{"id":79,"date":"2021-03-18T15:37:46","date_gmt":"2021-03-18T18:37:46","guid":{"rendered":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/?page_id=79"},"modified":"2021-03-24T12:39:58","modified_gmt":"2021-03-24T15:39:58","slug":"projeto-2","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/pt\/projeto-2\/","title":{"rendered":"Projeto"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">O Projeto <a href=\"http:\/\/www.placeage.org\">PlaceAge<\/a>, que se desenvolveu de 2016 a 2019 no Brasil, mostra que a concentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas urbanas \u00e9 alta no pa\u00eds. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira vivia em cidades em 1945, mas em 2019 essa propor\u00e7\u00e3o passou para 87%. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio mudar a realidade do idoso no contexto urbano, oferecendo oportunidades para que ele se sinta integrado \u00e0 sociedade durante toda a sua velhice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De acordo com estudos da CEPAL (Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe), a Am\u00e9rica Latina \u00e9 uma das regi\u00f5es mais envelhecidas do mundo. Enquanto alguns pa\u00edses europeus demoraram 150 anos para se adaptar ao aumento de 10 a 20% da popula\u00e7\u00e3o idosa, pa\u00edses como o Brasil ter\u00e3o que se adaptar em menos tempo. Uma das principais constata\u00e7\u00f5es da Divis\u00e3o Populacional da ONU \u00e9 de que os pa\u00edses desenvolvidos primeiro enriqueceram para depois envelhecerem, entretanto os pa\u00edses em desenvolvimento v\u00e3o envelhecer na pobreza. Portanto, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aplicar as pol\u00edticas p\u00fablicas de envelhecimento dos pa\u00edses desenvolvidos nos pa\u00edses mais empobrecidos, que j\u00e1 enfrentam grande desigualdade social entre parcelas da popula\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante reconhecer que as necessidades de 90% da popula\u00e7\u00e3o brasileira se concentram na base da pir\u00e2mide de necessidades de Maslow: as necessidades fisiol\u00f3gicas, que representam aquelas relacionadas ao organismo, como alimenta\u00e7\u00e3o, sono, abrigo, \u00e1gua e excre\u00e7\u00e3o, e as de seguran\u00e7a que aparecem ap\u00f3s o suprimento das necessidades fisiol\u00f3gicas e s\u00e3o representadas por necessidades de seguran\u00e7a e estabilidade, como prote\u00e7\u00e3o contra a viol\u00eancia, prote\u00e7\u00e3o para sa\u00fade e recursos financeiros. Dentro desse contexto, os resultados do Projeto PlaceAge indicaram que no Brasil as pol\u00edticas p\u00fablicas para a terceira idade devem atender as seguintes tem\u00e1ticas na seguinte ordem de prioridade, para o desenvolvimento de comunidades amigas do envelhecimento: (i) Sa\u00fade e Qualidade de Vida; (ii) Seguran\u00e7a Urbana; (iii) Mem\u00f3ria, Identidade e Senso de Lugar; (iv) Caminhabilidade, Mobilidade e Acessibilidade; e (v) Espa\u00e7os P\u00fablicos, Lazer e Turismo. Em todas as tem\u00e1ticas, a principal a\u00e7\u00e3o se relaciona a promo\u00e7\u00e3o de atividades de cunho coletivo no bairro, de forma a agregar as pessoas e evitar a depress\u00e3o e o isolamento. Nessa perspectiva, o que fazer para acolher e dar suporte aos idosos durante a pandemia do COVID-19, no momento em que a orienta\u00e7\u00e3o geral \u00e9 `fiquem em casa?`.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Apesar do que sabemos sobre o que \u00e9 necess\u00e1rio para garantir o bem-estar f\u00edsico, mental e social da popula\u00e7\u00e3o na terceira idade, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias explorando os impactos de eventos repentinos, como a pandemia do COVID-19,\u00a0 na vida das pessoas idosas. Embora se saiba que os idosos s\u00e3o mais vulner\u00e1veis a eventos de crise, como por exemplo, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, crises sanit\u00e1rias e humanit\u00e1rias (Almazan et al, 2019), faltam pesquisas para explorar os impactos das pandemias no bem-estar dos idosos.<\/strong> A pandemia do COVID-19 levantou quest\u00f5es espec\u00edficas em termos de acesso \u00e0 recursos para apoiar o bem-estar f\u00edsico, mental e social das pessoas idosas, com algumas evid\u00eancias demonstrando que as comunidades adotaram capacidades adaptativas e estrat\u00e9gias de prote\u00e7\u00e3o, por exemplo: volunt\u00e1rios e grupos de ajuda m\u00fatua para apoiar as pessoas idosas. No entanto, aqueles que vivem sozinhos ou sem acesso a esses apoios geralmente permanecem desconectados e isolados, particularmente aqueles sem tecnologia ou habilidades digitais (Center for Aging Better, abril de 2020). Em resposta ao COVID-19, v\u00e1rias interven\u00e7\u00f5es foram propostas para impedir que os idosos contra\u00edssem o v\u00edrus, incluindo ordens de &#8220;ficar em casa&#8221;, distanciamento e isolamento social, mas sem explorar como isso impactaria nas rotinas di\u00e1rias, na capacidade de permanecer socialmente conectado e de receber os cuidados de sa\u00fade de que necessitam (Public Health England, 2020). <strong>No mundo, medidas de distanciamento social foram implementadas com n\u00edveis variados de apoio, onde fatores econ\u00f4micos, urbanos, sociais e culturais impactam na ades\u00e3o. Por exemplo, o distanciamento social \u00e9 particularmente complexo em \u00e1reas de alta densidade e baixa renda como nas favelas no Brasil. Al\u00e9m disso,<\/strong> <strong>n\u00e3o se pode tentar simplesmente adotar as medidas de combate a pandemia, aplicadas em pa\u00edses ricos, em pa\u00edses como o Brasil, onde n\u00e3o existe pol\u00edticas nacionais de renda m\u00ednima e um `lockdown` prolongado pode levar v\u00e1rias parcelas da popula\u00e7\u00e3o \u00e0 mis\u00e9ria. Tamb\u00e9m, medidas de higiene indicadas pela OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) como `lavar as m\u00e3os com frequ\u00eancia` se torna ut\u00f3pica em comunidades que n\u00e3o possuem banheiro nas resid\u00eancias. \u00c9 importante entender o contexto social de cada comunidade e propor pol\u00edticas p\u00fablicas para atender suas necessidades durante e p\u00f3s-pandemia.<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00c9 urgente entender melhor as experi\u00eancias de idosos que vivem em diferentes contextos sociais para produzir uma base de evid\u00eancias que possa criar interven\u00e7\u00f5es destinadas a apoiar o bem-estar f\u00edsico, mental e social durante e ap\u00f3s eventos de pandemia. <strong>\u00c9 importante compreender como o bem-estar f\u00edsico, mental e social dos adultos mais velhos \u00e9 afetado pela pandemia do COVID-19 para projetarmos interven\u00e7\u00f5es urbanas socialmente apropriadas e n\u00e3o ut\u00f3picas. Ao abordar essa lacuna, este projeto busca entender melhor como a pandemia \u00e9 vivenciada, compreendida e negociada pelos idosos no Brasil, um pa\u00eds que faz parte do grupo LMICs (Low and Middle Income Countries) e em 2021 se caracteriza como epicentro mundial da pandemia do COVID-19. Busca-se propor interven\u00e7\u00f5es urbanas destinadas aos desenvolvimento de cidades e comunidades amig\u00e1veis do envelhecimento e resilientes \u00e0 futuras crises sanit\u00e1rias e humanit\u00e1rias.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A explora\u00e7\u00e3o das experi\u00eancias do COVID-19 entre idosos residentes no Brasil permitir\u00e1 uma an\u00e1lise comparativa dentro e atrav\u00e9s de diferentes contextos nacionais e comunit\u00e1rios em termos de como as respostas institucionais \u00e0 pandemia afetam as pessoas mais velhas. Ao fazer isso, a pesquisa oferece uma oportunidade \u00fanica para explorar como as comunidades podem ser apoiadas para abordar diversos contextos sociais e estruturas de pol\u00edticas e pr\u00e1ticas em tempos de pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta proposta baseia-se em parcerias de longa data que os l\u00edderes do projeto desenvolveram com organiza\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e n\u00e3o acad\u00eamicas no Reino Unido e Brasil, explorando a rela\u00e7\u00e3o entre envelhecimento, urbaniza\u00e7\u00e3o e comunidades, criando, assim, os v\u00ednculos institucionais para garantir o sucesso da pesquisa e estabelecer caminhos de impacto.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-158 aligncenter\" src=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1078\" srcset=\"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920.jpg 1920w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920-400x225.jpg 400w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920-768x431.jpg 768w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920-1536x862.jpg 1536w, https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/files\/2021\/03\/architecture-2178282_1920-624x350.jpg 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Projeto PlaceAge, que se desenvolveu de 2016 a 2019 no Brasil, mostra que a concentra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas urbanas \u00e9 alta no pa\u00eds. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o brasileira vivia em cidades em 1945, mas em 2019 essa propor\u00e7\u00e3o passou para 87%. Portanto, \u00e9 necess\u00e1rio mudar a realidade do idoso no contexto urbano, oferecendo [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":956,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-79","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/79","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/users\/956"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=79"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/79\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":245,"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/79\/revisions\/245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/wp.ufpel.edu.br\/agefriendlycities\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=79"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}