de uma \u201cReuni\u00e3o-almo\u00e7o\u201d na Associa\u00e7\u00e3o Comercial de Pelotas em torno do tema: \u201cMiss\u00e3o China \u2013 tecnologia, cidades e novos neg\u00f3cios\u201d. No oitavo andar Edif\u00edcio Pal\u00e1cio do Com\u00e9rcio (inaugurado na d\u00e9cada de 1940), em meio a empres\u00e1rios e lideran\u00e7as locais que lotavam o belo \u201cSal\u00e3o Mau\u00e1\u201d (lembremos de\u00a0<em>Mau\u00e1: empres\u00e1rio do Imp\u00e9rio<\/em>, de Jorge Caldeira), pude assistir as palestras proferidas pela advogada Marisa Leitzke Buss, pelo empres\u00e1rio Daniel Peglow e pelo jornalista Adilson Cruz.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia profissional e humana destas tr\u00eas pessoas na China, seus conhecimentos e o di\u00e1logo com o p\u00fablico fez retornar em mim uma s\u00e9rie de mem\u00f3rias, bem como despertou a vontade de investigar sobre a presen\u00e7a chinesa em Pelotas. J\u00e1 na d\u00e9cada de 1990 tomei contato com a esta cultura milenar por meio de meu ex-sogro e amigo Luiz Os\u00f3rio Pires Prado (Bispo da Igreja Episcopal Anglicana falecido em 2010) que durante seus \u00faltimos anos de vida viajou diversas vezes para a China e de l\u00e1 voltava impressionado com informa\u00e7\u00f5es que fazia quest\u00e3o de dividir conosco.<\/p>\n<p>Em Pelotas, como mostram os estudos de Arqueologia Hist\u00f3rica e Cultura Material realizados no \u00e2mbito da UFPel por Luciana Peixoto e F\u00e1bio Cerqueira, j\u00e1 desde o s\u00e9culo 19 a elite local parecia apreciar temas relacionados \u00e0 China pois, dentre os fragmentos de lou\u00e7as encontrados em escava\u00e7\u00f5es de s\u00edtios hist\u00f3ricos, como o da Casa 8 (Museu do Doce), estavam bules e x\u00edcaras produzidos na Europa com \u201ccena chinesa no estilo chinoiserie\u201d (<em>Almanaque do Bicenten\u00e1rio de Pelotas<\/em>, v. 3, p. 423). \u00c9 somente no s\u00e9culo 20, por\u00e9m, que podemos come\u00e7ar a encontrar alguns dos emigrantes chineses que aqui se estabeleceram, sobretudo quando pensamos na culin\u00e1ria local.<\/p>\n<p>Propriet\u00e1rio do Restaurante Shanghay, Lu\u00eds Carlos Yuk recebeu o t\u00edtulo de \u201cCidad\u00e3o Pelotense\u201d no ano de 2014. Filho de Sik Chun Yuk e Jit Mao Yuk, seus pais partiram de Hong Kong em 1962 e estabeleceram-se em Pelotas em fevereiro de 1963. Depois de trabalhar \u201cvendendo past\u00e9is no Jockey Club de Pelotas\u201d, Sik fundou inicialmente com outros dois s\u00f3cios \u201co Oriente, primeiro restaurante oriental em Pelotas\u201d, para depois criar em 1971 o Restaurante Shanghay. Atualmente localizado na Rua Sete de Setembro, n. 257, o Shanghay ocupa um pr\u00e9dio hist\u00f3rico cuja fachada est\u00e1 bem preservada, local onde tamb\u00e9m trabalha uma pelotense casada com um descendente de chineses. J\u00e1 o Restaurante Mings, criado em Pelotas na d\u00e9cada de 1980, continua em pleno funcionamento na praia do Laranjal, sob a administra\u00e7\u00e3o de Wai Ming Yuk, nascido em Hong Kong em 1957.<\/p>\n<p>Lembraria tamb\u00e9m aqui de Lu\u00eds Roberto Soares Nunes (1965) que por volta dos seus 15 anos come\u00e7ou a aprender Pr\u00e1ticas Tradicionais Chinesas em Pelotas com o mestre Li Hon Shui, o qual viera tamb\u00e9m de Hong Kong, tornando-se uma refer\u00eancia na pr\u00e1tica do Tai Chi Chuan. Sua companheira, a Dra. Sylvia Isaacsson, manteve a partir dos anos 2000 uma Cl\u00ednica de Acupuntura M\u00e9dica, localizada tamb\u00e9m em um belo sobrado da arquitetura de Pelotas na Rua Quinze de Novembro, n. 762. Numa consulta r\u00e1pida a uma Lista Telef\u00f4nica do ano de 2000, pude ainda encontrar sobrenomes chineses, a exemplo de Huang.<\/p>\n<p>Bem, se n\u00e3o chegou a realizar-se a cria\u00e7\u00e3o de um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em acupuntura na UFPel em 1983, fato \u00e9 que por aqui chegou por volta de 1989 a Doutora Patr\u00edcia Zillig, que havia cursado medicina e que tamb\u00e9m fez o curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no Instituto de Acupuntura no Rio de Janeiro (IARJ). Casada com um pelotense, ela foi uma das fundadoras da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica de Acupuntura do Rio Grande do Sul (AMARS) em 1990, sendo que ela segue atuando em Pelotas na Rua Major C\u00edcero, n. 66. Seguirei investigando a presen\u00e7a da cultura chinesa em Pelotas e, caso voc\u00ea, leitora e leitor, tenha conhecimento sobre algo, ficaria contente se compartilhasse suas mem\u00f3rias comigo (luiseduardorubira@gmail.com).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cultura chinesa em Pelotas? &#8211; A Hora do Sul A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) pretende instalar, ainda no segundo semestre deste ano, o primeiro polo de acupuntura da Am\u00e9rica do Sul. 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