INSCRIÇÕES Grupo de Estudo: “Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea”

O Grupo de Estudo “Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea” tem por objetivo promover o debate de temas, obras e poetas brasileiros dos séculos XX e XXI, bem como a execução de projetos de pesquisa nesse campo de reflexão teórico e crítico. Os encontros ocorrem às sextas-feiras, das 9h30 às 11h30, de 14 de julho a 28 de novembro. Aberto prioritariamente a alunos de graduação em Letras e áreas afins. Certificado de 40h.
Vagas: 20

 

[aulas 29 e 30/06] Panorama Cultural da Literatura Brasileira II

João Guimarães Rosa (1908, Cordisburgo, MG — 1967)

O objetivo das aulas é apresentar o livro de contos Primeiras estórias (1962) de João Guimarães Rosa, discutindo, dentre outras questões, a linguagem, a transformação do regionalismo, o aproveitamento da cultura popular. Os contos analisados em sala de aula serão “A terceira margem do rio” e “Substância”.

Para ver/ouvir
Episódio do programa “Literatura Fundamental“, produzido pela UNIVESP,  em que o professor Willi Bolle (USP) discute a obra-prima de João Guimarães Rosa, Grande sertão: veredas (1956).

Seleção de Bolsista de Iniciação Científica

Seleciona-se bolsista de Iniciação Científica para desenvolver projeto de pesquisa no campo da “Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea”.
Vaga: 1 (uma)
Duração e valor da bolsa: até doze meses, R$ 400,00 mensais.
Requisitos do bolsista: estar regularmente matriculado em curso de graduação; ter desempenho acadêmico compatível com as atividades previstas no plano de trabalho; não ter vínculo empregatício, nem receber salário ou remuneração decorrente do exercício de atividades de qualquer natureza, inclusive os de estágio remunerado, durante a vigência da bolsa; não acumular o recebimento de qualquer outro tipo de bolsa (auxílios concedidos pela Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis não são considerados bolsas); não ser do mesmo círculo familiar do orientador.
Processo de seleção: prova sobre os poemas “Os mortos de sobrecasaca” de Carlos Drummond de Andrade e “Fotografia” de Adélia Prado; desempenho acadêmico.
Dia e local: sexta-feira, dia 23/06, às 10h30, em sala a ser confirmada posteriormente por e-mail aos inscritos.
Os candidatos devem apresentar-se à prova com Histórico Escolar atualizado.
Inscrições: até quinta-feira, dia 22/06, no formulário abaixo

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

Fotografia [Adélia Prado]

Quando a minha mãe posou
para este que foi seu único retrato,
mal consentiu em ter as têmporas curvas.
Contudo, há um desejo de beleza no seu rosto
que uma doutrina dura fez contido.
A boca é conspícua,
mas as orelhas se mostram.
O vestido é preto e fechado.
O temor de Deus circunda seu semblante,
como cadeia. Luminosa. Mas cadeia.
Seria um retrato triste
se não visse em seus olhos um jardim.
Não daqui. Mas jardim.

[O coração disparado]

Grupo de Estudo: “Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea”

O Grupo de Estudo “Poesia Brasileira Moderna e Contemporânea” tem por objetivo promover o debate de temas, obras e poetas brasileiros dos séculos XX e XXI, bem como a execução de projetos de pesquisa nesse campo de reflexão teórico e crítico. Os encontros ocorrem às sextas-feiras, das 9h30 às 11h30, de 14 de julho a 28 de novembro. Aberto prioritariamente a alunos de graduação em Letras e áreas afins. Certificado de 40h.
Vagas: 20
Inscrições a partir de 03/07, neste site.

[aulas 22 e 23/06] Panorama Cultural da Literatura Brasileira II

A poesia de João Cabral de Melo Neto (1920-1999)

O objetivo das aulas é ler o poema Morte e vida severina (1956) do poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, destacando, sobretudo, a apropriação do “romance de cordel” e a temática social. A partir desse texto, outros poemas e aspectos da produção poética de João Cabral serão discutidos.

Para ver/ouvir
Morte e vida Severina (2012), animação produzida pela TV Escola, com desenhos do cartunista Miguel Falcão.

 

[aulas 08 e 09/06] Panorama Cultural da Literatura Brasileira II

A poesia de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

O objetivo das aulas é apresentar a poesia do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, detendo-se, em virtude do recorte panorâmico da disciplina, sobretudo em Alguma poesia (1930), Sentimento do mundo (1942) e A rosa do povo (1945). A leitura dos poemas procura destacar os principais recursos formais e temas da poesia drummondiana, tais como: a subjetividade moderna, a melancolia, o sentimento “gauche”, a poesia participativa, a memória.
Poemas: “Poema de sete faces”, “No meio do caminho”, “Quadrilha”,Sentimento do mundo”, “Os mortos de sobrecasaca”, “A flor e a náusea”, “Áporo”,Morte do leiteiro”, “Notícias”. Todos os poemas em pdf aqui.

Notícias [Carlos Drummond de Andrade]

Entre mim e os mortos há o mar
e os telegramas
Há anos que nenhum navio parte
nem chega. Mas sempre os telegramas
frios, duros, sem conforto.

Na praia, e sem poder sair.
Volto, os telegramas vêm comigo.
Não se calam, a casa é pequena
para um homem e tantas notícias.

Vejo-te no escuro, cidade enigmática.
Chamas com urgência, estou paralisado.
De ti para mim, apelos,
de mim para ti, silêncio.
Mas no escuro nos visitamos.

Escuto vocês todos, irmãos sombrios.
No pão, no couro, na superfície
macia das coisas sem raiva,
sinto vozes amigas, recados
furtivos, mensagens em código.

Os telegramas vieram no vento.
Quanto ao sertão, quanta renúncia atravessaram!
Todo homem sozinho devia fazer uma canoa
e remar para onde os telegramas estão chamando.

[A rosa do povo]

Morte do leiteiro [Carlos Drummond de Andrade]

Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.

Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.

E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro…
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.

Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.

Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.

Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.

Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue… não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.

[A rosa do povo]