mar 23

Destaque à música autoral

 

Reportagem de Anahí Silveira e Larissa Patines –

Mostra A Vapor apresenta novos compositores sábado e domingo, a partir das 15h, na esplanada do Theatro Sete de Abril em Pelotas –

Rodrigo “Esmute” Farias, Ana Maia e Lauro Maia: à frente do estúdio A Vapor

 

     Indiferença. Por muitas vezes, esse é o obstáculo para aqueles que se mantêm na música através de trabalhos autorais. Na verdade, os obstáculos são múltiplos – do incentivo escasso até a falta de acesso às gravadoras -, mas talvez lidar com a desmotivação e a luta incansável por oportunidades sejam cruciais, especialmente em um país onde a cultura de massa predomine nos espaços de produção.

      Em um caminho oposto a essa indiferença está a Mostra A Vapor de Música Autoral. A descoberta, visibilidade e aposta naquilo que é feito na cidade de Pelotas são elementos facilmente identificados no projeto que abriu inscrições para aqueles que desenvolvem trabalho musical autoral e que ainda não haviam lançado seus materiais profissionalmente em áudio ou audiovisual.

     A Mostra tem como objetivo difundir e divulgar a música autoral feita na cidade, além de viabilizar registros fonográficos e/ou audiovisual dos trabalhos dos músicos, e está sendo promovida pelo estúdio pelotense A Vapor, com o financiamento da Prefeitura de Pelotas, por meio do edital de eventos da Secretaria de Cultura  (Secult).

     Ana Maia é uma das sócias do estúdio – ao lado de Lauro Maia, seu irmão, e de Rodrigo “Esmute” Farias – e organizadora da proposta que teve início em 2016, e explica como a ideia foi colocada em prática. “Começou com outro projeto que fiz, em novembro de 2015, que se chamava Lendo Música”. A ação ocorreu durante a Feira do Livro daquele ano, na praça Coronel Pedro Osório. Através de um fone de ouvido, eram apresentadas músicas feitas na cidade para as pessoas que passavam pelo local, e as reações eram filmadas. Para isso, Ana e equipe solicitaram divulgação nos veículos de comunicação locais para chamar a atenção daqueles que tivessem trabalhos gravados na cidade, pedindo que enviassem para o projeto – essas seriam as músicas apresentadas posteriormente ao público. O resultado disso foi um alcance tão grande que impressionou pela quantidade de material existente por aqui, que ultrapassa o que é geralmente visível. “Acabamos vivendo em um circuito, numa espécie de bolha que a gente não cria nem alimenta, mas é natural, acontece, porque não tem como dar conta de tudo. A gente acaba conhecendo os mesmos artistas, nos mesmos lugares. São coisas super boas, mas deixamos de conhecer muito”, avalia Ana.

     Ela destaca a reação dos participantes quando foram surpreendidos por criações locais em meio à feira literária. “As pessoas achavam inacreditável que tudo era feito em Pelotas porque existe uma ideia de que só existem estúdios no Rio de Janeiro e São Paulo”. Durante o Lendo Música a equipe ainda teve os equipamentos roubados, às vésperas da exibição do resultado do projeto, nos últimos dias da Feira, necessitando realizar novamente a intervenção para obter novos materiais.

     “A gente juntou as duas experiências”, relata Ana sobre o projeto de “apreciação pública de música” que motivou o surgimento da Mostra. Além disso, o A Vapor, com seis anos de atuação no mercado fonográfico, por si só também favoreceu a ideia pelo trabalho com grande fluxo de informações. O estúdio, que oferece serviços de produção musical, mixagem online, gravação, dentre outros, passa por um momento de grande reconhecimento, após intenso trabalho e muitos artistas envolvidos: Lauro Maia ganhou o Grammy Latino por conta do álbum “Derivacivilização”, do jovem músico porto-alegrense Ian Ramil, premiado como “Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa” de 2016. Lauro foi o engenheiro de som do CD. Sobre o reconhecimento, Ana enfatiza: “estamos tentando surfar essa onda”.

     A divulgação da Mostra foi priorizada nos bairros e, para isso, Ana e Alexandre Mattos, também da equipe do projeto, dividiram-se no mapeamento informal de localidades diversas para identificar, de fato, qual a identidade cultural de cada espaço e entender qual poderia ser o alcance da ação. “Levamos mais tempo nisso do que a gente previa por que ficou muito rico e decidimos continuar. Não tínhamos noção de que teríamos tanto [material]”, lembra.

     Ana também destaca a questão do projeto ter participado através de edital e obtido o financiamento da Prefeitura. “Uma coisa que aconteceu nos últimos anos em Pelotas e acho que é uma conquista do pessoal da Cultura é ter passado a ter os eventos por edital. Isso permitiu uma concorrência mais próxima do justo”, diz, acrescentando que artistas da cidade não conseguem participar das seleções por editais justamente por não terem material gravado com alta produção para tanto. “Isso tudo fomos observando e levando em conta para constituir esse projeto que hoje é a Mostra. A ideia principal é apresentar para o público quem são essas pessoas e o que elas fazem”.

     Através do preenchimento de formulário e breve descrição do trabalho, era possível efetuar a inscrição para a Mostra de forma rápida. E antes mesmo de encerrar as participações, o projeto já contava com um número de inscrições muito maior do que o previsto. O processo ficou aberto do início de fevereiro até 3 de março e recebeu 67 inscrições. Para Ana, a seleção é algo “doído”, pela quantidade de participantes que ficam de fora, mas também torna-se um fator valioso para motivar outros projetos.

     O resultado de toda essa articulação (e visibilização) será levado ao público durante a Mostra, nos dias 25 e 26 de março, sábado e domingo, a partir das 15h. Os 20 artistas selecionados irão se apresentar na esplanada do Theatro Sete de Abril, sendo 10 artistas por dia e cada um interpretando duas músicas. Depois disso, uma nova etapa será realizada: a mesma comissão que selecionou os artistas para os dois dias de shows escolherá alguns deles para realizarem uma produção musical em áudio e vídeo no A Vapor. “A ideia é que essas pessoas possam sair dessa experiência com esse material e possam utilizar da melhor forma”, projeta.

Banda pelotense Prof. Ludovico participa da primeira etapa que seleciona participantes de nova gravação

     Uma das bandas selecionadas na Mostra é a Prof. Ludovico, que mistura MPB, choro e  samba e é formada por Bruno Soares, César Gularte, Lucas Torres, Mauricio Schäfer e  Otonni  de  Leon.  Para  eles,  a  inscrição  quase  no  término do prazo só deixou a notícia da seleção ainda mais especial. “Nos inscrevemos na última hora, pois queríamos regravar uma das músicas. Demoramos, mas deu tudo certo. A notícia de que fomos selecionados foi muito comemorada, foi uma surpresa gratificante demais. A certeza que temos daqui pra frente é a de que devemos seguir acreditando até o fim, e que precisamos trabalhar cada dia mais. O que buscamos sempre é o reconhecimento e o momento é esse”, conta Lucas Torres. A programação dos dois dias com os horários das apresentações será divulgada em breve pela página da Mostra. Confira os selecionados:

  • Bombai
  • CAU
  • Chispa
  • D Mix Charme Rappers
  • Endrigo
  • Estação do Baixo
  • Gustavo de Oliveira Otesbelgue
  • Will e Banda
  • Laboratório Suicida
  • Leo Lelling
  • Mariozinho Porto
  • Matheus Torres
  • Mauscacos
  • Natora
  • Nilton Medonha
  • Ludovico
  • Silverdani
  • Sinais de Fumaça
  • Solidão Povoada
  • Yuri Marimon

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mar 19

Chowchiulla: Árvore experimentalista

 

Texto de  André Pereira

Música – Crítica

Capa do CD foi criada por Bruno Chaves e Gabriel Redü

     Arbo significa árvore. A árvore, em muitas considerações, é o símbolo da vida e representa a evolução sempre adiante, sempre para cima. Esse nome também pertence ao último trabalho da Chowchilla, lançado em abril de 2016.

     A banda pelotense transita desde 2012 pelos palcos da cidade e região, de lá pra cá, a formação foi alterada e hoje conta com: Bruno Chaves, na guitarra e voz, Fabricio Gonçalves, no baixo, Gabriel Soares, na bateria e Gabriel Redü, na guitarra.

     O rock do início deu lugar ao experimentalismo. Inclusive, já ultrapassou essas questões de rótulo. Como diria o sábio, existem dois tipos de música, música boa e música ruim. A Chowchilla pertence à primeira categoria.

     Com dez faixas, “Arbo” é o resultado de dois anos de composições, gravações e alguns percalços pelos quais a maioria das bandas independentes no Brasil passa. Durante o processo; a banda modificou a sua formação com a saída do guitarrista Matheus Bastos. Também por causa disso a obra levou mais tempo que o esperado para ver a luz do dia.

     O disco é conceitual, seguindo exemplos de obras como “Dark side of the moon” do Pink Floyd, ele é todo pensado para ser ouvido na ordem em que foi gravado, um recurso bastante interessante e cada vez mais fadado à extinção, pela forma atual de se consumir música.

      Outra particularidade são as mudanças de andamento durante as músicas e as diversas camadas instrumentais, algo pouco comum em tempos de canções “pasteurizadas”, produzidas e embaladas para tocarem na rádio.

     As letras abordam questões existenciais e mostram todo o amadurecimento que vieram com a estrada, nesses quatro anos de banda.

     Produção impecável, criatividade e originalidade: esse é Arbo.

     Ouça agora.

     Gostou?! Curta a página da banda!

Chowchilla em ação no show de lançamento do Arbo em frente ao galpão Satolep em abril de 2016

 

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mar 19

Mistura sonora

Com leque variado de estilos a banda MOHO ganha destaque na cena gaúcha –

Reportagem de Aléxia Tavares –

As letras de suas músicas passam por entre a crítica sociopolítica e a contemplação da condição humana

    Bruno Viana, Felipe Quadros, JP Siliprandi, Tarsis Martins e Lucas Reif se reuniram em torno de um projeto antigo de Bruno, Felipe e JP. Assim, a banda MOHO se formou em 2015, em Porto Alegre. A banda traz um leque variado de estilos musicais, formando assim uma mistura única, com pop, rock, reggae e samba. Vem ganhando destaque na cena independente da capital.

    De acordo com Bruno a formação do grupo não foi assim tão simples, mais parecendo com um quebra-cabeça. Em 2014, Bruno, Tarsis e Lucas estavam em um projeto com o grupo de rap Front LR e, no ano seguinte, surgiu a ideia de Bruno, JP e Felipe de criar uma banda. Com a inclusão de Tarsis e Lucas assim nasceu a MOHO. A formação da banda atualmente é a mesma de 2015 com Bruno Viana (23 anos) nos vocais e guitarra, Felipe Quadros (21 anos) também nos vocais e guitarra, Lucas Reif (25 anos) no baixo, Tarsis Martins (24 anos) na bateria e JP (20 anos) no saxofone, percussão e vocais.

     Em suas músicas existem mensagens que passam por entre a crítica sociopolítica, a contemplação da condição humana e o amor. As letras são compostas por Bruno Viana e Felipe Quadros e os arranjos são feitos em conjunto pela banda, para chegar ao resultado final de suas músicas. A que é carro chefe da banda, o primeiro single, é “Homens Bons”, que foi lançada no segundo semestre do ano passado e descreve de forma irônica o contexto social e político brasileiro, expondo através de jogos de palavras as contradições do discurso conservador. A música foi escolhida por eles como o primeiro single por considerarem pertinente, e uma mensagem urgente entre os temas de suas músicas, ao contexto politico social vivido atualmente. “Homens bons” está disponível em diversas plataformas como Deezer, GooglePlay, Soundcloud, Youtube e também no Spotify.

     O ano de 2016 foi de grandes conquistas para a MOHO, foram diversos shows na capital gaúcha, lançamento do seu single “Homens Bons” e também um ano de muito trabalho e preparação de novas canções. Mas não para por ai, em 2017, a banda pretende expandir seu público para além da capital, fazendo shows em outras cidades pelo Estado, além é claro de enriquecer o setlist da banda. A expectativa é lançar algumas gravações, sejam singles ou até mesmo o primeiro álbum, até o fim do ano. Isso,  “por menor número de músicas que tenha, é um lance que demanda bastante recurso e planejamento”, explica Bruno.

Siga a o trabalho da MOHO em diversas plataformas:

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     O single “Homens Bons” está disponível está disponível no Spotify, Deezer, GooglePlay, Soundcloud e Youtube

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mar 19

Breve história do cine nacional

 

Texto de Camila Porto

Cinema – Crítica

Glauber Rocha, um dos grandes nomes do Cinema Novo, orienta as filmagens

     O Brasil deve suas primeiras empresas cinematográficas por volta de 1930, que produziam o gênero chanchada, filmes que predominam o humor ingênuo, burlesco, de caráter popular. O cinema nacional cresceu mesmo foi na década de 1960, com o chamado “Cinema Novo”. O lançamento do filme “O Pagador de Promessas”, escrito e dirigido por Anselmo Duarte, é considerado o marco inicial da prosperidade cinematográfica nacional, o filme foi premiado com a Palma de ouro no festival de cinema de Cannes. No ano passado foi lançado o excelente documentário Cinema Novo, com imagens de arquivo de vários filmes que marcaram a época e constituem grandes momentos do cinema brasileiro.

     Os filmes deste período retratavam a vida real, enfatizando a pobreza, a miséria e os problemas sociais. A perspectiva era critica, contestadora e cultural. Ganham destaque aqui filmes como “Terra em Transe” do diretor Glauber Rocha.

     As décadas de 1970 e 1980 são marcadas pela queda na qualidade do cinema nacional, as críticas aos problemas sociais são deixados de lado para dar espaço às obras de consumo fácil, temáticas banais e de cunho sexual, caracterizadas como pornochanchada. Alguns cineastas não seguiram essa tendência e seguiram produzindo filmes de maior caráter artístico e social, como “Vai trabalhar Vagabundo”, de Hugo Carvana, e o famoso “Dona Flor e seus dois maridos”, de Bruno Barreto. Ainda em 1973, o Brasil cria o Festival de Gramado, realizado anualmente na Serra Gaúcha. O troféu, conhecido como “kikito” é uma figura risonha, esculpida em bronze, que virou um símbolo da produção brasileira e latino-americana.

     A chegada da década de 1990 marca a diversidade de produção. O cinema passa a ser um produto rentável. Neste momento, as produções brasileiras procuram atender todos os gostos. Comédias, dramas, política e filmes de caráter policial são produzidos no país. Com políticas de incentivo e empresas patrocinadoras, o Brasil começa a produzir filmes que geram grande bilheteria. E o filme nacional que teve a maior bilheteria de todos os tempos foi Tropa de Elite 2 (2011) com público de 11 milhões de pessoas. Há vários títulos para todos os gostos, do mais requintado, como a biografia da psiquiatra Nise da Silveira, responsável pela valorização das artes como forma de terapia, ao mais popular, como as comédias com atores da TV Globo.

 

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mar 19

Paisagens Culturais

 

 

Reportagem de Shendler Siqueira –

Secretaria da Cultura de Rio Grande divulga vencedores do concurso de fotografias –

Projeto promove resgate através da fotografia da vida e costumes da cidade

     A divulgação dos vencedores do concurso de Fotografia Rio Grande “Paisagens Culturais” aconteceu em fevereiro, no Partage Shopping Rio Grande. Tanto o evento como o concurso foram organizados pela Secretaria de Município da Cultura Rio-grandina em parceria com o shopping. O objetivo do projeto foi de promover o resgate, a preservação e difusão, através da fotografia, a paisagem, a geografia, a vida e os costumes da cidade noiva do mar, que completou 280 anos no mês de realização do evento, e contou com a participação de dezenas de fotógrafos amadores e profissionais.

     Ao todo, foram selecionadas 40 fotografias, a cores e preto e branco, para compor uma exposição coletiva no Partage Shopping Rio Grande. Dentre elas, conquistou o primeiro lugar na categoria Paisagens Urbanas a foto “Vitória da Natureza”, de Rudimar Araújo Granada, seguido pela foto “Ecos Perdidos”, de Jander Ribeiro da Silva, com o segundo lugar, e a foto “Ecomuseu da Ilha da Pólvora”, de Verônica Linhares Low, com o terceiro lugar.

     Laura Lagaggio dos Santos ficou com o primeiro lugar na categoria Paisagens Rurais, com a foto “Dentes de um Leão Qualquer”. O segundo colocado foi Felipe Lima, com a foto “Solidão ao Entardecer”. Com a terceira posição, Alessandro Barbosa Lopes, com a foto “Ilhéu Canino”. A foto “Pescador”, de Sandro de Oliveira Barreto, ficou com o primeiro lugar na categoria Paisagens Naturais. Cleber Bastos Rocha, com a foto “Corticeira”, conquistou a segunda posição e Roger Miranda Guedes, com a foto “Pôr do sol na Henrique Pancada”, a terceira.

     De acordo com o secretário de município da Cultura, Ricardo Freitas, o concurso atendeu as expectativas com boa participação e interação na página da secretaria no Facebook: “As fotos tiveram mais de 19 mil visualizações em menos de 15 dias na página da Secult. Mais de 4 mil reações, entre curtidas, comentários e compartilhamentos. Isso denota todo um sentimento de reconhecimento do seu lugar e de valorização do seu espaço por parte dos rio-grandinos”, avalia.

     Para o prefeito Alexandre Lindenmeyer, “a cidade do Rio Grande, por toda as suas belezas históricas e naturais, é um prato cheio para quem gosta ou trabalha com fotografia. E este trabalho aqui exposto (a exposição) contribui para a valorização da nossa cultura e do nosso povo”. Na oportunidade, o Chefe do Executivo sugeriu ao secretário a utilização das imagens em folders e demais materiais impressos da Prefeitura, bem como nas paradas de ônibus do município.

     Participaram da premiação, além dos citados, a primeira-dama do município e presidente da Comissão de Comemoração dos 280 anos de Rio Grande, Eunice Lindenmeyer, o chefe de gabinete do prefeito, Alexandre Protasio, a secretária do Gabinete de Programas e Projetos Especiais, Darlene Torrada, o secretário de município da Pesca, Sícero Miranda, o Coordenador de Defesa do Consumidor, Ricardo Mello, e o superintendente do Partage Shopping Rio Grande, Celso Couto.

 

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mar 19

Veganismo e caridade

 

 

Reportagem de Karen Costa Krüger e Marla da Silva Duarte –

Evento preza boa nutrição e contribui com necessitados e proteção dos animais –

Evento teve venda de diversos produtos e lanches veganos

     Aconteceu na tarde de sábado, 25 de fevereiro, a 3ª Edição do Veganique. O evento ocorreu na Praça Coronel Pedro Osório e, nesta edição, a causa era nobre: a arrecadação de alimentos não-perecíveis para as pessoas e ração para os cães moradores de rua.

    O Veganique foi uma iniciativa da ONCA Defesa Animal de Pelotas, há cerca de dois anos. Como a ONCA chegou ao fim, a proprietária do restaurante vegano Pycho Veg e ex-integrante da organização, Ingrid Sias, resolveu continuar a realizar o piquenique. O evento contou com a presença de expositores com vários produtos, lanches veganos e sorteios. Um quilo de alimento ou ração valia um cupom para concorrer aos brindes.

     Como o restaurante está diretamente ligado à causa animal, essa edição do Veganique foi em prol de ONG’s que necessitam de ajuda para alimentação, medicação, castração e para a manutenção dos cuidados aos animais. Porém, amigos da equipe Psycho Veg e ONG’s resolveram contribuir, também, para outra causa: a arrecadação de alimentos para a realização de almoços, jantas e atividades para pessoas carentes.

     “Acredito que a importância do veganismo para o mundo são as mudanças positivas que ele pode trazer – nas questões ambiental, de consciência e sociais, além de inúmeras outras. Gostaríamos muito que o mundo ouvisse o veganismo”, diz Ingrid ao ser questionada a respeito do que acredita ser o valor do movimento para o mundo. Ela afirmou, também, que essa é a missão do Psycho Veg: levar o veganismo para mais pessoas.

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mar 19

Despedida do Carnaval

Reportagem de Naiara Khastasmokia –

Mesmo após o término das festas do Momo, a Xavabanda agitou no domingo –

Desfile foi da rua Almirante Barroso até a quadra junto ao estádio rubro-negro

     No domingo, dia 12 de março, em Pelotas, a Banda Carnavalesca XavaBanda transformou a Rua General Neto em sua passarela. Um grande público acompanhou a escola em seu desfile que ocorreu a partir da Rua Almirante Barroso até sua quadra de ensaios, localizada na esquina com a Rua Juscelino Kubistchek, junto ao prédio do Grêmio Esportivo Brasil, o Xavante de Pelotas.

     A banda reproduziu uma parte do espetáculo que desempenhou na passarela do samba, que neste ano foi novamente no Porto de Pelotas, no último final de semana de fevereiro. Após o desfile de domingo, a festa continuou na quadra com os shows da Xavabanda e do Pagode dos Guris, que encerrou a noite.

     Segundo Fagner Feijó, presidente da Banda, o sentimento era o melhor possível: “É muito gratificante a gente trabalhar o ano todo para dar o nosso melhor na passarela e, agora, após o Carnaval, fazer esse grande evento sem nenhuma violência e com esse grande número de pessoas”.

     Agora, os planos e os preparativos da Banda do Povão, como também é chamada, além dos eventos durante o ano e o desfile na passarela do samba de Pelotas, será o desfile que irão fazer no Rio de Janeiro em fevereiro de 2018. Depois de tratarem da cidade maravilhosa como tema, a Xavabanda foi convidada a se apresentar por lá no ano que vem.

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mar 19

Saint Patrick’s Day

 

 

Reportagem de  Mariana Florencio e Luís Otávio Schebek –

A Irlanda desembarca em Pelotas hoje na comemoração do Dia de São Patrício –

A data corresponde a uma das festividades mais populares no país

 

     O Dia de São Patrício é um feriado nacional na Irlanda comemorado no dia 17 de março. Apesar de representar a morte do padroeiro do país, a festa é marcada por muita comemoração, bebida, comidas e a alegria do povo irlandês. Em 2006, a festa durou 10 dias, e sua fama é tanta que várias pessoas ao redor do mundo vão ao país para comemorar, ou trazem a festa para seus países.

     Em Pelotas não é diferente. O Sherlock Pub, bar temático que homenageia a cultura do Reino Unido, realiza hoje um evento de rua para comemorar o dia. Em sua segunda edição, já foi um sucesso no ano passado. Em entrevista, a sócia-proprietária Camila Souza comenta que “a proposta desse ano é fazer um evento grande de rua, com atrações temáticas que lembrem a cultura irlandesa.”

     Para este ano, várias coisas estão sendo planejadas para as pessoas se sentirem parte dessa cultura. “Vamos trazer o chopp verde, tocar um rock meio celta, enfeitar o bar, entre outras coisas”, afirma Camila. Com certeza, o mais esperado do evento é o chopp verde. Essa cerveja foi criada na Irlanda exclusivamente para a comemoração do dia, já que o verde é a cor que representa o país, pela sua natureza exuberante e pelo famoso trevo de quatro folhas. Para chegar à coloração, adiciona-se uma dose de menta à bebida, que é feita de forma artesanal.  

     Além do chopp, as pessoas vão encontrar várias barracas com comida de rua. O som fica por conta da banda The Woods, já popular nos eventos e festas da cidade, que vai tocar o tradicional rock celta. Esse tipo de música é comum na Irlanda, e é influenciada pelos povos celtas que lá moraram, que misturam o ritmo tradicional com o rock, criando esse estilo.

     Para quem quiser provar um pouco da cultura irlandesa, o evento acontece hoje a partir das 16h, na rua Três de Maio, entre as ruas Félix da Cunha e Gonçalves Chaves, com entrada franca. Além do Sherlock, o Dia de São Patrício será comemorado no Venerável Beer, Bazar da Cerveja, The Kraken Pub e o Botequim das Gordas.

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mar 19

Ballet em Pelotas

 

 

Reportagem de Calvin Cousin –

Várias modalidades e histórias memoráveis da dança nas escolas da cidade – 

 

Aula na Escola de Ballet Dicléa: formação na modalidade clássica dura cerca de dez anos  (Foto: Divulgação)

           

     Quem olha para um corpo de ballet e não enxerga além da graça e delicadeza apresentadas, nem imagina a imensa dedicação, esforço e técnica aplicados pelos bailarinos. A formação na modalidade clássica dura cerca de dez anos, se iniciada, preferencialmente, por volta dos sete anos de idade. Na cidade de Pelotas existem duas escolas voltadas exclusivamente para o ensino da dança: a Escola de Ballet Dicléa Ferreira de Souza e a PLESS – Studio de Ballet.

Dicléa de Souza, a história do ballet pelotense encarnada

     A homônima professora de dança, mestra de ballet, proprietária e diretora da escola (atualmente aos cuidados de sua filha, Daniela) já virou tema de livro e enredo (vencedor) de escola de samba. Recebeu diversos prêmios e homenagens, inclusive o título de Cidadã Pelotense, em 1991. No Rio, integrou a escola de dança Maria Olenewa, do Theatro Municipal, como solista e membro do corpo de baile. Veio às terras sulinas, vinda do Rio de Janeiro, em julho de 1958, após seu casamento. “Cheguei em julho e em agosto já estava trabalhando. Comecei dando aulas no conservatório Angelo Crivellaro, um conservatório de música. Já tinham 118 crianças me esperando, e eu dava uma média de oito horas de aula por dia. Em 1960, abri minha própria escola,” conta a bailarina.

     Operando, originalmente, na Rua Félix da Cunha, a primeira grande apresentação da escola aconteceu em 1961, no Theatro Guarany. Nas palavras de Dicléa, “foi um horror”. Em função do tamanho do teatro, não era possível realizar um espetáculo apenas com piano, logo, foi convocado o maestro Tagnin, que precisava de músicos da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) para a apresentação, trazendo os três primeiros violinos, o oboé, o violoncelo e alguns outros instrumentos. As partituras vieram do Rio de Janeiro, com segmentos de “Le Sylphides” e das “Bodas de Aurora” (uma parte da “Bela Adormecida”). Durante a apresentação, devido a problemas e atrasos durante os ensaios, o maestro anunciou de capo primo!, que significa “começar tudo de novo”. Dicléa gritou do palco: “dá capo primo! coisa nenhuma! Vai só no piano”. E o restante do espetáculo foi acompanhado apenas pelo piano, enquanto os músicos da OSPA fugiram para a Praça Coronel Pedro Osório, envergonhados.

     Isso não impediu a escola de fazer sucesso, recebendo milhares de alunas e alunos ao longo dos anos. Participações vitoriosas em festivais em Joinville fizeram com que o nome Dicléa fosse reconhecido a nível nacional. Hoje, a escola se encontra em um novo endereço, na Rua General Osório, e participa de festivais em lugares mais próximos, “porque as crianças gostam e se sentem importantes ao participarem deles”.

     Ensinando, prioritariamente, o ballet clássico, por ser a base de tudo na dança, a escola também dispõe aulas para adultos e baby class, para crianças com menos de sete anos. Utilizam-se muito os ballets de repertório, não apenas pela didática, mas também para aproximar o público da cidade da experiência de ballets profissionais. “Criamos um público em Pelotas, tornando os espetáculos de repertório acessíveis para aqueles que não têm condições de assistir a um ballet fora. No final do ano passado fizemos “O Quebra-Nozes”, que, modéstia a parte, foi um baita sucesso. O público veio abaixo”, lembra a professora.

     A escola conta com quatro professoras e, aproximadamente, duzentos alunos, muitos originários do projeto A Magia da Dança, uma parceria com a Universidade Federal de Pelotas – UFPel, para dar aulas de ballet para crianças de bairros periféricos, na faixa dos oito aos 14 anos. Ainda que encontre resistência, o número de alunos homens vem aumentando, muitos deles estudantes universitários. Entre suas duas salas de aula (uma para baby class e outra para o clássico) e a boutique para venda de materiais de dança, a instituição apresenta diversas fotografias em preto e branco de Dicléa em meio de seus repertórios.

O Ballet Fitness

     Um estilo cuja popularidade tem crescido (inclusive entre famosos, como Grazi Massafera e Flávia Alessandra) é o Ballet Fitness, criado pela bailarina Betina Dantas, após uma lesão que a impossibilitou de seguir praticando o ballet clássico. Para não ficar parada, a profissional aproveitou sua formação em Educação Física para criar uma aula que misturasse movimentos do ballet com exercícios do mundo das academias. Alguns estabelecimentos de Pelotas ofertam aulas da modalidade, como a Escola Dicléa, sob o nome de moving dance, e a Academia Spazio, cuja professora é Nicole Gonzales. Formada em Educação Física pela UFPel, com mestrado na área pela mesma instituição, Nicole explica como funcionam as aulas:

     “São realizados abdominais, exercícios para braços e glúteos, além dos movimentos dos ballets tradicionais, como pliés (dobras dos joelhos), tendus (esticar uma perna ao lado do corpo enquanto a outra fica estática) e frappés (pousar um pé sobre o tornozelo do pé de apoio).” Os alunos realizam movimentos na barra, no chão e no centro, sem acompanhamento de música clássica ou apresentações externas, por ser uma atividade incluída nos currículos das academias como alternativa para quem quer se exercitar e tem gosto pelo ballet, mas não por exercícios com pesos. A modalidade é aberta para aqueles que nunca praticaram a dança, ajudando no fortalecimento muscular, na queima de calorias e na melhoria do equilíbrio, respiração, postura e flexibilidade.

     O Ballet Fitness é uma franquia, embora muitos professores utilizem de seus conhecimentos em educação física e ballet clássico para darem aulas, como é o caso de Nicole. “O curso de master só é realizado em capitais e, assim, possui um custo muito elevado para participar”. Contudo, diversos países, como os Estados Unidos, o Canadá e a Espanha, apresentam modalidades semelhantes, mas que trabalham com outros nomes, como Ballet Workout, Ballet Beautiful ou Barre Ballet. Mesmo com as inovações, o Ballet Fitness reforça a ideia de que, realmente, o clássico não cai, como diria Dicléa de Souza.

Um novo espaço para bailarinos

      O Studio PLESS, fundado em março de 2013 por Diego Porciúncula e Jean Coll, tem por objetivo a formação de bailarinos a nível técnico e artístico. Jean estudou com Dicléa, já na fase adulta, assim como Diego, que trabalhou com a mestra como professor de ballet, além de ter participado da companhia do Teatro Guaíra, em Curitiba. Ao voltar para a cidade, abriu a escola para ter maior autonomia e explorar o lado artístico da dança. “O técnico é aquilo que se aprende como matéria, mas ele fica muito frio no palco, então exploramos o artístico para trabalhar com a expressão facial e emotiva do bailarino”, afirma Jean.

      Com três modalidades, cinco professores e cerca de 120 alunos, a PLESS é uma escola exclusivamente de ballet. O ballet clássico de formação é dividido em níveis, que se estendem por cerca de dez anos, o período ideal para a formação de um bailarino clássico, que pode desempenhar papéis de destaque em qualquer ballet.

      Um diferencial do Studio é a carga horária de ensaio maior do que a de outros grupos da região. Utilizando como referência escolas do exterior ou companhias como a Bolshoi, que possui um centro em Joinville onde os bailarinos ensaiam cinco vezes por semana, algumas vezes durante todo o dia, a PLESS busca aproximar a realidade do ballet gaúcho com as de outros centros mais estabelecidos. São realizados três treinos semanais de uma hora e meia, ao invés das tradicionais duas aulas de uma hora. Para Jean, o correto para se obter um bom desempenho técnico seria pelo menos três horas de ensaio por dia, embora seja muito difícil consagrar a prática na região, devido ao preconceito e às questões do nativismo. “Quanto mais estudares, mais aperfeiçoado tu vais estar.”

      Ainda, a escola disponibiliza o Ballet Adulto, tanto para aqueles que nunca dançaram quanto para aqueles que praticaram durante a juventude, mas passaram muito tempo parados, e o Ballet Funcional, sem restrição de idade, desenvolvido pelo próprio professor Diego. Essa modalidade é composta por aulas de ballet que funcionam como exercícios físicos sem alto impacto ou os grandes saltos que existem nas outras duas categorias. A ideia do Ballet Funcional é semear os benefícios físicos da dança, como o tônus muscular, a boa postura e questões cognitivas, pela alta exigência que as bailarinas têm em se concentrar para contar a sequência de passos e o tempo de música. A categoria se diferencia do Ballet Fitness pelo fato de a segunda modalidade apresentar exercícios de alto impacto, impróprios para pessoas de mais idade ou com problemas de saúde.

     Por ser uma companhia nova, a PLESS apresentou poucos espetáculos, sendo eles “Cinderela” e, no final de 2016, “O Quebra-Nozes”, assim como a escola de Dicléa. A obra apresenta, em seu segundo ato, uma visita do “Quebra-Nozes” e da personagem Clara à Terra dos Doces, ou seja, Pelotas. Ao se apresentarem na cidade, as escolas mostram que a vida, algumas vezes, imita a arte.

  • Escola de Ballet Dicléa Ferreira de Souza

                  Localização: Rua General Osório, 1427

            Contato: (53) 3225-7975

  • Academia Spazio – Fitness & Wellness

                  Localização: Rua General Telles, 710

            Contato: (53) 3222-0491

  • PLESS – Studio de Ballet

                  Localização: Rua Santa Cruz, 2589

                  Contato: (53) 3028-0029

 

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mar 18

História e tradição doceira

 

 

Reportagem de Juliana Rossler Ramires –

 

 O Museu do Doce UFPel foi criado em 2011 para celebrar a gastronomia local –

O prédio que sedia a instituição foi construído em 1878 a mando de Francisco Antunes Maciel, político pelotense

 

     O Museu do Doce da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) situa-se no Centro Histórico da cidade, no Casarão 8, situado na Praça Coronel Pedro Osório. O projeto foi criado em 2011, com o objetivo de preservar a memória da tradição doceira da região sul, tendo como compromisso produzir conhecimento sobre o patrimônio cultural.

     O museu apresenta diversos projetos que visam preservar e produzir conhecimento sobre a região sul, como o Laboratório de Educação para o Patrimônio (LEP). Pretende refletir sobre os museus como agentes educativos. Ao mesmo tempo, busca colaborar para qualificação das ações educativas oferecidas pelas instituições museológicas do Rio Grande do Sul.

     A instituição também abriga um programa de extensão vinculado ao Departamento de Museologia, Conservação e Restauro da UFPel, que visa democratizar o conhecimento por meio da acessibilidade, chamado o Museu do Conhecimento para Todos. Esse projeto conta com a participação de acadêmicos de diferentes cursos de graduação da universidade.

A principal exposição

     A exposição principal é um resultado do projeto de extensão o Museu do Conhecimento para Todos. “Entre o sal e o açúcar: o doce através dos sentidos” possui uma série de recursos que visam ampliar a capacidade expositiva do museu. Promove o doce como uma memória local que é compartilhada por gerações. Na exposição, é também possível conhecer a história associada ao sal, que simboliza as charqueadas localizadas no município, durante o século XIX e início do século XX. 

 O casarão 8

     O local que abriga o museu é um casarão imponente, que por si só já diz muito sobre a história da cidade. O prédio foi construído em 1878 a mando de Francisco Antunes Maciel, político pelotense, que entre diversos cargos políticos foi até conselheiro do Imperador. A construção foi moradia da família do conselheiro até 1950, sendo tombada em nível federal em 1977, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), e comprada pela UFPel em 2006. O projeto de adequação das instalações para o Museu do Doce começou em 2010 e, somente em 2013, o processo foi concluído.

Horário de funcionamento e passeio virtual

     O museu funciona de domingo a sábado, das 14h às 17h30min. Mas é possível conhecer um pouco das instalações sem visitá-las presencialmente, por meio do passeio virtual. Nesses vídeos, é possível observar detalhes da construção que ajudam a exemplificar o período de intenso fluxo econômico na Princesa do Sul.

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